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terça-feira, 6 de maio de 2014

Como escolher (bem) seus candidatos!


1. Não acreditem em propostas de partidos políticos! O PDS, partido da ditadura militar nos anos 1980 a 1993, que sucedeu à ARENA, tinha, em seus estatutos, cláusulas consideradas modelo para as democracias. No entanto, sua estratégia era de assegurar a continuidade dos militares no poder, sendo contrário às eleições diretas para governadores e presidente da república. O PT, partido que empolgou várias gerações, fundado no mesmo ano do PDS, tinha o conceito de PARTIDO ÉTICO, assim como o teve o PSDB. Curiosamente, esses dois partidos se mantêm no poder há vinte anos, e foram protagonistas dos piores escândalos de corrupção do país: os Mensalões do PT e do PSDB, desvios de dinheiro em obras públicas, alianças espúrias com partidos nanicos, balcão de oferta de cargos em troca de votos no Congresso, entre outras tantas. Lembrem-se que hoje temos mais de 30 partidos políticos! Qual é honesto?

2. Não acreditem nos políticos! Eles sempre mentem para tentar conquistar seus eleitores. As práticas políticas, durante o processo eleitoral, tornaram o comportamento de todos os candidatos motivo de chacota, expondo-os ao ridículo quando mostram excesso de gentilezas e de educação, que não duram mais do que o período pré-eleitoral. Políticos não são fiéis aos seus partidos, da mesma forma que os partidos não são fiéis a seus estatutos, princípios e valores. Lembrem-se que temos 513 deputados federais!

3. Pesquisem seus candidatos! investiguem a vida pregressa, os partidos aos quais já se afiliaram, quem são os financiadores de suas campanhas, quais projetos apresentaram em mandatos anteriores, como votaram em questões polêmicas, a quem apoiaram em eleições passadas e a quem estão apoiando no presente. Quanto mais informações coletar, menor será o risco de uma decepção no futuro. Detalhe: faça um registro dos candidatos em quem votou em todas as eleições, para que possa constatar seus erros e acertos na escolha de candidatos, e se a culpa do erro foi sua ou do candidato, que não respeitou nem honrou os compromissos de campanha. O site do
Tribunal Superior Eleitoral tem muitas informações!

4. Manifestem-se! Divulguem suas ideias nas redes sociais e em reuniões com amigos. Participem da vida pública prestigiando eventos que patrocinam causas nas quais vocês acreditam. Afinal, as decisões políticas afetam a vida de todos os brasileiros! É como comparecer em reuniões de condomínio: se faltar não poderá contestar as decisões tomadas. O país é um grande condomínio, em que poucos participam, muitos reclamam e ninguém assume a responsabilidade pelas decisões tomadas e pelas consequências delas advindas. Participar da vida nacional é um privilégio: você estará participando da história de seu país! Omitir-se é acovardar-se diante dos grandes problemas nacionais.

5. Protestem! Não aceitem passivamente as decisões com as quais não concordam! Criem polêmicas! Façam valer suas opiniões! Somente assim poderão dizer que não se omitiram quando suas palavras eram necessárias. Muitas decisões são tomadas sem o consentimento da maioria, pela simples razão da omissão das pessoas quanto ao tema tratado. É claro que é mais fácil calar-se quando deve falar e depois criticar o que foi feito. Diz o ditado: “Quem cala consente!”. Portanto, nunca se omitam!

6. Voto nulo não é omissão! Se nenhum candidato atende aos seus requisitos de capacidade, honestidade e de comprometimento com ideais e princípios nos quais acredita, anulem seus votos! Mas não deixem de dizer publicamente por que decidiram anular seus votos. É imprescindível que as pessoas saibam por que deixaram de escolher um candidato. Nas eleições de 1974 os votos nulos e em branco atingiram mais de 30% do total de votos. Se somados aos voos dados ao PMDB (na época, os votos do partido de oposição, somados aos nulos e brancos, chegaram a 11,8 milhões), eles suplantaram os votos dados ao parido do governo (a ARENA recebeu 10,8 milhões de votos).

7. Candidatem-se! Hoje, ser político é vergonhoso! Ninguém com caráter quer se expor à execração pública, diante de tantos escândalos de corrupção e desonestidade! É difícil acreditar que o Brasil consiga se reerguer do lamaçal em que se afundou... no entanto, somente com novos nomes de pessoas do bem, comprometidas com novas formas de governar e de administrar o país, poderemos encontrar o caminho certo. As transformações havidas nas últimas décadas sinalizam para uma nova sociedade, na qual a preocupação com a Sustentabilidade Ambiental, Econômica e Social seja a premissa para a sobrevivência da espécie humana e de todos os seres vivos de nosso Planeta. Se não mudarmos a forma de fazer política e de governar, em poucos anos acabaremos com nossa principal riqueza: o Meio Ambiente. Em menos de 100 anos destruímos quase 50% de todas as florestas em solo brasileiro! Só mesmo novas cabeças, com novas ideias e novas alianças políticas poderão colocar uma pedra sobre esse passado deprimente! 


domingo, 16 de março de 2014

POLÍTICA COMO ARENA DE DISPUTAS IDEOLÓGICAS

O povo, sem cultura, é como o gado, que precisa do boiadeiro para conduzi-lo.
Ano de eleições. Muitos já chegam à disputa com a mente decidida, com candidato escolhido, com um partido político que mais parece uma religião, tantos são os "dogmas" a que precisam se submeter. Esses não têm escolha, e apenas referendam a votação de eleições passadas, sem refletir se o que foi feito correspondeu às suas expectativas e cumpriu as promessas de campanha e está em conformidade com o ideário do partido político ao qual se filiaram. Como nas religiões, sua opinião não tem valor, pois são induzidos a escolher os candidatos que lhes foram impostos, acatando as decisões previamente tomadas, sem discussão. Outros nem candidatos têm, e esperam alguma sugestão de amigos, ou pedidos de candidatos em troca de um "agrado" qualquer. Alguns não têm sequer noção da importância do voto...

Em nosso país, as eleições se tornaram referendo e não escolha. Duas facções se formaram, com o entulho ideológico do passado, imersos nas mesmas acusações e promessas, sem criatividade, sem idealismo, sem vontade de transformar o nosso pequeno universo em um lugar melhor para se viver. Até mesmo os slogans das empresas de marketing político não se renovam, e o cenário apresentado nos horários eleitorais é sempre o mesmo, reproduzindo frases já ditas à exaustão nos últimos trinta anos de vida "democrática". Seria essa a República de Platão ou a Democracia de Atenas?

Apesar dos vários candidatos, as discussões são estéreis e infundadas. Prevalece a mentira, a hipocrisia, a falsidade... curioso é que mesmo os partidos de esquerda, que deveriam aceitar o debate, pois a "Dialética" faz parte do ideário comunista e de seu Método de Reflexão, se recusam a provocar as discussões de temas "sensíveis". Ninguém quer se expor demais para não "perder a carona"! A causa disso tudo é que os partidos se misturaram, perderam a identidade! Restou apenas uma paisagem enevoada na qual não se distingue as nuances e as ideologias ali representadas.

Neste momento crítico de nossa vida política, como cidadãos, deveríamos estar discutindo programas de partidos, plataformas eleitorais, propostas setoriais, debates sobre temas que nos dizem respeito. No entanto, discute-se migalhas de pensamentos. É mais importante falar das tolices ditas no STF do que debater a crise de nossa política interna e a situação internacional. Nunca houve tanto assunto a ser discutido, e apenas o que veremos são caras de idiotas prometendo fazer isso ou aquilo, as mesmas coisas que já disseram anos a fio... tipo assim: "A Educação é a prioridade de nosso governo!"ou "Venha para o nosso Partidoe participe dos debates sobre a emancipação da Mulher Brasileira!"

Como esperar que algo mude nesse país, se as pessoas são as mesmas, as regras são as mesmas, os partidos são os mesmos e os métodos de aliciamento, infelizmente, também são os mesmos? "Nada de novo no front"! Com essa declaração os repórteres começavam o dia na Segunda Guerra Mundial, quando meses se passavam sem novidades, a não ser a tragédia das milhões de mortes que se acumulavam na consciência humana... pois diremos o mesmo: "Nada de novo na política brasileira"! Porque os atores repetem a mesma peça teatral, cansada e desinteressante, dos candidatos se alternando na tela da TV, pronunciando promessas ou acusações desprovidas de sentido, apenando para a emoção ou incitando ao ódio, ou ainda fazendo denúncias, com ou sem fundamento, mas que nada têm a ver com o processo de seleção em que ele é o candidato e o eleitor é a banca examinadora! Poucos percebem isso!

E assim, com votos de cabresto, votos de analfabetos (integrais ou funcionais), votos de "amizade" ou votos de submissão messiânica a um partido político, cem milhões de brasileiros despreparados escolherão o mandatário supremo da Nação, além de senadores e deputados, representantes "legítimos" de nossa vontade política. Com um processo dessa natureza, como esperar que, nos próximos quatro anos, alguma coisa irá mudar nesse país? Então surgem as temerosas "fórmulas mágicas": -militares no poder! -constituinte já! -voto distrital misto! -financiamento público de campanha! -fim das reeleições! -parlamentarismo! -fim das alianças políticas! -fim do voto eletrônico!

Cada um traz seus palpites, irresponsáveis e infelizes, acreditando que o problema do Brasil é de cunho institucional. Não é. Se um povo é politicamente preparado, qualquer sistema de governo funciona razoavelmente. Não é o nosso caso, com certeza! Outros ainda trazem aqueles "bordões" já rustidos e desqualificados: "o que falta ao brasileiro é Educação, é Saúde, é Transporte, é Cultura, é blábláblá..." Sim, é tudo isso, mas não é nada disso, pois o que significa ter cada uma dessas áreas priorizadas, se carecemos de Honestidade, de Ética, de Solidariedade, de Respeito?

Precisamos de um povo que compreenda o sentido de NAÇÃO BRASILEIRA! Que saiba respeitar os valores éticos da sociedade, mas que também saiba o valor de sua Terra, ou melhor, que compreenda o conceito mais complexo de TERRITORIALIDADE! Que tenha o entendimento de que o espaço físico de um povo não pertence a ninguém. Que os recursos naturais da Humanidade são finitos e que cada um de nós é responsável por preservá-los para as próximas gerações. Que ser Cidadão é muito mais do que obedecer às leis e às regras sociais, mas é, sobretudo, respeitar o OUTRO, ser justo, condescendente, solidário, generoso, humilde, honesto, altruísta, idealista... sim, porque só um povo que tem respeito pelo outro é capaz de construir uma Nação. Pátria é um conceito simplório...

Finalmente, mas não menos importante, é compreender que FAZER POLÍTICA é atuar numa arena onde as idéias podem ser discutidas sem ofensas e sem mágoas, que cada um tem o direito de pensar diferente, desde que seus proósitos atendam àqueles valores mencionados, que fazer política é dialogar mais do que discutir, buscar o consenso mais do que vencer por maioria, comprender o outro lado mais do que impor sua vontade. A arena política pode chegar a "ferver" de emoção e "fervilhar"de idéias contraditórias ou complementares. O que não pode acontecer é a imposição de uma vontade sobre as demais pelo poder político, econômico, religioso ou social. Não é nada fácil...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Novamente, as eleições!

Ainda faltam meses... um ano, na verdade! Mas já nos sentimos ofendidos pelas propagandas estúpidas e mentirosas dos políticos e dos partidos que temos, e que nos envergonham nos noticiários.
Partidos que nem sequer sabemos que existem, por que existem e o que defendem em suas "doutrinas ideológicas"! Creio que seus dirigentes nem sabem o que isto significa. A Presidência fala de progressos que não percebemos: milhões de empregos, sociedade igualitária, obras magníficas, solução para todos os problemas desse povo sofrido e ignorante... sim, ignorante, que não sabe votar, que é manipulado descaradamente, que é levado a pensar que existe solução para tudo, que o petróleo do fundo do mar mudará suas vidas para sempre, que haverá moradia decente e digna para suas famílias, e que a primavera florescerá para todos!

Mentira! Continuamos fingindo para nós e para o mundo! Os pobres serão sempre as vítimas, nem tão inocentes quanto deveriam, dos poderosos, exibidos às claras nas novelas globais que, no entanto, falam de reinos maravilhosos, da nobreza que ainda existe no imaginário de toda gente que vota nos "bacanas" ou nos "babacas", que aposta na megassena, que vislumbra o paraíso nas crendices de suas religiões simplórias! Continuamos acreditando nas promessas dos candidatos e votando no lixo intelectual dos "tiriricas da vida"!

Enquanto isso, nossa educação pública se vangloria dos péssimos índices de qualidade que, sendo genéricos e nacionais, não refletem a verdadeira situação dos guetos de pobreza que se dispersam nos sertões do Brasil. Nossa política ambiental decreta o fim de nossas reservas naturais, que continuam sendo dizimadas às claras, à luz do dia, por políticos latifundiários, capitaneados pela famigerada e poderosa "bancada ruralista", amparada por políticas exportadoras de produtos primários e importadora de alta tecnologia. Enquanto isso, ouvimos diariamente as promessas de uma Copa do Mundo salvadora, de uma Olimpíada que resgatará a imagem perversa que têm os povos cultos do mundo com relação à nossa gente.

E as eleições virão para confirmar nossa incompetência em escolher gente digna e honesta e que comprovará que esse modelo de "democracia" está falido e podre, servindo apenas para perpetuar no poder aqueles que compactuam da safadeza e usufruem das benesses da corrupção, do empreguismo e do vandalismo de nossos valores culturais. O que sobra desse país, senão um povo ludibriado e passivo? O que restou da juventude dos "anos de chumbo", daqueles que deram suas vidas pela liberdade de expressão, pela dignidade humana? Se éramos minoria diante dos terrores da ditadura, ao menos tínhamos ideais e lutávamos pela ética na política e pela justiça social. Agora, os partidos que ajudamos a criar nos traem descaradamente, buscam parcerias com o inominável poder daqueles que no passado nos torturaram nas celas das prisões ilegais e desumanas! Eles estão por toda parte, galgando cargos e pisando nas cabeças daqueles que deram seu sangue para o bem do país...

Agora virão novas eleições para vereadores, prefeitos, deputados, senadores... e veremos, mesmo que contra nossa vontade, perfilarem diante de nós, nas telinhas da tv, qual bandidos sendo expostos à identificação pública, os mesmos, os novos, os sempre políticos imorais que combatemos no passado. Se me perguntarem de novo, direi que não valeu a pena nossa geração se perder na luta inglória, assim como não vale a pela defender princípios éticos, ideologias que já não servem para nada, pois o futuro dessa geração de agora está sendo desenhado em um rascunho indecente e imoral... tenho pena dos que virão depois de mim...

domingo, 4 de julho de 2010

E a corrida eleitoral começa igual

Foto de Emmanuel Pinheiro/AE - 06.05.2010 http://politica.estadao.com.br/

Quem já ouviu falar de Índio da Costa?

Hoje sabemos que é um deputado do DEM, o Democratas do ex-governador Arruda, do Distrito Federal (aquele do mensalão de Brasília!) e que agora é também o candidato a vice-presidente pela chapa do PSDB de José Serra. Quem assistiu à apresentação do novo candidato não pode deixar de perceber o constrangimento estampado na fisionomia de Serra. É claro! Esse é o segundo nome em importância na política nacional, caso o tucano seja eleito! E se por terrível desventura Serra não puder assumir o cargo? Ficaremos à mercê de um inexperiente desconhecido? O que o senhor Índio da Costa fará como Presidente da República?

É, no mínimo, uma tremenda irresponsabilidade do PSDB colocar esse senhor como candidato. Ele próprio, o senhor Índio, manifestou enorme surpresa por ter sido escolhido! Ninguém conseguiu disfarçar o constrangimento geral pela escolha desse nome. E não conheço o senhor Índio, como quase ninguém conhece. Dilma, pelo menos, tem Michel Temer como vice, pessoa de grande notoriedade pelo seu saber jurídico e pela extensa carreira política desenvolvida no PMDB. E Marina SIlva tem Guilherme Leal, presidente da Natura, empresa engajada na defesa e na preservação do meio ambiente!

Mas deixando de lado o descalabro da escolha do vice de Serra, a campanha começa igual: mesmas promessas, mesmas trocas de amabilidades que se tornarão ofensas no decorrer da campanha, mesmos conchavos para obter mais tempo na telinha, em detrimento de princípios, valores ou ideologias. Agora que a Copa do Mundo de Futebol acabou de forma lacônica, todas as atenções se voltam para as eleições.

E o que mudará nesse país depois das eleições? NADA!

Basta ver o que ocorreu depois da posse de Lula: a política econômica seguiu os passos do PSDB, inclusive com um presidente do Banco Central oriundo desse partido político, que foi o inimigo direto do PT de Lula. Basta ver o que vem acontecendo depois das eleições de Barack Obama nos EUA ("Yes! We Can!"). Sim, nós podemos nos iludir que tudo mudará com um ou outro candidato, mas nada acontecerá.

Porque?

Simplesmente porque nossas instituições políticas, econômicas, sociais e jurídicas são rígidas o bastante para obstar qualquer movimento revolucionário. Nenhuma promessa de transformação da sociedade, de igualdade, de redução da miséria e da fome resultará em sucesso, simplesmente porque a máquina governamental não é escolhida nas eleições! Mudam os políticos; esses, por sua vez, escolhem seus assessores ("staff" de confiança), que indicam nomes para a presidência e a diretoria das empresas estatais.

Esse processo em cascata chega até certo ponto da hierarquia e bate na rigidez da estrutura. Daí para a frente fica tudo igual. As promessas de campanha são rapidamente esquecidas, os compromissos com o eleitorado são substituídos pelos acordos entre partidos da bancado do novo governo, e as nomeações seguem um curso indesejado de "pagamento de promessas" para os apadrinhados dos novos hóspedes do poder.

Isso acontece com todo e qualquer partido político, com todo e qualquer candidato a Presidente, Senador da República, Governador, Prefeito, etc. Todos os níveis de poder são contaminados por uma "febre" de nomeações que avassala e destrói os chamados "planos de governo". Lula deu prioridade aos movimentos sociais? à reforma agrária? à igualdade de direitos entre os brasileiros, independentemente de raça, cor, sexo partido político ou religião? NÃO! Deu prioridade ao agronegócio, ao latifúndio, às grandes obras!

O que está errado é o sistema de governo. Enquanto houver "partidos" políticos haverá desavenças; onde houver desavenças, haverá interesses conflitantes e, consequentemente, privilégios a um ou outro lado. Esse É o problema: a Nação precisa ser maior que os interesses de seus cidadãos individualmente.

Assim, diante da realidade do mundo atual, só podemos afirmar que todas as crises econômicas serão resolvidas, mas quem pagará o preço será o povo, enquanto as elites usufruirão dos "benefícios" da "recuperação" econômica depois da crise. Os magnatas sempre sairão ilesos, mas o mesmo não pode ser dito da imensa maioria da população em todos os países afetados pela crise. Estes sempre pagarão a conta!

Quem tentar encontrar diferenças expressivas entre os dois candidatos mais fortes à Presidência irá se frustrar. Tanto Dilma quanto Serra vieram da militância estudantil; ambos estavam do mesmo lado do jogo durante todo o período de sua formação intelectual; no entanto, pensam da mesma forma "desenvolvimentista", ou seja, o desenvolvimento econômico da Nação deve ser realizado a qualquer preço, a despeito dos males e danos causados à classe trabalhadora e ao meio ambiente. Mais importante do que preservar o povo é preservar os mecanismos de poder político, econômico e social.

É assim que funciona nosso sistema de produção capitalista. É assim que será por mais quatro, talvez oito anos. E daqui a oito anos, em 2018 não saberemos quais as possibilidades de sobrevivência da base social da população, das minorias discriminadas e do meio ambiente. Curiosamente, essa multidão amorfa e disforme que constitui a maior parte de nossa população é quem dá legitimidade ao poder das elites!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma proposta de desenvolvimento sustentável

Ao contrário do que se pensa e se fala, até com grande animosidade e – por que não? – ódio, a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico não estão, necessariamente, em lados opostos da arena política. Mas é preciso compreender com clareza e sem paixão que, até hoje, o enriquecimento das empresas e dos empresários não trouxe melhoria da qualidade de vida e dignidade humana à população.

É bom lembrar que os que se enriqueceram não são, via de regra, daquela região, não tendo, portanto, compromisso com a terra, seja quanto à sua memória histórica, seja quanto a relações sociais. A população nativa continua pobre e recebendo as migalhas caídas das mesas desses mega-empresários do agronegócio. Basta olhar as estatísticas do IBGE...

Aos mais velhos, como eu, vale recordar “os bons tempos do milagre brasileiro”, década de 70, e seu “maestro”, Delfin Neto, esse mesmo economista que ainda está ativo na política. Naquela época os militares no poder falavam em primeiro “fazer crescer o bolo” para depois reparti-lo com o povo. O “bolo” foi, de fato, repartido entre aqueles que se apoderaram do país e de seus asseclas... o povo, mais uma vez, foi esquecido na miséria, na ignorância e à margem do caminho. Agora o governo distribui suas esmolas a milhões de brasileiros que continuam na miséria mas, graças ao “bolsa família”, ajudam o “outro Brasil” a crescer na onda do consumismo!

Então, qual seria esse “novo modelo de desenvolvimento”? Qual é o milagre?

Não há milagre. Para acabar com a miséria só há um caminho: estabelecer limites para a riqueza pessoal, taxando fortemente a renda acima de patamares éticos, e investir intensivamente na cultura, na educação e no saneamento básico. Acabar com os focos de pobreza extrema significa nada menos que distribuir a riqueza extrema.

Isso basta? Claro que não! Mas é o mais difícil, pois mexer com o dinheiro dos ricos é tarefa para um estadista ficar na História como um grande reformador!

E quando falamos de investir na educação e saneamento básico não nos referimos aos estados ricos do sul e do sudeste, que esses tem condições de fazê-lo sem o paternalismo da União. Queremos nos referir aos verdadeiramente pobres irmãos do nordeste, do norte e do centro-oeste, aqueles brasileiros esquecidos de todos, que vivem à mingua, cercados de riquezas naturais e em processo de destruição.

A educação pública tem melhorado muito nos últimos anos, mas nesses lugares remotos o desnível cultural não tem precedentes! É escandaloso, indecente, imoral!

A outra parte do “milagre” é construir uma Sociedade Solidária, e isto vai muito além da vontade política. O primeiro passo é enxugar o Estado. De novo? Não, porque nunca foi feito. Isso passa por punir rigorosamente a corrupção, o desvio de verbas, o abuso do poder, eliminar a gigantesca rede de favorecimentos de um governo paralelo!

Fácil falar, difícil realizar...

É verdade, mas um novo país não se constrói sem dor. Os partidos políticos são a fonte de corrupção mais evidente, pois quando um está no poder forma-se um núcleo de partidos adesistas, só interessados nas nomeações para cargos de segundo e terceiro escalão, enquanto que outro grupo se organiza na oposição, cujo único propósito é impedir a governabilidade. Ou seja, na realidade, são apenas dois “partidos” políticos: o da situação e o da oposição. O resto é figuração.

O que os políticos chamam de “jogo democrático” tem tudo a ver com jogo, mas nada com a Democracia! Enquanto um bando se digladia na arena política, no seu mais sórdido significado, uma população inteira é massacrada pelo poder econômico!
Acabar com partidos políticos, criar conselhos comunitários não remunerados com os mais sábios, mais idosos e mais idealistas, lideranças naturais que cada comunidade sabe quem são e o que fazem.
Esses, por sua vez, elegeriam seus representantes regionais, que também escolheriam líderes que os representassem, até chegar ao nível nacional. Essa pirâmide de poder seria mais estável e de confiança de seus liderados e ninguém teria assegurado seu poder, exceto por essa relação delegada que, a qualquer instante poderia ser revogada. O “Politburo” dos estados socialistas é concebido e funciona desta maneira.

Então, por que não deu certo?

Porque a corrupção é o Vampiro de todas as sociedades e sangra até matar! Por isso, o inimigo mortal do povo é a corrupção, esse fantasma que ronda todas as sociedades e esfacela suas estruturas mais sólidas, porque age às escondidas, insinua-se como a prostituta, corrói como o ácido, vicia como a heroína, sangra como o vampiro e se fortalece com a omissão dos fracos e com o medo dos covardes...

Em todos os níveis as decisões seriam tomadas em colegiado e, dependendo da gravidade e impacto social, não havendo unanimidade nem consenso, referendadas nos níveis políticos imediatamente inferiores. Isso garantiria a existência de um Estado Democrático de pleno direito e representatividade, embora sem partidos políticos e sem órgãos consumidores de recursos e incompetentes como as Assembléias, Câmaras e Senado, bem como seus respectivos anexos, assessorias e correlatos.

Só nessas instituições, quantos milhares de empregos seriam eliminados? Empregos desnecessários, diga-se de passagem. Basta, para convencer, analisar a produção de um único mandato de senador, deputado ou vereador, em qualquer instância!

Ao invés de ministérios e secretarias, grupos de projetos contratados para gerenciar o planejamento e a execução de obras e entregar o produto resultante a uma empresa responsável por sua operacionalização. Isso ocorreria em todas as instâncias do país. Empresas de planejamento urbano seriam criadas para desenvolver propostas de projetos para cada município, apenas se solicitados pelos conselhos comunitários.

Utopia? Sim, é verdade, uma grande Utopia! Mas o Estado, tal como existe hoje em qualquer lugar do mundo, funciona mal e custa caro; as discussões políticas são intermináveis porque realizadas sob o emblema dos partidos políticos, em uma arena onde apenas um lado pode sair vitorioso e o outro ficará aguardando uma oportunidade de revanche, não importa se os interesses da Nação sejam preteridos ou não.

Conselhos de sábios poderiam ser formados para fundamentar as decisões políticas, enriquecendo os resultados com seu saber, maturidade e conhecimento. As decisões seriam rápidas e efetivas, e como não haveria oposição sistemática, mas consenso, os resultados seriam os melhores concebidos pelos conselhos comunitários.

E a questão original, ambientalistas versus desenvolvimentistas, perderia o sentido pois ambos estariam do mesmo lado, lutando pelos mesmos interesses e ideais, e cada obra, cada ação seria analisada à exaustão antes de se decidir por qualquer dano ou agressão ao meio ambiente; e as ações mitigadoras já estariam tomadas a priori.

Novamente, uma grande utopia e, o melhor: factível! Como migrar desse mundo de agressão para este “Admirável Mundo Novo”?

Desfazendo cada estrutura desse Estado paternalista, criando os conselhos comunitários em seus níveis mais elementares e dando-lhes autoridade de veto às ações políticas em sua esfera de ação, criando um novo estilo de tomada de decisões, estimulando o desenvolvimento de consciência coletiva, remodelando métodos de ensino para que as desigualdades regionais sejam eliminadas no longo prazo...

Uma gigantesca revolução cultural, sem a violência chinesa, mas consensualizada em todas as áreas do conhecimento humano e entre todas as camadas sociais.

A gradativa eliminação das indústrias do mal seria imprescindível, e realizado através da taxação crescente de impostos sobre o consumo de bebidas, cigarros e quaisquer produtos supérfluos. Para isso a indústria deveria ter incentivos para a produção de bens de consumo essenciais, de forma a suprir as necessidades de todos os brasileiros. O desperdício e o consumismo são os pilares do modo de produção capitalista e por isso devem ser extirpados como um câncer da sociedade.

A erradicação das drogas através de ações combinadas entre todas as polícias e as Forças Armadas, assim como a punição exemplar de todos os traficantes e grandes consumidores, banindo-os do convívio social são medidas essenciais e urgentes.

Chame-se a isso Comunismo, Socialismo, Comunitarismo ou Anarquismo... não importa, pois o objetivo maior, quase messiânico, seria a salvação do planeta e, conseqüentemente, da humanidade e de toda vida natural existente na Terra.

Rirão os céticos e os detentores do poder e da riqueza. Mas sorrirão felizes os miseráveis, inebriados pela possibilidade de sua redenção e pelo advento da justiça!

É inadmissível uma sociedade conviver com a luxúria e a pobreza sem fazer nada! Apenas com a eliminação do desperdício já seria possível resgatar bilhões de pessoas da miséria absoluta e lhes assegurar vida decente e honesta...

O outro caminho

Vamos aceitar o mundo como ele é: cruel, imperfeito, injusto, desonesto e consumista. Vamos prosseguir nessa disputa predatória e fratricida entre o bem e o mal, cada qual convicto de estar do lado certo. Vamos deixar que os recursos naturais sejam exauridos da face da Terra, acreditando que nosso tempo aqui se acabará primeiro, mesmo que nada reste de vida para nossos filhos e netos. Vamos eleger outros milagres: a descoberta de outro planeta, intacto, com as mesmas características de nossa Terra, para que a parcela rica e privilegiada da sociedade migre para lá, deixando-nos o mundo devastado; vamos acreditar em um deus que por sua suprema vontade restaure, em um piscar de olhos, tudo o que a humanidade destruiu...

Utopia é fugir da realidade; é a crença de que para todo mal existe um remédio e nada é ou será irreversível, não importa quanto tenhamos feito para destruir...

Desenvolvimento Sustentável – paradoxo possível?


O debate entre “desenvolvimentistas” e “ambientalistas” evidencia as enormes contradições dessas palavras. Existe o “Desenvolvimento Sustentável” ou seria apenas uma quimera, um jogo de marketing que oculta intenções não manifestadas de desviar a atenção dos incautos sobre a devastação incontrolada de nossos recursos naturais?
 
A primeira contradição a ser resolvida é: “os ambientalistas são contrários ao desenvolvimento social, econômico, científico e tecnológico da humanidade?” Certamente que não! No entanto, a evolução não pode se dar mediante a destruição do meio ambiente! Aliás, isso não é necessário. As áreas ditas “produtivas” hoje existentes são grandes o bastante para abastecer toda população do mundo, inclusive em crescimento moderado por muitos anos. Além disso, a evolução tecnológica e o aumento da produtividade assegurariam o ajuste das áreas produtivas ao aumento do consumo, desde que este se dê em níveis toleráveis.

Esta é a segunda questão. O consumismo da sociedade contemporânea não tem precedentes na História! Nunca se consumiu tanto! Nunca se produziu tanto lixo! Hoje é comum, em uma sociedade “desenvolvida”, uma família ter um veículo, um celular e um computador para cada pessoa, dois ou mais televisores e uma imensa lata de lixo! Uma residência de classe média nessas sociedades costuma ter dois ou mais banheiros, com chuveiros de alta potência de consumo de energia. Cada habitante dos grandes centros urbanos produz mais lixo do que consegue consumir de alimentos! Cada veículo transporta apenas um passageiro (o motorista), em percursos de 20 a 50 km por dia, consumindo energia renovável ou não!

A humanidade continua crescendo a taxas superiores a 2,5% ao ano, sendo que esses indicadores são maiores para as sociedades mais pobres e carentes. Ou seja, o mundo não conseguirá vencer a batalha da pobreza, mantidos esses níveis de crescimento. Pior do que isso: a produção não será suficiente, os empregos não serão suficientes, a água potável se tornará escassa até mesmo nos grandes centros desenvolvidos do mundo contemporâneo, daqui a poucos, muito poucos anos! A população do mundo precisa parar de crescer! Diante desse quadro, o que seria “Desenvolvimento Sustentável”?

Em primeiro lugar, nenhuma ação será suficientemente eficaz sem distribuição das riquezas e eliminação dos bolsões de pobreza. A miséria é a célula cancerosa que se espalhará por todo organismo social, matando-o. É imprescindível eliminar a pobreza! O problema é: qual o ser humano RICO que estaria disposto a abrir mão de parte de sua riqueza para mitigar a fome de seu semelhante em troca de nada, simplesmente por compaixão e caridade? Nenhum, certamente!

E se for para salvar sua própria vida?

Sim, salvar a vida, pois a miséria se espalhará pelo mundo na medida em que os espaços cultiváveis forem ocupados, deixando atrás de si terras devastadas. Hoje, o mundo se caracteriza pelo retorno das “plantations”, as enormes áreas de monocultura de soja, de cana de açúcar, de trigo, de eucalipto, de pinus... as imensas pastagens... e as áreas de cerrado se queimando, para se transformar em novas “plantations”, as florestas sendo queimadas, para se transformar em pastagens... um dia todas desaparecerão!

Mas a humanidade continuará a crescer, a consumir desesperada-mente, e a produzir lixo, muito lixo! E as fontes de energia não renováveis se extinguirão; e as novas fontes de energias renováveis consumirão terras que produziam alimentos; e as fontes de água potável se tornarão insuficientes para matar a sede de prováveis 10 bilhões de habitantes; e um exército de sedentos e famintos percorrerá a Terra em busca de saciar suas necessidades, matando e roubando, se for preciso, transformando nosso planeta em um local desprezível, pior até do que as mais trágicas ficções do cinema que costumamos assistir entusiasticamente, até com certo "prazer" mórbido, como se não nos dissesse respeito...

E não mais existirão “ambientalistas”, que desaparecerão junto com a Natureza, consumidos pela ambição desmesurada dos seres humanos, que conquistaram o poder e determinaram a prevalência de seus “valores desenvolvimentistas” e imediatistas, em detrimento da preservação da própria espécie! Mas então não há saída? Claro que existe! E ela é óbvia, como todas as grandes verdades!

O primeiro passo é ter consciência dessas possibilidades catastróficas e não compactuar com elas. É apoiar causas ambientalistas, sem paixão, mas com responsabilidade! Hoje, a maioria das pessoas acredita que "o ambientalista é uma espécie de herói, a quem é dado o poder de salvar a humanidade, sem que cada um precise fazer a sua parte!" Isso é impossível, estúpido, injusto e irracional! Para que haja uma saída são necessários os esforços e o comprometimento dos políticos, dos empresários, dos educadores e do povo!

O que deve ser preservado? Essa é a primeira grande questão! As reservas ecológicas existentes, supondo que sejam preservadas, seriam suficientes para assegurar a preservação das espécies e garantir o futuro da Humanidade? Olhando para a Amazônia, foco de todas as ações atuais, o que ainda pode ser salvo? O Pará está condenado pelas madeireiras, mineradoras, pecuaristas e agro-indústrias, assim como grande parte do Mato Grosso e Rondônia. O Amazonas ainda pode ser salvo, assim como Roraima, Acre e outros estados. Mas é preciso um estudo detalhado daquele ecossistema para entender o que não pode ser destruído sob pena de causar um efeito de sucessivas degradações até a extinção do meio ambiente.

A Natureza é um organismo extremamente frágil e sensível; às vezes, basta eliminar uma fonte de água para acabar com todo ecossistema; veja, por exemplo, o Cerrado. Sua rica e exótica vegetação depende das águas subterrâneas que, por sua vez, dependem do tipo de solo e dos canais nele esculpidos para se locomoverem. Basta cortar um desses caminhos, e o que vem depois será devastado! Portanto, os sistemas hídricos da Terra precisam ser profundamente estudados, compreendidos e considerados nos planos de ocupação humana.

Curiosa é a ação governamental na bacia do São Francisco! Sabendo do estado lastimável em que se encontra o rio devido às intervenções humanas, principalmente na região das nascentes, resolve investir 6,6 bilhões para tirar mais água e distribuir para outras bacias do Nordeste! Não satisfeito, e em resposta às pressões ambientalistas, cria um plano "emergencial" de "revitalização", cujos primeiros investimentos foram para saneamento de esgotos nas localidades da Bahia, próximas às obras de transposição!

Oras, se não se cuidar do rio onde ele é gerado, de que adianta cuidar dos esgotos? As cabeceiras dos rios estão sendo destruídas pelas águas das chuvas devido à queda dos barrancos, uma vez que as matas ciliares foram arrancadas pelos agricultores! É lá que precisa haver investimento! É a terra arrancada dos barrancos e arrastada pela correnteza que causa o assoreamento! É o alargamento do rio que aumenta a evaporação e reduz o volume de águas do rio! É a morte das matas que causa o desaparecimento das espécies da rica fauna da região!

Não é meu propósito escrever um tratado sobre o assunto, mas alertar para o momento crucial que estamos vivendo: nunca a sociedade teve tamanho poder destrutivo, e nunca a população chegou aos níveis críticos em que se encontra. Nunca as fontes de água doce foram tão ameaçadas, seja pelo degelo dos glaciares, seja pela contaminação dos aqüíferos e das águas de superfície, seja pelo uso dessas águas para consumo industrial, seja pelo consumo doméstico sem nenhum controle, seja pelo uso indiscriminado de agrotóxicos pela lavoura!

Enfim, existe o chamado “Desenvolvimento Sustentável”? Ele é possível? Sim e não; depende do que pretendemos significar com essa expressão. Se nosso propósito é apenas de marketing, para vender “créditos de carbono”, o desenvolvimento sustentável é uma grande mentira que nos conduzirá mais rapidamente para o fim! No entanto, se houver sinceridade de propósitos, se houver determinação da comunidade internacional até para impor aos governos dos países uma atitude responsável perante os tesouros da Natureza e de sua preservação, então será possível alcançarmos juntos o desenvolvimento sustentável, desde que associado a uma política socializante e humanitária!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Eleições ou Representatividade?

Não lhes parece um antagonismo? Pois avaliem nosso processo eleitoral: votam analfabetos, intelectuais, adolescentes, idosos e todos os segmentos de nossa sociedade... nada mais democrático, não é mesmo? E o resultado disso é... um bando de oportunistas que querem se aproveitar do poder em interesse próprio! Alguém discorda? Não?! Mas qual seria a alternativa? O sufrágio universal (vulgo "voto direto") seria, de fato, democrático e saudável como método de seleção dos representantes populares?

Alguém colocaria  um processo de eleição pelo voto popular para escolher o corpo gerencial de sua empresa? Os diretores?? o Presidente??? Pois é assim que escolhemos os nossos governantes! Não requer prática nem habilidade; muito menos competência e honestidade! Esse é o único caminho para o poder!

Discute-se voto distrital e outros mecanismos de aperfeiçoamento do processo eleitoral. No entanto, o que está errado é o processo em si mesmo! A escolha democrática não só permite que todas as camadas sociais se manifestem na escolha, mas também que praticamente qualquer candidato se apresente! Sim, pois as restrições são mínimas! Nem mesmo uma análise de antecedentes do candidato é exigida!

A escolha de nossos mandatários deveria ser feita com mais seriedade... afinal, é uma "empresa" com um orçamento anual de mais de um trilhão de reais! Que outra empresa nacional ou internacional possui tamanho orçamento? No entanto, os "diretores" (diga-se "ministros") dessa empresa gigante chamada "Brasil" às vezes nem conhecem seu ramo de atividade! Tome-se como exemplo o Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão. Sem preconceitos, que qualificações tem esse político para gerir nossos recursos minerais e nossas fontes de produção de energia? A escolha de um Ministro de Estado deveria privilegiar, não os partidos políticos, mas os objetivos e a missão dessa "empresa".

Da mesma forma, nossos legisladores, aqueles que definem as regras de funcionamento de todo o arcabouço político-administrativo do país, são apenas "políticos"! Alguns até se especializam com o tempo e até conhecem os meandros dos processos administrativos públicos; no entanto, a maioria apenas "faz política", ou melhor, politicagem! Buscam acomodar as diferentes facções dos partidos no poder e fora dele.

Poir ainda, a oposição se sente "na obrigação" de se opor a tudo, até mesmo quando há consenso em relação àquilo que se está discutindo. Com isso, os debates duram anos e chegam a conclusões esdrúxulas! Quando FHC chegou ao poder, pretendia reformar a Constituição: legislação previdenciária, trabalhista, fiscal, política... já se passaram 15 anos! O que se fez? Continuamos com os mesmos problemas, o mesmo "custo Brasil" que tanto onera nossas empresas...

Quando o PSDB passou à oposição, esqueceu-se do que estava propondo e começou a fazer uma oposição radical contra as próprias teses que defendia! Onde está a lógica desse processo?A intenção é paralisar o governo! Mesmo que para isso toda a nação seja penalizada! E aí discute-se as decisões da Petrobrás, o sigilo das investigações da Polícia Federal, a indiscrição da Dilma Roussef, as "gaffes" do Presidente...

E entre poderes também existem querelas inúteis: a PF prende para o STF soltar, ainda que sejam óbvias as relações de improbidade, comprometimento e corrupção dos indiciados! E esses senhores intocáveis continuam desfilando pela sociedade, como se a prisão e a soltura fossem títulos de distinção conquistados!

Eleição ou representatividade?

Quando eu era criança, há 50 anos, os vereadores não tinham remuneração e dedicavam parte de suas noites para discutir, deliberar e decidir as prioridades do município; e faziam isso com orgulho, porque era uma honra ser representante da comunidade! Como se escolhe o representante de uma comunidade? Por aclamação de seus membros, porque somente os líderes conseguem o apoio de seus liderados!

Se tivéssemos conselhos de anciãos, de trabalhadores, de sábios, de cientistas, de educadores, de bairros... se esses conselhos elegessem seus líderes e estes, por sua vez, escolhessem os governantes em todos os níveis de poder, teríamos pessoas comprometidas com os destinos de nosso país! Isso é representatividade!

Funciona? Sim, funciona bem melhor do que os processos burocráticos que nos mantêm reféns desses políticos corruptos que nos humilham com sua indecência e mau-caratismo! Quantos, dentre os mais de 500 deputados federais podem ser considerados honestos? Quantos desses poucos honestos podem ser considerados competentes? Quantos representam de fato as comunidades que os elegeram?

Está aberto o debate por um novo sistema de governo! Candidatem-se!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ideologia e partidos políticos

Vivemos um antagonismo e uma contradição: enquanto a ciência e a tecnologia ultrapassam todas as fronteiras concebíveis e se equiparam à ficção, nossa organização social permanece arcaica e anacrônica. Os partidos políticos perderam a ideologia junto com o desaparecimento das doutrinas marxistas.

E isso não é exclusividade do terceiro mundo! As nações ditas "desenvolvidas" passam pelos mesmos dilemas. Alguns países possuem apenas dois partidos políticos, que se autodenominam "conservadores" e "progressistas", como se houvessem apenas o branco e o preto em nossa natureza ideológica! As matizes não teriam nenhuma importância!

Outros países, como o nosso, mergulharam em um mar de partidos sem qualquer identidade intelectual, senão os próprios nomes, com suas cargas históricas desvirtuadas. Vejam, por exemplo, o trabalhismo: PT, PDT, PTB e outros tantos sem expressão política relevante. O que, de fato, eles representam? O Getulismo morto e enterrado? As centrais sindicais, corruptas e pelegas? O paternalismo estatal de nossas lideranças?

Ou então a velha denominação "esquerda" versus "direita"! Quem é de esquerda? PSDB? PSOL? PT? PDT? PPS? PC do B? Apenas siglas, mas sem conteúdo ou orientação ideológica! A discussão das idéias políticas não existe dentro dos partidos políticos!

Então, o que os diferencia, senão seu maior ou menor fisiologismo ou "grau de adesão" ao partido no poder? Alguns até assumiram como estratégia "crescer para aderir ao poder", sem disputar eleições para cargos executivos, como é o caso do PMDB e do DEM (ex-arena, ex-PDS, ex-PFL, ex-qualquer-coisa). É mais confortável e seguro oferecer seu apoio condicionado a concessões por cargos de primeiro escalão, ou por presidência de empresas estatais!

Na verdade, não há saída para os partidos políticos, senão a extinção! É preciso rever o modelo de representatividade, o papel dos partidos políticos, a questão ideológica, a responsabilidade ética como pré-requisito à representação popular, a questão da fidelidade partidária, que deveria ser ideológica...

De que adiantam tantos partidos políticos se o povo não se encaixa em nenhum deles? Como ingressar na política sem macular o próprio nome na corrupção, nas mordomias, no nepotismo descarado, nos conchavos da disputa por cargos, na ausência de uma ética política? Como participar da vida política de uma nação quando seus governantes perderam a vergonha na cara e posam para as fotos com a cara de pau de quem nada deve?

O Senado, a Câmara Federal, as Assembléias Estaduais, as Câmaras Municipais, todos os palanques populares estão completamente contaminados pela corrupção e pelo abuso dos mecanismos de poder! E como resgatar a dignidade dessas casas representativas se nossos representantes, escolhidos por nós, corrompem, roubam e trapaceiam sem nenhum pudor ou decência?

Talvez, nessa sociedade movida a tecnologia não haja lugar para a ideologia...  e esse reality show em que se transformaram nossas vidas, seja pelos meios de comunicação, seja pelos sites de relacionamento cada vez mais presentes e determinantes em nossas sociedades, talvez esse terceiro poder seja a nova célula  desse mundo anárquico e cada vez mais desigual!

Enquanto isso, à nossa revelia, os mecanismos do poder institucionalizado articulam as ações, sem o respaldo do povo para o qual ele foi constituído, e devassando cenários de extrema indecência política, seja dos mensalões, seja das obras faraônicas, seja das igrejas universais! E, pasmem, tudo é feito às claras, noticiado em cadeia nacional, explorado por entrevistas onde os responsáveis pelas falcatruas nem se defendem mais, convictos de sua impunidade, e até mesmo admirados pela esperteza de dar um golpe sem consequências para si, senão fama e poder!

Fortunas surgem do nada, de um conceito virtual, "vaporware" como diz a tecnologia, neologismo que revela a fragilidade desse admirável mundo novo! Com isso, jogamos nossa História no lixo da própria História, pois o que vale é o "aqui e o agora", não das doutrinas budistas, mas do imediatismo ágil e esperto!

E se a ideologia morreu e se tornou anacrônica, assim como os princípios éticos e morais, se os partidos políticos representam apenas os "clubes" de poder que dividem a carniça apodrecida da "res publica", se a "governança" se confunde com a "comilança" e com a partilha dos bens e da riqueza nacional, só nos resta fazer parte dessa festa, ou escrever um blog como o meu!...