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terça-feira, 28 de outubro de 2014

A POLÍTICA A SOCIEDADE E O GOVERNO DO FUTURO

Cyberspace: o mundo do futuro, onde as distâncias perdem o significado
Muito se fala sobre "Reforma Política", "Reforma do Estado", "Reforma das Instituições" e outras "reformas" necessárias à contemporaneidade do mundo. No entanto, tais reformas, tal como têm sido concebidas e propostas, nada possuem de contemporâneo e muito menos de visionário. Tratam-se apenas de adaptações que ignoram as transformações extraordinárias que vêm ocorrendo, principalmente, em função das novas tecnologias da Informação e da Comunicação. Não são meras mudanças decorrentes da tecnologia, mas a superação virtual dos espaços reais, físicos, tais como concebidos em eras anteriores ao século XX.

Para se compreender a complexidade desse "Admirável Mundo Novo" e os impactos que dele advirão para as sociedades do futuro, é necessário antever algumas das possibilidades tecnológicas e as transformações que acarretarão na vida humana. Basta, porém, ter a convicção de que as instituições que existem hoje não terão lugar na sociedade do futuro. E esse futuro já bate à nossa porta, e as tecnologias existentes já permitiriam que essas transformações se processassem, não daqui a dez, cinquenta ou cem anos, mas agora!

O que certamente desaparecerá nesse mundo novo? O papel, os automóveis, o petróleo, os latifúndios, as aldeias, o casamento, as cadeias, a polícia, o exército, as assembleias, câmaras, congressos, partidos políticos e outras associações, a propriedade privada, os escritórios e organizações, os cinemas e as salas de espetáculo, as igrejas e as religiões, as escolas, os animais de abate, os zoológicos, a carne como alimento, o esgoto e os lixões, os fios, as linhas de transmissão de energia e as hidrelétricas, as ideologias e as guerras.

Muitos se perguntarão como seria possível um mundo sem essas instituições e sem esses objetos e conceitos, hoje essenciais para a vida de qualquer ser humano. Mas, se observarmos atentamente, todas essas "coisas" e conceitos são primitivos, e vinculados às características de nosso mundo em transição. Assim, passarei a descrever cada um deles e as causas de seu desaparecimento.

PAPEL. Só existe porque é usado, ainda, como meio de comunicação. Porém, as tecnologias digitais já tornam supérfluo e inaceitável o "papel" como mídia destinada à veiculação de idéias, de notícias e de conhecimentos. Estou escrevendo em um meio digital, para ser publicado em um espaço virtual, para conhecimento de milhões de pessoas que se interessem pelo tema e que sejam estimuladas pelas "tags" (ou palavras-chave) que eu colocar em minha mensagem. Tudo sem usar o papel. Além disso, o papel é fruto da destruição das florestas.

AUTOMÓVEIS. Como meio de transporte, os automóveis são resquícios de uma sociedade aristocrática e ineficiente. Todas as vias construídas para esse tipo de veículo são sub-aproveitadas, assim como o próprio veículo per se, que ocupa o espaço de dez pessoas sentadas em um veículo coletivo, mas transporta, em média, apenas duas. Veículos individuais e coletivos, percorrendo trajetos planejados, utilizando energias renováveis, substituirão os automóveis assim que outros paradigmas sociais tenham sido removidos.

PETRÓLEO. Simples corolário do item anterior, além do resultado do esgotamento desse combustível fóssil, o petróleo desaparecerá assim que sua produção e comercialização sejam inviabilizados pela produção de outras formas de energia renováveis, mais econômicas e não poluidoras. Talvez mesmo antes de que os investimentos do pré-sal tenham sido amortizados, o petróleo já terá se transformado em uma fonte proibitiva e inviável, política e economicamente, superado por fontes limpas e sustentáveis de energia.

LATIFÚNDIOS. Esse tipo de lavoura, que utiliza espaços gigantescos com baixa produtividade em relação ao consumo humano, e com enorme impacto sobre o meio ambiente, deverá ser substituído por fábricas de alimentos sintéticos, resultado do desenvolvimento da biogenética e de novas versões de transgênicos que não dependam do solo para sua fertilização e produção. Os latifúndios são o reflexo de uma sociedade feudal inaceitável, e que já deveria ter sido extinta, pois é geradora de privilégios e comportamentos inadmissíveis em um mundo superpovoado, como será a Terra no final deste século.

ALDEIAS. Pequenas aglomerações humanas se tornarão impossíveis em um mundo cujos espaços sejam cada vez mais insuficientes para abrigar uma gigantesca civilização cibernética. A ideia romântica de vilas, povoados e aldeias dará lugar ao pragmatismo da sobrevivência da espécie humana. Comunidades indígenas, quilombolas, de lavradores e ribeirinhos não caberão nesse mundo novo que se prenuncia. Serão absorvidas pelas novas cidades cibernéticas.

CASAMENTO. A união conjugal vem passando por transformações históricas. Embora a homossexualidade seja tão antiga quanto o homem, só neste século é que a sociedade passou a admitir que a escolha de parceiros sexuais é uma decisão que não cabe à sociedade julgar, em termos de moralidade. Por outro lado, o casamento, que nas suas origens representava a bênção da igreja para a procriação, deixou de fazer sentido com essas modalidades conjugais, tornando-se mero contrato social destinado a assegurar os direitos de cada parte na união.

CADEIAS. Prisões são feitas para isolar o indivíduo que quebra as regras de convivência social, em prejuízo de alguém que se sentiu lesado, ou como prevenção a novos crimes praticados contra a sociedade. Com o crescimento demográfico, as cadeias passaram a ser amontoados de pessoas, sem que pudessem cumprir a finalidade a que se propõem, qual seja a de dar ao prisioneiro uma oportunidade de se redimir pelos erros cometidos e se reintegrar na sociedade. A sociedade do futuro terá outros mecanismos e instrumentos para controlar e fiscalizar esses indivíduos, sem que, para isso, tenham que ser afastados do convívio social e serem mantidos em celas que mais parecem um zoológico. O que se prevê é a "reprogramação comportamental" através de sessões de medicação, condicionamento intelectual e até mesmo interferências genéticas na mente do indivíduo "meliante".

POLÍCIA. O aparato policial de que dispõe a sociedade para coibir, reprimir e capturar criminosos é desproporcional à sua finalidade social, e fonte de corrupção e descaminho. O futuro produzirá meios de controle social sem o uso de armas ou de violência, e poderá ser monitorado por centenas, milhares, senão milhões de câmeras distribuídas estrategicamente nos agrupamentos urbanos, e de aparatos (chips) instalados no indivíduo ao nascer. E a captura do criminoso se dará por meios legítimos de neutralização e remoção do indivíduo da cena do crime, até que sua "readaptação" social seja efetivada.

EXÉRCITO. Essa instituição só tem sentido na medida em que existem fronteiras, limites geográficos, e nações e países, que acreditam que o espaço de confinamento demonstra e caracteriza a personalidade e a identidade das pessoas com o espaço nacional dos países em que habitam. Abolindo-se as fronteiras, as bandeiras, os hinos e a história isolada desses países, o Exército se tornará inútil e supérfluo, e as guerras de conquista serão apenas memórias históricas de um mundo dividido por ideologias e conceitos medievais.

REPRESENTAÇÕES POPULARES. As assembleias, câmaras, senado, partidos políticos e outros tipos de representações populares serão consideradas nefastas e geradoras de discórdias. Por outro lado, o poder de manifestação será melhor exercido através de recursos tecnológicos que permitam, não apenas a formação de grupos virtuais heterogêneos, como estarão disponíveis através de diferentes ferramentas destinadas a criar e desfazer alianças temporárias, para finalidades variadas, conforme o interesse dos cidadãos, permitindo-lhes o exercício da democracia plena e da representatividade absoluta em cada nova situação.

PROPRIEDADE PRIVADA. A posse de bens é, talvez, a mais nefasta das concepções humanas, na medida em que cria a falsa ideia de que o mundo pode ser loteado para poucos, em prejuízo de muitos. Por outro lado, para que possuir bens se tudo pode ser usufruído por todos em qualquer situação, sem que, para isso, seja concedida a posse exclusiva e egoísta desses bens a um único indivíduo? O direito de uso não agrega valor a uma existência efêmera de poucas décadas. E a herança desses bens é o mais poderoso instrumento de perpetuação de castas e privilégios que a humanidade já tenha criado.

ESCRITÓRIOS DO FUTURO. Ainda nos parece essencial ter um lugar físico para se exercer as atividades burocráticas de uma organização. A esses lugares se denominou, no passado, de "escritórios", ou "lugar para se escrever". A ação de se escrever era, no passado, difícil e restrita aos poucos (geralmente, os "escribas monásticos") que dominavam a "arte da escrita", ou seja, o conhecimento de um idioma, com seus símbolos gráficos, regras de sintaxe e ortografia, e o manuseio de pincéis ou canetas; as máquinas de escrever e, principalmente, a estrutura organizacional física surgiram com a revolução industrial. Escritórios do futuro já existem, e são virtuais. Podem estar em locais compartilhados e temporários, podem estar nas casas dos funcionários, os "home office", ou podem, simplesmente, não existir, na medida em que cada pessoa estaria exercendo suas atividades em qualquer lugar, conforme seu conhecimento ou experiência, sendo que a articulação dos processos seria construída conforme a necessidade momentânea ou duradoura de um projeto, programa ou plano. Assim, não existiriam organizações formais, mas grupos de trabalho destinados a exercer atividades específicas, enquanto fossem necessárias, desfazendo-se quando a função, ou a missão, ou o projeto estivesse concluído. Simples assim.

CINEMAS E SALAS DE ESPETÁCULO. As manifestações artísticas e culturais estariam disponíveis a todo momento, cada grupo podendo se apresentar virtualmente, para quaisquer públicos interessados. Estes, por sua vez, teriam condições de se manifestar virtualmente, fazendo parte do espetáculo de forma interativa, anônima ou não, agrupando-se também de forma virtual, enquanto fosse de seu interesse. Cada indivíduo ou grupo, seja de atores, seja de espectadores, se formaria e se desintegraria para cada apresentação. Todos os espetáculos poderiam ser guardados virtualmente, fazendo parte do acervo individual ou coletivo, através de filtros de seleção e preferências manifestadas.

IGREJAS OU RELIGIÕES. Assim como os partidos políticos, as igrejas e as religiões criam instituições sectárias preconceituosas, perniciosas à harmonia social, devendo ser definitivamente extintos e proibidos. A manifestação de ideologias, sociais ou espirituais, deve ser livre e fazer parte da cultura de qualquer indivíduo, sem que, para isso, se converta em seita de fanáticos, que se manifestam coletivamente, perdendo sua identidade individual, e tornando-se, portanto, impessoal e ameaçadora à paz e à liberdade coletiva. Talvez, esta seja a maior das transformações que o mundo, tal qual o conhecemos e o experimentamos, presenciará nas próximas décadas, uma vez que extinguirá a farsa que domina, pela ignorância, as mentes dos menos privilegiados, intelectualmente.

ESCOLAS. Pode parecer estranho não existir escolas, mas elas apenas existem porque a transmissão do conhecimento ainda é primitiva e lenta. Passamos cerca de um quarto de nossas vidas aprendendo coisas inúteis, desconexas ou desnecessárias às atividades que exercemos, deixando de aprender o essencial, que é o conhecimento da finalidade da vida, da missão da sociedade humana, da percepção das sinapses que construímos em nossas mentes, e dos valores e princípios que deveriam nortear o comportamento humano, sem ter, contudo, o domínio do processo de organização desses complexos caminhos de armazenamento, de busca e de organização da inteligência humana.

ZOOLÓGICOS, ANIMAIS DE ABATE E A CARNE. Uma das mais importantes mudanças no comportamento humano será o entendimento de que não podemos ser carnívoros, seja porque as proteínas da carne não são as únicas que poderiam suprir nossas necessidades diárias, seja porque, neste futuro utópico, a comida será sintetizada artificialmente, acabando com as fazendas agrícolas e a criação de animais para abate, seja, ainda, porque precisaremos de todo espaço disponível na Terra para o lazer, as habitações e as atividades humanas. Zoológicos são aberrações que criamos para conhecer os animais, que deveriam estar vivos em seus habitats, e não confinados em jaulas ou em paisagens artificiais, construídas para serem usadas como presídios de visitação e deleite dos seres humanos.

DEJETOS HUMANOS: OS LIXÕES. Segregamos locais para despejar o nosso lixo, transportado por tubulações e veículos de carga, deixando de reaproveitá-lo para reuso e consumo. Esses lixões e esgotos são uma excrescência de nossa civilização e deverão ser eliminados. Os processos de separação e tratamento do lixo devem fazer parte de nossa rotina diária, e não servir de motivo de segregação de uma população diminuída em seu papel de seres humanos catadores e separadores de nosso próprio lixo.

PRODUÇÃO E TRANSPORTE DE ENERGIA. Outra forma primitiva de atividade, que caracteriza nossa sociedade humana, é a produção e o transporte de energia: hidrelétricas, termelétricas, usinas nucleares, linhas de transmissão, com enormes perdas pelo caminho, estações rebaixadoras e todo esse processo antiquado de produção, transporte e distribuição de energia deverá ficar no passado. Cada unidade humana, seja uma residência, seja uma unidade produtiva, seja qualquer equipamento útil, deverá ter sua própria fonte de energia, eliminando toda essa estrutura produtora e portadora que existe hoje.

IDEOLOGIAS E GUERRAS. Talvez devêssemos acrescentar, a essa dupla concepção, as religiões, já tratadas junto aos partidos políticos e associações. O fato é que toda dissidência humana se inicia em um embate de ideias sem o propósito construtivo da manifestação intelectual, mas apenas com a intenção de fazer prevalecer nosso ponto de vista ao dos nossos adversários. Daí, talvez, a necessidade de se discutir, aqui também, as atividades competitivas dos seres humanos, como o futebol e outros esportes geradores de discórdia e desunião. Mas trataremos apenas das ideologias e das guerras. Extintos os territórios, os países e seus limites, as guerras deixariam de existir, assim como as disputas pela sua posse. Não precisamos de terrenos murados, cercas, bloqueios de qualquer espécie, destinados, única e exclusivamente, a demarcar territórios que não nos pertencem. O mundo é dos seres vivos, independentemente de sua inteligência, sua cultura, suas linguagens e suas construções mentais. Quem contestará o fato de que surgimos da evolução das espécies? Quem assegurará que outras espécies poderão, eventualmente, evoluir para outras formas de vida inteligente, até mais qualificadas do que os seres humanos, tal como somos?

Essas considerações despretensiosas foram escritas para meditarmos a respeito do que nos separa, daquilo que nos segrega em nossa sociedade atrasada e arrogante, tornando ideias, que deveriam existir para serem compartilhadas, em armas para nos separar e desunir. Acabamos de sair de uma disputa ideológica que não trouxe vitoriosos, mas apenas perdedores. Tendo sido discutido exaustivamente o tema das "MUDANÇAS" por ambas as candidaturas finais do confronto ideológico, tudo o que não aconteceu foram "MUDANÇAS"! Ficou o mesmo grupo no poder, com as mesmas ideologias ultrapassadas, confrontadas com outro grupo ideológico também ultrapassado. Ficou um gosto amargo da derrota para ambas as partes, que não conseguiram convencer o eleitorado da prevalência de suas ideias às ideias opostas. Usou-se de artifícios e mentiras para iludir uma parcela indefesa da sociedade. Perdeu-se uma oportunidade de nos afastarmos da disputa ideológica para algo mais pragmático, como a "SUSTENTABILIDADE" de nossos processos produtivos, sociais, intelectuais, comportamentais, diante de um mundo em transformação, onde as "MUDANÇAS CLIMÁTICAS" determinarão os rumos de nossas vidas nas próximas décadas.

O que virá do caos decorrente de nossas ações predatórias sobre o Meio Ambiente? O que restará depois dos desastres ecológicos que arruinarão nossos sistemas produtivos medievais? Como subsistiremos à morte de nossas fontes de recursos naturais, quando os processos predatórios tiverem exaurido essas riquezas naturais, que desaparecerão pela perversidade e ignorância de governos despreparados para gerir o Universo em que habitamos? São essas as questões que estão em pauta, não a cor da pele e de nossa ideologia, ou a "magnanimidade" das migalhas distribuídas a uma parcela desta sociedade desigual, arcaica, feudal, primitiva, egoísta, sem solidariedade, sem compaixão, sem amor ao próximo, que são estes os princípios e valores essenciais à vida inteligente.

E não saberemos dizer quando teremos outra disputa que valha a pena ser realizada. Esta, certamente, não serviu para nada. Saímos perdedores, acusando-nos, mutuamente, dos mais torpes preconceitos! Perdemos diante de nossos "inimigos", que são nossos irmãos de sangue, de culturas, de herança genética, de vizinhança, de território, de costumes, ainda que primitivos! Quando teremos nossa próxima oportunidade de rever nossos conceitos? Quando aprenderemos a debater ideias sem que, para isso, tenhamos que humilhar nossos adversários com palavras grotescas e arrogantes, acreditando que as "Nossas Verdades" sejam melhores que as "Verdades Alheias"?

Não existem VERDADES! Existem conceitos divergentes, que o próprio tempo cuidará de comprová-los falsos e decorrentes de nossa percepção míope do Universo que nos cerca. E esse tempo, que nos levará muito antes que tenhamos tempo de aprender o suficiente para sermos humildes, acabará por dar fim a essa humanidade que se vangloria de ser a espécie mais bem sucedida da face da Terra! Será mesmo? Pois seremos nossos próprios algozes, e exterminaremos nossa própria raça, a despeito de cores, credos, ideologias, conhecimentos científicos, realizações materiais ou desenvolvimento tecnológico.

Ao pó das estrelas retornaremos, e lá permaneceremos por milhões, bilhões de anos terrestres, à espera de que a casualidade combine nossas moléculas esparsas, catalizadas por acontecimentos e fenômenos igualmente aleatórios, reconstituindo novas formas de vida que, por sua vez, se reorganizarão até que, um belo dia, nova vida "inteligente" venha a surgir e se desenvolver, cometendo os mesmos erros e determinando o fim dessa nova espécie.

Esse é o ciclo do próprio Universo. Existirá um DEUS, uma inteligência que, como um maestro, conduza o tempo fictício e os eventos cósmicos  em direção à constituição cíclica de eras geológicas, manifestações naturais, surgimento de espécies "VIVAS" e seu desaparecimento, sem que, aparentemente, nada faça sentido para nós, reles seres humanos em vias de extinção? Jamais saberemos.

domingo, 16 de março de 2014

POLÍTICA COMO ARENA DE DISPUTAS IDEOLÓGICAS

O povo, sem cultura, é como o gado, que precisa do boiadeiro para conduzi-lo.
Ano de eleições. Muitos já chegam à disputa com a mente decidida, com candidato escolhido, com um partido político que mais parece uma religião, tantos são os "dogmas" a que precisam se submeter. Esses não têm escolha, e apenas referendam a votação de eleições passadas, sem refletir se o que foi feito correspondeu às suas expectativas e cumpriu as promessas de campanha e está em conformidade com o ideário do partido político ao qual se filiaram. Como nas religiões, sua opinião não tem valor, pois são induzidos a escolher os candidatos que lhes foram impostos, acatando as decisões previamente tomadas, sem discussão. Outros nem candidatos têm, e esperam alguma sugestão de amigos, ou pedidos de candidatos em troca de um "agrado" qualquer. Alguns não têm sequer noção da importância do voto...

Em nosso país, as eleições se tornaram referendo e não escolha. Duas facções se formaram, com o entulho ideológico do passado, imersos nas mesmas acusações e promessas, sem criatividade, sem idealismo, sem vontade de transformar o nosso pequeno universo em um lugar melhor para se viver. Até mesmo os slogans das empresas de marketing político não se renovam, e o cenário apresentado nos horários eleitorais é sempre o mesmo, reproduzindo frases já ditas à exaustão nos últimos trinta anos de vida "democrática". Seria essa a República de Platão ou a Democracia de Atenas?

Apesar dos vários candidatos, as discussões são estéreis e infundadas. Prevalece a mentira, a hipocrisia, a falsidade... curioso é que mesmo os partidos de esquerda, que deveriam aceitar o debate, pois a "Dialética" faz parte do ideário comunista e de seu Método de Reflexão, se recusam a provocar as discussões de temas "sensíveis". Ninguém quer se expor demais para não "perder a carona"! A causa disso tudo é que os partidos se misturaram, perderam a identidade! Restou apenas uma paisagem enevoada na qual não se distingue as nuances e as ideologias ali representadas.

Neste momento crítico de nossa vida política, como cidadãos, deveríamos estar discutindo programas de partidos, plataformas eleitorais, propostas setoriais, debates sobre temas que nos dizem respeito. No entanto, discute-se migalhas de pensamentos. É mais importante falar das tolices ditas no STF do que debater a crise de nossa política interna e a situação internacional. Nunca houve tanto assunto a ser discutido, e apenas o que veremos são caras de idiotas prometendo fazer isso ou aquilo, as mesmas coisas que já disseram anos a fio... tipo assim: "A Educação é a prioridade de nosso governo!"ou "Venha para o nosso Partidoe participe dos debates sobre a emancipação da Mulher Brasileira!"

Como esperar que algo mude nesse país, se as pessoas são as mesmas, as regras são as mesmas, os partidos são os mesmos e os métodos de aliciamento, infelizmente, também são os mesmos? "Nada de novo no front"! Com essa declaração os repórteres começavam o dia na Segunda Guerra Mundial, quando meses se passavam sem novidades, a não ser a tragédia das milhões de mortes que se acumulavam na consciência humana... pois diremos o mesmo: "Nada de novo na política brasileira"! Porque os atores repetem a mesma peça teatral, cansada e desinteressante, dos candidatos se alternando na tela da TV, pronunciando promessas ou acusações desprovidas de sentido, apenando para a emoção ou incitando ao ódio, ou ainda fazendo denúncias, com ou sem fundamento, mas que nada têm a ver com o processo de seleção em que ele é o candidato e o eleitor é a banca examinadora! Poucos percebem isso!

E assim, com votos de cabresto, votos de analfabetos (integrais ou funcionais), votos de "amizade" ou votos de submissão messiânica a um partido político, cem milhões de brasileiros despreparados escolherão o mandatário supremo da Nação, além de senadores e deputados, representantes "legítimos" de nossa vontade política. Com um processo dessa natureza, como esperar que, nos próximos quatro anos, alguma coisa irá mudar nesse país? Então surgem as temerosas "fórmulas mágicas": -militares no poder! -constituinte já! -voto distrital misto! -financiamento público de campanha! -fim das reeleições! -parlamentarismo! -fim das alianças políticas! -fim do voto eletrônico!

Cada um traz seus palpites, irresponsáveis e infelizes, acreditando que o problema do Brasil é de cunho institucional. Não é. Se um povo é politicamente preparado, qualquer sistema de governo funciona razoavelmente. Não é o nosso caso, com certeza! Outros ainda trazem aqueles "bordões" já rustidos e desqualificados: "o que falta ao brasileiro é Educação, é Saúde, é Transporte, é Cultura, é blábláblá..." Sim, é tudo isso, mas não é nada disso, pois o que significa ter cada uma dessas áreas priorizadas, se carecemos de Honestidade, de Ética, de Solidariedade, de Respeito?

Precisamos de um povo que compreenda o sentido de NAÇÃO BRASILEIRA! Que saiba respeitar os valores éticos da sociedade, mas que também saiba o valor de sua Terra, ou melhor, que compreenda o conceito mais complexo de TERRITORIALIDADE! Que tenha o entendimento de que o espaço físico de um povo não pertence a ninguém. Que os recursos naturais da Humanidade são finitos e que cada um de nós é responsável por preservá-los para as próximas gerações. Que ser Cidadão é muito mais do que obedecer às leis e às regras sociais, mas é, sobretudo, respeitar o OUTRO, ser justo, condescendente, solidário, generoso, humilde, honesto, altruísta, idealista... sim, porque só um povo que tem respeito pelo outro é capaz de construir uma Nação. Pátria é um conceito simplório...

Finalmente, mas não menos importante, é compreender que FAZER POLÍTICA é atuar numa arena onde as idéias podem ser discutidas sem ofensas e sem mágoas, que cada um tem o direito de pensar diferente, desde que seus proósitos atendam àqueles valores mencionados, que fazer política é dialogar mais do que discutir, buscar o consenso mais do que vencer por maioria, comprender o outro lado mais do que impor sua vontade. A arena política pode chegar a "ferver" de emoção e "fervilhar"de idéias contraditórias ou complementares. O que não pode acontecer é a imposição de uma vontade sobre as demais pelo poder político, econômico, religioso ou social. Não é nada fácil...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Eleições do Mensalão

Ao contrário do que afirmavam analistas políticos, o julgamento do assim chamado "Escândalo do Mensalão" não representou problema para o Partido dos Trabalhadores, que teve seu espaço político aumentado, e não favoreceu o PSDB, que não ampliou seu eleitorado em função do julgamento dos antigos líderes do PT, notadamente Dirceu e Genoíno. A maior evidência disso foi a passagem para o segundo turno de Haddad, político desconhecido em São Paulo, e que iniciou a campanha com cerca de 3% de intenções de voto e chegou ao segundo turno com seu desafeto Serra, cujas margens de rejeição demonstraram ser muito maiores do que as do PT.

Agora, às vésperas do segundo turno, Haddad mantém expressiva vantagem de 16 pontos percentuais sobre seu oponente. Essa situação evidencia o poder de influência do ex-presidente Lula que, contra todas as expectativas, ofereceu o nome de Haddad para enfrentar o PSDB de Serra, o PRB de Russomano e o PMDB de Chalitta, que iniciaram a campanha com grande vantagem sobre o PT. Russomano, até às vésperas do 1º turno era apontado como provável oponente de Serra no 2º turno. Essas mudanças de preferências eleitorais têm duas explicações: a primeira demonstra a fragilidade desse processo de análise e interpretação das intenções de voto do eleitorado, e descredenciam as metodologias estatísticas de previsão de resultados; a segunda explicação está mais ligada ao desinteresse e despreparo do eleitorado com relação à escolha de seus governantes.


O que deveria ser fator de manipulação política do eleitorado, mostrou-se uma arma apontada para todo o sistema político brasileiro, uma vez que já não se distinguem bons e maus partidos políticos, todos envolvidos nas mesmas práticas oportunistas, manifestadas pelas barganhas de cargos e vantagens em troca de apoio em todos os níveis do poder legislativo e executivo. O PT, que era considerado um partido ÉTICO, perdeu sua aura de honestidade ao envolver-se no maior escândalo da História da República e ao recusar-se à autocrítica esperada pelos brasileiros. Ocorre que, na fila de espera das pautas do Supremo Tribunal Federal estão o PSDB, com o "Mensalão Mineiro", e o DEM com o "Mensalão de Brasília".

Durante todos os anos de espera pelo julgamento do STF todos apontavam para mais uma "PIZZA" a ser servida pelo STF, isentando de culpa os medalhões do PT. Porém, graças à decisiva e inteligente estratégia do relator Joaquim Barbosa, os réus foram sendo condenados, um a um, nos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, crimes financeiros, etc. E agora, exatamente neste momento, o STF julga o último crime, de formação de quadrilhas, justo no momento em que alguns ministros do STF tiram suas máscaras e passam a inocentar todos os acusados. Lewandowski, Tófoli, Rosa Weber e Carmen Lúcia exibem sua verdadeira face aos brasileiros!
Seja como for, essa reviravolta final nos resultados do julgamento terá efeito muito mais devastador para o PT do que a esperada condenação dos réus. Sentindo-se traídos pelos seus magistrados, provavelmente os eleitores de São Paulo se rebelarão contra a pantomima agora evidenciada, e tenderão a mudar seus votos, revertendo as expectativas das pesquisas de última hora. Se isso será suficiente para assegurar a vitória do PSDB ainda não se pode afirmar; mas certamente será a comprovação de que nosso modelo de "democracia" está falido, fracassado e comprometido com as piores práticas!


Não são apenas dois poderes que se ofereceram para encenar essa farsa, mas os três poderes! E isso não é surpreendente, uma vez que quase todos os ministros do STF foram nomeados pelo ex-presidente Lula e agora por Dilma Rousseff, que ainda tem uma carta nas mangas, que poderá ser utilizada caso alguma coisa ainda "saia do controle": será a posse do novo ministro Teori Zavascki antes da deliberação final de desempate e da atribuição das penas aos réus condenados. Ou seja, ninguém irá para a cadeia ou, se for, será beneficiado, como réu primário, a penas alternativas; na pior das hipóteses, uma condenação branda e uma reclusão doméstica!

Ficará apenas a imagem de um guerreiro que não se deixou abater, e desmascarou aqueles que tentavam manter a imagem de homens probos e dignos enquanto, em seus votos, demonstravam a traição à Nação e ao povo brasileiro. Joaquim Barbosa merece nossa admiração e respeito, tanto pela sua postura ética e firme, como pelos esforços em se manter ativo, mesmo diante de seu estado de saúde precário, expressando, horas a fio, seu trabalho magnífico de ordenar as denúncias e apresentar suas sentenças!

As "Eleições do Mensalão" poderiam ter se tornado um marco a estabelecer um recomeço de nossa Democracia e o reencontro com o Estado de Direito, sepultando definitivamente a mentira e resgatando a honra a que se referia Ruy Barbosa em sua frase mais emblemática:


"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."

quinta-feira, 15 de março de 2012

Dilma resistirá às pressões?

Agora que começo a gostar da postura de Dilma, acho que ela mexeu em vespeiro com vara curta, como se diz no interior. Espero, sinceramente, que ela perceba quais são as maçãs podres e quais são aquelas que vale a pena comer nesse grande circo da política brasileira. Os palhaços que sempre estão em cena talvez ganhem a batalha e forcem a presidente a ceder e retornar aos trilhos, recolocando a escória de nossa política nos cargos federais. Isso será lastimável!...

Eu já disse isso quando de sua eleição em 2010 e repito agora: se ela tiver coragem e afrontar os caciques dos grandes partidos políticos, talvez consiga vencer a barreira quase intransponível da corrupção e da safadeza em sua base de governo. Mas para isso ela precisaria mostrar publicamente as armações que acontecem todos os dias, o tempo todo na corte palaciana. E isso já é difícil...

Sinceramente, não creio na presidente Dilma, pois seu caminho político não é o que eu preconizo, e que passa longe demais do caráter desenvolvimentista de sua política econômica. No entanto, percebo que ela tem se demonstrado coerente e está tentando mudar a feição de sua equipe de governo. Os medíocres ministros conduzidos à Esplanada no início de seu governo, a maioria para satisfazer as alianças espúrias feitas para assegurar sua eleição, agora são substituídos por novas caras, nem todas assim tão notórias da política do "toma-lá-dá-cá". Mas isto não basta!

Para que Dilma conquiste a Nação e mereça o respeito do Povo Brasileiro será necessário muito mais - terá, acima de tudo, que derrotar as forças retrógradas e reacionárias do poder legislativo e colocar nos cargos de primeiro escalão pessoas dignas e isentas da lama que cobre as canelas (e os cotovelos) dos políticos tradicionais, principalmente da famigerada bancada ruralista!

Será um caminho árduo, pois em um primeiro momento terá enormes dificuldades de conduzir as votações no Congresso Nacional. No entanto, não existe melhor momento político do que este, um ano eleitoral em que todos esses promíscuos políticos buscam eleger seus apadrinhados para manter a máquina da corrupção azeitada para mais um perído de quatro anos de safadezas e corrupção. Tirado o respaldo popular, caso ela enfrente a máfia, esses mesmos elementos se voltarão para o Planalto para tentar salvar seus dedos, já que os anéis se foram no embate desleal por cargos, favorecimentos pessoais e "pagamento" de dívidas entre "correligionários"!

O problema se agrava quando percebemos que a própria população está fatalmente contaminada por essa sujeira que grassa em todas as esferas do poder, uma vez que não demonstra reações de revolta e indignação, e não existem mais baluartes a serem defendidos em nome da ética, da decência, da dignidade e da honestidade! Quem se salva nessa canoa furada da política brasileira?

Só mesmo o futuro dirá... mas para isso é preciso mudar, lembrando o velho refrão desse verdadeiro hino das oposições à ditadura ("Prá não dizer que não falei das flores..."), que mexeu profundamente com minha geração e nos fez corajosos e idealistas: "Vem, vamos embora, que esperar não é saber! Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"! (Salve, Vandré!)

Dilma, lembre-se de seus tempos de guerrilheira e cumpra seu papel de principal mandatária desta Nação cansada de tantas falcatruas, hipocrisia, mentiras e falta de vergonha na cara! Se você, presidente, perseverar e enfrentar esse poder corrupto e degenerado, poderá até perder a batalha, como perdemos na década de 70, mas terá revitalizado nossas crenças e nosso idealismo! E é disso que precisa a Gente Brasileira para poder ter referências de mérito para nossos descendentes! A Senda do Bem é longa, árdua e perigosa: somente poucos eleitos podem trilhá-la, mostrando o caminho para os que vêm depois... sem essa entrega da alma, não haverá futuro para a Nação!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

OAB: voto no STF abre brecha para impunidade na Ficha Limpa

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, afirmou nesta quinta-feira que, apesar de ter considerado bom o voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux - que acolheu parcialmente a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) sobre a Ficha Limpa - defende que seja alterado o ponto que permite que políticos possam renunciar aos mandatos para escapar de medidas de cassação. "A prevalecer o entendimento do ministro Fux, os políticos voltam a poder renunciar, na véspera da reunião do Conselho de Ética, para não serem cassados, ficando plenamente elegíveis para a eleição imediatamente seguinte, ou seja, nada muda".
Para Cavalcante, o ponto alterado pelo relator anula uma importante conquista da Ficha Limpa em relação àqueles que renunciam para escapar de medidas de cassação. Segundo o presidente da OAB, o parágrafo 4º do artigo 54 da Constituição já impede que a renúncia do parlamentar que teve o processo aberto pelo Conselho de Ética gere efeitos até que ocorra a decisão final sobre o caso. "Por isso, os parlamentares acabam decidindo sobre eventual renúncia antes mesmo da abertura do processo pelo Conselho de Ética", disse. "A se manter esse ponto do voto do ministro Fux, ficarão elegíveis todos os políticos que já renunciaram antes da abertura do processo pelo Conselho de Ética para escapar de cassações, como é o caso do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz".
Ophir defendeu a reforma nesse ponto do voto do ministro Fux, a fim de que se restaure a essência da Lei da Ficha Limpa e se reverta o que classificou como uma verdadeira "excrescência". "Trata-se de um abuso do direito de renunciar com o objetivo único de fugir da cassação, o que, infelizmente, tem sido uma praxe no parlamento brasileiro, como uma forma de driblar a lei e de debochar do eleitor e da sociedade", afirmou.
Julgamento sobre validade da Ficha Limpa é adiado
O julgamento sobre a validade da lei para as eleições de 2012 começou ontem no Supremo Tribunal Federal (STF), mas um pedido de vista do ministro Joaquim Barbosa adiou o prosseguimento das tratativas sobre o tema.
Os primeiros dois casos analisados no STF sobre a Ficha Limpa - os registros de Joaquim Roriz e de Jader Barbalho - dizem respeito ao item que trata da renúncia. Jader entregou o mandato de senador em 2001, em meio a denúncias de desvio de verbas no Banpará. Joaquim Roriz fez o mesmo em 2007, depois de ser acusado de negociar a partilha de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura. Ambos renunciaram antes da abertura do processo, o que poderia levar à cassação do mandato parlamentar.
Ontem, ao comentar seu voto, Fux disse que sua proposta vem dar mais seriedade ao critério da renúncia. "Uma petição todo mundo pode entrar, até um inimigo político. Se houver, então é preciso que haja seriedade. Para obedecer essa seriedade (a renúncia) tem que ocorrer quando for instalado processo de cassação. Aí o político sabe que já está a caminho de um processo que pode levar à cassação de seu direito político".
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse hoje que essa proposta certamente será analisada pelos demais ministros e que o momento que passa a valer a inelegibilidade por renúncia sempre foi objeto de contestação."Mas, no geral, o voto foi animador, porque proclama a constitucionalidade da lei", disse ele.
Gurgel também assinalou que a proposta de subtrair os anos de inelegibilidade do tempo decorrido entre a condenação e a decisão definitiva da Justiça foi surpreendente."A proposta surpreendeu um pouco, porque foi uma abordagem nova, mas vamos esperar o final do julgamento".
Fonte - JUSBRASIL
Com informações da Agência Brasil.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Comissão dos políticos da bancada ruralista aprova destruição das Florestas Brasileiras

A candidata Marina Silva (PV) afirmou hoje que, se eleita para a Presidência da República, vetará o projeto de lei que altera o Código Florestal Brasileiro e flexibiliza as regras para a preservação ambiental. A proposta de reforma foi aprovada ontem em comissão especial da Câmara dos Deputados. A votação no plenário só deve ocorrer após as eleições e o projeto ainda será analisado pelo Senado. Marina, ex-ministra do Meio Ambiente, classificou o texto aprovado como um "grande retrocesso" na legislação ambiental. Ela defendeu a pressão da sociedade contra as mudanças, a exemplo do que ocorreu na aprovação do Projeto Ficha Limpa, que impede políticos com condenação na Justiça de concorrerem a cargos eletivos. "A sociedade vai revogar essa medida pela mobilização social. Não podemos continuar sujando a ficha das nossas florestas com esse tipo de retrocesso", disse. "Espero que a gente possa dar uma resposta como cidadãos à tentativa do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de dizer que nós, brasileiros, não somos os donos da floresta, que alguns poderão ter o domínio dela."

Acima, cena dos políticos corruptos, de costas para a imprensa, aprovando a aberração "legal" que destrói todo o esforço de 50 anos de luta pela preservação de nosso meio ambiente. Ocultam-se do povo que, sem saber que são inimigos públicos da Nação brasileira, neles votará nas próximas eleições!

Mais uma vez, o Congresso Nacional age em benefício próprio e dos interesses pequenos dos grandes latifundiários do país, jogando no lixo nossa principal legislação ambiental e abrindo brechas para que nossas florestas e rios sejam dizimados impunemente. Aliás, impunidade é o sinônimo da atuação dos parlamentares brasileiros, em qualquer nível: federal, estadual ou municipal. Como já alertei quando da aprovação do "Ficha Limpa", nada mudou para esse corruptos; continuarão agindo à margem das leis, certos de sua impunidade. Prova disso é que o próprio TSE já liberou vários políticos, como Heráclito Fortes, para disputar as próximas eleições, mesmo estando enquadrados na nova lei recém-aprovada e referendada pelo TSE.

Muitos dos membros (senão todos) dessa comissão são grandes proprietários rurais e foram condenados por crimes ambientais. Com essa "revisão" do Código Florestal, seus crimes deixam de existir. Perdão, nesse país, só para os latifundiários e membros da Bancada Ruralista! Parabéns, senhores parlamentares! Vocês conseguiram desfechar o mais destruidor golpe contra as áreas de preservação de nosso país! Agora, milhões de hectares de floresta nativa poderão ser derrubadas, queimadas, destruídas, transformadas em CO2, sem que isso represente crime ambiental! Vergonha Nacional! Isso depois que Lula prometeu ao mundo, em dezembro de 2009, em Kopenhagen, que o Brasil seria o exemplo de redução de emissões de dióxido de carbono, gás que se desprende das queimadas na Amazônia e contribui para o efeito estufa!

O BRASIL AGORA ESTÁ DE LUTO.
Pelo menos nós, os ambientalistas e amantes da NATUREZA, estamos!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A herança política de Luiz Inácio

Quando Luiz Inácio assumiu, nos idos de 2003, era apenas um ex-sindicalista que tinha perdido um dedo numa prensa de montadora de veículos, e que mobilizou milhares de trabalhadores nas intermináveis greves dos anos 60 e 70. Nos estertores do decepcionante governo de Fernando Henrique a inflação voltava a crescer, assim como o dollar e a taxa de juros, fruto das ameaças das forças mais conservadoras e preconceituosas desse país. Vivíamos mais uma crise internacional, quase não tínhamos reservas monetárias, pagávamos com dificuldade os juros dos empréstimos com o FMI e nos subordinávamos às suas regras autocráticas, sem reação.

O saldo da venda das estatais não fora suficiente para cobrir nosso endividamento crônico com bancos internacionais, nossos empréstimos amargavam taxas de juros inaceitáveis, e boa parte da dívida flutuava com o câmbio das moedas estrangeiras. Para piorar esse quadro, as Federações e Confederações das Indústrias e Comércio alardeavam uma provável debandada do capital nacional caso Luiz Inácio vencesse as eleições.

Certamente, Fernando Henrique não deixou apenas o caos e sua imagem arrogante de "Déspota Esclarecido", figura trazida da história que ele mandou que esquecêssemos quando se elegeu presidente. Deixou também uma lei, apelidada de "Responsabilidade Fiscal", idéia simples e óbvia como devem ser as boas criações mentais: não se gastar mais do que se ganha, princípio que qualquer cidadão, mesmo pouco esclarecido, sabe que é indispensável para não ter seu nome pendurado nos CDL's e SERASA's.

Mas o que Luiz Inácio deixará como herança, afinal?

Nossas dívidas com o FMI foram zeradas; nossa balança comercial apresenta sólido e sustentado superavit há muitos anos; nosso mercado exterior não está mais atrelado aos Estados Unidos e uns poucos países europeus, nossos maiores credores, mas diversificada entre países emergentes, países africanos, nossos vizinhos latino-americanos; o Brasil é respeitado internacionalmente, mesmo diante da figura quase grotesca de nosso Presidente, graças à sua espontaneidade e inteligência fenomenal; passamos pela pior crise econômica da história contemporânea, maior até do que a crise de 1.932, com reflexos modestos em nossa economia, se comparados às tragédias dos países desenvolvidos: Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Japão, Espanha... graças a todas as medidas eficazes do governo petista, saímos da crise com um crescimento do PIB estimado em 7,5% para este ano!

Mas Luiz Inácio não se preocupou apenas com a economia: cuidou do funcionalismo público, recuperando salários e estruturando carreiras, e tornando os empregos públicos altamente competitivos em relação ao mercado de trabalho das empresas privadas. Hoje, qualquer jovem que ingressa na vida profissional não negligencia a alternativa de um emprego público, graças à melhoria da qualidade de gestão administrativa do funcioalismo e das empresas públicas e do aparelhamento dos órgãos públicos. É importante ressaltar o excelente trabalho que vem sendo deselvolvido pela Polícia Federal no combate aos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, restaurando a dignidade do poder público, a despeito da morosidade do Poder Judiciário e dos escabrosos casos de corrupção que continuam acontecendo.

A Educação e a Saúde Pública foram dois aspectos relevantes dessa administração, que apresentou modesta porém consistente melhora de seus indicadores, principalmente nas regiões mais desfavorecidas de nosso país. A nota distoante foram as políticas relacionadas com os movimentos sociais, principalmente no caso da Reforma Agrária, que caminhou lentamente diante dos privilégios concedidos, justamente, aos grandes fazendeiros latifundiários e ao agro-negócio, que chega agora a ameaçar destruir todas as conquistas alcançadas em mais de 50 anos. A pior delas á a ameaça ao meio ambiente, representada pela revisão do Código Florestal e de toda legislação ambiental, cedendo aos interesses da corrupta bancada ruralista do Congresso Nacional. Com a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente esses poderosos fazendeiros perceberam a oportunidade de jogar no esgoto as nossas melhores políticas ambientais.

O Nordeste foi o beneficiário de boas e más políticas. Dentre as boas decisões podemos citar as melhorias no saneamento básico e na educação, bem como o estímulo à economia regional, reduzindo as enormes disparidades com o sul-sudeste. No entanto, essas políticas não foram suficientes para reverter as tendências futuras, uma vez que, com a recuperação da economia, também a poderosa indústria instalada no país cresceu a ritmo acelerado. Muito mais haverá que se fazer para que essas disparidades possam redimir da pobreza e da miséria essas populações carentes, que vivem hoje como vivíamos há 50 anos.

Nessa breve análise das heranças políticas de nossos recentes presidentes da república poderemos constatar que, a despeito dos diferentes partidos políticos no poder, adquirimos um status de Nação amadurecida, capaz de superar divergências ideológicas e trabalhar para o bem comum. Resta esperar que mudanças positivas cerceiem a liberdade dos corruptos e impeçam que seus representantes legislem em causa própria; que novas leis venham para proteger nosso povo e nossas riquezas naturais e não para favorecer interesses escusos de latifundiários que sequer honram seus compromissos. Finalmente, que o povo brasileiro seja respeitado e tratado com equanimidade, e tenha acesso à cultura como qualquer herdeiro de nobres decadentes possui; que a educação pública nada deixe a desejar às escolas particulares e a saúde pública torne desnecessários os milionários planos de saúde que só atendem a uma minoria privilegiada.

Promessas de campanha nada significam. Mais importante é o caráter de nossos líderes! Será que poderemos ter esperanças no futuro?

sábado, 12 de junho de 2010

Cavalcanti: obras da Transposição estão dentro do prazo

O senador Roberto Cavalcanti (PRB) disse nesta sexta-feira (11) que as obras da Transposição do Rio São Francisco não pararam e que continuam da forma e dentro dos prazos previstos.

A declaração do senador foi feita durante entrevista por telefone ao programa Correio da Manhã, da Correio Sat, e em resposta à informação que circulou na imprensa na semana passada que dava conta da paralisação das obras.

"É uma falsa verdade sobre a paralisação das obras da Transposição. Procurei apurar junto ao Ministério da Integração Nacional e tomei conhecimento de alguns números", ressaltou o senador.

Cavalcanti explicou que no ramal leste, que chega até Monteiro, está com 49% das obras concluídas e atualmente estão sendo construídos túneis para a passagem da água em locais elevados. Já no eixo norte, que faz ligação até o Ceará, a construção já está 39% concluída.

O senador afirma, no entanto, que as obras executadas atualmente necessitam de menos profissionais do que na construção dos canais, não negando a demissão em massa.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Marina Silva no Roda Viva














Marina Silva, candidata do Partido Verde à Presidência da Republica será a entrevistada do programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, na próxima segunda-feira, dia 14 de junho, às 22:00 horas. Imperdível!
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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dois pesos, duas medidas!

Israel atacou uma pequena frota de navios pacifistas em águas internacionais, matando nove pessoas. Eles levavam ajuda humanitária para os palestinos na Faixa de Gaza. A truculencia das forças israelenses contra pessoas inocentes e desarmadas lembra a violência e as atrocidades nazistas na Segunda Guerra Mundial! E agora? Será que o Conselho de Segurança da ONU reagirá contra Israel como o fez tantas vezes contra os países árabes? Será que os Estados Unidos da América do Norte reagirão contra Israel como têm feito contra o Irã? O que seria pior: ter uma arma nuclear para se defender de Israel, ou agir impunemente contra povos palestinos, que nem mesmo possuem um território reconhecido pelas Nações Unidas?

De onde vem tamanho poder dos israelenses? Talvez do dinheiro que eles mantêm em ações dos maiores bancos internacionais... Como um pequeno país incrustado no território árabe consegue impor sua vontade ao mundo, que se ajoelha a seus pés? Racistas, os judeus dominam as ações do Conselho de Segurança da ONU... quando esse órgão da ONU emitiu alguma sanção econômica ou militar contra Israel? Nunca!

Está na hora do mundo tirar sua máscara e reconhecer os verdadeiros inimigos da paz mundial: os EUA! Sim, pois o Conselho de Segurança da ONU é apenas um marionete nas mãos dos norte-americanos. Por isso, os países emergentes ainda não conseguiram fazer parte desse Conselho. É insustentável a afirmação de que os inimigos do mundo, as "forças do mal" são os países árabes, o islamismo e o Corão! A cada dia, uma ação extrema é tomada pelo ocidente, demonstrando seu desprezo pelos povos do Oriente Médio.

Para o governo Bush o "Eixo do Mal" era composto pelo Afeganistão, pela Al Qaeda e pelo Iraque. Dizia o então presidente que Sadam Hussein possuía enorme estoque de armas químicas para usar contra o Ocidente. Invadiram o Iraque, mataram Sadam Hussein, e não encontraram as armas químicas porque elas não existiam. Prometeram acabar com a guerra em poucos meses e derrubaram o Talibã do poder no Afeganistão, prometendo capturar Osama Bin Laden. Fizeram centenas de milhares de vítimas. Não acabaram com a guerra mas destruíram dois países e não encontraram o terrorista. Os EUA podem tudo!

Sob o manto protetor dos EUA e a omissão da ONU, Israel também pode tudo! O país que foi vítima de Adolf Hitler e condenou a construção do Muro de Berlim construiu seu próprio Muro de Israel, privando o povo palestino de viver em liberdade. Agora, atacaram navios pacifistas sob a alegação de que esses barcos estavam "quebrando o bloqueio" aos palestinos! As Nações Unidas aprovaram esse bloqueio? O Conselho de Segurança da ONU aprovau alguma sanção contra esse povo que vive há décadas sob o jugo de Israel?

Está na hora de caírem as máscaras da hipocrisia no mundo ocidental. Chega de mentiras! Todas as guerras contemporâneas têm demonstrado duas poderosas motivações: a primeira é óbvia e destina-se a manter o poder militar americano e de seus aliados sobre o resto do mundo. A segunda, mais disfarçada, é assegurar o consumo e a renovação do material bélico produzido e garantir a evolução tecnológica dos armamentos militares americanos e de seus aliados, certamente a mais poderosa indústria do mundo contemporâneo!

Os EUA consomem imensos recursos em armamentos, que seriam suficientes para acabar com a fome no mundo e erradicar a miséria na África e em todos os outros continentes! O orçamento militar dos Estados Unidos corresponde a R$ 858 bilhões!  O Departamento de Assuntos Relacionados a Veteranos de Guerra leva mais R$ 60,32 bilhões, mais do que o que gastamos com educação e saúde somados. Além disso, as grandes potências ocidentais insistem em preservar enorme estoque de ogivas nucleares, prontas para varrer a humanidade da face da Terra, enquanto implicam com o Irã por querer produzir sua própria bomba atômica!

Estima-se que o arsenal americano e russo alcance hoje mais de 2 mil e 2,5 mil ogivas nucleares estratégicas, respectivamente. Há uma proposta para reduzir esse número para 1.500 ogivas nucleares, o que ainda seria suficiente para acabar com toda a humanidade. Ressalte-se que quando eles destróem armamentos, são aqueles mais obsoletos, sucateados e de maior custo de manutenção que desaparecem,  ou seja, é de grande interesse fazê-lo, sem prejudicar seu poderio bélico! Durante o período da Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a ter mais de 15 mil ogivas nucleares estratégicas, e a Rússia, mais de 10 mil.

Até quando a imprensa mundial vai nos manter reféns da mentira e esconder a verdadeira face dos poderosos no mundo atual? Até quando fingiremos acreditar nos "contos de fada" e nos patéticos heróis do cinema americano que tentam demonstrar que esse povo cruel e belicista só quer garantir a "PAZ" mundial?

Povos do mundo, acordem desse torpor de mentiras!
O "Eixo do Mal" tem suas sedes em Washington e TelAviv, sob o apoio envergonhado da União Européia!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Brasil, o Irã e a Questão Nuclear

O presidente Lula deu sua mais arriscada cartada política internacional ao obter o apoio do Irã a um acordo político relativo ao enriquecimento do urânio, em níveis críticos para a possibilidade de desenvolvimento de um programa nuclear para fins militares por aquele país. As conseqüências para o Brasil ainda são imcertas; caso a Agência Internacional de Energia Nuclear aceite o acordo, será um desastre para o presidente Obama e uma vitória para o presidente Lula. Mesmo assim, a situação de Lula se complicará nas relações com a ONU e os países desenvolvidos, que não aceitarão de bom grado essa derrota política. Caso o acordo seja rejeitado pela Agência, abre-se a possibilidade de aprovação de sanções econômicas rigorosas, o conflito se agravará e Lula será ridicularizado publicamente por sua ingenuidade política.

No entanto, o que não se questiona é a desigualdade dessas decisões da ONU; quando o Paquistão e a Índia tiveram acesso aos armamentos nucleares, e depois a Coréia do Norte se impôs com seu programa nuclear, as reações mundiais não foram tão enérgicas como ocorre agora com o Irã. O mesmo aconteceu quando Israel desenvolveu sua própria bomba atômica e entrou para o seleto clube de países detentores da tecnologia de produção de ogivas nucleares sob o discreto apoio norte-americano. O Brasil, signatário do acordo de não-proliferação de armas nucleares nunca questionou a honestidade de propósitos da ONU, favorecendo uns e deixando a maior parte da humanidade à mercê das políticas desses países armados.

Se houvesse intenção efetiva de um desarmamento internacional, Estados Unidos e Rússia já teriam chegado a um acordo de destruição de seus próprios e gigantescos arsenais nucleares. No entanto, a Guerra Fria terminou há décadas e muito pouco se fez nesse sentido, pois não há um interesse real em buscar a paz e o entendimento entre as nações. Os poderosos continuam com sua indisfarçável intenção de subjugar o resto do mundo a seus interesses econômicos e políticos de dominação e exploração dos países pobres.

É pouco provável que Lula consiga sua tão almejada cadeira no Conselho de Segurança da ONU depois dessa atrevida iniciativa diplomática no Oriente Médio; mas o Brasil conquistou, de fato, o respeito dos países árabes à sua causa e poderá, a médio prazo, obter vantagens comerciais dessa decisão. Infelizmente, o mundo é movido pelos interesses comerciais, e o Brasil não é exceção. Enquanto as questões fundamentais da eliminação da pobreza e da fome no mundo são deixadas de lado, esses aspectos periféricos permanecem prevalecendo na diplomacia internacional, como cortina de fumaça a ocultar os verdadeiros propósitos dos países mais poderosos de nosso planeta.

Permaneceremos, assim, convivendo com a triste realidade de que, a cada dia, 30.000 crianças morrem de fome e miséria nos países mais pobres, enquanto os líderem mundiais debatem o uso de armamentos nucleares...

domingo, 2 de maio de 2010

Marina Silva: um ser iluminado

Já esperávamos ansiosos, há quase duas horas, nos corredores e nas rodas de discussão, quando Marina Silva se desvencilhou dos repórteres e dos membros da executiva do partido e seguiu para o Salão Nobre da Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto. Aquela delicada criatura quase desaparecia na multidão, rodeada de políticos, jornalistas, fotógrafos, admiradores e insistentes pedidos de autógrafos.

Formada a mesa, seguiram-se os discursos de Fábio Feldmann e Ricardo Young, respectivamente candidatos ao Governo e Senador da República por São Paulo. Finalmente, aquela que todos esperávamos: Marina Silva! No começo, as citações de praxe, mencionando as presenças de políticos... e então, eis que ela aparece em toda a sua aura de sabedoria, delicadeza, generosidade, elegância, humildade e inteligência! Marina encantou a todos discursando durante quase uma hora, falando de improviso, sem consultar uma anotação sequer!

Suas palavras foram entremeadas de aplausos, não aqueles ensaiados pela claque política, mas aplausos verdadeiros, entusiásticos, emocionados, encantados com a sua coerência e fluidez. Não falou apenas da preservação ambiental, mas discorreu sobre as possibilidades de um novo governo que se oferece como alternativa ao plebiscito que PT e PSDB tentam impor ao eleitorado. Havia em suas palavras uma certeza de que a disputa apenas começara, que os números ainda não conseguem traduzir em estatísticas confiáveis.

Por detrás de seus 12% do eleitorado existe uma imensa possibilidade de mudança de opiniões! Afinal, poucos a conhecem, e talvez esses números apenas indiquem o percentual dos brasileiros que estão efetivamente comprometidos em reverter o quadro de devastação ambiental deixado pelos antecessores: políticos, industriais, comerciantes, agricultores e pecuaristas que praticaram a política da terra arrasada, acreditando que os recursos naturais são ilimitados e renováveis, mesmo diante de tamanha destruição.

Com o acirramento das campanhas, com os debates públicos ao vivo, com a presença marcante dessa mulher fantástica, esses números certamente crescerão, assim como aconteceu com Lula depois de tantas derrotas eleitorais. Um povo que elegeu um sociólogo e um operário poderá, certamente, quebrar outro paradigma e eleger uma mulher tipicamente brasileira, misto de negra, indígena e branca, nascida e criada na pobreza e nos confins da maior floresta do mundo, educada na luta contra o preconceito racial e social, e admirada mundialmente como uma das mais importantes personalidades que poderão influenciar favoravelmente nosso planeta na luta pela preservação do meio ambiente e por um desenvolvimento sustentável. Se o mundo aos poucos desperta para a gravidade da situação, o Brasil também haverá de fazê-lo, sob pena de perder, uma vez mais, as oportunidades que se lhe oferecem de liderança global.

Disse Marina, com propriedade e justiça, que as conquistas de seus antecessores credenciam-na a partir para uma nova etapa no processo evolutivo de nosso povo: conduzir nosso país na liderança das ações solidárias, com responsabilidade social e compromisso ambiental, assegurando às futuras gerações as mesmas possibilidades que hoje temos de acesso aos recursos naturais renováveis. Ainda é possível reverter as terríveis ações que devastaram nossos ecossistemas: Cerrado, Matas Tropicais, Florestas Equatoriais, Recursos Hídricos de superfície e do subsolo, Plataforma Marítima, Cavernas, Montanhas, Caatinga... os mais ricos e diversificados ambientes naturais do mundo!

Com todo respeito à história de seus adversários políticos, Marina Silva se mostra como a personalidade mais preparada para conduzir esse novo processo, dando ênfase às prioridades sociais e às conquistas já consolidadas, mas com uma nova visão dos compromissos de nossa Nação com o futuro de sua gente. Se foram importantes e vitais o controle da economia e a distribuição, ainda que modesta, da renda, agora é o momento do gigantesco salto qualitativo do domínio dos espaços naturais preservados, sem perda da capacidade produtiva, apoiados no desenvolvimento tecnológico e na redução dos desperdícios.

Mesmo falando para uma platéia de correligionários políticos, Marina Silva manteve a sua elegância e serenidade, evitando qualquer crítica aos erros de seus antecessores. Sabemos que foram muitos esses erros, assim como muitos também foram os seus acertos; porém, um dos grandes méritos da democracia é a alternância ideológica no poder. Se os intelectuais tiveram seus oito anos no poder com Fernando Henrique, e a classe trabalhadora teve também seus oito anos no poder com Luiz Inácio, agora é a vez dos ambientalistas, daqueles que defendem um desenvolvimento sustentável na boa acepção dessa expressão, tão desgastada pela mídia e pelos interesses dos grandes produtores agro-industriais.

Saímos da palestra com a certeza de que Marina Silva não é apenas admirada internacionalmente pela sua lucidez e inteligência, mas também é a melhor candidata à Presidência do Brasil nas próximas eleições! Não fossem o poder da máquina estatal em favor dos candidatos concorrentes, as alianças políticas oportunistas dos partidos nanicos e os interesses econômicos que tendem a favorecer aqueles que já estão no poder, e Marina Silva não teria concorrentes capazes de alcançá-la na corrida presidencial. Ainda assim, ao revés de todas as expectativas, a dimensão ética, intelectual e cívica de Marina Silva é tamanha que nos dá a certeza de que essa disputa está muito longe de ser definida, e dependerá apenas da convicção daqueles que a conhecem e admiram!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Marina Silva em Ribeirão Preto!

Neste sábado, dia 1º de maio, dia do Trabalhador, às 10:00 horas da manhã, nossa candidata à Presidência da República estará em nossa cidade, na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto! Vamos prestigiá-la e mostrar a força dos Ambientalistas nas próximas eleições de 2.010!
Enquanto ações políticas eleitoreiras destróem nosso meio ambiente nos extertores do governo Lula, com obras faraônicas (Transposição do rio São Francisco: 6,6 bilhões de reais; Hidrelétrica de Belo Monte: 29 bilhões de reais!) que, certamente, comprometerão o orçamento do próximo governante, tanto o PT quanto o PSDB já se consideram vitoriosos nas próximas eleições.

Não podemos nos omitir! Precisamos mostrar que existe uma terceira via, mais inteligente, mais humana, mais justa e solidária, que não favoreça as motosserras da raivosa bancada ruralista, mas dê dignidade ao pequeno trabalhador rural, à agricultura familiar, às plantações orgânicas, ao tradicional plantio dos vazanteiros, às culturas de nossos povos tradicionais, caboclos, indígenas e quilombolas, que representam 90% de toda a população rural brasileira.

O grande agricultor, o grande pecuarista, esses não conhecem a realidade dos campos, exceto para impor sua força e prepotência aos pequenos lavradores. Governam seus latifúndios de longe, de seus apartamentos luxuosos, de suas mansões, das capitais dos estados. Presenciei a violência e a truculência desses senhores que se consideram os donos do Brasil, soltando seu gado sobre as pequenas plantações de comunidades quilombolas no oeste bahiano. É cruel e desumano!

Companheiros ambientalistas: vamos apoiar nossa candidata Marina Silva e mostrar a força de um pequeno partido repleto de grandes idéias inovadoras! Esse é o momento da virada, o ponto de inflexão da curva na preferência dos eleitores, enquanto os marketeiros ainda não colocaram seus clientes nos cartazes, nem nas telinhas da TV. Cada membro do Partido Verde pode trazer muitos eleitores e convencê-los de que os grandes partidos já demonstraram a que vieram. Chega de escândalos financeiros, chega de propinas e de mensalões! Agora é a nossa vez!

Sábado, dia 1º de maio, dia do Trabalhador, às 10:00 horas da manhã, nossa candidata à Presidência da República, MARINA SILVA, estará em nossa cidade, na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto! COMPAREÇA E MOSTRE SUA CONVICÇÃO POLÍTICA E IDEOLÓGICA!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ideologia e partidos políticos

Vivemos um antagonismo e uma contradição: enquanto a ciência e a tecnologia ultrapassam todas as fronteiras concebíveis e se equiparam à ficção, nossa organização social permanece arcaica e anacrônica. Os partidos políticos perderam a ideologia junto com o desaparecimento das doutrinas marxistas.

E isso não é exclusividade do terceiro mundo! As nações ditas "desenvolvidas" passam pelos mesmos dilemas. Alguns países possuem apenas dois partidos políticos, que se autodenominam "conservadores" e "progressistas", como se houvessem apenas o branco e o preto em nossa natureza ideológica! As matizes não teriam nenhuma importância!

Outros países, como o nosso, mergulharam em um mar de partidos sem qualquer identidade intelectual, senão os próprios nomes, com suas cargas históricas desvirtuadas. Vejam, por exemplo, o trabalhismo: PT, PDT, PTB e outros tantos sem expressão política relevante. O que, de fato, eles representam? O Getulismo morto e enterrado? As centrais sindicais, corruptas e pelegas? O paternalismo estatal de nossas lideranças?

Ou então a velha denominação "esquerda" versus "direita"! Quem é de esquerda? PSDB? PSOL? PT? PDT? PPS? PC do B? Apenas siglas, mas sem conteúdo ou orientação ideológica! A discussão das idéias políticas não existe dentro dos partidos políticos!

Então, o que os diferencia, senão seu maior ou menor fisiologismo ou "grau de adesão" ao partido no poder? Alguns até assumiram como estratégia "crescer para aderir ao poder", sem disputar eleições para cargos executivos, como é o caso do PMDB e do DEM (ex-arena, ex-PDS, ex-PFL, ex-qualquer-coisa). É mais confortável e seguro oferecer seu apoio condicionado a concessões por cargos de primeiro escalão, ou por presidência de empresas estatais!

Na verdade, não há saída para os partidos políticos, senão a extinção! É preciso rever o modelo de representatividade, o papel dos partidos políticos, a questão ideológica, a responsabilidade ética como pré-requisito à representação popular, a questão da fidelidade partidária, que deveria ser ideológica...

De que adiantam tantos partidos políticos se o povo não se encaixa em nenhum deles? Como ingressar na política sem macular o próprio nome na corrupção, nas mordomias, no nepotismo descarado, nos conchavos da disputa por cargos, na ausência de uma ética política? Como participar da vida política de uma nação quando seus governantes perderam a vergonha na cara e posam para as fotos com a cara de pau de quem nada deve?

O Senado, a Câmara Federal, as Assembléias Estaduais, as Câmaras Municipais, todos os palanques populares estão completamente contaminados pela corrupção e pelo abuso dos mecanismos de poder! E como resgatar a dignidade dessas casas representativas se nossos representantes, escolhidos por nós, corrompem, roubam e trapaceiam sem nenhum pudor ou decência?

Talvez, nessa sociedade movida a tecnologia não haja lugar para a ideologia...  e esse reality show em que se transformaram nossas vidas, seja pelos meios de comunicação, seja pelos sites de relacionamento cada vez mais presentes e determinantes em nossas sociedades, talvez esse terceiro poder seja a nova célula  desse mundo anárquico e cada vez mais desigual!

Enquanto isso, à nossa revelia, os mecanismos do poder institucionalizado articulam as ações, sem o respaldo do povo para o qual ele foi constituído, e devassando cenários de extrema indecência política, seja dos mensalões, seja das obras faraônicas, seja das igrejas universais! E, pasmem, tudo é feito às claras, noticiado em cadeia nacional, explorado por entrevistas onde os responsáveis pelas falcatruas nem se defendem mais, convictos de sua impunidade, e até mesmo admirados pela esperteza de dar um golpe sem consequências para si, senão fama e poder!

Fortunas surgem do nada, de um conceito virtual, "vaporware" como diz a tecnologia, neologismo que revela a fragilidade desse admirável mundo novo! Com isso, jogamos nossa História no lixo da própria História, pois o que vale é o "aqui e o agora", não das doutrinas budistas, mas do imediatismo ágil e esperto!

E se a ideologia morreu e se tornou anacrônica, assim como os princípios éticos e morais, se os partidos políticos representam apenas os "clubes" de poder que dividem a carniça apodrecida da "res publica", se a "governança" se confunde com a "comilança" e com a partilha dos bens e da riqueza nacional, só nos resta fazer parte dessa festa, ou escrever um blog como o meu!...