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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O futebol é o ópio do povo!

Jovem espancado na disputa entre Vasco da Gama e Atlético Paranaense, em Joinville (08/12/2013)
"A religião é o ópio do povo" (em alemão "Die Religion ... Sie ist das Opium des Volkes") é uma citação da "Crítica da Filosofia do Direito", de Hegel. No entanto, o futebol demonstra o mesmo papel, quando vemos fanáticos se digladiando até a morte em estádios de futebol.  O fanatismo do futebol, assim como o das religiões, aniquila a capacidade intelectual dos indivíduos, tornando esse esporte a única alternativa relevante de suas vidas medíocres. Nenhum outro interesse, nenhum tema relevante, nenhuma causa que compense...

Nas décadas de 1970/80 os Hooligans apavoraram o mundo com sua violência estúpida nos campos da Europa, a ponto de serem banidos para sempre das arquibancadas das arenas do futebol.

Uma canção dos Raimundos dizia:

hooligans are made to destroy
hooligans are born just to kill
mom I'd like to be...
it's all I wanna be....

hooligan - hooligan - hooligan - hooligan

why you never let me be?
why you never let me kill
mom I hate you...
kill you is what I wanna do...

hooligan - hooligan - hooligan - hooligan

destroy
kill for joy
pleasure pain
yeah I'm the man!!!!

hooligan - hooligan - hooligan - hooligan
let me be one
hooligan - hooligan - hooligan - hooligan


Traduzindo essa "obra de arte":

vândalos são feitos para destruir
desordeiros nascem apenas para matar
mãe, isso que eu gostaria de ser ...
é tudo que eu quero ser ....

hooligan - hooligan - hooligan - hooligan

por que você nunca me deixa ser assim?
por que você nunca me deixa matar?
mãe, eu te odeio ...
matá-la é o que eu quero fazer ...

hooligan - hooligan - hooligan - hooligan

destruir
matar por prazer
prazer do sofrimento
sim, eu sou o homem!!

hooligan - hooligan - hooligan - hooligan
deixe-me ser um
hooligan - hooligan - hooligan - hooligan

Um sentimento primitivo de ódio e de terror emana dessa "música" monstruosa! Um desafio à violência sem propósito! No entanto, parece que muitos se identificam com essa violência gratuita e descabida, e manifestam sua barbárie contra pessoas que sequer conhecem. Por que esse comportamento doentio?

O "hooliganismo" (do inglês "hooligan" = "vândalo", pronuncia-se: [ˈhuː.lɪ.ɡən], "rúulegan") refere-se a um comportamento destrutivo e desregrado, geralmente em partidas de futebol. O termo também pode se aplicar ao comportamento desordeiro e ao vandalismo (em geral), muitas vezes sob a influência de álcool e drogas.

O que nos assusta é que tais comportamentos, cada vez mais frequentemente, ocupam as manchetes da imprensa mundial, demonstrando a escalada da violência sem sentido, como nos inúmeros crimes de franco-atiradores nas escolas norte-americanas (ver "Tiros em Columbine", filme-documentário de Michael Moore), os atentados terroristas como os da Maratona de Boston e das Torres Gêmeas, e essa turba de covardes em Joinville, neste final de semana, que chocou o mundo com sua violência despropositada, maculando a imagem do futebol brasileiro e do próprio país, às vésperas da Copa Mundial de Futebol.


A vítima já está inconsciente, mas continua a apanhar do covarde!

Não basta dizer que são vândalos, covardes, bandidos, assassinos em potencial. O fato é que são pessoas aparentemente normais, que estudam, trabalham e, de repente, em uma partida de futebol, passam a agir com truculência e ódio contra outras pessoas, pelo simples fato de torcerem para diferentes equipes de futebol. No caso de Joinville, uma do Rio de Janeiro, outra do Paraná! Certamente, não se conheciam, não sabiam nada da vida pessoal dessas vítimas / algozes e fizeram isso apenas para despertar a besta que existe dentro de cada um. Coisas dos homens, não dos animais, que não sabem alimentar ódio ou paixão!


Vejam o parafuso na ponta do marrete do vascaíno assassino!

Pode-se perceber que esses cretinos já entram em campo com a determinação de brigar e agredir, com extrema violência, seus adversários, como se constata na foto acima. A barbárie chegou a tal ponto que a única forma de se lidar com ela seria pela dissolução definitiva de todas torcidas organizadas, verdadeiras escolas formadoras dos bandos de facínoras que frequentam e aterrorizam os estádios e suas imediações!

Não é possível contemporizar com tamanha truculência, descabida e inconsequente. Se o Estado brasileiro não tomar providências imediatas, eles (os criminosos) assumirão o controle, e cada jogo se transformará em um campo de batalhas. Torcidas como a "Gaviões da Fiel" (Corinthians), "Mancha Verde" (Palmeiras), "Ira Jovem do Vasco" (Vasco da Gama), "Fla Manguaça" (Flamengo), "Fanáticos" (Atlético Paranaense), "Galoucura" (Atlético Mineiro) e "Máfia Azul" (Cruzeiro) são incompatíveis com um Estado do Direito.

O Futebol é o ópio do povo, assim como são as religiões! Possui seu próprio ritual, seus amuletos, suas túnicas, seu templo, seus ídolos de barro como todas as religiões populares e fanáticas. Quem aprecia futebol, geralmente, não se interessa por outro assunto; torna-se medíocre e vulgar; usa uniforme do time como se vestisse roupas de griffe; faz questão que seu filho torça para o seu time, e ridiculariza seus adversários, transmitindo essa "doutrina" do ódio para seus descendentes. Recusa-se até a usar roupas com as cores de seus adversários. Um processo de bulling se inicia e se estabelece, não apenas entre crianças, mas entre adultos, e, não raro, apelidos jocosos e humilhantes são atribuídos aos torcedores de outros times.

Futebol não é sadio: grande parte de jogadores, amadores ou profissionais, sofrem danos, muitas vezes permanentes, nos joelhos e tornozelos devido à violência em campo. Assim como nos jogos profissionais, agredir o adversário é usual entre jogadores de várzea, prova de machismo e "coragem", causando rompimento de ligamentos, entre outras contusões sérias; às vezes, até causando incapacidade física.

Sim, o futebol é o ópio do povo, e traz mais prejuízos do que benefícios. É um esporte alienante, machista e preconceituoso, que separa familiares, destrói amizades, contamina discussões intermináveis e inúteis, e ofende a dignidade das pessoas. Se computássemos as perdas de trabalho e de estudos devidas ao futebol teríamos a verdadeira dimensão dos danos causados por essa modalidade de esportes.

Mas nossa sociedade é movida por interesses fúteis, como a religião e o futebol. Enormes cifras são desperdiçadas por essas duas atividades, não gerando nada produtivo ou útil para a sociedade. Futebol e religião são semelhantes em tudo: fanatismo, ilusão, alienação, violência, ódio, preconceito. Das guerras havidas entre os povos, a religião tem sido uma das principais causas. Se o futebol não provoca guerras convencionais, produz batalhas campais com frequentes vítimas da violência e do preconceito.

O fanático por futebol é tão estúpido que é capaz de torcer por um time de outro país apenas para evitar que seu adversário conquiste uma taça em uma grande competição internacional!

Então, por que o futebol é tão popular no mundo? Por que, para se assistir a um jogo ou para se jogar futebol não é preciso nada além de treino, domínio da bola e obediência às regras do jogo. Alguns jogadores se destacam pelo talento, mas a maioria absoluta é medíocre e burra. O certo é que gostar, praticar e torcer por um time de futebol não exige inteligência: apenas força bruta, cabeça vazia e mediocridade!

Mas somos o "País do Futebol", não é mesmo? Que pena...


Covardia! Ódio! Truculência! Intolerância! Banditismo!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Virtudes e Pecados

O fio condutor da História da Humanidade indica que a evolução da raça humana e sua diferenciação dos outros animais não se limita à nossa capacidade de raciocínio privilegiada. Existe um outro fator que nos diferencia dos "bichos" e nos impele a dominar o mundo: é a ambição sem limites que faz uso da força não apenas para conseguir alimentos ou assumir a liderança de grupos humanos, mas também para conquistar, humilhar e impor sua vontade.

Essa constatação não é mera retórica. Todas as civilizações que se destacaram no passado têm em sua consciência um número incontável de mortes, seja nos campos de batalha ou nas catacumbas do poder onde, através da tortura e da humilhação, homens se tornaram poderosos e ricos; mais ricos do que qualquer senso ético poderia admitir como tolerável.

Nessa ânsia pelo poder, pela dominação e pelo enriquecimento o ser humano cresceu, sua ciência se desenvolveu e sua cultura, sob todos os aspectos, floresceu. Se a Arte Clássica atingiu patamares tão elevados e sublimes, deve isso aos poderosos, que não apenas financiavam seus criadores, mas colocavam-nos no patamar dos "nobres".

Arte, Ciência e Religião foram, ao longo dos séculos, a expressão máxima da cultura humana, seu orgulho e sua recompensa pelos crimes bárbaros cometidos contra os pobres, os dominados, os escravos. Hoje, chega-se a valorizar a "Arte da Guerra", como se pudéssemos nos orgulhar das tragédias cometidas pelos nossos antepassados em busca do poder e da fama. O livro de Sun_Tzu tornou-se "best seller" entre executivos de grandes organizações em função de seus conselhos sobre como dominar e destruir seus adversários. As áreas de marketing e vendas de qualquer organização constituem-se em seu "bunker" para surpreender a "concorrência", nome contemporâneo para se identificar o "inimigo".

Antigas civilizações são cultuadas pelos seus feitos "heroicos", suas conquistas de territórios, suas escaramuças contra outros povos, seus saques e estupros praticados contra o perdedor. A economia desses povos antigos se fundamentava na mão de obra escrava, constituída de soldados capturados nos campos de batalha e cidadãos endividados que não conseguiam cumprir suas obrigações financeiras. A sociedade se constituía de castas, cada qual com seus privilégios, diferenciando seres humanos pela sua origem étnica ou social.

A História Moderna não é diferente: apenas o poder de dominação que cresceu, tornando as guerras mais devastadoras, seja contra o ser humano, seja contra o meio ambiente. Na Segunda Guerra Mundial morreram cerca de 25 milhões de pessoas, entre soldados e população civil, enquanto que no conflito anterior contabilizaram-se quase 20 milhões de indivíduos. Na Guerra dos Cem Anos, que durou de 1.337 a 1.453 e envolveu toda Europa de então, morreram "apenas" milhares de pessoas, segundo estimativas dos historiadores.

É claro que a população da Terra no século XX é muito superior à população dos séculos XIV e XV, mas o que mudou, de fato, foi o poderio militar contemporâneo, as armas de alto poder de destruição e a estratégia militar. No entanto, o que não mudou foi o espírito belicista e violento do ser humano, causa de todas as guerras: ambição, poder e riqueza!

Mas o mais intrigante é que as consequências das guerras sobre o desenvolvimento das civilizações foram extremamente "favoráveis". Podemos até dizer que o Conhecimento Humano cresceu aos saltos, justamente nos períodos de guerra e subsequentes. Nos raros intervalos de paz de qualquer civilização, o que houve foi uma enorme estagnação!

Isso poderia nos levar a concluir que as guerras são um "mal necessário", mas essa é uma conclusão simplista e estúpida, ainda que os resultados evidenciem o processo evolutivo. A questão fundamental é: "Se não existissem as guerras o Homem teria evoluído mais, intelectualmente? Teria sido mais feliz? Em que estágio evolutivo estaríamos hoje sem não houvessem as guerras? Será que nossa sociedade seria menos consumista e haveria menos desperdício dos recursos naturais? Que consequências teria isso para a humanidade?"

São perguntas que não saberemos responder, uma vez que a natureza humana mudou muito pouco ao longo desse nosso curto período de existência na face da Terra. Sim, pois nossa história representa apenas 0,002% da existência de vida animal em nosso planeta! No entanto, podemos afirmar que hoje seríamos mais felizes, ao menos por não carregar na consciência o peso de tantas e tamanhas atrocidades praticadas pelos nossos antecedentes!

Outro aspecto relevante a se considerar é qual rumo teria seguido a Ciência e o Conhecimento Humano se não tivéssemos esse espírito belicista, cruel e destruidor? Como seria viver em Paz, sem a existência de conflitos? Por que somos assim? Dizer, simplesmente, que somos seres imperfeitos é uma resposta simplória demais, pois não há justificativa para qualquer tipo de violência. No entanto, até nossos mecanismos de coerção e combate à violência são extremamente violentos! Então, nunca haverá um mundo de Paz?

Voltemos à nossa História recente com um exemplo, talvez o mais contundente: os Estados Unidos da América do Norte são considerados o "baluarte da democracia", e citados como exemplo de sociedade onde os indicadores sociais são os mais elevados do mundo. No entanto, em sua curtíssima existência, esse país já se envolveu em mais conflitos do que qualquer outro; basta citar a 2ª Guerra, a Guerra do Vietnam, a Guerra do Golfo, a Guerra contra o Iraque, a Guerra do Afeganistão, as invasões de Cuba e as intervenções em grande parte dos golpes militares do século XX, intervenções essas que favoreceram, paradoxalmente, a ruptura do processo democrático de Nações livres, justificadas pela "necessidade" de bloquear a evolução do comunismo em direção ao Ocidente. Curiosamente, em nenhuma dessas guerras ou intervenções os "EUA" estiveram diretamente ameaçados!

Também há que se destacar os "métodos" adotados nesses conflitos, com o uso de bombas nucleares contra o Japão, armas químicas e biológicas contra o Vietnam, assassinatos perpetrados pela CIA em todo o mundo, contra líderes políticos, grupos estudantis, cientistas e intelectuais de esquerda. Na verdade essa lista de crimes não tem fim, pois não apenas o governo americano ordenou essas matanças, mas também grandes multinacionais os praticaram em defesa de seus "interesses" capitalistas.

Diante dessas constatações retornamos ao tema original: quais seriam as virtudes do Ser Humano diante de tantos "pecados", tantas atrocidades e tantos crimes praticados em nome de "verdades" relativas, que só às castas privilegiadas interessam? Haveria futuro para a "Raça Humana" diante de um passado tão vergonhoso? O que mudou na consciência do Homem no presente?

Não vejo razões para ser otimista...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Os EUA, a Inglaterra e o pavor do Terror

Nunca antes, em uma Copa do Mundo de Futebol, viu-se tamanho aparato militar para proteger jogadores e torcedores de dois países: EUA e Inglaterra. Foi uma verdadeira operação de guerra, com várias inspeções no campo e nas arquibancadas, nos arredores e em toda a cidade que hospedou as duas seleções do mundo. E tudo sob a supervisão dos órgãos de contra-espionagem desses países! Isso contrastava e violentava o clima de paz, de harmonia e de simpatia que irradiava dos anfitriões africanos desde a abertura e em todos os jogos já realizados.

Por que esse pavor? Porque esses dois países são os campeões da violência nas arenas reais do mundo; os EUA comandando as ações de guerra e a Inglaterra, de joelhos, prestando vassalagem a seus ídolos internacionais. Quem não conhece a História poderia se espantar com essas palavras, mas basta um pequeno "tour" pela história recente para compreender essa triste realidade, partindo de um país que se auto-intitula o "campeão e defensor da democracia" e, em nome dela, tem perpetrado os mais cruéis crimes da História contemporânea.

Tudo começou ao término da 2º Guerra Mundial, quando o planeta foi dividido entre países Capitalistas e Comunistas. Embora a União Soviética tenha feito sua Revolução Comunista em outubro de 1917, EUA e URSS foram "aliados" durante a Guerra, tendo em vista o inimigo comum. Bastou acabar a guerra e a farsa também se esgotou.

Com a morte de Stalin e a ascensão de seu sucessor Nikita Krushev, foi declarada oficialmente a "Guerra Fria" entre URSS e EUA. O mundo passou a ser disputado entre as duas facções em conflitos sangrentos, como a Guerra do Vietnam, que se extendeu pela Coréia, pelo Cambodja e pelo Laos, causando centenas de milhares de mortos e destruindo quase completamente esses países e suas culturas. A presença dos militares norte-americanos nessa região por mais de 10 anos provocou a degeneração dos costumes, a proliferação das drogas e da prostituição, e o assassinato cruel e desumano de parte expressiva da população inocente e civil. Até bombas químicas e de "napalm" (plástico que, ao explodir, se incendiava e aderia aos corpos dos soldados, em morte lenta e cruel) os EUA usaram contra a população, indiscriminadamente, matando velhos, crianças e mulheres, e dizimando enormes extensões de florestas nativas com desfolhantes químicos de alto poder destrutivo.

Sabe-se que os EUA testaram exaustivamente seus armamentos mais modernos, como os caças Phanton, tanques de guerra e armas de toda espécie, permitindo-lhes assumir a vanguarda mundial na produção, proliferação e consumo de armamentos de alto poder de destruição. No entanto, finda essa guerra nos anos 70, os EUA tinham um expressivo contingente de soldados mutilados, viciados em cocaína e outras drogas, e desempregados. O que fazer com eles e com o enorme estoque de armamentos desenvolvidos e produzidos durante a guerra?

Nas décadas de1960 e 1970 os EUA se defrontaram com uma nova ameaça: diante do fracasso das políticas do "New Deal", as promessas de igualdade e justiça social do Comunismo conquistaram os intelectuais e estudantes de todo o mundo. Em 1967 e 1968 aconteceram manifestações estudantis na França e em toda a Europa, apoiadas por nomes ilustres como Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Ferdinad Sausure, e o Quartier Latin (quarteirão latino), famosa área central de Paris, foi ocupado por manifestantes exigindo mudanças estruturais na educação, na política, na filosofia e nas relações sociais, com mais liberdade.

Essas manifestações, aliadas a protestos estudantis dentro dos EUA contra sua participação na guerra do Vietnam, e à anterior e comovente experiência de Fidel Castro e Ernesto "Che" Guevara, reconquistando Cuba de seu ditador Fulgêncio Batista, inspiraram e motivaram rebeliões em muitos países sub-desenvolvidos, chamados de "terceiro mundo" pelas aristocracias da época. Essas rebeliões tornavam-se cada vez mais fortes, abalando as estruturas sociais, políticas e militares desses países, e ameaçando a hegemonia norte-americana no Ocidente.

Diante dessas ameaças, os EUA se envolveram diretamente em todos os golpes militares dos anos 60 e 70, instaurando ditaduras violentas em todo o continente sul-americano, inclusive no Brasil. Em todos eles a CIA (Central Intelligence Agency) teve papel preponderante e determinante na queda das democracias. Algumas dessas ditaduras se iniciaram com o assassinato de presidentes, como ocorreu com Salvador Allende, no Chile, em 1973 e a tomada do poder por um dos maiores facínoras sanguinários contemporâneos, o General Augusto Pinochet.

Uma nova política, muito diferente dos ideais democratas, foi implantada, à força, no mundo, substituindo governos legitimamente eleitos por títeres do regime imperialista norte-americano. Só restou Cuba, sustentada pela União Soviética, devido ao cerco político internacional que perdura até hoje, e apesar de sanções econômicas drásticas que minaram sua sociedade até a exaustão. Hoje, Cuba não consegue superar sua fragilidade econômica, e os países "democratas" não têm coragem suficiente para romper esse bloqueio. Mesmo o governo Lula, que se diz amigo pessoal de Castro, não cancelou as sanções econômicas e compactuou com os EUA nessa barbárie que macula nossas relações internacionais.

Ao final da década de 1980, os EUA detinham o poder na maior parte do mundo: venceram a "Guerra Fria", chegaram à Lua, derrubaram governos, e possuíam cerca de 25.000 ogivas nucleares apontadas para Moscou. Em 1988 o regime soviético se esfacelou e, com ele, a União Soviética, fragmentada em mais de uma dezena de países, sob a batuta de Mikhail Gorbachev. As ogivas nucleares soviéticas se espalharam entre esses países, ameaçando a paz mundial. O Muro de Berlim despencou, as Alemanhas foram reunificadas, e a Rússia que sobrou não tinha um décimo do poder da antiga União Soviética.

Com tamanho poder militar em suas mãos, os EUA se defrontaram com outro grave problema interno: a antes florescente indústria de armamentos estava em processo de falência, pois não havia novos conflitos que consumissem esse material bélico, e o enorme contingente de soldados não tinha o que fazer nos quartéis norte-americanos. Então, por que não criar um novo conflito? A pressão interna era enorme.

O primeiro alvo foram as guerras internas do continente europeu e, em particular, da Macedônia, Bósnia, Eslovênia, Croácia e Sérvia, pertencentes à antiga Iugoslávia. Milhares de pessoas, principalmente civis, foram vítimas dos tanques que rolaram sobre eles em confronto fratricida em Kosovo, sob os olhares passivos da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da comunidade do Pacto de Varsóvia, esfacelada pela "dèbacle" socialista. Gastou-se muito armamento por lá...

O segundo alvo foi o Iraque. Havia escassez de petróleo no mundo ocidental, causada pelas restrições de produção da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo), e os preços subiam de hora em hora, assustadoramente. Estávamos nos anos 1970, e a economia mundial entrava em uma grave crise, desta vez provocada pela falta de guerras! Era preciso, era imperativo, que uma nova guerra fosse provocada.

A primeira Guerra do Iraque permitiu que os EUA desovassem grande parte de seus estoques de armamentos obsoletos e a indústria de material bélico norte-americano e dos demais países desenvolvidos se salvou. A crise do petróleo foi contida e os preços internacionais baixaram. A segunda Guerra do Iraque e a guerra contra os Talibãs do Afeganistão, provocadas pelo ataque às torres gêmeas de New York (setembro, 2001) completaram esse trabalho de reposição de armamentos, de recuperação das indústrias de material bélico e da regularização do fluxo de petróleo.

Todas essas ações norte-americanas causaram o repúdio dos meios intelectuais e, com as guerras do Iraque, também a repulsa dos países árabes, humilhados diante de seu inimigo visceral, Israel, que tinha o privilégio de contar com apoio incondicional dos EUA. A razão desse apoio era evidente: em primeiro lugar, representava o antagonismo ao poder dos muçulmanos; em segundo lugar porque os EUA precisavam conter o fortalecimento dos países produtores de petróleo do Oriente Médio; e, em terceiro lugar porque era estrategicamente interessante para os EUA ter um forte aliado implantado nos quintais de seus inimigos árabes.

Daí, para surgirem as novas fórmulas do terror foi um passo: em toda História da Humanidade, mesmo durante o obscurantismo da Idade Média, o alvo das guerras sempre foram os soldados e seus comandantes. Agora, em nosso admirável mundo novo, o alvo mais fácil se tornou o povo, as pessoas comuns, indefesas diante de uma violência sem autor.

Pura covardia, diriam todos. Sim, covardia em sua manifestação extrema! E a causa primária dessa covardia foi o surgimento de um poder único, insuperável e sem limites de um só país em todo mundo: os Estados Unidos! Eles podiam fazer guerras, matar inocentes, prender e torturar seus inimigos, mesmo sem comprovação de culpa, como aconteceu em Cuba, nas prisões de Guantánamo, no Vietnam, no Iraque e nas prisões e calabouços dos países latino-americanos sufocados por ditaduras militares sustentadas pelos EUA durante mais de duas décadas.

E a Inglaterra? Além de sua subserviência incondicional aos EUA, esse país também tem sua história de exploração e violência contra os povos. Que o digam Mahatma Ghandi e a Índia, destruídos por uma guerra sibilina, do ópio, que fez com que toda uma população fosse contida pelo vício, apenas para que suas riquezas sustentassem a Coroa Britânica e seu povo aristocrata e de um poder imperial anacrônico.

Mas a Inglaterra também nos fez de idiotas depois da Segunda Guerra Mundial; credores de imensa dívida contraída pelo fornecimento de material bélico e matérias-primas, o Brasil recebeu, em pagamento, quinquilharias, perfumarias, lixo industrial da Grã-Bretanha imperial.

E as colônias inglesas ao redor do mundo, de onde retiraram, por séculos, tesouros incalculáveis, obras de arte, minérios, pedras preciosas? E a farsa do combate à escravidão no Brasil: por que não interessava à Inglaterra que explorássemos escravos africanos? Não foi por pena, com certeza! Com a exploração de escravos, a Inglaterra não tinha mercado para seus produtos, concorrentes de nossas "plantations" de cana de açúcar. Daí seu interesse em acabar com a escravidão e fomentar uma crise de produção de açúcar e nas lavouras de café no Brasil.

E nossa independência de Portugal? Quem pagou a conta para a Inglaterra foi o Brasil, por um acordo entre nossa antiga matriz e a Inglaterra, credora dos portugueses por ter ajudado Dom João VI e a Famíla Imperial a fugir de Napoleão e se instalar no Brasil. E o regime de Apartheid na África do Sul, colonizada por ingleses e franceses, fazendo dos negros africanos, em sua própria nação, o que foi feito aqui com nossos indígenas e com os negros trazidos da África?

Se hoje Inglaterra e Estados Unidos têm pavor do Terror internacional, a culpa é exclusivamente deles, que criaram e alimentaram seus próprios inimigos! Com certeza, nos jogos do Brasil contra países não alinhados (submissos) aos EUA e Inglaterra, não haverá tamanho  aparato militar para proteger nossos jogadores e nossa torcida, pois somos amantes da paz e amados por todos os povos do "terceiro mundo"!

domingo, 13 de junho de 2010

Nota Pública à Sociedade sobre a grilagem em Santa Maria da Vitória-BA

Fonte: notícia veiculada no site da Comissão Pastoral da Terra: http://cptnacional.org.br/index.php/noticias/


Nós representantes da sociedade civil organizada, movimentos sociais, organizações e entidades populares, paróquias, sindicatos, dioceses vimos por meio desta, solidarizar com as famílias de João Cerrano Sodré, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe e de Marilene de Jesus Cardoso Matos, agente pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT – Centro Oeste da Bahia). Ambos foram presos no dia 25/03, por volta das 15:00 horas, a mando do Juiz Eduardo Pedro Nostrani Simão; sendo libertados no dia 26/03 às 22:30 horas, por determinação do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia.

O motivo da prisão baseou-se no fato de João e Marilene terem assinado uma Nota Pública, em 09 de março de 2010, pedindo providências diante do conflito agrário envolvendo Comunidades Tradicionais de Fechos de Pasto do Município de Santa Maria da Vitória-BA e grileiros, que se dizem donos de uma área de 30 mil hectares de terra.

A Nota foi enviada a vários órgãos públicos, dentre os quais a Ouvidoria Agrária Nacional, Secretaria de Segurança Pública, Corregedoria do Tribunal de Justiça da Bahia, Ministério Público, dentre outros. Cabe ressaltar que há interesse do Estado da Bahia na regularização da área em conflito, como comprova a deflagração da Ação Discriminatória Administrativa Rural (Portaria CDA no 18/2010, publicada no Diário Oficial da União em 11 de março de 2010), que pretende comprovar a origem destas terras e a possibilidade das mesmas serem Terras Devolutas.

A história destes Geraizeiros, moradores dos Fechos de Pasto, que abrangem mais de 400 famílias, aproximadamente 2.000 pessoas e 14 comunidades, dentre as quais Quatis, Mutum, Salobro, Jacurutú e outras, mostra que eles vivem (ou melhor viviam) harmoniosamente com o Cerrado (Gerais), sendo este indispensável as suas vidas, sendo a base de um complexo sistema de relação homem/natureza; onde terra, água, veredas e plantas são utilizadas racionalmente e culturalmente por estas comunidades. Comunidades estas que há mais de 200 anos ocupam este território, criando gado nos Fechos de Pastos, que são áreas de uso comum, plantando e extraindo frutos nativos, comercializadas nas feiras locais.

No entanto, a partir da década de 80, estas comunidades se tornaram vítimas de um articulado processo de grilagem, pela família de advogados: Sr. Paulo de Oliveira Santos e sua esposa Sra. Socorro Sobral Santos, residentes em Santa Maria da Vitória. A intervenção deste casal na região é conhecida, pois este não é o único caso de grilagem que eles estão envolvidos.

Repudiamos, a forma como vem sendo tratada a problemática destas famílias de agricultores, que vem sofrendo perseguições e ameaças de pessoas fortemente armadas, e a utilização do judiciário por parte dos grileiros, através do ajuizamento de várias ações, com o intuito de impedir a permanência e o uso do território secularmente ocupado por estas comunidades.

Repudiamos, ainda, a prisão arbitrária de João Cerrano Sodré e Marilene de Jesus Cardoso Matos, ressaltando que eles pertencem a entidades históricas na defesa das causas dos trabalhadores e são pessoas idôneas, conhecidas e respeitadas na região e em todo Estado.

Diante do exposto, conclamamos a todos e todas para se juntarem nesta luta, visando garantir:

os direitos fundamentais dos agricultores da região, que estão com suas vidas ameaçadas, para que os mesmos tenham seus territórios preservados; uma justiça isenta; que os órgãos competentes tomem providencias de forma contundente para resolução dos conflitos agrários no município de Santa Maria da Vitória; realização da discriminatória, a fim de identificar as Terras Devolutas e pela titulação dos Territórios das Comunidades Tradicionais; preservação do cerrado e da vida, cultura e tradição de seu povo.

Santa Maria da Vitória-BA, 31 de março de 2010

Assinam:

Comissão Pastoral da Terra, Regional Bahia e Nacional; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canápolis; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Coribe; Sindicato dos Trabalhadores de Cocos; Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Município de Correntina; Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB; Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP; Movimento dos/as Acampados/as, Assentados/as e Quilombolas - CETA; Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais da Bahia – AATR; Paróquia de Santa Maria da Vitória; Paróquia de São Felix do Coribe; Paróquia de Coribe; Paróquia de Serra do Ramalho;

10 Envolvimento/Barreiras; Diocese de Barreiras; Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santa Maria da Vitória; Associação Comunitária de Jovens Santamarienses; Movimento de Mulheres Unidas na Caminhada – MMUC; Casa da Cultura Antonio Lisboa de Morais; APLB-Sindicato; Espaço Cultural Paulo Freire; Escola Família Agrícola de Correntina; Associação Beneficente do Corrente; Movimento Cidadania e Vida; Biblioteca Rosa Oliveira Magalhães; Biblioteca Eugenio Lyra.