Mostrando postagens com marcador ditadura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ditadura. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de novembro de 2014

A GUERRA AINDA NÃO ACABOU

PETROLÃO À VISTA!
Para quem apostava que todos os escândalos seriam abafados com a reeleição de Dilma Rousseff, as manifestações de rua têm demonstrado que estavam equivocados: a guerra ainda não acabou, até porque os adversários não foram nocauteados, e a sociedade consciente sabe que houve fraude, não nas urnas, mas nos métodos bizarros da disputa, baseados nas mentiras, na covardia, no abuso extorsivo de dinheiro público, nos financiamentos imorais de campanhas e no ilusionismo político das Bolsas de Compra de Votos, instaladas em todos os rincões do país onde existem bolsões de pobreza e ignorância.

A crise não é somente de credibilidade, embora o resultado final tenha sido um empate técnico, usando o jargão das empresas de pesquisa de opinião. O massacre do primeiro turno, quando Dilma tinha o dobro do tempo de seus opositores no horário eleitoral "gratuito", não foi eficiente no segundo turno, pois mesmo sob fogo intenso das artilharias dos Palácios e Ministérios de Brasília, Aécio Neves chegou a quase 50% dos votos válidos, e os ditos "votos inválidos" do não comparecimento, dos votos em branco e dos votos nulos, chegou a 27,44% dos votantes! Quase 30% dos brasileiros não apoiaram nenhum dos dois candidatos!

Mas não se trata apenas de analisar os resultados numéricos dessa eleição, ganha pelos votos inconscientes daqueles que recebem o "benefício" do Bolsa Família (e isto ficou evidente nos gráficos de distribuição de votos por região geográfica, por escolaridade e por faixas de poder aquisitivo). É preciso analisar o que significará governar o país com um Congresso Nacional que possui 29 partidos políticos nele representados! É preciso avaliar como o PT de Dilma e Lula irá se relacionar com esses políticos sangue-suga, que trocam sua dignidade por cargos políticos em todas as esferas do poder executivo. É preciso avaliar como esse partido intolerante irá conduzir a política econômica sem levar o país de volta à inflação, aos juros elevadíssimos e à estagnação econômica. É preciso, enfim, saber como Dilma irá "aparelhar" (ainda mais) o STF - Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do país em questões jurídicas, para se proteger do processo do Petrolão do PT, certamente, o maior escândalo financeiro de nossa história, chegando, supostamente, a 10 bilhões de reais de desvio de dinheiro, favorecendo o PT, o PMDB, o PP e outros partidos da "Base Governista"!

Ainda nem chegou 2015, e o PT perdeu espaços no Congresso, assim como vários de seus "aliados". A composição dos Ministérios será o mais descarado loteamento político de que já se teve notícia em nossa história, favorecendo políticos corruptos em ministérios essencialmente técnicos, como aconteceu com Edson Lobão, no Ministério de Minas e Energia (e ele mesmo afirmou sua ignorância absoluta no assunto quando recebeu o cargo de Dilma Rousseff) e com Garibaldi Alves (vulgo "babão"), que mal sabe concatenar suas ideias.

Serão quatro anos de irresponsabilidades políticas, econômicas e sociais, tornando a vida nacional um pesadelo como nunca houve, com exceção do período de Ditadura Militar! E o pior é que muitos idiotas e cretinos já declaram abertamente seu apoio à volta dos militares ao poder! É claro que as Forças Armadas não são as mesmas dos "anos de chumbo", duas décadas de crimes hediondos contra a liberdade humana, através de torturas dignas da Idade Média! Nossa expectativa é que os militares não entrem nessa canoa furada...

O convite hipócrita de Dilma à oposição, para o diálogo, contrasta com a violência de seus programas eleitorais e as mentiras descaradas montadas pelo seu marqueteiro político, João Santana! Parece que muitos marqueteiros têm talento para ajudar o PT a roubar os cofres da Nação! Diante desse "desempenho" de João Santana, chego à conclusão que a pena de Marcos Valério foi pequena demais: apenas 38 anos de cadeia! Deveria ser prisão perpétua!

Portanto, meus caros leitores, preparem-se para o pior período de nossa história, seja para os povos indígenas e quilombolas, seja para o Meio Ambiente, seja para aqueles que se mantêm conscientes, mesmo diante da pior tragédia! Vamos nos unir na oposição a esses usurpadores da dignidade nacional, mas atentos às tentativas de golpe, seja da esquerda fanática, seja dos defensores da DITADURA! BRASIL, TORTURA, NUNCA MAIS!

sábado, 17 de maio de 2014

AMAZÔNIA - A HERANÇA DE UMA UTOPIA



ÀS VEZES, NOSSAS PALAVRAS NÃO CONSEGUEM EXPRESSAR TEMAS ESSENCIAIS PARA O MOMENTO. TENHO INSISTIDO MUITO NAS QUESTÕES INDÍGENAS E AMBIENTAIS, MAS CREIO QUE NÃO CONSEGUI SENSIBILIZAR AS PESSOAS DA GRAVIDADE DA SITUAÇÃO EM NOSSO PLANETA.

HOJE ASSISTI A ESSE DOCUMENTÁRIO E CONSTATEI QUE MUITO DO QUE DIGO ENCONTRA, NESTE FILME, A ILUSTRAÇÃO QUE TALVEZ TENHA FALTADO EM MINHA ARGUMENTAÇÃO. EMBORA PRODUZIDO AO FINAL DA DÉCADA DE 1990, ELE TRADUZ EM IMAGENS E FATOS HISTÓRICOS, AS CAUSAS MAIS RELEVANTES PARA A DEVASTAÇÃO DA MAIOR FLORESTA TROPICAL EQUATORIAL DO PLANETA.

OBRAS COMO A TRANSAMAZÔNICA, O PROJETO JARI, A FORDLÂNDIA, A FERROVIA MADEIRA-MAMORÉ, A HIDRELÉTRICA DE BALBINA, SERRA PELADA, DENTRE OUTRAS, DEMONSTRAM, COM CLAREZA E LUCIDEZ, A TRAGÉDIA QUE SE ABATE SOBRE NÓS. TALVEZ, COM ESSAS PALAVRAS E AS IMAGENS DESSE DOCUMENTÁRIO, OUTRAS PESSOAS SE SENSIBILIZEM PARA O DRAMA DA PERDA DE NOSSO MAIOR ECOSSISTEMA, O BIOMA AMAZÔNICO, E SEU IMPACTO PARA O PLANETA.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Como escolher (bem) seus candidatos!


1. Não acreditem em propostas de partidos políticos! O PDS, partido da ditadura militar nos anos 1980 a 1993, que sucedeu à ARENA, tinha, em seus estatutos, cláusulas consideradas modelo para as democracias. No entanto, sua estratégia era de assegurar a continuidade dos militares no poder, sendo contrário às eleições diretas para governadores e presidente da república. O PT, partido que empolgou várias gerações, fundado no mesmo ano do PDS, tinha o conceito de PARTIDO ÉTICO, assim como o teve o PSDB. Curiosamente, esses dois partidos se mantêm no poder há vinte anos, e foram protagonistas dos piores escândalos de corrupção do país: os Mensalões do PT e do PSDB, desvios de dinheiro em obras públicas, alianças espúrias com partidos nanicos, balcão de oferta de cargos em troca de votos no Congresso, entre outras tantas. Lembrem-se que hoje temos mais de 30 partidos políticos! Qual é honesto?

2. Não acreditem nos políticos! Eles sempre mentem para tentar conquistar seus eleitores. As práticas políticas, durante o processo eleitoral, tornaram o comportamento de todos os candidatos motivo de chacota, expondo-os ao ridículo quando mostram excesso de gentilezas e de educação, que não duram mais do que o período pré-eleitoral. Políticos não são fiéis aos seus partidos, da mesma forma que os partidos não são fiéis a seus estatutos, princípios e valores. Lembrem-se que temos 513 deputados federais!

3. Pesquisem seus candidatos! investiguem a vida pregressa, os partidos aos quais já se afiliaram, quem são os financiadores de suas campanhas, quais projetos apresentaram em mandatos anteriores, como votaram em questões polêmicas, a quem apoiaram em eleições passadas e a quem estão apoiando no presente. Quanto mais informações coletar, menor será o risco de uma decepção no futuro. Detalhe: faça um registro dos candidatos em quem votou em todas as eleições, para que possa constatar seus erros e acertos na escolha de candidatos, e se a culpa do erro foi sua ou do candidato, que não respeitou nem honrou os compromissos de campanha. O site do
Tribunal Superior Eleitoral tem muitas informações!

4. Manifestem-se! Divulguem suas ideias nas redes sociais e em reuniões com amigos. Participem da vida pública prestigiando eventos que patrocinam causas nas quais vocês acreditam. Afinal, as decisões políticas afetam a vida de todos os brasileiros! É como comparecer em reuniões de condomínio: se faltar não poderá contestar as decisões tomadas. O país é um grande condomínio, em que poucos participam, muitos reclamam e ninguém assume a responsabilidade pelas decisões tomadas e pelas consequências delas advindas. Participar da vida nacional é um privilégio: você estará participando da história de seu país! Omitir-se é acovardar-se diante dos grandes problemas nacionais.

5. Protestem! Não aceitem passivamente as decisões com as quais não concordam! Criem polêmicas! Façam valer suas opiniões! Somente assim poderão dizer que não se omitiram quando suas palavras eram necessárias. Muitas decisões são tomadas sem o consentimento da maioria, pela simples razão da omissão das pessoas quanto ao tema tratado. É claro que é mais fácil calar-se quando deve falar e depois criticar o que foi feito. Diz o ditado: “Quem cala consente!”. Portanto, nunca se omitam!

6. Voto nulo não é omissão! Se nenhum candidato atende aos seus requisitos de capacidade, honestidade e de comprometimento com ideais e princípios nos quais acredita, anulem seus votos! Mas não deixem de dizer publicamente por que decidiram anular seus votos. É imprescindível que as pessoas saibam por que deixaram de escolher um candidato. Nas eleições de 1974 os votos nulos e em branco atingiram mais de 30% do total de votos. Se somados aos voos dados ao PMDB (na época, os votos do partido de oposição, somados aos nulos e brancos, chegaram a 11,8 milhões), eles suplantaram os votos dados ao parido do governo (a ARENA recebeu 10,8 milhões de votos).

7. Candidatem-se! Hoje, ser político é vergonhoso! Ninguém com caráter quer se expor à execração pública, diante de tantos escândalos de corrupção e desonestidade! É difícil acreditar que o Brasil consiga se reerguer do lamaçal em que se afundou... no entanto, somente com novos nomes de pessoas do bem, comprometidas com novas formas de governar e de administrar o país, poderemos encontrar o caminho certo. As transformações havidas nas últimas décadas sinalizam para uma nova sociedade, na qual a preocupação com a Sustentabilidade Ambiental, Econômica e Social seja a premissa para a sobrevivência da espécie humana e de todos os seres vivos de nosso Planeta. Se não mudarmos a forma de fazer política e de governar, em poucos anos acabaremos com nossa principal riqueza: o Meio Ambiente. Em menos de 100 anos destruímos quase 50% de todas as florestas em solo brasileiro! Só mesmo novas cabeças, com novas ideias e novas alianças políticas poderão colocar uma pedra sobre esse passado deprimente! 


quinta-feira, 27 de junho de 2013

O gigante sonha que acordou e pode ser golpeado (ou “Como a Globo virou o jogo”)

Na novela das dezoito horas, Flor do Caribe, a Aeronáutica é mitificada; e adolescentes que sempre dormiram na aula de História (ou não tiveram acesso à educação) tatuam o emblema da cobra fumando em seus bracinhos magrelos. Os militares também apareceram como redentores da sociedade na recém-encerrada novela, Salve Jorge, das 21 horas. Em Salve Jorge, o exército, de modo especial a cavalaria, foi elevado a um patamar inédito no imaginário popular. Foi uma propaganda do tipo “Aliste-se Já!” que durou meses. 

Um “golpe branco” (ou mais escuro se for preciso), como plano de contenção vem sendo preparado pelo alto escalão do Exército em parceria com os ruralistas e corporações (dos ramos de energia, comunicação, mineração e armas) conforme atestam, como provas históricas, o artigo da senadora Kátia Abreu (PSD), de outubro de 2011, intitulado “Constituinte em tempos de paz” e o discurso do general Enzo no dia do exército (19 de Abril) de 2012. O general Enzo dizia estar atento à conjuntura e antevendo o que estaria por vir: “Visualizo tempos desafiadores. O Brasil cada vez mais precisa do seu Exército com capacidade de dissuasão e pronta resposta”, disse há pouco mais de um ano.

Antes disso, irritada com a demora para da tramitação do novo Código (anti)Florestal, a senadora Kátia Abreu escrevia considerar que "Há muita coisa na Constituição que se tornou um obstáculo a uma gestão racional do Estado e ao equilíbrio entre direitos e deveres". Segundo ela "As ideias dominantes sobre o funcionamento do Estado, da economia e da sociedade no Brasil de 1988 já não existem mais, não servem mais.(...), precisamos de um Estado muito diferente do que foi cristalizado pelas ideias da Constituição brasileira.".

Por que esse grupo planejaria uma ruptura institucional se tais grupos já se encontram no poder, controlando o Senado, determinando a política de terra, energia e até as intervenções militares em terras indígenas? As eleições de 2010 já haviam demonstrado a nascente influência das redes sociais no processo político brasileiro. Além disso, motivados pela revolta engasgada com as injustiças sociais e a violência policial, jovens do Norte da África e Oriente Médio se mostravam capazes de organizar processos de revolução e insurgência de uma hora para outra. O exemplo poderia se espalhar, como se espalhou, para além do mundo árabe, e a América Latina, com suas mazelas históricas, sempre foi campo fértil para corações rebeldes. É preciso lembrar que o principal fator deflagrador da Meia Revolução Egípcia de 2011 foi a extrema violência e injustiça das ações policiais contra os cidadãos, problema que no Brasil também é endêmico.

É preciso que levemos em conta os planos expansionistas da poderosa bancada ruralista de Kátia Abreu, que sonhava com a aprovação do novo Código Florestal Brasileiro ainda em 2011, o que sabiam que não poderiam fazer sem oposição. Mesmo que a comunidade científica brasileira tenha alertado e tenha desagradado parte da população, a pequena parte que de alguma forma acompanhou os debates sobre esse tema, o Código foi aprovado sem que esse fosse o estopim para um levante civil contra o sistema político falsamente representativo, onde a classe política representa apenas aos seus interesses e aos de seus patrocinadores.

O Brasil perdeu, numa emenda só, 22 milhões de hectares de mata nativa, o equivalente ao estado do Paraná, ou 22 milhões de campos de futebol. Com as novas regras, pessoas que já eram extremamente ricas e donas de áreas enormes, poderão desmatar ainda mais perto de beiras de rios, encostas e etc., prejudicando a todos, já que assim perderemos consequentemente boa parte de nossas nascentes de água, de nossa biodiversidade e da capacidade do planeta de produzir oxigênio, e limpar o ar que a civilização industrial polui. Se uma chuva de bombas nucleares lançado por alguma potência estrangeira tivesse causado tamanho impacto concentrado e de uma só vez, talvez a população do Brasil e do mundo tivesse se chocado e se levantado de fato contra alguém que fizesse uma barbaridade dessas. No entanto, a alienação causada pelo estilo de vida urbano e a televisão, que distrai o povo com outros assuntos menos importantes, foram mais do que suficientes para apaziguar a população.

Devemos lembrar que as pessoas ainda não haviam chegado ao seu limite de endividamento e a febre do consumo era acelerada por desonerações, pequena queda nos juros e perspectiva de geração de emprego devido às obras dos eventos esportivos anunciados. Enquanto podiam trocar de celular e baixar os hits das novelas para lhes servir de despertador, as pessoas não se empolgaram em ir para as ruas pela água que vai faltar a seus filhos.

Mas a qualquer momento a bomba das revoltas populares poderia estourar e por isso Katia Abreu já exigia sua “Constituinte em tempos de paz” e general Enzo antevia “tempos desafiadores”. Ao que parece, esses dois setores da sociedade, Exército e latifundiários, já tem pelo menos desde 2011 um projeto de Estado pronto para caso fosse deflagrada uma crise institucional por qualquer razão que fosse. Trata-se de uma estratégia antiga no Brasil, o poder de fato promover quantas mudanças institucionais necessárias no Estado aparente para manter a ordem social e política como está. Tal prática encontra diversos exemplos históricos, como a própria proclamação de Independência e a fundação da República, conforme analisei em meu ensaio ‘Uma revolução ou reforminha para chamar de sua” *.
O poder econômico tomou 100% do controle do processo político brasileiro, alienando a sociedade de esfera de decisões, conforme bem analisa o Manifesto OcupaSampa (outubro de 2011), marco na história dos movimentos autônomos (redigido coletivamente debaixo do viaduto do chá na Zona Autônoma do levante satyagrahi que durou mais de 40 dias e chegou a reunir mais de mil pessoas no Vale do Anhangabaú).

O próprio Sarney, o coronel eletrônico, presidia a comissão de reforma política que houve no Congresso no mesmo ano de 2011. Sim, o mesmo ex-aliado da ditadura que presidiu o Brasil durante o processo conhecido como “Abertura Democrática” nos anos 80.

Para ser claro e direto: Um projeto de reforma institucional do Estado, que não responde aos anseios democráticos da população, está sendo preparado há pelo menos dois anos pelas classes dominantes. Os discursos da Senadora, dos militares e das novelas não deixam dúvidas para isso.

Televisão Arma de Guerra

E a Globo, onde entra? Entra onde sempre esteve. O jornal O Globo foi decisivo para que o golpe de 64 acontecesse. Um ano após a instalação do regime de exceção a Rede Globo de Televisão era fundada pelos militares e pelo jornalista Roberto Marinho, o “Cidadão Kane brasileiro”. Em pouco tempo, cobriria praticamente todo o território nacional, chegando a mais de 99% dos lares brasileiros. O objetivo era ser uma espécie de porta-voz do regime, exaltando os projetos de desenvolvimento dos militares (por mais superfaturados e absurdos que fossem) e omitindo tanto a corrupção quanto as mazelas sociais do país. A função da Globo sempre foi dissimular, enganar, manipular a população em favor das classes dominantes, que controlavam o governo por meio da junta militar.

Para se ter uma ideia da atuação da Globo, em 1984, quando a sociedade civil começava a se organizar e sair às ruas para pedir eleições diretas e livres, o Jornal Nacional exibiu cenas do mega-comício pelas Diretas Já (no Vale do Anhangabau) dizendo se tratar de um evento em comemoração ao aniversário de São Paulo.

Com o boicote da televisão, numa época onde ainda não existia internet nem redes sociais, o movimento pelas Diretas não se viralizou tanto e a campanha acabou não saindo vitoriosa. O primeiro presidente civil em décadas viria a ser eleito indiretamente pelo congresso. Esse presidente, Tancredo Neves, não chegaria a assumir, já que após uma entrevista com uma famosa jornalista da Globo, caiu doente inexplicavelmente e veio a morrer pouco depois. Quem assumiu foi o oligarca maranhense José Sarney, velho aliado da Ditadura (e de quem estava por trás).

Sarney comandou o país durante a transição e a Assembleia Constituinte de 88, durante esse tempo tratou de estabelecer as bases de uma nova forma de dominação de modo a manter o poder dessas oligarquias mesmo com eleições presidenciais. As concessões de TV foram a fórmula precisa para isso conforme analisei também no quarto capítulo do meu livro (Capitalismo: Religião Global – CC – 2013). 

“Como os minérios do subsolo e rios, o espectro eletromagnético, por onde passam as ondas AM, FM, UHF e VHF, é um recurso natural finito. Finito, pois a quantidade de faixas de onda, que atravessam o espaço, é limitada. A distribuição do direito de exploração, concessão pública, desse recurso natural, o espectro eletromagnético, no entanto, segue critérios políticos.

Rádio e TV são serviços públicos. Ninguém pode ser “dono” de uma faixa do espectro eletromagnético, pois ele é de todo mundo, pois passa por todo mundo. Através de nossas células correm ondas eletromagnéticas, mesmo que não estejamos vendo, com as ondas das novelas, jogos de futebol e toda a tele-evangelização possível.

Tecnicamente, Globo, SBT, Record e Bandeirantes estão prestando um serviço público. O problema é que as concessões são sempre renovadas e não é exigido praticamente nada dessas emissoras em contrapartida. Nada além de "sustentação política”.

Ao longo das últimas décadas, a media televisiva tem feito seu papel. Existe, no entanto, um distanciamento enorme entre a realidade e a realidade MEDIAda. Isso acabou ficando claro com as manifestações, quando se contrastou claramente a voz da TV que diz que no Brasil vai tudo bem e a voz das ruas que sabe que tudo vai mal.

Quando se dita uma suposta “Realidade Nacional” é possível mentir sobre todo o resto. Só quem vive no “faroeste” do Pará (e olhe lá) sabe dos conflitos no Pará; só quem vive os conflitos nas periferias de São Paulo sabe que há uma guerra civil na madrugada há muito tempo. A TV diz para as aldeias da floresta e para as quebradas das megalópolis que o Brasil vai bem, que cada um está sozinho nas suas angustias. O Brasil é um império televisivo.

O jornal noturno da TV Bandeirantes, por exemplo, trata latifundiários que grilaram terras indígenas como vítimas dos índios. Uma reportagem exibida dias antes das explosões das manifestações nessa rede que se tornou a porta-voz do agronegócio começava com um close nos olhos do fazendeiro chorando, e não mostrava ou ouvia um índio sequer. Os índios eram descritos como uma ameaça à “economia do país”. Tudo uma grande mentira, os índios são responsáveis pela manutenção e proteção da biodiversidade, além de deterem o conhecimento ancestral sobre as plantas que podem salvar muitas e muitas vidas por aqui e pelo mundo sem necessidade de dependermos de multinacionais estrangeiras. Se fosse dado o devido respeito e pesquisa para fins públicos universais, só a medicina indígena poderia gerar remédios para tantos males que fariam decair enormemente inclusive nossos gastos com saúde. No Peru, por exemplo, clínicas em que xamãs trabalham junto com médicos têm atingido os maiores índices de recuperação de dependentes químicos viciados em crack e cocaína. Enquanto no Brasil não temos tratamento para essas pessoas e gastamos fortunas com polícia e balas contra elas, os “nóias”, os leprosos de nosso tempo.

Quem perde com as retomadas feitas pelos índios são os latifundiários, os grandes proprietários de terra, que não produzem alimento, mas apenas commodities para serem exportadas para a indústria, seja da China ou dos EUA, como etanol e óleo de soja. Enquanto isso, o preço dos alimentos dispara pois as vastas planícies de dimensões continentais continua pertencendo às mesmas famiglias que também concentram torres de TV e cadeiras no Senado.

A TV e o levante popular
Torcedoras exibem cartaz distribuído pela Globo. Emissora convocou telespectadores a aderirem a protestos do dia seguinte defendendo a Copa no Brasil

Como dizia o músico Gil Scott Heron, “A Revolução não será televisionada”. Uma outra frase, essa de Gandhi sobre a revolução da não-violência também deve ser lembrada: “Primeiro te ignoram, depois te ridicularizam, logo te atacam, e então você vence”. Esse foi o roteiro exato da luta pela revogação do aumento das passagens. A mídia e o estado agiram assim. Arnaldo Jabor passou um papelão ao atacar o Movimento Passe Livre em um telejornal da Globo e pouco depois se ver obrigado a se retratar em sua crônica radiofônica.

Quando os repórteres e fotógrafos da mídia impressa voltaram para as redações com olhos roxos e testas sangrando após a violenta e inconstitucional repressão policial à quinta manifestação contra o aumento do transporte, a mídia não pode mais se omitir nem ridicularizar. A Força da Verdade** venceu e conseguiu que governos de diversas cidades e estados revogassem o aumento das passagens, inclusive em cidades onde não haviam ocorrido, ainda, manifestações.

Essas vitórias populares inspiraram uma série de outros protestos, por diversas coisas, que encontraram, sim, um ponto comum, ou ao menos um alvo simbólico: a Copa do Mundo. Esse era o inicio do despertar para a realidade de que a Indústria do Espetáculo tem uma forte importância na manutenção da ordem política social. Isso fica claro para muitos que não encontram serviços públicos de qualidade, como um hospital num momento de emergência, enquanto essa gente vê o governo gastar bilhões com a construção das arenas da Copa do Mundo e Olimpíadas. Isso é ainda mais claro para aquele que é expulso de suas casas por soldados de seu próprio Estado, que derruba seu bairro para a construção de hotéis ou vias de acesso aos estádios.

A Globo e a Fifa sabiam que ia chegar nela. Com o descredito da Globo, todo o resto apareceria. Que faz então o grupo Roberto Marinho? Se não pode vencê-los, junte-se a eles. A Globo passa a “apoiar” os protestos, mas tenta direcioná-lo, usando a Copa do Mundo a seu favor, para criar uma agenda nacionalista e canalizar a fúria popular para apenas a classe política. Por classe política, entenda-se os profissionais que defendem os interesses de quem lhes paga mais.

O objetivo era impedir que os protestos chegassem a questionar a estrutura agrária e também os latifúndios eletromagnéticos (as grandes concentrações de concessões de rádio e TV na mão de um pequeno grupo privado). 

No dia do primeiro jogo do Brasil na Copa das Confederações, enquanto manifestantes que pediam moradia, fim da violência policial, cancelamento da Copa apanhavam de soldados do lado de fora dos estádios, a câmera focalizava torcedores de classe media alta (os únicos que podem comprar ingressos FIFA) com cartazes do tipo: “Esse protesto é contra a corrupção e não contra a seleção” E divulgavam a hashtag #OGiganteAcordou. A tag conduzia a diversos conteúdos nacionalistas com um discurso contra a corrupção, de modo especial aos escândalos que atingem o governo federal.

Nos dias seguintes as televisões passam a mostrar o caótico caldeirão de insatisfação que toma as ruas como divididos em dois grupos: os “cívicos”, que cantam o hino nacional e apoiam a seleção, e do outro lado os vândalos.

A ênfase maior é nos vândalos. Eles ganham mais espaço nos noticiários da TV aberta com alguns objetivos muito específicos: justificar a ação da polícia, criminalizar as manifestações que questionem a agenda do grupo dominante.

A estratégia da classe dominante agora é criar instabilidade institucional, dividir o povo o quanto puder, identificar eventuais líderes (para coopta-los ou elimina-los via prisão, morte ou qualquer outro meio) e, garantir que a ruptura institucional não atinja o âmago da origem de nossos problemas, nossa estrutura social, mais do que nossa própria ordem jurídica que apenas a legitima. 

O fim da concentração dos meios de produção, seja de bens materiais seja de bens simbólicos, deve ser o foco desse levante popular, que, embora não seja anarquista, é anárquico e só por isso tem também alcançado vitórias.

O Gigante pensa que acordou. O que quer que venha a ser feito precisará de legitimação popular, o que nos coloca no meio de uma verdadeira “guerra simbólica”, como previu Hakin Bey. 


Guerra simbólica: BM dispersa manifestantes que atacaram mascote da Copa financiado pela Coca-Cola em Poa

A disputa política brasileira agora voltou às ruas, às ágoras. É uma disputa de símbolos e ideias. “A luta é pelo sentido das coisas”, já alerta há muito tempo o cineasta carioca Pedro Rios Leão, deletado do Facebook há pouco tempo. E se há uma guerra simbólica envolvida nessa luta de classes dos muito muito ricos contra todo o resto da população, os televisores são canhões apontados para as cabeças desses 99% da população. Entretanto se os verdadeiros gigantes da classe dominante possuem esse canhão, que propaga militarismo já há algum tempo; do outro lado estão meninos com disposição davídica, com suas “fundas” de blogs, fanzines, discursos no busão, latas de spray, rádios piratas, redes sociais, cartazes, aulas públicas, bandas independentes, rodas de discussão em Centros Acadêmicos e pistas de skate. Uma geração disposta a determinar seus próprios caminhos e interagir com a realidade do mundo real.

Essa é, no entanto, uma geração sem muita referência, e muito desconhecimento sobre sua própria História e Geografia (o sucateamento proposital da educação das ciências humanas fez isso com eles; eles não têm culpa). Existem muitos jovens indignados nas ruas, com uma justa fome e sede de justiça, mas que podem ser facilmente cooptados por grupos e ideologias da extrema direita, como os carecas fascistóides que espancavam qualquer um que estivesse trajando vermelho nas últimas marchas na Avenida Paulista.

Alguns passos da Guerra Simbólica

Muitos lances curiosos têm acontecido nessa disputa politica cheia de facções não assumidas. E muita coisa ainda está por vir. Alguns lances por vir são:

- Não sabemos ainda como se postarão os pastores das maiores igrejas evangélicas do país.

- Não sabemos o que o papa vai fazer por aqui.

-Não sabemos se alguns editais para gravar CDs ou indicações para secretarias da Cultura vão fazer o Fora do Eixo pender pro governismo. Essa rede de coletivos de cultura independente (?) pode ajudar a ampliar o som da contracultura e participar ativamente inclusive em termos de proposição estática anti-sistema. Ou então pode recuar como fez ao não apoiar os acampamentos de 15 de Outubro de 2011. Por razões desconhecidas, inclusive por boa parte de sua própria base, o FDE ora está com os movimentos sociais (como na Marcha da Liberdade), ora está com o governo a qualquer custo (como no vergonhoso caso em que chancelou a Rio +20). Se o FDE segue no processo revolucionário com os movimentos autônomos, atuando nessa guerra simbólica, ou se aceitará qualquer emendazinha de consolação do Sistema é um mistério. Isso pode definir inclusive o futuro da música brasileira.

- E movimentos sociais do campo, como ficam? Haverá ocupações autônomas sem lideranças que possam ser cooptadas como ocorrem nos movimentos tradicionais?

-O envio de tropas, “com nosso dinheiro”, contra os índios mundurucu causará nos brasileiros o que o Vietnã causou na juventude estadunidense nos anos 60?

- Os hackerativistas estenderão suas ações para a ocupação de sinais de rádio e TV ou continuarão apenas pichando páginas de internet?

- Essa gente que propõe intervenção militar e se mistura às marchas nas ruas vai convencer alguém?

Na guerra simbólica. A juventude tucana tenta tomar dos anarquistas o símbolo da máscara de Guy Fawkes, até mesmo um vídeo fake dos Anonymous ganhou a rede pedindo que o povo ignorasse questões de gênero e liberdade religiosa e direitos civis de minorias, se focando em “5 causas”, como a cassação de Renan Calheiros. Tal vídeo propunha não o cancelamento da Copa, nem o boicote de seus patrocinadores, mas apenas que se investigassem os gastos, de uma maneira bastante vaga.

Outro lance interessante foi Lula mandar sua base de apoio vestir vermelho e aderir às manifestações de rua. Ele não contava com o fato de que carecas da extrema direita chegassem antes, de verde e amarelo como a Globo mandou, agredindo pessoas de vermelho nas manifestações que até então não haviam registrado qualquer conflito entre manifestantes.

Seja o que for, o processo político está apenas começando. E a disputa não deve permanecer apenas no campo simbólico, mas esse é o campo primordial. O levante da juventude pode nos levar a um país melhor, mais justo e livre; mas não podemos nos esquecer que corremos, sim, o risco de um rebote vindo da Direita. As reformas que a classe dominante almeja são para manter seu poder de fato, ainda que isso implique em tirar direitos e aumentar a repressão em vez de aproximar o povo do centro de decisões.

Sim, o levante popular tem que ser também contra os latifúndios eletromagnéticos, contra o monopólio do discurso, contra a indústria do espetáculo (que distrai e manipula). Os cartazes verde e amarelo mostrados pela Globo no dia do jogo não me representam. Eu acho que o gigante continua dormindo e apenas sonha que acordou, se não perceber de uma vez que a disputa em andamento é muito maior.

Leandro Cruz é jornalista e historiador, editor do blog Viagem no Tempo (www.viagemnotempo.com.br ) autor do livro "Capitalismo: Religião Global" disponivel para download gratuito no link http://www.sendspace.com/file/b32xtk

domingo, 31 de outubro de 2010

Resultado esperado

Prevaleceu a lógica e Dilma se elegeu.

Não foi um resultado bom, mas o possível diante de tantas incertezas políticas e de um sistema de eleição viciado e ineficiente. A cada dois anos o Brasil pára e acompanha eleições que apenas corroboram a necessidade de mudanças profundas, seja no sistema de governo, seja na Economia, atrelada a ele. Trocam-se os governantes, mas a sociedade não percebe mudanças.

De que servem tantos partidos políticos se eles se aglutinam nas eleições e se amarram aos vencedores e perdedores, restaurando a dualidade do poder? Antes, eram Arena e MDB; depois, PDS e PMDB; a seguir, esses partidos se esfacelaram: tanto a "direita" como a "esquerda" se romperam em dezenas de siglas, cujos conteúdo ideológico não se diferenciava a ponto de permitir escolhas ou opções relevantes. Hoje é o PT de um lado e PSDB de outro. Muitos pensamos que, um dia, esses dois partidos estariam do mesmo lado.

Mas isso não aconteceu, e a tragédia foi que as sucessivas crises éticas e morais também destroçaram a confiança da população na existência de partidos limpos de fato. Eles não existem. Por isso, siglas como o DEM e o PMDB optaram por não mais lançar candidatos e oferecer suas estruturam políticas regionais para garantir a "governabilidade"... foi um tiro no pé dos partidos socialistas!

Seja quem for que se instale no poder, terá que se subordinar a esses partidos inescrupulosos e corruptos para a fromação de seu staff de ministros. É o que aconteceu desde que a ditadura militar cedeu o poder aos civis, em 1985. Os ministérios mais importantes não ficam com o partido vencedor, mas com seus "aliados": Transportes, Minas e Energia, Educação, Saúde, Agricultura... cada um "pega um pedaço"; e sobra para o presidente compor esse mosaico multicolorido e multifacetado de parcelas do poder, sem coesão interna e sem harmonia de gestão, indispensáveis para a condução dos rumos do poder.

E quem vence nas urnas fica com a impressão da vitória, mas os verdadeiros vencedores são aqueles que nem apareceram na TV no horário eleitoral: ficaram na retaguarda, articulando essa divisão estratégica do poder, que garantirá que o mandatário maior do país seja simplesmente a "rainha da Inglaterra", ungida com o manto real, mas desprovida de qualquer parcela de autoridade perante seus súditos enganados.

A senhora Dilma Rousseff nem poderá dizer que venceu esta eleição, pois este mérito cabe única e exclusivamente a seu criador, o presidente Lula, com o apoio estratégico dos marqueteiros de campanha, verdadeiros maquiadores a transformar a imagem de uma mulher rude e desajeitada em uma dama habilidosa e matreira, capaz de até vencer um debate na TV. O que virá depois de 31 de dezembro? Será que esta fera despertará da letargia e se libertará se seu criador? Que parcela de poder ela ainda tem para manobrar as peças do tabuleiro? Poderá conter a gana revanchista do PSDB, alijado por mais quatro anos da arena política? Dilma retomará sua postura inflexível que a tornou conhecida como a "dama de ferro" da política barsileira? O que será do PAC, um programa de retalhos sem coesão interna?

Muitas dúvidas restam por se responder, mas ficaremos em suspensão até que o primeiro jogo de dominação esteja concluído: a escolha do Ministério. Saberemos, então, quem dará as cartas e também se Dilma teve força suficiente para romper os compromissos irreveláveis do poder. Seguindo a lógica das últimas eleições, desde a morte de Tancredo Neves e a ascensão de José Sarney, nossas expectativas não podem ser muito alvissareiras...

Mas há quem ainda se empolgue com essa farsa e acredite que vivemos em plena democracia. É difícil se iludir a tal ponto, sabendo das grandes disparidades sociais e do abismo existente entre as diversas regiões do país. Mais ainda, é difícil acreditar em um governo voltado para as ações sociais onde quem manda de fato é uma minoria descarada, cujos propósitos são, única e exclusivamente, a ganância e a dominação econômica.

Dessa corja fazem parte os grandes banqueiros nacionais, os mega-fazendeiros do agronegócio, as empresas de mineração, as empreiteiras de grandes obras públicas (sempre as mesmas), a grande mídia capitaneada pela Rede Globo, e um poder oculto mas cada vez mais atuante, das religiões ditas cristãs: os católicos, que sempre estiveram ao lado do poder, e agora os evangélicos, multifacetados em pequenas ou grandes seitas doutrinadoras.

Parece incrível, mas esses grupos, que representam os interesses de uma insignificante minoria numérica, detêm o poder econômico em quase sua plenitude, detreminando, por isso, os destinos de nossa combalida Nação. Não temos uma democracia, nunca teremos. E com Dilma não será diferente, pela simples razão de que nada mudou nesse país e nessa eleição.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Os EUA, a Inglaterra e o pavor do Terror

Nunca antes, em uma Copa do Mundo de Futebol, viu-se tamanho aparato militar para proteger jogadores e torcedores de dois países: EUA e Inglaterra. Foi uma verdadeira operação de guerra, com várias inspeções no campo e nas arquibancadas, nos arredores e em toda a cidade que hospedou as duas seleções do mundo. E tudo sob a supervisão dos órgãos de contra-espionagem desses países! Isso contrastava e violentava o clima de paz, de harmonia e de simpatia que irradiava dos anfitriões africanos desde a abertura e em todos os jogos já realizados.

Por que esse pavor? Porque esses dois países são os campeões da violência nas arenas reais do mundo; os EUA comandando as ações de guerra e a Inglaterra, de joelhos, prestando vassalagem a seus ídolos internacionais. Quem não conhece a História poderia se espantar com essas palavras, mas basta um pequeno "tour" pela história recente para compreender essa triste realidade, partindo de um país que se auto-intitula o "campeão e defensor da democracia" e, em nome dela, tem perpetrado os mais cruéis crimes da História contemporânea.

Tudo começou ao término da 2º Guerra Mundial, quando o planeta foi dividido entre países Capitalistas e Comunistas. Embora a União Soviética tenha feito sua Revolução Comunista em outubro de 1917, EUA e URSS foram "aliados" durante a Guerra, tendo em vista o inimigo comum. Bastou acabar a guerra e a farsa também se esgotou.

Com a morte de Stalin e a ascensão de seu sucessor Nikita Krushev, foi declarada oficialmente a "Guerra Fria" entre URSS e EUA. O mundo passou a ser disputado entre as duas facções em conflitos sangrentos, como a Guerra do Vietnam, que se extendeu pela Coréia, pelo Cambodja e pelo Laos, causando centenas de milhares de mortos e destruindo quase completamente esses países e suas culturas. A presença dos militares norte-americanos nessa região por mais de 10 anos provocou a degeneração dos costumes, a proliferação das drogas e da prostituição, e o assassinato cruel e desumano de parte expressiva da população inocente e civil. Até bombas químicas e de "napalm" (plástico que, ao explodir, se incendiava e aderia aos corpos dos soldados, em morte lenta e cruel) os EUA usaram contra a população, indiscriminadamente, matando velhos, crianças e mulheres, e dizimando enormes extensões de florestas nativas com desfolhantes químicos de alto poder destrutivo.

Sabe-se que os EUA testaram exaustivamente seus armamentos mais modernos, como os caças Phanton, tanques de guerra e armas de toda espécie, permitindo-lhes assumir a vanguarda mundial na produção, proliferação e consumo de armamentos de alto poder de destruição. No entanto, finda essa guerra nos anos 70, os EUA tinham um expressivo contingente de soldados mutilados, viciados em cocaína e outras drogas, e desempregados. O que fazer com eles e com o enorme estoque de armamentos desenvolvidos e produzidos durante a guerra?

Nas décadas de1960 e 1970 os EUA se defrontaram com uma nova ameaça: diante do fracasso das políticas do "New Deal", as promessas de igualdade e justiça social do Comunismo conquistaram os intelectuais e estudantes de todo o mundo. Em 1967 e 1968 aconteceram manifestações estudantis na França e em toda a Europa, apoiadas por nomes ilustres como Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Ferdinad Sausure, e o Quartier Latin (quarteirão latino), famosa área central de Paris, foi ocupado por manifestantes exigindo mudanças estruturais na educação, na política, na filosofia e nas relações sociais, com mais liberdade.

Essas manifestações, aliadas a protestos estudantis dentro dos EUA contra sua participação na guerra do Vietnam, e à anterior e comovente experiência de Fidel Castro e Ernesto "Che" Guevara, reconquistando Cuba de seu ditador Fulgêncio Batista, inspiraram e motivaram rebeliões em muitos países sub-desenvolvidos, chamados de "terceiro mundo" pelas aristocracias da época. Essas rebeliões tornavam-se cada vez mais fortes, abalando as estruturas sociais, políticas e militares desses países, e ameaçando a hegemonia norte-americana no Ocidente.

Diante dessas ameaças, os EUA se envolveram diretamente em todos os golpes militares dos anos 60 e 70, instaurando ditaduras violentas em todo o continente sul-americano, inclusive no Brasil. Em todos eles a CIA (Central Intelligence Agency) teve papel preponderante e determinante na queda das democracias. Algumas dessas ditaduras se iniciaram com o assassinato de presidentes, como ocorreu com Salvador Allende, no Chile, em 1973 e a tomada do poder por um dos maiores facínoras sanguinários contemporâneos, o General Augusto Pinochet.

Uma nova política, muito diferente dos ideais democratas, foi implantada, à força, no mundo, substituindo governos legitimamente eleitos por títeres do regime imperialista norte-americano. Só restou Cuba, sustentada pela União Soviética, devido ao cerco político internacional que perdura até hoje, e apesar de sanções econômicas drásticas que minaram sua sociedade até a exaustão. Hoje, Cuba não consegue superar sua fragilidade econômica, e os países "democratas" não têm coragem suficiente para romper esse bloqueio. Mesmo o governo Lula, que se diz amigo pessoal de Castro, não cancelou as sanções econômicas e compactuou com os EUA nessa barbárie que macula nossas relações internacionais.

Ao final da década de 1980, os EUA detinham o poder na maior parte do mundo: venceram a "Guerra Fria", chegaram à Lua, derrubaram governos, e possuíam cerca de 25.000 ogivas nucleares apontadas para Moscou. Em 1988 o regime soviético se esfacelou e, com ele, a União Soviética, fragmentada em mais de uma dezena de países, sob a batuta de Mikhail Gorbachev. As ogivas nucleares soviéticas se espalharam entre esses países, ameaçando a paz mundial. O Muro de Berlim despencou, as Alemanhas foram reunificadas, e a Rússia que sobrou não tinha um décimo do poder da antiga União Soviética.

Com tamanho poder militar em suas mãos, os EUA se defrontaram com outro grave problema interno: a antes florescente indústria de armamentos estava em processo de falência, pois não havia novos conflitos que consumissem esse material bélico, e o enorme contingente de soldados não tinha o que fazer nos quartéis norte-americanos. Então, por que não criar um novo conflito? A pressão interna era enorme.

O primeiro alvo foram as guerras internas do continente europeu e, em particular, da Macedônia, Bósnia, Eslovênia, Croácia e Sérvia, pertencentes à antiga Iugoslávia. Milhares de pessoas, principalmente civis, foram vítimas dos tanques que rolaram sobre eles em confronto fratricida em Kosovo, sob os olhares passivos da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da comunidade do Pacto de Varsóvia, esfacelada pela "dèbacle" socialista. Gastou-se muito armamento por lá...

O segundo alvo foi o Iraque. Havia escassez de petróleo no mundo ocidental, causada pelas restrições de produção da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo), e os preços subiam de hora em hora, assustadoramente. Estávamos nos anos 1970, e a economia mundial entrava em uma grave crise, desta vez provocada pela falta de guerras! Era preciso, era imperativo, que uma nova guerra fosse provocada.

A primeira Guerra do Iraque permitiu que os EUA desovassem grande parte de seus estoques de armamentos obsoletos e a indústria de material bélico norte-americano e dos demais países desenvolvidos se salvou. A crise do petróleo foi contida e os preços internacionais baixaram. A segunda Guerra do Iraque e a guerra contra os Talibãs do Afeganistão, provocadas pelo ataque às torres gêmeas de New York (setembro, 2001) completaram esse trabalho de reposição de armamentos, de recuperação das indústrias de material bélico e da regularização do fluxo de petróleo.

Todas essas ações norte-americanas causaram o repúdio dos meios intelectuais e, com as guerras do Iraque, também a repulsa dos países árabes, humilhados diante de seu inimigo visceral, Israel, que tinha o privilégio de contar com apoio incondicional dos EUA. A razão desse apoio era evidente: em primeiro lugar, representava o antagonismo ao poder dos muçulmanos; em segundo lugar porque os EUA precisavam conter o fortalecimento dos países produtores de petróleo do Oriente Médio; e, em terceiro lugar porque era estrategicamente interessante para os EUA ter um forte aliado implantado nos quintais de seus inimigos árabes.

Daí, para surgirem as novas fórmulas do terror foi um passo: em toda História da Humanidade, mesmo durante o obscurantismo da Idade Média, o alvo das guerras sempre foram os soldados e seus comandantes. Agora, em nosso admirável mundo novo, o alvo mais fácil se tornou o povo, as pessoas comuns, indefesas diante de uma violência sem autor.

Pura covardia, diriam todos. Sim, covardia em sua manifestação extrema! E a causa primária dessa covardia foi o surgimento de um poder único, insuperável e sem limites de um só país em todo mundo: os Estados Unidos! Eles podiam fazer guerras, matar inocentes, prender e torturar seus inimigos, mesmo sem comprovação de culpa, como aconteceu em Cuba, nas prisões de Guantánamo, no Vietnam, no Iraque e nas prisões e calabouços dos países latino-americanos sufocados por ditaduras militares sustentadas pelos EUA durante mais de duas décadas.

E a Inglaterra? Além de sua subserviência incondicional aos EUA, esse país também tem sua história de exploração e violência contra os povos. Que o digam Mahatma Ghandi e a Índia, destruídos por uma guerra sibilina, do ópio, que fez com que toda uma população fosse contida pelo vício, apenas para que suas riquezas sustentassem a Coroa Britânica e seu povo aristocrata e de um poder imperial anacrônico.

Mas a Inglaterra também nos fez de idiotas depois da Segunda Guerra Mundial; credores de imensa dívida contraída pelo fornecimento de material bélico e matérias-primas, o Brasil recebeu, em pagamento, quinquilharias, perfumarias, lixo industrial da Grã-Bretanha imperial.

E as colônias inglesas ao redor do mundo, de onde retiraram, por séculos, tesouros incalculáveis, obras de arte, minérios, pedras preciosas? E a farsa do combate à escravidão no Brasil: por que não interessava à Inglaterra que explorássemos escravos africanos? Não foi por pena, com certeza! Com a exploração de escravos, a Inglaterra não tinha mercado para seus produtos, concorrentes de nossas "plantations" de cana de açúcar. Daí seu interesse em acabar com a escravidão e fomentar uma crise de produção de açúcar e nas lavouras de café no Brasil.

E nossa independência de Portugal? Quem pagou a conta para a Inglaterra foi o Brasil, por um acordo entre nossa antiga matriz e a Inglaterra, credora dos portugueses por ter ajudado Dom João VI e a Famíla Imperial a fugir de Napoleão e se instalar no Brasil. E o regime de Apartheid na África do Sul, colonizada por ingleses e franceses, fazendo dos negros africanos, em sua própria nação, o que foi feito aqui com nossos indígenas e com os negros trazidos da África?

Se hoje Inglaterra e Estados Unidos têm pavor do Terror internacional, a culpa é exclusivamente deles, que criaram e alimentaram seus próprios inimigos! Com certeza, nos jogos do Brasil contra países não alinhados (submissos) aos EUA e Inglaterra, não haverá tamanho  aparato militar para proteger nossos jogadores e nossa torcida, pois somos amantes da paz e amados por todos os povos do "terceiro mundo"!