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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ética e Indiferença - Ser ou não ser?

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O OCASO DE UMA ESTRELA






O "DIA D" está chegando, e muitas questões a respeito dos programas partidários (eles existem?) não foram respondidas, deixando atônitos aqueles eleitores que não se sentem confortáveis com qualquer alternativa de candidatos posta à nossa disposição. Esta é a antiga e surrada classificação de ideologias de "direita" e "esquerda": "Os termos "esquerda" e "direita" apareceram durante a Revolução Francesa de 1789, e o Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei, à direita do presidente, e simpatizantes da revolução, à sua esquerda." (Wikipedia)

Somente quase dois séculos depois, durante a guerra fria, que "direita" passou a simbolizar os políticos conservadores, reacionários e aristocráticos, e "esquerda" os comunistas, marxistas, socialistas, revolucionários. Mas isso não é mais verdade, e os partidos se mesclaram em "ofertas" ideológicas dignas de enrubescer qualquer filósofo marxista! A dicotomia não mais existe.

Hoje, a questão é mais complexa ("Diga-me com quem anda e lhe direi quem você é")! Olhando o amplo e heterogêneo espectro político que define as ideologias do PT e PSDB, sobra um conglomerado disparatado e amorfo, pronto para aprovar qualquer proposta encaminhada ao Congresso. Apenas para citar o PT, como exemplo mais grave, que, em 2010, compôs uma "base aliada" de 22 partidos políticos: PT, PMDB, PC do B, PRB, PSB, PR, PTB, PV, PDT, PP, PDB, PT do B, PRTB, PRP, PMN, PHS, PTN, PSC, PTC, PSD, PSDC e PSL. Como imaginar que grupos tão heterogêneos podem caminhar juntos sem ferir os princípios partidários de cada legenda? O resto dos 30 partidos, na ocasião, se aliou ao PSDB para formar a "oposição", murcha, incompetente e insípida, que deixou o PT de Dilma fazer o que queria durante quatro anos! Como contestar agora?

Afora a campanha raivosa de ambos os candidatos, e a histeria dos petistas aloprados que pululam nas ruas, com suas buzinas e apitos, perturbando nossa paz, pouco restará dessa eleição que possa lembrar, de longe, os princípios democráticos sobre os quais se fundamenta a Nação Brasileira. Promessas inexequíveis, mentiras, calúnias, ofensas pessoais, uso de dinheiro público nas campanhas e fora delas, falsidade ideológica, ocultação de informações que demonstram realidades diferentes entre a visão dos candidatos e seus partidos, e os fatos vergonhosos de um governo corrupto, colocados debaixo do tapete, até que o resultados das urnas confirmem o vencedor, pois tudo isso não importa ao eleitor.

A manipulação de números, muitas vezes falsos e sempre descontextualizados, é grosseira e afronta nossa inteligência. Porém, a massa ignara, tornada vassala do PT, não perceberá que, mais uma vez, foi ludibriada e iludida com falsas promessas impossíveis de se realizar. Cabe a nós, conscientes dessa realidade perversa, lamentar que somente dentro de quatro ou cinco anos teremos uma nova oportunidade de mudar esse nosso país. Certamente, sem o apoio das ruas. Parece que a Nação brasileira não percebe que não tem como reparar os danos dessa campanha podre, fedorenta, medíocre, levando um dos dois piores candidatos a tomar posse no Palácio do Planalto, trocando ou não o inquilino da Alvorada. Serão 1490 dias (ou 1625, se as regras eleitorais mudarem) de angústias e remorsos pela escolha malfeita. Minha única opção, infelizmente, foi a grande vítima dos "processos de desconstrução" promovidos no 1º turno.

Como evoluirão os acontecimentos nesse futuro próximo?

Se não houver a troca da guarda, o que teremos é mais um governo frouxo, permeado de escândalos financeiros, engordando os bolsos dos financiadores de campanha através de obras superfaturadas, mal administradas e inacabadas, a a "evolução" de um modelo político clientelista e medonho, fazendo estremecer as memórias dos poucos políticos que prestaram neste país, a despeito de suas ideologias. Certamente, teremos novos capítulos do drama latinoamericano: "O Bolivariansmo como instrumento de desconstrução das elites"!

Se esses oportunistas forem, finalmente, retirados de circulação (pelo menos nos corredores do Planalto), haverá um esforço tênue de saneamento das finanças públicas, uma frágil tentativa de recuperação dos valores morais da sociedade, mas poucas ideias criativas, uma vez que os financiadores de campanha foram os mesmos para ambas as candidaturas. Talvez a inflação volte ao controle, talvez a estrutura petista nos ministérios e empresas estatais seja parcialmente desmontada, talvez a reeleição para os cargos do executivo seja banida, retomando o período quinquenal de mandatos eletivos, reunificando as eleições em todos os níveis.

Mas, de sólido, de concreto, pouco se fará, pois as ideias novas se esgotaram com o desaparecimento dos políticos que sobreviveram à ditadura, mas pereceram nas praias da corrupção que tomou conta das instituições públicas. Pode ser que o financiamento de campanhas seja regulamentado para onerar os bolsos dos contribuintes, mas os bolsos que se encherão com as propinas serão os mesmos de agora, visto que, de profundo, de revolucionário, nada acontecerá. Maquiadas as regras da política, corruptos e corruptores voltarão a circular livremente pelos corredores do pode central; empreiteiras continuarão a transferir dinheiro para as contas de políticos nos paraísos fiscais; a Natureza, os Indígenas e os Quilombolas continuarão a ser tratados como escória humana, em favor das mega-construções, dos assentamentos na Amazônia e da mineração, que terá, finalmente, seu "marco regulatório" confirmado no Congresso Ruralista, e os ministros dos tribunais superiores continuarão a disfarçar, em sua linguagem medieval de palavras arcaicas e de conteúdo indecifrável, os favorecimentos das causas ganhas (ou perdidas?) aos salafrários sustentados pelo poder central.

Enfim, tivemos a oportunidade de ouro, com Marina Silva, e a desperdiçamos, assim como o povo Norte-Americano desprezou a escolha de AL Gore em favor de George Bush! Tenho pena daqueles que pensam ser heróis, mas não passam de cordeirinhos estúpidos, assentindo com a cabeça a ordem de seu chefe travestido de sapo barbudo, de voz grossa e rouca, de frases mal construídas, permeando as fronteiras do grotesco, do hilário e do folclórico! Que sejam felizes com suas escolhas; nos encontraremos no futuro...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

IndigNação


Perdeste, de nós, o respeito, Pátria minha,
Mãe tão pouco gentil…
Terra em que tudo se dá,
Fecundada a bem só de poucos,
Estuprada de má semente,
Parida na escuridão !…

Indigna é essa Nação
De cabisbaixa Gente calada,
Descrente de seu Porvir…

Onde brilhará o Sol de nossa Liberdade,
Se seus fugidios raios
A poucos, somente, aquece,
Aos poucos se arrefece,
Minguando-se a energia,
Desnutrido em alegrias,
Da Alma que se perdeu ?!!!

Proscrita a Ideologia,
Quem irá nos resgatar
A Honra, a Justiça, a Igualdade ?…

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

QUEM VOTA NO PT?




"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

Os Petistas, espécie de fanáticos trotskistas xiitas fundamentalistas, que se consideram os únicos donos da verdade, os heróis salvadores da Pátria, identificados por uma pseudoidentidade latino-americana denominada "Bolivarianismo", cujo líder máximo foi o ditador Hugo Chavez, e que pretendem implantar, no Brasil, o velho e fracassado comunismo, a qualquer preço, e à revelia da população, pois acreditam ser esta a sua Missão na Terra.

Os oportunistas safados que, como moscas varejeiras, vivem dos excrementos da política corrupta que dominou o país, e se aproveitam do fanatismo petista para roubar a Nação, pois sabem que o PT acredita que "os fins justificam os meios", e a Justiça já teria sido comprada com o dinheiro do Escândalo do Mensalão e de outros golpes sujos, como os da Petrobrás.

Os "inocentes úteis", pobres e iludidos usuários dependentes do Bolsa Família e de outras políticas assistencialistas implantadas pelo PT em seus 12 anos de triste e arrogante dominação, em que se esqueceram do Partido Ético que tanto nos encantou, mas ficou no passado, como amarga lembrança de nossas lutas pela democratização do país.

Em qual grupo você se encaixa?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"DESCONSTRUIR" MARINA SILVA

Existe uma "estratégia" da oposição, por parte de Dilma e de Aécio, para "desconstruir" Marina Silva. Diante da incapacidade intelectual e da falta de dados comprometedores, esses insetos políticos partiram para o ataque, mesmo sem nenhuma consistência factual. É o desespero de ver a maçã cair da árvore e espatifar-se contra as pedras do caminho que os faz agir assim, de forma tão covarde e inútil.

Sim, inútil, na medida em que, mesmo vencendo, eles não levarão nada além da certeza de que trapacearam. E a vergonha desses atos mesquinhos os acompanhará até a morte política, que virá em breve, não importam os resultados de tamanha pequenez humana. Certamente, nenhum dos dois oponentes possui a inteligência, a sabedoria, a sensibilidade, a honestidade, a ética de Marina Silva. Por isso, a História será o algoz da vingança, que jamais partiria de Marina Silva, tanto pelo seu caráter incorruptível, como por suas crenças religiosas ou mesmo convicções éticas.

Para que eles querem tanto o poder, a ponto de ofender de forma tão baixa uma criatura essencialmente do bem? Para que o poder se eles não têm competência para usá-lo com sabedoria para o engrandecimento de nosso país? Apenas para perpetuar esse poder com o qual nunca souberam lidar, compartilhando com bandidos o fruto de seus crimes?

Para "desconstruir" Marina Silva seria necessário voltar no tempo e eliminar a história edificante dessa mulher notável, que nunca matou ninguém, nem com atos, nem com palavras; nunca praticou manobras sibilinas para trair seus companheiros de ideologia, como o fizeram Dilma Rousseff, José Dirceu, Luiz Inácio "Lula" da Silva, Delúbio Soares, José Genoíno, Celso Daniel, Luiz Gushiken e tantos outros membros do partido "ético" que um dia imaginamos ter existido!

Se o PT está no poder, é porque acreditamos nele, em uma suposta ideologia socialista, em uma pretensa "ética" que jamais tiveram. Se votamos no PT foi para banir o MAL de nosso país, representado pelos rastejantes vassalos da Ditadura Militar, como José Sarney, Renan Calheiros, Paulo Maluf, Edson Lobão, dentre tantos que, hoje, se escondem por detrás dos gabinetes do Palácio do Governo, do Congresso Nacional, dos Ministérios e Empresas Públicas.

NÃO! Jamais Dilma ou Aécio conseguirão "desconstruir" Marina Silva, pois antes que isso pudesse acontecer, ela certamente abriria mão de seu projeto de vida e deixaria a política minúscula, como deixou o PT quando Dilma (sempre ela) a traiu e, em conchavos com seu tutor Lula, puxou o tapete do Ambientalismo para aderir ao agronegócio, às obras faraônicas das empreiteiras, à mineração e aos banqueiros, e à devastação da Natureza.

Se coloco Aécio neste mesmo "caldeirão de bruxa" é porque ele está traindo a NAÇÃO BRASILEIRA neste instante, fazendo o mesmo jogo sujo do PT, por simples ambição política mesquinha e rasteira! Sim, Aécio JAMAIS subirá a rampa do Planalto por competência própria, assim com Dilma também não subiu! Ela foi arrastada para dentro do Palácio pelo seu tutor LULA, pois ela jamais teria competência para vencer uma eleição sozinha, como não tem hoje.

Então, por que ela está "bem" nas pesquisas? - perguntaria um eleitor ignorante. Pela simples razão de que o Partido dos Trabalhadores ROUBOU  a consciência do povo com essa maldita BOLSA FAMÍLIA, um instrumento de aliciamento imoral do povo pobre, que não "melhorou de vida", como apregoam seus idealizadores, mas apenas vive das esmolas do poder! Tirem a mesada desse povo e, instantaneamente, por um passe de bruxaria, eles voltarão à condição real de suas vidas miseráveis, pois nada foi feito para que eles se EMANCIPASSEM! Eles apenas sobrevivem e gastam dinheiro (consomem) para que o governo tenha um aumento da demanda interna para justificar a inflação de 6,5% ao ano, e um "PIB" insignificante.

Como "desconstruir" Marina? Como desfazer uma vida inteira dedicada ao bem do próximo? Ainda que não tenhamos a mesma fé (eu não tenho nenhuma), não podemos ignorar que ela tem uma força interior que a projeta muito além de sua pequena figura humana. Sua alma, seu espírito, não podem ser comparados com essa caricatura que frequenta o poder e o Planalto, sem jeito, sem habilidade, sem competência, sem coerência ideológica, chamada Dilma...

Ninguém desconstruirá MARINA SILVA, pois ela se fez por si mesma, não precisou de um tutor, como Dilma, que se julga "acima de qualquer suspeita", e finge não saber de nada, de nenhuma sujeira arrastada para debaixo dos tapetes palacianos pela sua "equipe" de ladrões, que se apropriou das riquezas de nosso povo, iludindo-o, bestificando-o com migalhas de sua mesa farta dos frutos dos larápios em que se tornaram nas lides do MENSALÃO e nas malandragens da PETROBRÁS, nas licitações viciadas das hidrelétricas, ganhas, justamente, por aqueles que financiam suas campanhas, como ANDRADE GUTIERREZ, OAS, FRIBOI, "Famiglia" Maggi e tantas outras que se enquadram como "beneficiárias" das POLÍTICAS PÚBLICAS!

Estou certo de que jamais me arrependerei de ter votado em MARINA SILVA, pois comungo de suas ideias, acredito em seus bons propósitos, tenho certeza de que ela JAMAIS se curvará ao antro de perdição em que o Congresso se transformou, no balcão de negócios dos que fazem da vil política sua profissão, a despeito do sofrimento das camadas mais pobres da população!

NÃO! MARINA SILVA NÃO SERÁ "DESCONSTRUÍDA" POR ESSES FRACOS!

Se não for para vencer, com dignidade, uma eleição, é melhor não vencer... lamento dizer isso, mas o que vejo (e lamento) são pessoas que se julgam "do bem" e votam nesses cretinos, que nada têm a oferecer, senão sua própria alma, já de há muito entregue ao DIABO!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

"RICARDO ABRAMOVAY: O QUE É A VIDA?" [Antônio Abujamra - Provocações]




Programa 673 da TV Cultura de São Paulo, com o professor de economia Ricardo Abramovay - exibido em 09/09/2014

Ricardo Abramovay, sociólogo, é professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP. Entrevista feita pelo genial Antônio Abujamra!
Neste mundo em que vivemos, repleto de contradições, é gratificante encontrar pessoas que se diferenciam, justamente, pela sua lucidez e inteligência. O encontro de Abujamra com Abramovay é um acontecimento memorável, digno de reflexões profundas quanto à condução de nossas vidas.
Mas também é uma reflexão a respeito dessa sociedade construída pelo Capitalismo consumista, que ignora noções de Bem-Estar Social e Ética. Curiosamente, o Capitalismo foi construído, ou melhor, concebido, sob o pretexto de criar uma sociedade em que o bem-estar seria um estado permanente do ser, e que ficou conhecido pela expressão "Welfare State", cunhada por John Maynard Keynes, falecido em 21 de abril de 1946, ao final da Segunda Guerra Mundial.
No entanto, quão distante estão as sociedades contemporâneas desse ideal keynesiano! Vivemos em um mundo individualista em que prevalecem as relações de interesse, onde a Ética é desprezada por quem comanda as nações, e os indivíduos não conhecem a paz e a harmonia, requisitos necessários para que haja Bem Estar Social. Estamos destruindo o planeta, e todos se comportam como se não existisse o "amanhã". E, de fato, não existirá, caso o sistema de produção capitalista continue dominando os processos de enriquecimento das nações.
Neste momento da vida nacional, vale a pena refletir sobre essas questões: Ética, Movimentos Sociais, Economia Sustentável, Justiça Social, Honestidade, Virtude, Solidariedade...

AFINAL, O QUE É A VIDA?

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Lideranças Políticas no Brasil Contemporâneo

Transmissão de cargo de Presidente da República
Luís Inácio (LULA) da Silva e Fernando Henrique Cardoso (FHC)

Ao refletirmos sobre os nossos líderes contemporâneos (depois dos 21 anos de ditadura militar), evidentemente, não poderíamos deixar de destacar esses dois grandes personagens, e mais ninguém. Fernando Henrique, porque representou a grande esperança de uma revolução cultural (no bom sentido dessa expressão) e a condução do Brasil para uma sociedade social-democrata, eficiente, justa e focada em um Desenvolvimento Sustentável, com qualidade de vida. Lula, porque  representou a redenção dos movimentos sociais, a igualdade étnica, a defesa da Ética e da Justiça, e um caminho seguro para uma sociedade socialista.

Infelizmente, nenhum dos dois realizou nossas expectativas.

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo conhecido internacionalmente como personalidade de esquerda, exilado durante a ditadura, primeiramente no Chile e depois em Paris, com cátedras no Brasil e Europa, revelou-se um aristocrata, defensor das elites (não as culturais, mas as sociais), e conduziu o país rumo à Globalização e a um desenvolvimentismo que o aproximaria de um Capitalismo predatório e nada sustentável. Atribui-se a FHC a frase "Não me cobrem coerência com minhas ideias acadêmicas, pois agora preciso governar, e isso requer alianças que possibilitem a governabilidade"! Verdadeira ou não, esta frase identifica com clareza o seu período no poder. FHC conseguiu reestruturar a dívida pública federal e dos estados, e estabilizar a Economia, estabelecendo regras claras de austeridade, que se tornaram conhecidas como a "Lei de Responsabilidade Fiscal", que definiria a obrigação de todos os entes federados a administrar com seriedade seus compromissos financeiros. Mas fez isso às custas de alianças com o pior entulho da ditadura: esses falsos líderes que hoje dominam os debates no Congresso através de discursos de uma oposição raivosa, corrupta e incompetente.

Lula, metalúrgico e líder sindical, que nos anos 1980 reuniu no Partido dos Trabalhadores a nata dos socialistas e dos assalariados, brandindo o estandarte da Ética e da Justiça Social, até conseguiu valorizar os movimentos populares e atender a muitas de suas reivindicações; restaurou significativamente o valor do salário mínimo, construiu métodos participativos nas decisões em todas as esferas de governo, e teve amplo reconhecimento internacional pela sua liderança incontestável. Até iniciou um trabalho eficiente de gestão ambiental, sob a liderança de Marina Silva. Porém, suas alianças "em nome da governabilidade", que aprendeu rapidamente com FHC, e das quais se apropriou com maestria, tornaram insustentáveis essas políticas e, aos poucos, o governo foi assumindo sua feição definitiva de apoio aos grandes empreendimentos e à política de favorecimento ao agronegócio, em detrimento das maiorias da população. Preparou sua ministra predileta, Dilma Rousseff, para substituí-lo após seu segundo mandato, nomeando-a gestora do PAC, um amontoado de projetos mal-elaborados e sem consistência. Finalmente, ao indicar Dilma para sua sucessora, cometeu seu erro definitivo, colocando tudo a perder nos quatro anos que se sucederam. Ela, despreparada e desprovida de carisma, com tendências à gestão autoritária, se indispôs com a "classe" política e se apoiou em grandes projetos de hidrelétricas na Amazônia e no apoio irrestrito ao agronegócio como sustentáculo da Economia.

Duas grandes lideranças, duas enormes esperanças, duas frustrações para a Nação brasileira! E, o pior: não temos outras lideranças que possam conduzir o país em direção ao futuro que todos almejamos! Todos aqueles que permanecem na pauta da política estão comprometidos com o passado perverso do período militar: Collor, o "salvador da pátria" e responsável por uma política irresponsável, corrupta e devastadora com relação às instituições públicas; Sarney, filho da ditadura e chefe do pior "Clã" político que o Brasil conheceu; Paulo Maluf, Renan Calheiros, Jáder Barbalho, Romero Jucá, Blairo Maggi, Aécio Neves, Kátia Abreu, todos representantes do que existe de mais comprometido com as falcatruas, conchavos, irregularidades, negociatas. Isto, apenas para destacar notórios representantes do Congresso!

Mais ainda, formaram-se no Congresso duas bancadas nefastas: a dos RURALISTAS, que fazem de tudo para acabar com nossa legislação ambiental, que já foi uma das mais avançadas do mundo, e a dos EVANGÉLICOS, sectaristas, reacionários, que apenas atuam por interesses mesquinhos e inconfessáveis de seitas religiosas comprometidas com a expropriação de pequenas poupanças populares para se enriquecer e ampliar seu poder. E ambas atuam, também, para extinguir as políticas étnicas, quilombolas e indigenistas, de nosso país!

Este ano teremos, talvez, a mais importante eleição da história contemporânea, não pelos seus candidatos, todos inexpressivos e irrelevantes, mais pelas consequências de nossas escolhas. Parafraseando Lula, "nunca antes, na História desse país", tivemos uma "classe política" tão desacreditada, tão suja, tão comprometida com a corrupção e com crimes de toda natureza, como o que presenciamos hoje! E não há exageros nessa afirmação, pois esse é o sentimento que levou a quase totalidade do público que lotava o Estádio de futebol na abertura da Copa a vaiar e a ofender a presidente Dilma com frases pesadas e expressões do mais baixo calão!

A "ofensa", ou melhor, o protesto não foi dirigido apenas a Dilma Rousseff pelo pior governo que já passou pelo período histórico republicano, mas a todos os políticos, que envergonham o Brasil diante do mundo! Nesses seus quatro anos de (des) governo, Dilma conseguiu desconstruir tudo que foi feito, bem ou mal, com equívocos e acertos, por FHC e LULA! O país caminha para a crise econômica e para uma situação de impasse institucional que poderá provocar um tremendo retrocesso na construção da Democracia. Por pior que seja hoje, mais um período petista no governo será catastrófico e, talvez, irreversível para nossa Nação.

Escolher Aécio Neves ou Eduardo Campos será totalmente irrelevante. Nenhum dos dois tem, em seus currículos, uma obra que assegure um bom governo ou, pelo menos, uma biografia edificante e admirável, como tinham Lula e FHC. Os primeiros passos de ambos os candidatos foi no sentido de reforçar suas alianças com o agronegócio e com a preservação do "status quo", ou seja, desenvolvimentismo inconsequente, e desprezo ao Meio Ambiente, às populações indígenas e quilombolas e nenhum comprometimento com o Desenvolvimento Sustentável!

Por sua vez, a campanha de Dilma não será, propriamente, dela, mas de Lula: devido à sua total incapacidade de articular um discurso coerente e convincente, é certo que Lula fará a maioria das apresentações nos horários de TV de sua escolhida; e carisma e eloquência ele tem de sobra! Já nos debates, é provável que tanto Aécio quanto Eduardo tenham melhor desempenho. Resta saber se o povo que decide, aquele que recebe o Bolsa Família, e que está no Nordeste e no Norte do país, predominantemente, saberá distinguir entre a política assistencialista do PT e as ofertas de campanha dos outros dois candidatos. Se Marina Silva soube capitalizar sua inteligente argumentação nas eleições passadas, agora, como vice de Eduardo, não terá o mesmo poder de convencimento, e muitos que nela votaram na eleição passada optarão pelo voto nulo, por discordarem de sua decisão unilateral de aliar-se ao PSB.

As perspectivas são negras, tenebrosas, desanimadoras! Pois não se constrói uma Nação sem que haja lideranças competentes, carismáticas e capazes de motivar o povo em busca de um futuro digno, ético, solidário e comprometido com a preservação do Planeta! Sem um programa de governo que mostre outras possibilidades, sejam elas no campo social, político, econômico e ambiental, permaneceremos alternando discursos superados, focados em ataques pessoais e slogans sem sentido para os eleitores. Em meu entendimento, o fracasso da Rede em afirmar-se como o partido da sustentabilidade, e a aliança mal construída de Marina Silva e Eduardo Campos eliminaram o grande trunfo de um segmento que, embora pequeno, teria condições de articular parcerias sérias, responsáveis e não comprometidas com as correntes atuais da política brasileira. Esse é o panorama que vislumbro, com tristeza, para o Brasil...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Eleições do Mensalão

Ao contrário do que afirmavam analistas políticos, o julgamento do assim chamado "Escândalo do Mensalão" não representou problema para o Partido dos Trabalhadores, que teve seu espaço político aumentado, e não favoreceu o PSDB, que não ampliou seu eleitorado em função do julgamento dos antigos líderes do PT, notadamente Dirceu e Genoíno. A maior evidência disso foi a passagem para o segundo turno de Haddad, político desconhecido em São Paulo, e que iniciou a campanha com cerca de 3% de intenções de voto e chegou ao segundo turno com seu desafeto Serra, cujas margens de rejeição demonstraram ser muito maiores do que as do PT.

Agora, às vésperas do segundo turno, Haddad mantém expressiva vantagem de 16 pontos percentuais sobre seu oponente. Essa situação evidencia o poder de influência do ex-presidente Lula que, contra todas as expectativas, ofereceu o nome de Haddad para enfrentar o PSDB de Serra, o PRB de Russomano e o PMDB de Chalitta, que iniciaram a campanha com grande vantagem sobre o PT. Russomano, até às vésperas do 1º turno era apontado como provável oponente de Serra no 2º turno. Essas mudanças de preferências eleitorais têm duas explicações: a primeira demonstra a fragilidade desse processo de análise e interpretação das intenções de voto do eleitorado, e descredenciam as metodologias estatísticas de previsão de resultados; a segunda explicação está mais ligada ao desinteresse e despreparo do eleitorado com relação à escolha de seus governantes.


O que deveria ser fator de manipulação política do eleitorado, mostrou-se uma arma apontada para todo o sistema político brasileiro, uma vez que já não se distinguem bons e maus partidos políticos, todos envolvidos nas mesmas práticas oportunistas, manifestadas pelas barganhas de cargos e vantagens em troca de apoio em todos os níveis do poder legislativo e executivo. O PT, que era considerado um partido ÉTICO, perdeu sua aura de honestidade ao envolver-se no maior escândalo da História da República e ao recusar-se à autocrítica esperada pelos brasileiros. Ocorre que, na fila de espera das pautas do Supremo Tribunal Federal estão o PSDB, com o "Mensalão Mineiro", e o DEM com o "Mensalão de Brasília".

Durante todos os anos de espera pelo julgamento do STF todos apontavam para mais uma "PIZZA" a ser servida pelo STF, isentando de culpa os medalhões do PT. Porém, graças à decisiva e inteligente estratégia do relator Joaquim Barbosa, os réus foram sendo condenados, um a um, nos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, crimes financeiros, etc. E agora, exatamente neste momento, o STF julga o último crime, de formação de quadrilhas, justo no momento em que alguns ministros do STF tiram suas máscaras e passam a inocentar todos os acusados. Lewandowski, Tófoli, Rosa Weber e Carmen Lúcia exibem sua verdadeira face aos brasileiros!
Seja como for, essa reviravolta final nos resultados do julgamento terá efeito muito mais devastador para o PT do que a esperada condenação dos réus. Sentindo-se traídos pelos seus magistrados, provavelmente os eleitores de São Paulo se rebelarão contra a pantomima agora evidenciada, e tenderão a mudar seus votos, revertendo as expectativas das pesquisas de última hora. Se isso será suficiente para assegurar a vitória do PSDB ainda não se pode afirmar; mas certamente será a comprovação de que nosso modelo de "democracia" está falido, fracassado e comprometido com as piores práticas!


Não são apenas dois poderes que se ofereceram para encenar essa farsa, mas os três poderes! E isso não é surpreendente, uma vez que quase todos os ministros do STF foram nomeados pelo ex-presidente Lula e agora por Dilma Rousseff, que ainda tem uma carta nas mangas, que poderá ser utilizada caso alguma coisa ainda "saia do controle": será a posse do novo ministro Teori Zavascki antes da deliberação final de desempate e da atribuição das penas aos réus condenados. Ou seja, ninguém irá para a cadeia ou, se for, será beneficiado, como réu primário, a penas alternativas; na pior das hipóteses, uma condenação branda e uma reclusão doméstica!

Ficará apenas a imagem de um guerreiro que não se deixou abater, e desmascarou aqueles que tentavam manter a imagem de homens probos e dignos enquanto, em seus votos, demonstravam a traição à Nação e ao povo brasileiro. Joaquim Barbosa merece nossa admiração e respeito, tanto pela sua postura ética e firme, como pelos esforços em se manter ativo, mesmo diante de seu estado de saúde precário, expressando, horas a fio, seu trabalho magnífico de ordenar as denúncias e apresentar suas sentenças!

As "Eleições do Mensalão" poderiam ter se tornado um marco a estabelecer um recomeço de nossa Democracia e o reencontro com o Estado de Direito, sepultando definitivamente a mentira e resgatando a honra a que se referia Ruy Barbosa em sua frase mais emblemática:


"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A triste realidade eleitoral brasileira

"Mais da metade do eleitorado brasileiro (53,56%) são pessoas com nenhum ou pouco nível de escolaridade: 33,09% têm primeiro grau incompleto, 14,57% apenas leem e escrevem e 5,9% são analfabetos!."

"Os dados do eleitorado divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a Região Nordeste tem o maior número de eleitores analfabetos,11,05%. Os que apenas leem e escrevem – chamados de analfabetos funcionais - são 24,19% dos eleitores. Em segundo lugar, está a Região Norte, com 8% de analfabetos e 18,29% de pessoas que leem e escrevem. A Região Sul é a que apresenta o menor índice de analfabetos e analfabetos funcionais, mas tem o maior número de pessoas com o ensino fundamental incompleto, 36,36%."

"As pessoas com ensino superior completo são minoria no eleitorado brasileiro. O Sudeste é a região em que essa parcela da população aparece em maior número, 4,9%, seguida do Centro-Oeste, com 4,39%. Entre os eleitores que ainda não concluíram o ensino superior, a maioria está na Região Sul, 3,82%. Em segundo lugar, vem a Região Centro-Oeste, 3,38%."

"Os números, no entanto, são inversos quando se analisa o nível de escolaridade dos 200 mil eleitores que votam no exterior, 31,16% têm nível superior completo e 13,88% ainda estão cursando faculdade ou universidade. Apenas 0,12% se registrou como analfabeto, 1,86% como analfabetos funcionais e 7,75% têm primeiro grau incompleto."

"A Constituição brasileira determina o voto facultativo para os analfabetos – pessoas que não sabem ler nem escrever. Entretanto, elas são inelegíveis, não podem ser candidatos a cargos eletivos."
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Esses números já eram esperados, mas sua análise apenas reforça minha tese de que o eleitorado brasileiro não pode representar a Democracia. 53% de analfabetos funcionais, fora aqueles que, mesmo tendo algum nível básico de escolaridade, mal sabem redigir um texto elementar, ou desenvolver um raciocínio minimamente estruturado. Como esperar que essa massa ignara consiga ao menos escolher políticos preparados para exercer cargos de tamanha importância na República?

Em nossas eleições, os políticos que a essa farsa se candidatam sabem que iludir um ser ignorante é muito fácil; daí a tremenda representação evangélica em todas as esferas do poder! E, sendo dessa maneira escolhidos, também é fácil para uma minoria irrelevante numericamente, mas poderosa financeiramente, dominar as casas legislativas, fazendo valer sua vontade e seus interesses escusos em detrimento do interesse maior da Nação Brasileira. Daí o poder da famigerada Bancada Ruralista!

Portanto, de nada valem nossos esforços pela moralidade, pois basta uma só eleição para repor a carga podre de políticos eventualmente banidos por fichas limpas e outros expedientes moralizadores. Certamente, não será esta realidade que nos guindará ao nível dos países ditos de 1º Mundo! Permaneceremos nas sombras e penumbras da ignorância e sujeitos aos interesses ainda maiores das grandes nações mundiais, trocando nossos recursos naturais pelos “espelhinhos” usados pelos jesuítas para catequizar nossos índios no período colonial.

Somente uma política focada fortemente na Educação poderá, a longo prazo, reverter esse quadro desalentador. Até lá, nossas florestas já terão desaparecido da face da Terra.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Dilma resistirá às pressões?

Agora que começo a gostar da postura de Dilma, acho que ela mexeu em vespeiro com vara curta, como se diz no interior. Espero, sinceramente, que ela perceba quais são as maçãs podres e quais são aquelas que vale a pena comer nesse grande circo da política brasileira. Os palhaços que sempre estão em cena talvez ganhem a batalha e forcem a presidente a ceder e retornar aos trilhos, recolocando a escória de nossa política nos cargos federais. Isso será lastimável!...

Eu já disse isso quando de sua eleição em 2010 e repito agora: se ela tiver coragem e afrontar os caciques dos grandes partidos políticos, talvez consiga vencer a barreira quase intransponível da corrupção e da safadeza em sua base de governo. Mas para isso ela precisaria mostrar publicamente as armações que acontecem todos os dias, o tempo todo na corte palaciana. E isso já é difícil...

Sinceramente, não creio na presidente Dilma, pois seu caminho político não é o que eu preconizo, e que passa longe demais do caráter desenvolvimentista de sua política econômica. No entanto, percebo que ela tem se demonstrado coerente e está tentando mudar a feição de sua equipe de governo. Os medíocres ministros conduzidos à Esplanada no início de seu governo, a maioria para satisfazer as alianças espúrias feitas para assegurar sua eleição, agora são substituídos por novas caras, nem todas assim tão notórias da política do "toma-lá-dá-cá". Mas isto não basta!

Para que Dilma conquiste a Nação e mereça o respeito do Povo Brasileiro será necessário muito mais - terá, acima de tudo, que derrotar as forças retrógradas e reacionárias do poder legislativo e colocar nos cargos de primeiro escalão pessoas dignas e isentas da lama que cobre as canelas (e os cotovelos) dos políticos tradicionais, principalmente da famigerada bancada ruralista!

Será um caminho árduo, pois em um primeiro momento terá enormes dificuldades de conduzir as votações no Congresso Nacional. No entanto, não existe melhor momento político do que este, um ano eleitoral em que todos esses promíscuos políticos buscam eleger seus apadrinhados para manter a máquina da corrupção azeitada para mais um perído de quatro anos de safadezas e corrupção. Tirado o respaldo popular, caso ela enfrente a máfia, esses mesmos elementos se voltarão para o Planalto para tentar salvar seus dedos, já que os anéis se foram no embate desleal por cargos, favorecimentos pessoais e "pagamento" de dívidas entre "correligionários"!

O problema se agrava quando percebemos que a própria população está fatalmente contaminada por essa sujeira que grassa em todas as esferas do poder, uma vez que não demonstra reações de revolta e indignação, e não existem mais baluartes a serem defendidos em nome da ética, da decência, da dignidade e da honestidade! Quem se salva nessa canoa furada da política brasileira?

Só mesmo o futuro dirá... mas para isso é preciso mudar, lembrando o velho refrão desse verdadeiro hino das oposições à ditadura ("Prá não dizer que não falei das flores..."), que mexeu profundamente com minha geração e nos fez corajosos e idealistas: "Vem, vamos embora, que esperar não é saber! Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"! (Salve, Vandré!)

Dilma, lembre-se de seus tempos de guerrilheira e cumpra seu papel de principal mandatária desta Nação cansada de tantas falcatruas, hipocrisia, mentiras e falta de vergonha na cara! Se você, presidente, perseverar e enfrentar esse poder corrupto e degenerado, poderá até perder a batalha, como perdemos na década de 70, mas terá revitalizado nossas crenças e nosso idealismo! E é disso que precisa a Gente Brasileira para poder ter referências de mérito para nossos descendentes! A Senda do Bem é longa, árdua e perigosa: somente poucos eleitos podem trilhá-la, mostrando o caminho para os que vêm depois... sem essa entrega da alma, não haverá futuro para a Nação!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

LIBERDADE DE IMPRENSA

Com o julgamento do caso Eloá Pimentel e Lindemberg Alves, a discussão acerca dos limites da liberdade de imprensa e a responsabilidade social decorrente das consequências da divulgação exaustiva de detalhes sórdidos de fatos policialescos volta a ser debatida. Afinal, terá a imprensa alterado o resultado das negociações para libertação da refém, contribuindo para causar-lhe a morte? Até onde vai o direito de liberdade de imprensa? 

Quem assiste aos noticiários dos canais de assinantes da TV brasileira percebe o exagero de repórteres em busca de seus espaços na mídia, comprometendo, muitas vezes, a veracidade das notícias veiculadas, sem que editores tenham tempo de evitar seus efeitos. No caso em questão, o criminoso foi exposto exaustivamente à mídia, e a sua defesa alega que esse foi um dos motivos de sua decisão de matar a refém, sua ex-namorada.

Verdade ou não, importa avaliar se esse exagero em noticiar crimes e situações mórbidas contribui para que a sociedade seja melhor ou pior, uma vez que informações relevantes e fatos edificantes não alcançam o mesmo espaço nos veículos de comunicação social. Esse fenômeno não é novo e apenas coloca em evidência a face obscura do ser humano, que se compraz com a tortura, a violência, o crime, os desvios de comportamento, mais do que com as ações nobres e edificantes.

Até onde deverá ir a liberdade de imprensa? Em quanto essa "imprensa marrom" que existe em todos os meios de comunicação contribui para a perversidade do homem, ressaltando o crime ao invés de valorizar o Bem, o Justo, o Belo, o Culto?... Até mesmo os canais de TV voltados para dignificar a Natureza, como o National Geographics destaca o TABU,  o PRISON BREAK, as DROGAS, os SEGUNDOS FATAIS e outros aspectos obscuros do comportamento humano.

Sim, porque o que "dá IBOPE" são os crimes e a maldade humana, e o fator de retro-alimentação da imprensa não pode ser desprezado e negligenciado. Em nome da "liberdade de imprensa" e em defesa dos direitos das emissoras de assegurarem seus lucros irresponsáveis, a TV e a mídia impressa cada vez mais buscam as "catacumbas da mente" e se esquecem que o bom gosto e a cultura precisam ser estimulados permanentemente. Esse é o papel educativo dos meios de comunicação. A Cultura não faz parte do instinto humano, mas a violência sim! É por isso que vivemos hoje o pior momento de nossa evolução intelectual.

No momento em que houve a ruptura dialética entre duas correntes filosóficas, entre o Capitalismo e o Socialismo, perdeu-se o principal fator de motivação do desenvolvimento ideológico da humanidade; e isso pode ser evidenciado pelo vazio que tomou conta dos espaços culturais, dos veículos de discussão filosófica e da própria formação cultural da juventude, hoje contaminada pela "cultura brega" e pela vulgaridade intelectual.

Perdeu-se a capacidade de análise factual, e os meios de comunicação têm toda culpa nesse processo, assim incluídas as redes sociais, que banalizam os fatos e tornam dispensáveis as investigações profundas das causas e consequências das realidades do mundo contemporâneo. Importa muito menos analisar e compreender os fatos do que divulgá-los à exaustão, ocupando durante horas, dias e até meses os espaços da mídia, até que a própria notícia se esvaia e "canse" a audiência, ou novo fato tome conta do noticiário.

A maior evidência desse "prazer mórbido" são os desastres humanos, naturais como um Tsunami, ou induzidos, como um atentado terrorista às Torres Gêmeas. Se a solidariedade com as vítimas existe, ela é pouco relevante diante da satisfação dos desejos humanos pelos detalhes das tragédias, sua "natureza plástica e estética" ao ver desabarem as estruturas, os edifícios, os seres humanos se debatendo desesperadamente em busca da salvação que não é possível... quanto prazer nos causa cada cena dessa natureza?

Até onde seria tolerável a Liberdade de Imprensa? Quais seriam seus limites? Qual a responsabilidade social dos meios de comunicação e seus impactos no desenvolvimento cultural de nossa Nação?

domingo, 27 de novembro de 2011

Por que escrevo? Por quem escrevo?

A idade nos faz responsáveis pelo que há de vir a ser depois de nossa passagem por este mundo, ainda que nossas crenças não passem de desejos. Existem razões para que tenhamos sentimentos inexplicáveis como amor, afeição, compaixão, solidariedade... creio que tudo se explique pelo instinto de sobrevivência, principalmente quando nossa convicção maior seja a de que a morte nos despe de todas as conquistas que a curta vida nos legou. Já abordei esse assunto antes, mas à medida que o tempo se esvai em nossa ampulheta da vida, esse entendimento se torna quase imprescindível, embora inalcançável. Tentamos nos agarrar a alguma coisa que justifique o sofrimento, a dor, as decepções, as tristezas, o ódio, o desejo de vingança, as traições, tudo enfim que nos tenha causado dissabores e sensação de impotência. Agregue-se a isso a impressão de que a humanidade caminha para sua autodestruição, enquanto ainda temos entes queridos neste mundo, e teremos compreendido a máquina dos sonhos que preserva a chama de vida ainda acesa.

Filósofos, sociólogos, antropólogos, teólogos se sucedem na história do homem, sempre buscando a causa, a origem da existência e a motivação para nossa sobrevivência. Ao contrário dos animais, o homem pensa, mas não é por isso que ele existe. O que nos mantém vivos é a esperança de que haja, de fato, uma razão maior, a possibilidade de preservarmos a essência do ser que existe dentro de nós, e que alguns chamam de espírito, outros de alma... o nome não importa. Mas essa criação mental de algo imaterial que transcende a morte é que, de fato nos mantém vivos, nos motiva a ser melhores, a buscar a evolução, a superar os limites do corpo e da mente. Esse é o segredo dos homens, a grande mentira que cada um leva consigo até que o inevitável fim nos alcance e nos mostre que foi apenas uma ilusão e, mesmo lembrados em preces, em nomes de praças, em livros, nas lápides de nosso último endereço, no instante final de nossas vidas saberemos que nada nos livrará do ostracismo, e que essas pequenas menções ao que fomos não nos trará de volta a este mundo, nem nos levará a outras esferas de consciência.

Essa verdade incômoda às vezes é esquecida, ou mesmo negada veementemente por quem ainda está aqui, pois não saberíamos como justificar o dia seguinte, o trabalho, as obrigações cotidianas; nada nos impediria de rejeitar qualquer desconforto ou ameaça, nada nos obrigaria a ser honestos, justos, corretos, pois essas palavras deixariam de ter significado diante de nossa fatal consumação. Assim, torna-se preferível a mentira, as crendices, a fé e até a convicção de que existe algo transcendental depois de nossa vida terrena. E o homem encontrou meios de propagar essa pretensa verdade, que assume diferentes feições conforme a cultura, o saber, o ceticismo, as tradições. Tribos primitivas e sociedades intelectuais, cada uma tem suas próprias razões para construir um arcabouço, uma fundação mística, xamânica ou religiosa que sustente os princípios de coesão social que torna a vida suportável para todos.

Assim, por que escrevo? Para quem escrevo se não tenho essas convicções, se acredito que a morte é o fim de tudo, que não existe deus, céu, inferno ou purgatório, não existem anjos nem demônios, e que quando eu morrer todo conhecimento que adquiri estará perdido para sempre? Por que insisto em me aliar a grupos de defesa do bem comum? Por que critico aqueles que agem de má fé, enganando os ingênuos em favor de si mesmos? Por que combato, com os instrumentos intelectuais que desenvolvi nesse meio século de reflexões e estudos, aqueles que contrariam os princípios da ética, da justiça, da igualdade social? O que espero conseguir com meus pensamentos manifestos, se tudo não passa de mera ilusão? A quem me reporto, afinal?

Assim como todos, eu também preciso de razões para existir, para que o tempo se torne suportável em meus dias intermináveis. Então, escrevo, até por saber que nenhum intelecto é o bastante complexo e evoluído para explicar, ainda que a si mesmo, a razão de estarmos aqui. Sim, isso também é ilusão, é farsa, é mentira, mas me mantém vivo e me faz parecer com os outros seres que, como eu, povoam esta pequena nau sem rumo, voando a esmo pelo espaço infinito e incompreensível. Pensando assim, deixo que o tempo se encarregue de me levar para onde for, pouco me importa, e minhas mágoas se tornam menos ácidas, menos cruéis.

Quando me for para sempre, ficarão esses escritos soltos neste espaço virtual até que uma nova tecnologia sepulte esse obsoleto objeto de que hoje poucos podem prescindir. E como minhas palavras se esvaindo até o fim, assim também novos pensamentos e novas tecnologias farão o homem pensar que é eterno, imaginar-se o próprio deus que ele criou, até que seus traços se esgotem, como a imagem de um espelho enferrujado, despedaçado em um monte de lixo inerte.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

OAB: voto no STF abre brecha para impunidade na Ficha Limpa

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, afirmou nesta quinta-feira que, apesar de ter considerado bom o voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux - que acolheu parcialmente a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) sobre a Ficha Limpa - defende que seja alterado o ponto que permite que políticos possam renunciar aos mandatos para escapar de medidas de cassação. "A prevalecer o entendimento do ministro Fux, os políticos voltam a poder renunciar, na véspera da reunião do Conselho de Ética, para não serem cassados, ficando plenamente elegíveis para a eleição imediatamente seguinte, ou seja, nada muda".
Para Cavalcante, o ponto alterado pelo relator anula uma importante conquista da Ficha Limpa em relação àqueles que renunciam para escapar de medidas de cassação. Segundo o presidente da OAB, o parágrafo 4º do artigo 54 da Constituição já impede que a renúncia do parlamentar que teve o processo aberto pelo Conselho de Ética gere efeitos até que ocorra a decisão final sobre o caso. "Por isso, os parlamentares acabam decidindo sobre eventual renúncia antes mesmo da abertura do processo pelo Conselho de Ética", disse. "A se manter esse ponto do voto do ministro Fux, ficarão elegíveis todos os políticos que já renunciaram antes da abertura do processo pelo Conselho de Ética para escapar de cassações, como é o caso do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz".
Ophir defendeu a reforma nesse ponto do voto do ministro Fux, a fim de que se restaure a essência da Lei da Ficha Limpa e se reverta o que classificou como uma verdadeira "excrescência". "Trata-se de um abuso do direito de renunciar com o objetivo único de fugir da cassação, o que, infelizmente, tem sido uma praxe no parlamento brasileiro, como uma forma de driblar a lei e de debochar do eleitor e da sociedade", afirmou.
Julgamento sobre validade da Ficha Limpa é adiado
O julgamento sobre a validade da lei para as eleições de 2012 começou ontem no Supremo Tribunal Federal (STF), mas um pedido de vista do ministro Joaquim Barbosa adiou o prosseguimento das tratativas sobre o tema.
Os primeiros dois casos analisados no STF sobre a Ficha Limpa - os registros de Joaquim Roriz e de Jader Barbalho - dizem respeito ao item que trata da renúncia. Jader entregou o mandato de senador em 2001, em meio a denúncias de desvio de verbas no Banpará. Joaquim Roriz fez o mesmo em 2007, depois de ser acusado de negociar a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura. Ambos renunciaram antes da abertura do processo, o que poderia levar à cassação do mandato parlamentar.
Ontem, ao comentar seu voto, Fux disse que sua proposta vem dar mais seriedade ao critério da renúncia. "Uma petição todo mundo pode entrar, até um inimigo político. Se houver, então é preciso que haja seriedade. Para obedecer essa seriedade (a renúncia) tem que ocorrer quando for instalado processo de cassação. Aí o político sabe que já está a caminho de um processo que pode levar à cassação de seu direito político".
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse hoje que essa proposta certamente será analisada pelos demais ministros e que o momento que passa a valer a inelegibilidade por renúncia sempre foi objeto de contestação."Mas, no geral, o voto foi animador, porque proclama a constitucionalidade da lei", disse ele.
Gurgel também assinalou que a proposta de subtrair os anos de inelegibilidade do tempo decorrido entre a condenação e a decisão definitiva da Justiça foi surpreendente."A proposta surpreendeu um pouco, porque foi uma abordagem nova, mas vamos esperar o final do julgamento".
Fonte - JUSBRASIL
Com informações da Agência Brasil.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Novamente, as eleições!

Ainda faltam meses... um ano, na verdade! Mas já nos sentimos ofendidos pelas propagandas estúpidas e mentirosas dos políticos e dos partidos que temos, e que nos envergonham nos noticiários.
Partidos que nem sequer sabemos que existem, por que existem e o que defendem em suas "doutrinas ideológicas"! Creio que seus dirigentes nem sabem o que isto significa. A Presidência fala de progressos que não percebemos: milhões de empregos, sociedade igualitária, obras magníficas, solução para todos os problemas desse povo sofrido e ignorante... sim, ignorante, que não sabe votar, que é manipulado descaradamente, que é levado a pensar que existe solução para tudo, que o petróleo do fundo do mar mudará suas vidas para sempre, que haverá moradia decente e digna para suas famílias, e que a primavera florescerá para todos!

Mentira! Continuamos fingindo para nós e para o mundo! Os pobres serão sempre as vítimas, nem tão inocentes quanto deveriam, dos poderosos, exibidos às claras nas novelas globais que, no entanto, falam de reinos maravilhosos, da nobreza que ainda existe no imaginário de toda gente que vota nos "bacanas" ou nos "babacas", que aposta na megassena, que vislumbra o paraíso nas crendices de suas religiões simplórias! Continuamos acreditando nas promessas dos candidatos e votando no lixo intelectual dos "tiriricas da vida"!

Enquanto isso, nossa educação pública se vangloria dos péssimos índices de qualidade que, sendo genéricos e nacionais, não refletem a verdadeira situação dos guetos de pobreza que se dispersam nos sertões do Brasil. Nossa política ambiental decreta o fim de nossas reservas naturais, que continuam sendo dizimadas às claras, à luz do dia, por políticos latifundiários, capitaneados pela famigerada e poderosa "bancada ruralista", amparada por políticas exportadoras de produtos primários e importadora de alta tecnologia. Enquanto isso, ouvimos diariamente as promessas de uma Copa do Mundo salvadora, de uma Olimpíada que resgatará a imagem perversa que têm os povos cultos do mundo com relação à nossa gente.

E as eleições virão para confirmar nossa incompetência em escolher gente digna e honesta e que comprovará que esse modelo de "democracia" está falido e podre, servindo apenas para perpetuar no poder aqueles que compactuam da safadeza e usufruem das benesses da corrupção, do empreguismo e do vandalismo de nossos valores culturais. O que sobra desse país, senão um povo ludibriado e passivo? O que restou da juventude dos "anos de chumbo", daqueles que deram suas vidas pela liberdade de expressão, pela dignidade humana? Se éramos minoria diante dos terrores da ditadura, ao menos tínhamos ideais e lutávamos pela ética na política e pela justiça social. Agora, os partidos que ajudamos a criar nos traem descaradamente, buscam parcerias com o inominável poder daqueles que no passado nos torturaram nas celas das prisões ilegais e desumanas! Eles estão por toda parte, galgando cargos e pisando nas cabeças daqueles que deram seu sangue para o bem do país...

Agora virão novas eleições para vereadores, prefeitos, deputados, senadores... e veremos, mesmo que contra nossa vontade, perfilarem diante de nós, nas telinhas da tv, qual bandidos sendo expostos à identificação pública, os mesmos, os novos, os sempre políticos imorais que combatemos no passado. Se me perguntarem de novo, direi que não valeu a pena nossa geração se perder na luta inglória, assim como não vale a pela defender princípios éticos, ideologias que já não servem para nada, pois o futuro dessa geração de agora está sendo desenhado em um rascunho indecente e imoral... tenho pena dos que virão depois de mim...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A solidão do poder

por João Carlos Figueiredo, terça, 8 de fevereiro de 2011 às 00:59

Não importa o regime político ou o modelo de governo: as decisões dos governantes são sempre solitárias e unilaterais. Já vivi tempo suficiente para não acreditar na democracia. Quando era um estudante secundarista e, depois, como estudante universitário, lutava por direitos que não eram meus: justiça, igualdade, liberdade eram palavras de ordem que comandavam as massas... ah... sim, as massas!

Massas, proletariado, classes menos favorecidas... os termos mudaram, mas a realidade não foi informada dessas transformações! Poder não se delega: se toma! E, dentro dessa constatação, cedemos às evidências: Democracia é Utopia, assim como socialismo e outras doutrinas de compartilhamento do poder.

Fui membro do DCE da USP (Diretório Central dos Estudantes - Universidade de Sâo Paulo). Em nossas assembléias compareciam cerca de 100 a duzentos estudantes, em um universo de 20.000 alunos dos diversos cursos e carreiras. Nós nunca representamos os estudantes: fomos sim os manipuladores de uma corrente de pensamento que visava um mundo perfeito, onde não houvessem discriminações e onde todos tivessem voz.

Porém, o povo não quer ter voz! A maioria absoluta da população sonha com os caudilhos, com os líderes que transformam suas expectativas em bandeiras em busca de soluções... muito poucos são os que aspiram atingir o poder, pois é muito mais fácil apoiar aqueles que doam suas vidas em defesa desses ideais!

Durante muito tempo acrreditei que o povo queria tomar o poder, mas a história contesta essa afirmação. A maioria quer ser conduzida! Alguém precisa transformar a inércia e a preguiça intelectual do povo em aspirações políticas, em projetos de governo, em defesas intransigentes de liberdades de expressão, de justiça social...

Quem se expõe à defesa desses ideais? Uma insignificante minoria!

Pois é assim que o mundo percorre sua trajetória histórica e preserva valores que não são de muitos, mas apenas de uma minoria intelectual que prefere entregar suas vidas em defesa de causas insustentáveis! O poder pode corromper; o poder pode inebriar uma "elite" que habita os congressos, as assembléias, os palanques em forma de "democracia"; mas quem toma as rédeas e o timão são uns poucos abnegados, que mal sabem por que fazem isso!

Sou um desses tolos e crédulos! Acredito que vale a pena lutar pelos direitos sociais, mesmo que, no fim das contas, eu acabe sendo mais uma vítima de minhas próprias ideologias... e assim, sigo caminhando, sem rumo definido, baseando-me apenas pelas manifestações de minha intuição e pela ideologia, da qual jamais abdiquei...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O serviço público e a imoralidade

Trabalhei 35 anos em empresas privadas. Foram anos de luta e muita dedicação para encontrar meu espaço no competitivo mercado do Capital. Sempre achei que as empresas tinham um elevado grau de incompetência e ociosidade, causados pelo despreparo da maioria dos profissionais. São poucas as pessoas competentes e que fazem a diferença.

No entanto, o serviço público leva essa incompetência ao nível extremo! E para agravar ainda mais a situação, uma parcela muito expressiva de servidores públicos não tem nenhum compromisso com a Ética, a Moralidade, a Dignidade e a Justiça! É uma relação doentia, egoísta e indecente, que sempre alimentou os noticiários da imprensa nacional, mas que relutamos a aceitar como um comportamento doentio e predominante. Infelizmente, é verdade.

Estou enojado, decepcionado e arrependido de ter prestado um concurso público e ter assumido um cargo executivo em uma organização pública. Não vejo possibilidade de reversão desse processo nefasto e indecente que predomina nas relações sociais dentro das organizações governamentais. É um câncer que se alastra pelo tecido orgânico da administração pública! Um câncer que, não sendo terminal, mantém esse organismo vivo, sugando a seiva da Nação, promovendo o desperdício dos recursos públicos e humilhando a população que, com extremo esforço, doa parcela expressiva de seus salários para manter essa máquina emperrada em funcionamento.

Não tenho orgulho de meu trabalho porque sei que a maioria dos servidores não é digna do respeito da Nação Brasileira. Em meus sessenta anos nunca experimentei essa sensação de impotência e inutilidade; de que todo trabalho é inútil e todo esforço um desperdício. Jamais convivi com pessoas tão mesquinhas e desprovidas de qualquer sentimento patriótico!

Quanto tempo suportarei essa situação? Não sei... meu instinto me compele a abandonar esse trabalho indigno, mas meu compromisso com a Ética e a Decência me obriga a perseverar. Sinto que essa permanência me consome internamente, mas ainda tenho uma tênue esperança de superar essa força do mal que contamina o Poder. Devo estar errado.

Não há, racionalmente, nenhuma possibilidade de vencer a podridão do poder público. Sou um ser em extinção, remando contra a correnteza, enquanto passam por mim as embarcações dos corruptos e dos comprometidos com suas próprias causas e interesses mesquinhos.

Que pena... este jogo eu já perdi...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Eleições ou Representatividade?

Não lhes parece um antagonismo? Pois avaliem nosso processo eleitoral: votam analfabetos, intelectuais, adolescentes, idosos e todos os segmentos de nossa sociedade... nada mais democrático, não é mesmo? E o resultado disso é... um bando de oportunistas que querem se aproveitar do poder em interesse próprio! Alguém discorda? Não?! Mas qual seria a alternativa? O sufrágio universal (vulgo "voto direto") seria, de fato, democrático e saudável como método de seleção dos representantes populares?

Alguém colocaria  um processo de eleição pelo voto popular para escolher o corpo gerencial de sua empresa? Os diretores?? o Presidente??? Pois é assim que escolhemos os nossos governantes! Não requer prática nem habilidade; muito menos competência e honestidade! Esse é o único caminho para o poder!

Discute-se voto distrital e outros mecanismos de aperfeiçoamento do processo eleitoral. No entanto, o que está errado é o processo em si mesmo! A escolha democrática não só permite que todas as camadas sociais se manifestem na escolha, mas também que praticamente qualquer candidato se apresente! Sim, pois as restrições são mínimas! Nem mesmo uma análise de antecedentes do candidato é exigida!

A escolha de nossos mandatários deveria ser feita com mais seriedade... afinal, é uma "empresa" com um orçamento anual de mais de um trilhão de reais! Que outra empresa nacional ou internacional possui tamanho orçamento? No entanto, os "diretores" (diga-se "ministros") dessa empresa gigante chamada "Brasil" às vezes nem conhecem seu ramo de atividade! Tome-se como exemplo o Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão. Sem preconceitos, que qualificações tem esse político para gerir nossos recursos minerais e nossas fontes de produção de energia? A escolha de um Ministro de Estado deveria privilegiar, não os partidos políticos, mas os objetivos e a missão dessa "empresa".

Da mesma forma, nossos legisladores, aqueles que definem as regras de funcionamento de todo o arcabouço político-administrativo do país, são apenas "políticos"! Alguns até se especializam com o tempo e até conhecem os meandros dos processos administrativos públicos; no entanto, a maioria apenas "faz política", ou melhor, politicagem! Buscam acomodar as diferentes facções dos partidos no poder e fora dele.

Poir ainda, a oposição se sente "na obrigação" de se opor a tudo, até mesmo quando há consenso em relação àquilo que se está discutindo. Com isso, os debates duram anos e chegam a conclusões esdrúxulas! Quando FHC chegou ao poder, pretendia reformar a Constituição: legislação previdenciária, trabalhista, fiscal, política... já se passaram 15 anos! O que se fez? Continuamos com os mesmos problemas, o mesmo "custo Brasil" que tanto onera nossas empresas...

Quando o PSDB passou à oposição, esqueceu-se do que estava propondo e começou a fazer uma oposição radical contra as próprias teses que defendia! Onde está a lógica desse processo?A intenção é paralisar o governo! Mesmo que para isso toda a nação seja penalizada! E aí discute-se as decisões da Petrobrás, o sigilo das investigações da Polícia Federal, a indiscrição da Dilma Roussef, as "gaffes" do Presidente...

E entre poderes também existem querelas inúteis: a PF prende para o STF soltar, ainda que sejam óbvias as relações de improbidade, comprometimento e corrupção dos indiciados! E esses senhores intocáveis continuam desfilando pela sociedade, como se a prisão e a soltura fossem títulos de distinção conquistados!

Eleição ou representatividade?

Quando eu era criança, há 50 anos, os vereadores não tinham remuneração e dedicavam parte de suas noites para discutir, deliberar e decidir as prioridades do município; e faziam isso com orgulho, porque era uma honra ser representante da comunidade! Como se escolhe o representante de uma comunidade? Por aclamação de seus membros, porque somente os líderes conseguem o apoio de seus liderados!

Se tivéssemos conselhos de anciãos, de trabalhadores, de sábios, de cientistas, de educadores, de bairros... se esses conselhos elegessem seus líderes e estes, por sua vez, escolhessem os governantes em todos os níveis de poder, teríamos pessoas comprometidas com os destinos de nosso país! Isso é representatividade!

Funciona? Sim, funciona bem melhor do que os processos burocráticos que nos mantêm reféns desses políticos corruptos que nos humilham com sua indecência e mau-caratismo! Quantos, dentre os mais de 500 deputados federais podem ser considerados honestos? Quantos desses poucos honestos podem ser considerados competentes? Quantos representam de fato as comunidades que os elegeram?

Está aberto o debate por um novo sistema de governo! Candidatem-se!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ideologia e partidos políticos

Vivemos um antagonismo e uma contradição: enquanto a ciência e a tecnologia ultrapassam todas as fronteiras concebíveis e se equiparam à ficção, nossa organização social permanece arcaica e anacrônica. Os partidos políticos perderam a ideologia junto com o desaparecimento das doutrinas marxistas.

E isso não é exclusividade do terceiro mundo! As nações ditas "desenvolvidas" passam pelos mesmos dilemas. Alguns países possuem apenas dois partidos políticos, que se autodenominam "conservadores" e "progressistas", como se houvessem apenas o branco e o preto em nossa natureza ideológica! As matizes não teriam nenhuma importância!

Outros países, como o nosso, mergulharam em um mar de partidos sem qualquer identidade intelectual, senão os próprios nomes, com suas cargas históricas desvirtuadas. Vejam, por exemplo, o trabalhismo: PT, PDT, PTB e outros tantos sem expressão política relevante. O que, de fato, eles representam? O Getulismo morto e enterrado? As centrais sindicais, corruptas e pelegas? O paternalismo estatal de nossas lideranças?

Ou então a velha denominação "esquerda" versus "direita"! Quem é de esquerda? PSDB? PSOL? PT? PDT? PPS? PC do B? Apenas siglas, mas sem conteúdo ou orientação ideológica! A discussão das idéias políticas não existe dentro dos partidos políticos!

Então, o que os diferencia, senão seu maior ou menor fisiologismo ou "grau de adesão" ao partido no poder? Alguns até assumiram como estratégia "crescer para aderir ao poder", sem disputar eleições para cargos executivos, como é o caso do PMDB e do DEM (ex-arena, ex-PDS, ex-PFL, ex-qualquer-coisa). É mais confortável e seguro oferecer seu apoio condicionado a concessões por cargos de primeiro escalão, ou por presidência de empresas estatais!

Na verdade, não há saída para os partidos políticos, senão a extinção! É preciso rever o modelo de representatividade, o papel dos partidos políticos, a questão ideológica, a responsabilidade ética como pré-requisito à representação popular, a questão da fidelidade partidária, que deveria ser ideológica...

De que adiantam tantos partidos políticos se o povo não se encaixa em nenhum deles? Como ingressar na política sem macular o próprio nome na corrupção, nas mordomias, no nepotismo descarado, nos conchavos da disputa por cargos, na ausência de uma ética política? Como participar da vida política de uma nação quando seus governantes perderam a vergonha na cara e posam para as fotos com a cara de pau de quem nada deve?

O Senado, a Câmara Federal, as Assembléias Estaduais, as Câmaras Municipais, todos os palanques populares estão completamente contaminados pela corrupção e pelo abuso dos mecanismos de poder! E como resgatar a dignidade dessas casas representativas se nossos representantes, escolhidos por nós, corrompem, roubam e trapaceiam sem nenhum pudor ou decência?

Talvez, nessa sociedade movida a tecnologia não haja lugar para a ideologia...  e esse reality show em que se transformaram nossas vidas, seja pelos meios de comunicação, seja pelos sites de relacionamento cada vez mais presentes e determinantes em nossas sociedades, talvez esse terceiro poder seja a nova célula  desse mundo anárquico e cada vez mais desigual!

Enquanto isso, à nossa revelia, os mecanismos do poder institucionalizado articulam as ações, sem o respaldo do povo para o qual ele foi constituído, e devassando cenários de extrema indecência política, seja dos mensalões, seja das obras faraônicas, seja das igrejas universais! E, pasmem, tudo é feito às claras, noticiado em cadeia nacional, explorado por entrevistas onde os responsáveis pelas falcatruas nem se defendem mais, convictos de sua impunidade, e até mesmo admirados pela esperteza de dar um golpe sem consequências para si, senão fama e poder!

Fortunas surgem do nada, de um conceito virtual, "vaporware" como diz a tecnologia, neologismo que revela a fragilidade desse admirável mundo novo! Com isso, jogamos nossa História no lixo da própria História, pois o que vale é o "aqui e o agora", não das doutrinas budistas, mas do imediatismo ágil e esperto!

E se a ideologia morreu e se tornou anacrônica, assim como os princípios éticos e morais, se os partidos políticos representam apenas os "clubes" de poder que dividem a carniça apodrecida da "res publica", se a "governança" se confunde com a "comilança" e com a partilha dos bens e da riqueza nacional, só nos resta fazer parte dessa festa, ou escrever um blog como o meu!...