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quarta-feira, 3 de julho de 2013

ENQUETE SOBRE REFORMA POLÍTICA

A proposta do governo de realizar um plebiscito sobre a reforma política esbarra nas dificuldades de se analisar um conjunto complexo de alternativas e na capacidade de entendimento dos eleitores quanto a seu significado. Vale ressaltar que nosso colégio eleitoral admite eleitores analfabetos e com baixo nível de escolaridade, os assim chamados analfabetos funcionais. Como proposta de avaliação dos principais temas dessa reforma elaborei esta enquete, que foi submetida, durante uma semana, em minha página do Facebbok, e os resultados seguem abaixo.

ANÁLISE DOS RESULTADOS

01. REELEIÇÃO

A maioria dos entrevistados manifestou sua opção por não haver reeleição para nenhum cargo político, seja do executivo, seja do legislativo, em todas as suas instâncias. É importante destacar que essas escolhas demonstram a grande insatisfação dos brasileiros com o desempenho de nossos políticos e governantes,e este é um risco de se realizar um plebiscito nacional influenciado pela onda de manifestações. No entanto, mesmo entre os que afirmaram não ser contra a reeleição, a escolha é por apenas uma reeleição ou por permitir a candidatura apenas para períodos eleitorais alternados, ou seja, nesta proposta, nenhum político poderia se candidatar em duas eleições sucessivas para o mesmo cargo, o que nos parece uma política saudável que dificultaria a formação de quadrilhas de políticos e empresários. O fim da reeleição para todos os cargos políticos terá a vantagem de estimular os bons políticos a desenvolver mais rapidamente sua carreira, e a passar por todas as etapas do processo, como acontecia no passado: um mandato para cada cargo eletivo (vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, governador, senador presidente.

02. DURAÇÃO DOS MANDATOS

Quatro ou cinco anos de mandato foram as alternativas mais votadas, o que demonstra que, mesmo sem reeleição não se pretende conceder mandatos longos aos políticos, como ocorre em alguns países latino-americanos. O que se observa com essas propostas é a valorização da alternância do poder e a restrição de alianças espúrias entre partidos políticos.

03. FINANCIAMENTO DE CAMPANHAS

Com relação a esse tema observa-se uma divisão clara do eleitorado, talvez até pela falta de esclarecimentos acerca das alternativas. Existe, na internet, uma reação contrária ao uso de recursos públicos para financiamento de campanhas por se acreditar que já pagamos impostos em excesso, e estaríamos patrocinando a eleição de políticos em um clima de repúdio à corrupção em todas as esferas do poder público. Nesse quesito em especial será necessária uma intensa campanha de esclarecimentos sobre as vantagens e desvantagens de cada um desses modelos, e as salvaguardas para que esse dinheiro público seja empregado de forma honesta e cristalina (prestação de contas publicamente após eleições).

04. NÚMERO DE PARTIDOS POLÍTICOS

Atualmente temos mais de 30 partidos políticos, sendo que sua identidade ideológica deixou de ter significado devido às alianças ocorridas desde a instauração da Nova República, depois do fim da ditadura militar. Praticamente, existem apenas duas forças políticas ativas no Brasil contemporâneo: o PT e o PSDB com seus respectivos aliados. Cada uma dessas alianças demonstra a fragilidade de princípios e valores dos partidos na sua formação. Não há garantia de fidelidade dos partidos aliados nas votações da Câmara e do Senado, e a motivação que se infere na formação das alianças se reduz ao interesse de cada partido pela distribuição de cargos de todas as esferas administrativas, sejam eles do executivo ou do legislativo. Devido a isso, as propostas pela limitação do número de partidos políticos atingiu 70% das respostas (entre cinco a dez partidos políticos).

05. CONDUTA LEGISLATIVA

Apresentamos na enquete apenas alguns princípios e valores para escolha múltipla, para estimular a reflexão sobre a idoneidade moral e ética que deveria revestir a conduta dos partidos políticos e de seus membros. As respostas, neste caso, estão dispersas e difusas; por essa razão deixamos de apresentar os respectivos percentuais. Entendemos que cada partido deva apresentar, em seus estatutos, as diretrizes ideológicas e os princípios e valores que devem conduzir o comportamento de seus membros. Também acreditamos que deva haver um conselho de ética extrapartidário para julgar os desvios de comportamento da classe política, bem como punir a infidelidade dos políticos à ideologia, princípios e valores dos partidos aos quais pertencem.

06. ALIANÇAS POLÍTICAS

Como dissemos, as alianças políticas não são estabelecidas por afinidade ideológica, mas por interesses mesquinhos e inconfessáveis. Por isso, destacamos apenas uma das respostas, que foi escolhida por mais de 50% dos consultados, ou seja, que as alianças políticas deveriam ser publicadas em Diário Oficial para conhecimento de toda Nação e, consequentemente, de todos os eleitores. Essa escolha é de extrema relevância, pois demonstra o sentimento de repúdio às práticas cada vez mais inaceitáveis de nossos políticos, seja em sua conduta individual, seja nas decisões coletivas dos partidos políticos.

07. COMPOSIÇÃO MINISTERIAL

Algumas considerações importantes foram valorizadas na pesquisa, destacando-se o estabelecimento de um número máximo de ministérios e os critérios de escolha dos ministros, que hoje atendem, prioritariamente, a interesses de "governabilidade", ou seja, de distribuição de cargos para "recompensar" as alianças políticas. Uma escolha interessante dos consultados foi a obrigatoriedade de submissão dos nomes de ministros ao Congresso Nacional. Essa cláusula, além de valorizar o Legislativo, favorece a aceitação das decisões de ministros pelo Congresso, reduzindo impactos de bloqueios de votação. Talvez tenha faltado uma proposta nessa enquete: a de se permitir que, através da votação de moção de censura pelos senadores, o ministro deveria ser substituído. Seria um aperfeiçoamento de sistema equivalente ao modelo parlamentarista, só que estendido a todos os ministros do governo.

08. USO DO TEMPO DE TELEVISÃO

Curiosamente, ao menos para mim, a escolha fortemente majoritária foi pela distribuição equitativa do tempo de televisão entre os partidos políticos, sem considerar as alianças. Essa escolha demonstra a enorme insatisfação dos eleitores pela distribuição desses tempos, favorecendo os partidos com maior número de representantes no Congresso, e praticamente inviabilizando as candidaturas dos partidos menores (ditos "nanicos"). Com a redução do número de partidos políticos e, consequentemente, a valorização de sua representatividade e opção ideológica, faz até sentido a distribuição equitativa dos tempos nas campanhas eleitorais, desde que ponderados os impactos das alianças no monopólio do uso da TV.

09. MINISTÉRIOS RECOMENDADOS

O resultado é apenas uma síntese proposta por nós, uma vez que o sentimento coletivo frequentemente manifestado é pela redução do número de ministérios e de secretarias especiais do governo federal. É claro que o plebiscito deverá estabelecer regras mais genéricas, mas essa relação proposta se reveste de tal relevância que seria difícil dela se afastar, pois são áreas afins de gestão e de aplicação de recursos. Nessa proposta consolidamos alguns ministérios, tal como se apresentavam no passado. Atualmente temos 39 ministérios, além de dez secretarias e cinco órgãos com status de ministério. Essa proliferação de ministérios e secretarias tem apenas o propósito de atender às reivindicações dos partidos aliados por cargos de primeiro escalão, fragmentando o poder e a eficácia das ações políticas e descaracterizando a adoção de políticas públicas integradas.

10. COLÉGIO ELEITORAL

Três aspectos relevantes nessas respostas: 1) o voto deixaria de ser obrigatório; 2) a maioridade penal estaria atrelada à maioridade eleitoral (ou seja, se pode votar, pode também ser condenado criminalmente); 3) a escolaridade mínima dos eleitores seria de ensino fundamental completo. Esta última proposta é coerente com a obrigatoriedade dos pais e do Estado de assegurar essa escolaridade a todos os brasileiros. Está mais do que na hora de se atrelar as ações governamentais aos direitos de cidadania. De nada adianta permitir o voto de analfabetos, o que é um desestímulo à formação educacional do povo brasileiro, e ter políticos escolhidos por critérios  discutíveis (senão condenáveis) de popularidade (cantores e jogadores de futebol) ou de notoriedade pública (como o Tiririca, recentemente, Agnaldo Timóteo, Eder Jofre e o rinoceronte Cacareco em 1959).

11. ESCOLARIDADE DOS CANDIDATOS

Se forem aprovadas exigências mínimas para os eleitores, mais ainda necessária é a exigência mínima de escolaridade para políticos e governantes. Além das razões já elencadas vale destacar que nenhuma empresa ou instituição abriria mão de seu direito de estabelecer pré-requisitos na escolha de seus líderes (diretores e gerentes) e de funcionários estratégicos. A resposta dos consultados foi arrasadora: escolaridade "superior completo" para Presidente, Senadores e Governadores e escolaridade de nível médio completo pra os demais cargos (deputados estaduais e federais, vereadores e prefeitos). É claro que essa definição teria um efeito cascata sobre todos os cargos de confiança de todas as esferas de governo, seja do executivo, seja do legislativo, em um círculo virtuoso de poder.

12. SISTEMA DE GOVERNO

A escolha de mais de 80% dos consultados mostra a preferência nacional confirmada para o sistema Presidencialista. Embora haja movimentos manifestos em defesa do retorno dos militares ao governo, nenhum dos consultados escolheu a ditadura militar como opção de sistema de governo (felizmente!).

Quero destacar que esta enquete não teve o propósito de ser exaustiva e de esgotar os temas indispensáveis para uma Reforma de nosso Sistema Político. No entanto, ela demonstra que a realização de um plebiscito enfrentará dificuldades ainda maiores e, certamente, não evidenciará as preferências dos brasileiros pelas mesmas razões que as eleições não escolhem adequadamente os nossos representantes.

REELEIÇÃO PARA PRESIDENTE, GOVERNADOR E PREFEITO
Sou A FAVOR apenas para um segundo mandato (32%)
Sou CONTRA a reeleição (46%)
Sou A FAVOR apenas para mandatos alternados (22%)
REELEIÇÃO PARA SENADOR
Sou A FAVOR apenas para um segundo mandato (20%)
Sou CONTRA a reeleição (54%)
Sou A FAVOR apenas para mandatos alternados (27%)
REELEIÇÃO PARA DEPUTADO FEDERAL, DEPUTADO ESTADUAL E VEREADOR
Sou A FAVOR apenas para um segundo mandato (20%)
Sou CONTRA a reeleição (51%)
Sou A FAVOR apenas para mandatos alternados (29%)
DURAÇÃO DOS MANDATOS PARA TODOS OS CARGOS
SETE ANOS (5%)
SEIS ANOS (12%)
CINCO ANOS (41%)
QUATRO ANOS (41%)
FINANCIAMENTO DAS CAMPANHAS (MESMO VALOR PARA TODOS OS PARTIDOS)
SOMENTE DINHEIRO PÚBLICO (44%)
SOMENTE DINHEIRO PRIVADO (EMPRESAS) (39%)
50%) DINHEIRO PÚBLICO e 50%) DINHEIRO PRIVADO (17%)
NÚMERO DE PARTIDOS POLÍTICOS
MÁXIMO DEZ PARTIDOS (24%)
MÁXIMO CINCO PARTIDOS (46%)
NÚMERO ILIMITADO DE PARTIDOS (29%)
CONDUTA LEGISLATIVA
  1. POLÍTICO PERDERÁ MANDATO SE MENTIR EM PÚBLICO
  2. TODOS OS POLÍTICOS TERÃO SEUS BENS PUBLICADOS ANUALMENTE NO DIÁRIO OFICIAL
  3. POLÍTICO PERDERÁ MANDATO SE NÃO APRESENTAR NENHUMA PROPOSTA EM CADA ANO DE MANDATO
  4. POLÍTICO PERDERÁ MANDATO SE FALTAR A MAIS DE 10%) DAS SESSÕES
  5. POLÍTICO PERDERÁ MANDATO SE VOTAR CONTRA SUA PRÓPRIA PLATAFORMA ELEITORAL
  6. NÃO HAVERÁ VOTO FECHADO POR PARTIDO (O VOTO É LIVRE)
  7. POLÍTICO PERDERÁ MANDATO SE VOTAR CONTRA PRINCÍPIOS DO PARTIDO A QUE ESTÁ FILIADO
  8. CRITÉRIOS IGUAIS DE CÁLCULO DO TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO E DE SERVIÇO PARA APOSENTADORIA DE PARLAMENTARES E DE CARGOS ELETIVOS DO PODER EXECUTIVO E JUDICIÁRIO

ALIANÇAS POLÍTICAS
PARTIDO ALIADO NÃO PODERÁ VOTAR CONTRA SUA PRÓPRIA IDEOLOGIA E PRINCÍPIOS
PARTIDO QUE NÃO CUMPRIR REGRAS DA ALIANÇA SERÁ EXCLUÍDO AUTOMATICAMENTE DA ALIANÇA
ALIANÇAS POLÍTICAS DEVEM SER PUBLICADAS, COM SUAS REGRAS, NO DIÁRIO OFICIAL (51%)
COMPOSIÇÃO MINISTERIAL
NO MÁXIMO 20 MINISTÉRIOS PODERÃO SER CONSTITUÍDOS (28%)
NÃO É PERMITIDA ALTERAÇÃO DOS MINISTÉRIOS DURANTE MANDATO (9%)
MINISTÉRIOS DEVERÃO TER ESPECIALISTAS SOB SUA DIREÇÃO (31%)
TODOS OS MINISTROS DEVEM SER APROVADOS PELO SENADO (22%)
SENADO PODERÁ OFERECER LISTA QUÍNTUPLA PARA ESCOLHA DE MINISTROS (10%)
NÚMERO DE REPRESENTANTES NA CÂMARA FEDERAL
10 representantes por unidade da federação (TOTAL: 280) - necessita mudanças na Constituição e na legislação complementar (31%)
1 representante para cada 500.000 habitantes (TOTAL: 400) (20%)
Faixas de representantes proporcionalmente ao número de habitantes de cada Estado (como é hoje: mínimo de 8 e máximo de 70 representantes - TOTAL: 513) (3%)
1 representante para cada 750.000 habitantes (TOTAL: 266) (46%)
USO DO TEMPO DE TELEVISÃO PELOS PARTIDOS POLÍTICOS
TEMPO IGUAL PARA TODOS OS PARTIDOS, SEM COLIGAÇÕES (76%)
TEMPO PROPORCIONAL AOS REPRESENTANTES ELEITOS, SEM COLIGAÇÕES (21%)
TEMPO PROPORCIONAL AOS REPRESENTANTES ELEITOS, INCLUINDO COLIGAÇÕES (3%)
MINISTÉRIOS RECOMENDADOS
  1. AGRICULTURA, PECUÁRIA, PESCA E ABASTECIMENTO
  2. CIDADES E INTEGRAÇÃO NACIONAL
  3. CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
  4. COMUNICAÇÕES
  5. DEFESA E SEGURANÇA PÚBLICA (SEGURANÇA NACIONAL)
  6. DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO
  7. EDUCAÇÃO E CULTURA
  8. ESPORTES, LAZER E TURISMO
  9. FAZENDA (ECONOMIA)
  10. JUSTIÇA
  11. MEIO AMBIENTE (GEODIVERSIDADE)
  12. MINERAÇÃO E ENERGIA
  13. PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO
  14. RELAÇÕES EXTERIORES
  15. SANEAMENTO E SAÚDE
  16. TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL
  17. TRANSPORTES E MOBILIDADE URBANA

COLÉGIO ELEITORAL
O VOTO É OPCIONAL (FACULTATIVO, NÃO OBRIGATÓRIO) (42%)
A MAIORIDADE ELEITORAL É A MESMA DA MAIORIDADE CRIMINAL (27%)
ESCOLARIDADE MÍNIMA DE ENSINO FUNDAMENTAL COMPLETO (23%)
O VOTO DEVE SER DISTRITAL (POR REGIÃO) (6%)
O VOTO DEVE SER APENAS NA LEGENDA DO PARTIDO) (2%)
ESCOLARIDADE MÍNIMA EXIGIDA PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA, GOVERNADORES, PREFEITOS, SENADORES, MINISTROS E SECRETÁRIOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS
NÍVEL SUPERIOR COMPLETO (73%)
NÍVEL MÉDIO COMPLETO (19%)
NÍVEL FUNDAMENTAL COMPLETO (8%)
ESCOLARIDADE MÍNIMA EXIGIDA PARA DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS, E VEREADORES
NÍVEL MÉDIO COMPLETO (85%)
NÍVEL FUNDAMENTAL COMPLETO (15%)
NÍVEL ELEMENTAR (ALFABETIZADO) (0%)
SISTEMA DE GOVERNO
PRESIDENCIALISMO (ASSIM COMO É HOJE) (83%)
PARLAMENTARISMO (O PRIMEIRO MINISTRO É QUEM GOVERNA) (17%)
DITADURA MILITAR (NÃO HÁ ELEIÇÕES E NEM CONGRESSO) (0%)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

VOTO INÚTIL

O Sistema Eleitoral brasileiro é tido como um dos mais democráticos e avançados do mundo. Isso porque o processo de votação foi aperfeiçoado e as urnas eletrônicas praticamente reduziram a algo próximo a zero as possibilidades de manipulação dos resultados das eleições. Para se constatar essa afirmação, basta comparar nosso modelo com o norte-americano, país que se auto-denomina o baluarte da Democracia mundial: a eleição do republicano George Bush em 2.000 só aconteceu porque os resultados foram fraudados na Flórida, tirando do poder o Democrata Al Gore, grande esperança dos Ambientalistas. (vejam artigo em ELEIÇÃO ESTADUNIDENSE: TRADIÇÃO DE FRAUDE)


Mas vejamos se esse modelo brasileiro é, de fato, Democrático e justo. Desde que a democracia foi restaurada em 1985, depois de 31 anos de ditadura militar, as casas parlamentares foram, gradualmente, substituindo uma geração de grandes políticos, como Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda, Paulo Brossard,  João Goulart, Jânio Quadros, Magalhães Pinto, Carvalho Pinto, Olavo Setúbal, entre tantos outros que, apesar de seus defeitos, eram capazes de travar memoráveis debates no Congresso Nacional. Em seu lugar, outro tanto de políticos oportunistas assumiu as tribunas.



Qual seria a causa dessa decadência moral e intelectual dos políticos brasileiros?

Proliferação de partidos políticos

São 30 os partidos registrados no TSE, a maioria sem nenhuma identidade ideológica, servindo apenas como "legendas de aluguel" para negociatas com o governo ou a oposição, em troca de benesses (cargos, dinheiro, participação em comissões, etc). É evidente que esses partidos não representam o pensamento político de nossas elites intelectuais. A ditadura militar criou dois partidos: o MDB (Movimento Democrático Brasileiro)  e a ARENA (Aliança Renovadora Nacional)... o partido do "SIM" e o partido do "SIM, SENHOR"! Esses, por sua vez, foram se dilacerando e subdividindo na anarquia institucional que existe hoje. 

Da ARENA surgiu o PDS, que virou PFL, que se transformou em DEMOCRATAS; dele surgiram as "divergências", partidos de aluguel, como o PP (Partido do Paulo "Maluf"), PR, PTC, PSC, PMN, PRP, PRTB, PHS, PSDC, PSL, PRB, PSD, partidos nanicos que apenas servem aos interesses de privilegiados do poder, ou são usados como peso fútil para mudar o "Fiel" da balança em favor de si mesmos.

Do MDB surgiu o PMDB, que se tornou o maior partido do Brasil e perdeu sua identidade, abdicou de suas pretensões à presidência da república em favor de interesses menores, manipulando qualquer partido que chegue ao cargo máximo em nosso país; em seu rastro, surgiram as "dissidências", pretensamente ideologizados, como o PT do Mensalão, o PTB, o PDT, o PCdoB neo-ruralista do traidor Aldo Rebelo, o PSB, o PSDB do FHC e dos liberais globalizantes, o PPS, o PV que não sabe o que é ambientalismo, o PTdoB, o PSTU, o PCB, o PCO e o PSOL, partidos que fragmentaram as tais "esquerdas" brasileiras, incapazes de comprovar seu comprometimento ideológico e sem condições de arregimentar um verdadeiro movimento de limpeza ética e de decência e moralização da política brasileira.

Bancadas sectaristas

Uma das estratégias mais eficientes para burlar os interesses nacionais, favorecendo setores minoritários da sociedade é a composição de grupelhos de tendências fascistas ou messiânicas, como a Bancada Ruralista e a Bancada Evangélica. Os latifundiários não representam mais de 1% da população brasileira ou mesmo da população rural de nosso país; no entanto, são capazes de forçar o fraco governo do PT a ceder a seus interesses e mudar o Código Florestal brasileiro, tido como um dos mais avançados do mundo, para, com isso, se livrarem das multas e da cadeia pelos crimes ambientais cometidos nos últimos 50 anos. Já os evangélicos conseguem manipular comissões e conduzir seus "bispos" ao poder, camuflando as falcatruas e crimes financeiros cometidos contra o Estado e contra a ingenuidade popular, à mercê de falsos profetas do apocalipse. É inadmissível que minorias que se consideram verdadeiras "castas" superiores, tais como os nazistas se achavam, sejam capazes de manipular as políticas públicas, colocando em risco as populações mais vulneráveis socialmente, e mesmo o destino de nossa Nação! E tudo isso com a conivência tácita da "presidenta" feminista e sectária, que sucumbe aos interesses das classes dominantes, traindo seu passado e seus companheiros de luta.

Sistema Jurídico falido

A morosidade dos ritos processuais e a tolerância do Poder Judiciário para os crimes de "colarinho branco" causam o descrédito da população na Justiça humana, favorecendo, inclusive, o crescimento alucinante das seitas evangélicas, símbolo da ignorância popular. O que se vê é que a Polícia Federal cumpre seu papel e desvenda crimes inacreditáveis, às barbas do governo e com sua participação, na maioria dos casos, prendendo políticos e "empresários" corruptos, enquanto a Justiça os solta, deixando-os em liberdade durante anos em que os processos se arrastam nas catacumbas dos processos jurídicos. Evidência clara dessa incompetência é o caso do Mensalão, que aconteceu entre 2002 e 2004 e somente agora está sendo julgado. Observamos a pantomima dos defensores e a pompa dos magistrados, pavoneando-se na tribuna, durante horas, para valorizar seus votos e justificar uma decisão que todo o povo brasileiro já teria tomado, de condenar essas safadezas. E mesmo assim, diante da "performance" de Levandowski, já se questiona se os principais mentores do Mensalão serão, de fato, punidos: Zé Dirceu, Delúbio, Genoíno, Silvinho, Válério & Cia.

Analfabetismo funcional


São duas vertentes da mesma montanha: políticos analfabetos e eleitorado ignorante! Quando vemos, com tristeza, a eleição de um palhaço (em ambos os sentidos) como o Tiririca, para a Câmara de Deputados Federais, nosso sentimento é de absoluta revolta, frustração e impotência... no que esse analfabeto funcional pode contribuir para a análise, a discussão e a aprovação de nossas leis? Já vimos tantas figuras burlescas como essa passarem pelo Congresso, que ficamos descrentes dessa "democracia de araque". Basta olhar para os "nomes de guerra" registrados no TSE para constatar que eles estão, na verdade, vilipendiando da inteligência nacional ("rindo na nossa cara", em expressão vulgar)!

A segunda vertente é a dos eleitores: como poderíamos esperar qualidade de políticos eleitos, se os próprios eleitores são, em sua maioria absoluta, analfabetos de fato ou funcionais? O Brasil que lê, que pensa e que contesta é uma minoria insignificante na imensidão de idiotas, que não sabem, sequer, o que acontece em sua própria cidade... o que dizer do país, do mundo, das questões cruciais que afetam, cada vez de forma mais crítica e alarmante os destinos da Humanidade? Sem querer ser elitista, mas admitindo que a Cultura é privilégio de poucos, como esperar que pessoas que mal sabem identificar o próprio nome nas listas eleitorais possam escolher nossos governantes, nossos legisladores e, por decorrência, os gestores da riqueza nacional, identificada pelos recursos naturais cada vez mais escassos e degradados?

Conclusão

Diante desse triste cenário, como acreditar que vivemos uma Democracia? Como esperar que, um belo dia, seremos um povo honesto, justo, digno e próspero? Como votar em um político, mesmo que, garimpando nesse lodo, se encontre algum digno de nosso voto, sabendo que a escolha se processa pela maioria numérica, e essa maioria é constituída de analfabetos funcionais? Para que desperdiçar nosso tempo e nosso voto, sabendo que prevalecerão os interesses econômicos escusos, de classes sociais privilegiadas, preocupadas apenas em acumular riquezas desonestamente conquistadas, à custa da miséria, da fome e da manutenção desse "status quo" convenientemente apático e ignaro?

Por isso, meu voto será nulo, assim como tem sido desde que o PT e o PSDB se emporcalharam em processos imundos de mensalões e alianças políticas espúrias!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Dilma resistirá às pressões?

Agora que começo a gostar da postura de Dilma, acho que ela mexeu em vespeiro com vara curta, como se diz no interior. Espero, sinceramente, que ela perceba quais são as maçãs podres e quais são aquelas que vale a pena comer nesse grande circo da política brasileira. Os palhaços que sempre estão em cena talvez ganhem a batalha e forcem a presidente a ceder e retornar aos trilhos, recolocando a escória de nossa política nos cargos federais. Isso será lastimável!...

Eu já disse isso quando de sua eleição em 2010 e repito agora: se ela tiver coragem e afrontar os caciques dos grandes partidos políticos, talvez consiga vencer a barreira quase intransponível da corrupção e da safadeza em sua base de governo. Mas para isso ela precisaria mostrar publicamente as armações que acontecem todos os dias, o tempo todo na corte palaciana. E isso já é difícil...

Sinceramente, não creio na presidente Dilma, pois seu caminho político não é o que eu preconizo, e que passa longe demais do caráter desenvolvimentista de sua política econômica. No entanto, percebo que ela tem se demonstrado coerente e está tentando mudar a feição de sua equipe de governo. Os medíocres ministros conduzidos à Esplanada no início de seu governo, a maioria para satisfazer as alianças espúrias feitas para assegurar sua eleição, agora são substituídos por novas caras, nem todas assim tão notórias da política do "toma-lá-dá-cá". Mas isto não basta!

Para que Dilma conquiste a Nação e mereça o respeito do Povo Brasileiro será necessário muito mais - terá, acima de tudo, que derrotar as forças retrógradas e reacionárias do poder legislativo e colocar nos cargos de primeiro escalão pessoas dignas e isentas da lama que cobre as canelas (e os cotovelos) dos políticos tradicionais, principalmente da famigerada bancada ruralista!

Será um caminho árduo, pois em um primeiro momento terá enormes dificuldades de conduzir as votações no Congresso Nacional. No entanto, não existe melhor momento político do que este, um ano eleitoral em que todos esses promíscuos políticos buscam eleger seus apadrinhados para manter a máquina da corrupção azeitada para mais um perído de quatro anos de safadezas e corrupção. Tirado o respaldo popular, caso ela enfrente a máfia, esses mesmos elementos se voltarão para o Planalto para tentar salvar seus dedos, já que os anéis se foram no embate desleal por cargos, favorecimentos pessoais e "pagamento" de dívidas entre "correligionários"!

O problema se agrava quando percebemos que a própria população está fatalmente contaminada por essa sujeira que grassa em todas as esferas do poder, uma vez que não demonstra reações de revolta e indignação, e não existem mais baluartes a serem defendidos em nome da ética, da decência, da dignidade e da honestidade! Quem se salva nessa canoa furada da política brasileira?

Só mesmo o futuro dirá... mas para isso é preciso mudar, lembrando o velho refrão desse verdadeiro hino das oposições à ditadura ("Prá não dizer que não falei das flores..."), que mexeu profundamente com minha geração e nos fez corajosos e idealistas: "Vem, vamos embora, que esperar não é saber! Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"! (Salve, Vandré!)

Dilma, lembre-se de seus tempos de guerrilheira e cumpra seu papel de principal mandatária desta Nação cansada de tantas falcatruas, hipocrisia, mentiras e falta de vergonha na cara! Se você, presidente, perseverar e enfrentar esse poder corrupto e degenerado, poderá até perder a batalha, como perdemos na década de 70, mas terá revitalizado nossas crenças e nosso idealismo! E é disso que precisa a Gente Brasileira para poder ter referências de mérito para nossos descendentes! A Senda do Bem é longa, árdua e perigosa: somente poucos eleitos podem trilhá-la, mostrando o caminho para os que vêm depois... sem essa entrega da alma, não haverá futuro para a Nação!