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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Os Trabalhadores, a Greve e a "Presidenta"

Dilma não tem demonstrado muita afinidade com o Partido dos Trabalhadores, pelo menos no que se refere à sua luta histórica em defesa do Trabalho em contraposição ao Capital. Suas decisões têm sido tomadas sempre em favor do Capital, seja quanto aos investimentos em grandes obras públicas (hidrelétricas, ferrovias, rodovias, PAC), seja com relação ao diálogo indispensável de qualquer governante para a solução de demandas trabalhistas dos próprios Servidores Públicos que estão em greve há mais de 60 dias.

Poder-se-ia argumentar que investimentos bilionários em mega-construções geram milhares de empregos, mas isto é uma falácia ou, pelo menos, meia verdade. Essas obras, além de mal planejadas, não levam em consideração os impactos ambientais que, inevitavelmente, serão repassados ao povo brasileiro, quando os recursos naturais se tornarem escassos e insuficientes para a sobrevivência de nossos ecossistemas. Já estamos percebendo transformações climáticas significativas, cada vez mais intensas e frequentes, seja no Brasil, seja no resto do mundo. Durante a Rio + 20 a atuação do Brasil foi medíocre e de contemporização com as grandes potências que, além de não enviarem seus mandatários para não se comprometerem com decisões críticas, produziram um documento pífio, sem valor nenhum para a redução do aquecimento global ou da preservação dos oceanos e demais recursos naturais.

Também se poderia afirmar que as greves dos servidores públicos são inconsequentes e suas demandas são incompatíveis com a realidade mundial, o que é absolutamente verdadeiro. No entanto, as propostas de Dilma também são ridículas e absolutamente insatisfatórias para a grande maioria dos trabalhadores, não repondo sequer as perdas salariais em razão da inflação acumulada nos últimos anos. Ou seja, a disputa ridícula que sempre caracterizou as negociações salariais no Brasil, de um lado, os sindicatos exigindo reajustes disparatados, e de outro o governo e os empresários oferecendo migalhas, decorre de atitudes irresponsáveis que levarão, necessariamente, ao impasse e à radicalização.

Deve-se observar que a maioria dos servidores públicos não entrou em greve e continua trabalhando, na expectativa de que o governo tenha bom-senso e justiça em sua decisão. Além disso, as demandas dos servidores não se restringiam a aumentos salarias: o que se pede são planos de carreira para eliminar as distorções absurdas entre os proventos em diversos órgãos públicos, uns recebendo salários exorbitantes, outros percebendo vencimentos medíocres. No entanto, Dilma ignora essas demandas e disparidades e oferece apenas reajustes salariais, e ameaça os trabalhadores, afirmando que, caso os sindicatos não aprovem a "generosa" oferta de 15,8% em três anos, ninguém receberá nenhum reajuste! O que ela pretende? Forçar os trabalhadores a cruzar os braços e paralisar os serviços públicos, penalizando não apenas os servidores mas toda a economia nacional? Atitude irresponsável e estúpida, incompatível com o cargo de governante máximo de uma Nação com mais de 200 milhões de habitantes, e uma das mais prósperas economias mundiais.

O fato é que os "negociadores" de Dilma mantiveram a classe trabalhadora pública federal em humilhante estado de espera até as vésperas do prazo fatal de votação do orçamento, fugindo covardemente das negociações, com o claro e inequívoco propósito de impor sua vontade imperial contra os servidores. É evidente que Dilma tem muito mais afinidade com as práticas ditatoriais que ela diz ter combatido nas décadas de 60 e 70, do que com o espírito democrático que se espera de um estadista que, certamente, ela não é. Sua vontade imperial sempre foi acatada, mesmo durante o governo Lula. Prova disso são as obras de hidrelétricas na Amazônia, ou as obras da Transposição do Rio São Francisco, todas confrontando as opiniões abalizadas de cientistas, de ambientalistas e da própria população afetada pelos empreendimentos, como são as populações indígenas da região de Belo Monte.

O que acontecerá daqui para a frente está fora de controle, seja dela e de seus negociadores, seja dos sindicatos e da própria classe trabalhadora, pois nenhuma negociação foi, verdadeiramente conduzida durante essas ridículas reuniões do mês de agosto. Certamente, o resultado disso se fará sentir não apenas na peça orçamentária de 2012, mas durante os próximos três anos, pois ninguém ficará satisfeito com os reajustes, sejam eles iguais a zero, como pretende a "presidenta ditadora", sejam os 15,8% prometidos, caso os sindicatos se rendam ao "ultimatum" da "generala" em sua "campanha" militarista e totalitária. O risco maior é uma desobediência civil, nos moldes de operações padrão, onde a presença de servidores nos seus respectivos postos de trabalho não assegurará a execução efetiva de suas atividades. Isso seria o caos nos serviços públicos, muito pior do que qualquer greve.

Encurralar o "inimigo" é uma estratégia muito perigosa em qualquer batalha, contenda ou disputa, e pode resultar em consequências totalmente fora de controle. O funcionalismo público já é ineficiente e mal administrado em todas as suas esferas, por razões históricas que não cabe discutir neste artigo; agora, acuado, poderá travar as ações públicas, levando à paralisação de obras importantes e à falência do malfadado PAC, com resultados catastróficos para a economia, uma vez que quem comanda hoje sua sobrevivência é tão-somente o dinheiro público investido em obras mal planejadas e mal executadas.

Os próximos passos deverão partir do governo, já que os sindicatos ameaçam rejeitar a inaceitável proposta federal. No entanto, pouco se espera de Dilma, que desde sua posse tem demonstrado pouquíssima habilidade política em negociações, seja nas esferas legislativas, seja dentro de seus próprios ministérios, seja na sua relação com trabalhadores, que ela insiste em ignorar e menosprezar. Não é assim que se administra, mas talvez ela não tenha a experiência e a sabedoria que se espera de governantes... vamos aguardar...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

As Trapalhadas do Poder Público

Sou novato em Administração Pública; dediquei minha vida profissional à iniciativa privada, onde trabalhei durante 35 anos, até me aposentar, em 2007. Estava acostumado com a agilidade exigida dos executivos, cujos empregos dependiam de sua competência pessoal e dos resultados que produziam para a Organização, seja no volume de negócios gerados, seja nos lucros produzidos. Um executivo não permanecia no cargo apenas por ter sido contratado, ou pelos seus méritos passados. A competência é algo que deve ser demonstrada permanentemente, todos os dias, em todas as ações, em cada projeto implementado. Assim foram meus dias e assim se delineou minha carreira por tantos anos.

Agora, como "servidor público" é diferente: não preciso demonstrar nada; apenas assinar o ponto e não incomodar ninguém. Não esperam de mim o trabalho realizado, mas minha subserviência ao "sistema". Percebi isso enquanto exercia o cargo de Coordenador Regional da FUNAI em São Gabriel da Cachoeira, durante cinco meses. Acreditando nas boas intenções da instituição, fiz planos, motivei pessoas, desenvolvi relacionamentos com outras instituições e exerci o meu "poder" em conformidade com o cargo que ocupava. Queria mudar o destino dessa gente humilde, os indígenas; tirá-los da dependência de um sistema perverso, praticado pelos seus líderes. É claro que "dei com os burros nágua"!

Já na primeira medida administrativa, tentando substituir um assessor incompetente e desleal, fui barrado pelo presidente, que disse que o cargo "de confiança" não poderia ser "de minha confiança", mas da confiança dele, ou melhor, de outra instituição, a FOIRN ("Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro"), uma organização não-governamental. Eu não poderia exonerar o indígena que iria me assessorar em assuntos tão importantes como o relacionamento com a própria FOIRN! Para maior surpresa, existe um instrumento criado pelo próprio presidente para que esse relacionamento se tornasse efetivo: o Comitê Regional do Rio Negro, um grupo paritário constituído de 7 indígenas e 7 servidores, inclusive o tal assessor, também indígena, o que já elimina o seu caráter paritário.

Durante esses cinco meses encaminhei uma centena e meia de memorandos a Brasília, com diversas finalidades, a maioria sem resposta. Desses, cerca de 35 memorandos tinham por objetivo solicitar providências para viabilizar a gestão administrativa e financeira sob minha responsabilidade. Essenciais! Recebi apenas dez respostas! Outros 25 memorandos foram simplesmente ignorados! Sem resposta! Nem "sim", nem "não"! Apenas o silêncio! Como administrar dessa maneira? Como demonstrar competência, se nos são negados os instrumentos mínimos de gestão? Como superar desafios se nos negam o mínimo exigido?

A base da gestão administrativa e financeira de uma instituição pública está assentada no tripé equipe de licitação (que inclui um pregoeiro), procuradoria federal (que dá legitimidade aos atos de gestão) e legislação pública (que fundamenta os atos de gestão). Portanto, não são as leis o empecilho para se gerir com competência, mas a existência das outras condicionantes. Naquela coordenação regional não havia equipe de licitação habilitada, não possuía um pregoeiro qualificado e não existia uma Procuradoria Federal. Portanto, durante cinco meses administrei uma unidade sem capacidade própria de gestão.

O pior, porém, veio depois de meu pedido de exoneração: mal deixei meu cargo e todas as minhas solicitações passaram a ser atendidas, como num "passe de mágica", pela diretoria da FUNAI! Por que me trataram assim? Por que fui "fritado" publicamente, se o que eu solicitava eram apenas as medidas indispensáveis à gestão pública honesta, transparente, eficiente, ética, impessoal, conforme ditam os cinco princípios básicos da Administração Pública: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade, Eficiência?


Na verdade, eu devassei as práticas antigas do empreguismo, dos favorecimentos pessoais, das vaidades extremas, dos interesses escusos e dos abusos de poder que existiam (e agora voltam a existir). Chego à triste conclusão de que o poder público não depende das leis para ser correto, mas das pessoas que o exercem. E, infelizmente, em grande maioria, as pessoas que buscam o serviço público estão interessadas na ESTABILIDADE NO EMPREGO e no atendimento a INTERESSES PESSOAIS. Onde fica, então, o interesse público da Administração?

"Ora, isso não é de sua conta, João Carlos Figueiredo!"

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O fim de uma curta jornada

Amanhã, 14 de setembro, vou-me embora para Brasília, depois de exatos 12 meses trabalhando em São Gabriel da Cachoeira. Não foi fácil... não foi justo... não houve lealdade... foram dias, meses complicados, repletos de contradições e enganos... mudei alguns conceitos, fortaleci outros, aprendi muito e me dediquei completamente ao propósito de ser útil a essa população.

Não deu certo e fui vencido pela burocracia, pelas traições, pelas ambições pessoais... era um jogo de cartas marcadas e eu não percebi as artimanhas do "poder" aqui e em Brasília; não tive tempo para me defender, ocupado que estava em realizar um trabalho sério e comprometido com a causa indígena. Depois, percebi que esta causa era inglória, para mim e para os indígenas, manipulados por suas lideranças incompetentes e desonestas.

Mas agora já não importa mais, pois estou de volta para minha família. Deixo poucas lembranças e pouquíssimos amigos. Mas saio com a certeza do dever cumprido, e isso é o que me importa. Àqueles que tramaram contra mim, fica meu desprezo. Lambuzem-se com esse falso poder conquistado por vias tão medíocres! Eles se merecem, infelizmente...

Não poderia ir embora sem manifestar, mais uma vez, minhas profundas mágoas, não pela oportunidade perdida de realizar um excelente trabalho, mas pela vileza desse povo que hoje domina essa instituição federal. Quanto dinheiro desperdiçado só para satisfazer os donos do poder! Quanta mentira existe por detrás de discursos políticos e promessas quase eleitoreiras! Perdi até mesmo minha crença nos destinos desse nosso país, dominado por um grupo que não sabe o que é liberdade e democracia! Cessam em mim as intenções políticas, o entusiasmo ideológico, a luta pela Justiça, pela Natureza, pelas causas sociais...

Muito tempo passará até que eu possa me recuperar dessa que foi minha pior decepção. Talvez nunca mais eu tenha vontade de abraçar novas causas; talvez eu me decida por abandonar meus monólogos neste blog, meu confessionário de idéias, meu cadinho de reflexões acerca do pensamento contemporâneo nesse país devastado pela corrupção.

Fica, para mim, a grata sensação do retorno, do reencontro com minha família tão querida, a quem sacrifiquei em defesa de um ideal que não deu certo, que já não existe mais... adeus São Gabriel da Cachoeira! Adeus meus raríssimos amigos! Adeus à população indígena que é enganada pelas "políticas públicas" do falso indigenismo desta FUNAI que eu não gostaria de preservar como meus "patrões". Servidor Público? "BLAGH!"

sábado, 27 de agosto de 2011

SÓRDIDO!

É triste este mundo... comecei a trabalhar em 1.972, há 40 anos... pensei conhecer um pouco da alma humana, mas depois desses quase 12 poucos meses nesta terra, percebi que nada sei, que não estou preparado para a sordidez humana, que não tenho os atributos e as armas necessárias para enfrentar esse tipo de inimigos... estou pasmo! Em tão pouco tempo, sepultei minhas crenças, minha ideologia, meus mais profundos ideais de contribuir para a redenção de um povo sofrido, ultrajado, humilhado e desencantado por tantos anos de dominação... pensei até que eram os brancos os responsáveis por essa tirania... mentira! Os homens são iguais em qualquer arena, sob qualquer bandeira política, por debaixo de qualquer interesse!

Meus companheiros de trabalho me traíram... os líderes dessa população interétnica traíram seus próprios companheiros! As autoridades máximas do movimento indígena traíram, descaradamente, esses povos! O que nos resta? A que viemos, se não temos, entre nós, as pessoas, os profissionais capazes de romper com a exploração dos povos indígenas? A ambição humana não tem limites e é capaz de qualquer coisa para obter insignificantes benefícios pessoais em troca da deslealdade, da entrega de si mesmos por cargos!

Ao me candidatar ao serviço público acreditei que existia uma ética, princípios que norteavam as decisões, que conduziam as pessoas a pensar acima de seus interesses individuais, a buscar valores que a sociedade capitalista havia deixado no passado... mas não! São todos iguais... não, são todos piores, mesquinhos, medíocres, primatas! Sua ambição não tem limites, pois buscam interesses menores em suas ações!

O pior de tudo é que me entreguei de corpo e alma a esse propósito, desafiei autoridades, manifestei publicamente minha fé nos seres humanos, declarei minha opção pelos pobres e até abri mão de minha família para lutar em defesa de ideais maiores, duradouros, perenes, incorruptíveis... para concluir, no final, que são todos desleais, movidos por interesses mesquinhos e imediatistas, por cargos, por posições sociais!

Agora só me resta voltar, renunciar, esquecer esse triste passado que enterrarei nas areias do Rio Negro... que me perdoem as populações indígenas, não suas lideranças corruptas, mas os povos humildes e traídos por pessoas incompetentes e desonestas, mas não tenho alternativas. Volto à minha vida passada na esperança de encontrar outras razões para perseverar, para enterrar esse curto período de equívocos...

Não sei mentir, não sei enganar, não sei trair... por isso, vou-me embora, com muitas mágoas e um imenso sentimento de frustração perante essa realidade perversa que conheci aqui. Não levarei lembranças, não deixarei memórias de minha passagem por aqui, pela simples razão de que não existem pessoas dignas, no meio em que atuei, de guardarem, de mim, recordações relevantes... fiquem eles com suas ambições menores... eu buscarei outros caminhos pois, se não os encontrar, não terei razões para existir!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O serviço público e a imoralidade

Trabalhei 35 anos em empresas privadas. Foram anos de luta e muita dedicação para encontrar meu espaço no competitivo mercado do Capital. Sempre achei que as empresas tinham um elevado grau de incompetência e ociosidade, causados pelo despreparo da maioria dos profissionais. São poucas as pessoas competentes e que fazem a diferença.

No entanto, o serviço público leva essa incompetência ao nível extremo! E para agravar ainda mais a situação, uma parcela muito expressiva de servidores públicos não tem nenhum compromisso com a Ética, a Moralidade, a Dignidade e a Justiça! É uma relação doentia, egoísta e indecente, que sempre alimentou os noticiários da imprensa nacional, mas que relutamos a aceitar como um comportamento doentio e predominante. Infelizmente, é verdade.

Estou enojado, decepcionado e arrependido de ter prestado um concurso público e ter assumido um cargo executivo em uma organização pública. Não vejo possibilidade de reversão desse processo nefasto e indecente que predomina nas relações sociais dentro das organizações governamentais. É um câncer que se alastra pelo tecido orgânico da administração pública! Um câncer que, não sendo terminal, mantém esse organismo vivo, sugando a seiva da Nação, promovendo o desperdício dos recursos públicos e humilhando a população que, com extremo esforço, doa parcela expressiva de seus salários para manter essa máquina emperrada em funcionamento.

Não tenho orgulho de meu trabalho porque sei que a maioria dos servidores não é digna do respeito da Nação Brasileira. Em meus sessenta anos nunca experimentei essa sensação de impotência e inutilidade; de que todo trabalho é inútil e todo esforço um desperdício. Jamais convivi com pessoas tão mesquinhas e desprovidas de qualquer sentimento patriótico!

Quanto tempo suportarei essa situação? Não sei... meu instinto me compele a abandonar esse trabalho indigno, mas meu compromisso com a Ética e a Decência me obriga a perseverar. Sinto que essa permanência me consome internamente, mas ainda tenho uma tênue esperança de superar essa força do mal que contamina o Poder. Devo estar errado.

Não há, racionalmente, nenhuma possibilidade de vencer a podridão do poder público. Sou um ser em extinção, remando contra a correnteza, enquanto passam por mim as embarcações dos corruptos e dos comprometidos com suas próprias causas e interesses mesquinhos.

Que pena... este jogo eu já perdi...