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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

QUEM VOTA NO PT?




"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)

Os Petistas, espécie de fanáticos trotskistas xiitas fundamentalistas, que se consideram os únicos donos da verdade, os heróis salvadores da Pátria, identificados por uma pseudoidentidade latino-americana denominada "Bolivarianismo", cujo líder máximo foi o ditador Hugo Chavez, e que pretendem implantar, no Brasil, o velho e fracassado comunismo, a qualquer preço, e à revelia da população, pois acreditam ser esta a sua Missão na Terra.

Os oportunistas safados que, como moscas varejeiras, vivem dos excrementos da política corrupta que dominou o país, e se aproveitam do fanatismo petista para roubar a Nação, pois sabem que o PT acredita que "os fins justificam os meios", e a Justiça já teria sido comprada com o dinheiro do Escândalo do Mensalão e de outros golpes sujos, como os da Petrobrás.

Os "inocentes úteis", pobres e iludidos usuários dependentes do Bolsa Família e de outras políticas assistencialistas implantadas pelo PT em seus 12 anos de triste e arrogante dominação, em que se esqueceram do Partido Ético que tanto nos encantou, mas ficou no passado, como amarga lembrança de nossas lutas pela democratização do país.

Em qual grupo você se encaixa?

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Entrevista com Mikhail Gorbachev (Михаил Горбачёв)



Talvez, a grande lição que esse grande líder mundial nos deixou tenha sido sua humildade. Aos oitenta anos ele ainda demonstrava sua lucidez e simplicidade! Talvez, o que falta aos líderes de nosso país seja, justamente, a humildade. Raras vezes na história um único homem teve a oportunidade e a sabedoria de mudar os destinos da humanidade. Gorbachev foi um deles.

domingo, 14 de setembro de 2014

"Operários em Construção"


OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO
Vinícius de Moraes

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo,
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer o tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente,
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão,
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, Cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção,
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:


Notou que a sua marmita
Era o prato do patrão
Que a sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que o seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que a sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
-"Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado,
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção,
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
E o operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca da sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! -disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem pelo chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão, porém, que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
_______________________________________________________

De fato, nós, "operários em construção", não temos mais o poder de mudar nosso "patrão", pois, para isso, seria necessário mudar o processo de subserviência de nossos irmãos operários que, aceitando as migalhas do capitalismo através do assistencialismo de estado, perdem sua autonomia de decidir e mudar sua própria vida. Vinícius fala de outra época (1956), nem tão distante, mas na qual as forças dos partidos políticos não estavam tão imbricadas com forças tão antagônicas, parecendo que tudo não passa de mera ilusão, que nada é diferente, e que não importa quem, não importa como, esse mundo irá permanecer sempre o mesmo. Na década de meu nascimento (1950) o Brasil era um país agrícola, e não havia o agronegócio; a agricultura era uma atividade nobre, e os bancos ofereciam linhas de crédito especiais para os agricultores, através de uma carteira agrícola. Hoje, os operários não estão mais nas lavouras, pois foram substituídos por máquinas; eles também não estão nas fábricas, que foram automatizadas; tampouco estão nas construções, onde o ritmo é frenético, e blocos de pré-moldados servem de peças a serem montadas como um lego gigante. Também a música de Chico Buarque (Construção) já não nos diz respeito.

O que há, então, senão empresas virtuais, empresas de serviços, instituições governamentais onde os trabalhadores são chamados de "servidores", termo medieval e anacrônico, como os serviços prestados à população? Existem os empresários, os banqueiros, os latifundiários... porém, nem mesmo eles são igualmente, os mesmos. Seu escritório está nas bolsas de valores; seus empregados estão nos computadores; seu dinheiro, em um paraíso fiscal, assim como o dos políticos "tiriricas" que riem de nós, pobres palhaços. Nossos inimigos não são mais os patrões, pois até mesmo eles vivem da carniça que apodrece nas salas do Poder de Brasília. O Capital mudou de nome, de negócio e de objetivo. Ninguém trabalha mais para edificar uma Nação, mas para conquistar sua posição, não importa como, não importa com quem, não importa, sequer, quantos serão necessários "desconstruir" para se conseguir o que se quer.

Não somos mais "operários em construção", pois não há mais operários. Não nas dimensões que tinham quando Vinícius escreveu sua ode aos trabalhadores. Aliás, mesmo os "trabalhadores" já usam gravata e convivem nos gabinetes do Palácio do Planalto, com a desenvoltura dos que eram, por eles, condenados e acusados de usurpadores do povo. Já não enxergamos mais, nas obras que aí estão, os frutos de nossas mãos calejadas, de nosso trabalho árduo, porque já não há mais calos nem suor nos trabalhos de gabinete. E a monotonia dos campos de soja substituíram a beleza das lavouras diversificadas dos tempos de Vinícius. Milhões de cabeças de gado caminham pelos prados igualmente monótonos da brachiaria transgênica dos latifúndios das "plantations". E a fumaça das cidades não sai mais das chaminés de fábricas, mas dos encanamentos dos veículos paralisados nas infindáveis filas dos congestionamentos urbanos.

Somos bilhões de seres, três vezes mais do que quando Vinícius teve sua inspiração e produziu seu texto iluminado. O marxismo já não nos entusisma, nem nos faz lutar contra a opressão de nossos patrões endinheirados. Afinal, qualquer um de nós pode se desfazer de seus valores, de seus princípios, de sua ética incorruptível, alistar-se em um partido político dos trabalhadores, e eleger-se membro das confrarias da corrupção e do enriquecimento fácil. Em breve, seremos dez bilhões de seres humanos, andando sem rumo em um mundo desprovido de belezas, intoxicado pelos gases asfixiantes produzidos pela ausência das paisagens que tanto nos encantaram. Não teremos água para saciar nossa sede, mas algum cientista haverá de encontrar uma saída para isso também. Não entenderemos, nem tentaremos descobrir a razão do existir, que tanto incomodaram os filósofos da antiguidade. Mas não haverá, também, filósofos, nem poetas, nem sonhadores, pois esses seres humanos terão sido banidos do convívio da sociedade; serão, tão-somente, marginais.

E aquele operário, que vislumbrava o mundo à sua volta, compreendendo-o como sendo a sua própria obra, terá saltado dos andaimes, espatifando-se no vazio dos pátios das construções. Já não haverá, também, lugar para ele. Vivemos o fim das ideologias e dos valores éticos. Por isso, somente o pragmatismo imediatista se permitirá existir, e aqueles que o afrontarem, ainda que só em pensamentos, terá sido condenado a não mais existir. Nem mesmo delatores haverá, então, pois quem se atreverá a contrariar a lógica das construções sem operários? Não seremos, sequer, "operários em construção"...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Os EUA, a Inglaterra e o pavor do Terror

Nunca antes, em uma Copa do Mundo de Futebol, viu-se tamanho aparato militar para proteger jogadores e torcedores de dois países: EUA e Inglaterra. Foi uma verdadeira operação de guerra, com várias inspeções no campo e nas arquibancadas, nos arredores e em toda a cidade que hospedou as duas seleções do mundo. E tudo sob a supervisão dos órgãos de contra-espionagem desses países! Isso contrastava e violentava o clima de paz, de harmonia e de simpatia que irradiava dos anfitriões africanos desde a abertura e em todos os jogos já realizados.

Por que esse pavor? Porque esses dois países são os campeões da violência nas arenas reais do mundo; os EUA comandando as ações de guerra e a Inglaterra, de joelhos, prestando vassalagem a seus ídolos internacionais. Quem não conhece a História poderia se espantar com essas palavras, mas basta um pequeno "tour" pela história recente para compreender essa triste realidade, partindo de um país que se auto-intitula o "campeão e defensor da democracia" e, em nome dela, tem perpetrado os mais cruéis crimes da História contemporânea.

Tudo começou ao término da 2º Guerra Mundial, quando o planeta foi dividido entre países Capitalistas e Comunistas. Embora a União Soviética tenha feito sua Revolução Comunista em outubro de 1917, EUA e URSS foram "aliados" durante a Guerra, tendo em vista o inimigo comum. Bastou acabar a guerra e a farsa também se esgotou.

Com a morte de Stalin e a ascensão de seu sucessor Nikita Krushev, foi declarada oficialmente a "Guerra Fria" entre URSS e EUA. O mundo passou a ser disputado entre as duas facções em conflitos sangrentos, como a Guerra do Vietnam, que se extendeu pela Coréia, pelo Cambodja e pelo Laos, causando centenas de milhares de mortos e destruindo quase completamente esses países e suas culturas. A presença dos militares norte-americanos nessa região por mais de 10 anos provocou a degeneração dos costumes, a proliferação das drogas e da prostituição, e o assassinato cruel e desumano de parte expressiva da população inocente e civil. Até bombas químicas e de "napalm" (plástico que, ao explodir, se incendiava e aderia aos corpos dos soldados, em morte lenta e cruel) os EUA usaram contra a população, indiscriminadamente, matando velhos, crianças e mulheres, e dizimando enormes extensões de florestas nativas com desfolhantes químicos de alto poder destrutivo.

Sabe-se que os EUA testaram exaustivamente seus armamentos mais modernos, como os caças Phanton, tanques de guerra e armas de toda espécie, permitindo-lhes assumir a vanguarda mundial na produção, proliferação e consumo de armamentos de alto poder de destruição. No entanto, finda essa guerra nos anos 70, os EUA tinham um expressivo contingente de soldados mutilados, viciados em cocaína e outras drogas, e desempregados. O que fazer com eles e com o enorme estoque de armamentos desenvolvidos e produzidos durante a guerra?

Nas décadas de1960 e 1970 os EUA se defrontaram com uma nova ameaça: diante do fracasso das políticas do "New Deal", as promessas de igualdade e justiça social do Comunismo conquistaram os intelectuais e estudantes de todo o mundo. Em 1967 e 1968 aconteceram manifestações estudantis na França e em toda a Europa, apoiadas por nomes ilustres como Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Ferdinad Sausure, e o Quartier Latin (quarteirão latino), famosa área central de Paris, foi ocupado por manifestantes exigindo mudanças estruturais na educação, na política, na filosofia e nas relações sociais, com mais liberdade.

Essas manifestações, aliadas a protestos estudantis dentro dos EUA contra sua participação na guerra do Vietnam, e à anterior e comovente experiência de Fidel Castro e Ernesto "Che" Guevara, reconquistando Cuba de seu ditador Fulgêncio Batista, inspiraram e motivaram rebeliões em muitos países sub-desenvolvidos, chamados de "terceiro mundo" pelas aristocracias da época. Essas rebeliões tornavam-se cada vez mais fortes, abalando as estruturas sociais, políticas e militares desses países, e ameaçando a hegemonia norte-americana no Ocidente.

Diante dessas ameaças, os EUA se envolveram diretamente em todos os golpes militares dos anos 60 e 70, instaurando ditaduras violentas em todo o continente sul-americano, inclusive no Brasil. Em todos eles a CIA (Central Intelligence Agency) teve papel preponderante e determinante na queda das democracias. Algumas dessas ditaduras se iniciaram com o assassinato de presidentes, como ocorreu com Salvador Allende, no Chile, em 1973 e a tomada do poder por um dos maiores facínoras sanguinários contemporâneos, o General Augusto Pinochet.

Uma nova política, muito diferente dos ideais democratas, foi implantada, à força, no mundo, substituindo governos legitimamente eleitos por títeres do regime imperialista norte-americano. Só restou Cuba, sustentada pela União Soviética, devido ao cerco político internacional que perdura até hoje, e apesar de sanções econômicas drásticas que minaram sua sociedade até a exaustão. Hoje, Cuba não consegue superar sua fragilidade econômica, e os países "democratas" não têm coragem suficiente para romper esse bloqueio. Mesmo o governo Lula, que se diz amigo pessoal de Castro, não cancelou as sanções econômicas e compactuou com os EUA nessa barbárie que macula nossas relações internacionais.

Ao final da década de 1980, os EUA detinham o poder na maior parte do mundo: venceram a "Guerra Fria", chegaram à Lua, derrubaram governos, e possuíam cerca de 25.000 ogivas nucleares apontadas para Moscou. Em 1988 o regime soviético se esfacelou e, com ele, a União Soviética, fragmentada em mais de uma dezena de países, sob a batuta de Mikhail Gorbachev. As ogivas nucleares soviéticas se espalharam entre esses países, ameaçando a paz mundial. O Muro de Berlim despencou, as Alemanhas foram reunificadas, e a Rússia que sobrou não tinha um décimo do poder da antiga União Soviética.

Com tamanho poder militar em suas mãos, os EUA se defrontaram com outro grave problema interno: a antes florescente indústria de armamentos estava em processo de falência, pois não havia novos conflitos que consumissem esse material bélico, e o enorme contingente de soldados não tinha o que fazer nos quartéis norte-americanos. Então, por que não criar um novo conflito? A pressão interna era enorme.

O primeiro alvo foram as guerras internas do continente europeu e, em particular, da Macedônia, Bósnia, Eslovênia, Croácia e Sérvia, pertencentes à antiga Iugoslávia. Milhares de pessoas, principalmente civis, foram vítimas dos tanques que rolaram sobre eles em confronto fratricida em Kosovo, sob os olhares passivos da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da comunidade do Pacto de Varsóvia, esfacelada pela "dèbacle" socialista. Gastou-se muito armamento por lá...

O segundo alvo foi o Iraque. Havia escassez de petróleo no mundo ocidental, causada pelas restrições de produção da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo), e os preços subiam de hora em hora, assustadoramente. Estávamos nos anos 1970, e a economia mundial entrava em uma grave crise, desta vez provocada pela falta de guerras! Era preciso, era imperativo, que uma nova guerra fosse provocada.

A primeira Guerra do Iraque permitiu que os EUA desovassem grande parte de seus estoques de armamentos obsoletos e a indústria de material bélico norte-americano e dos demais países desenvolvidos se salvou. A crise do petróleo foi contida e os preços internacionais baixaram. A segunda Guerra do Iraque e a guerra contra os Talibãs do Afeganistão, provocadas pelo ataque às torres gêmeas de New York (setembro, 2001) completaram esse trabalho de reposição de armamentos, de recuperação das indústrias de material bélico e da regularização do fluxo de petróleo.

Todas essas ações norte-americanas causaram o repúdio dos meios intelectuais e, com as guerras do Iraque, também a repulsa dos países árabes, humilhados diante de seu inimigo visceral, Israel, que tinha o privilégio de contar com apoio incondicional dos EUA. A razão desse apoio era evidente: em primeiro lugar, representava o antagonismo ao poder dos muçulmanos; em segundo lugar porque os EUA precisavam conter o fortalecimento dos países produtores de petróleo do Oriente Médio; e, em terceiro lugar porque era estrategicamente interessante para os EUA ter um forte aliado implantado nos quintais de seus inimigos árabes.

Daí, para surgirem as novas fórmulas do terror foi um passo: em toda História da Humanidade, mesmo durante o obscurantismo da Idade Média, o alvo das guerras sempre foram os soldados e seus comandantes. Agora, em nosso admirável mundo novo, o alvo mais fácil se tornou o povo, as pessoas comuns, indefesas diante de uma violência sem autor.

Pura covardia, diriam todos. Sim, covardia em sua manifestação extrema! E a causa primária dessa covardia foi o surgimento de um poder único, insuperável e sem limites de um só país em todo mundo: os Estados Unidos! Eles podiam fazer guerras, matar inocentes, prender e torturar seus inimigos, mesmo sem comprovação de culpa, como aconteceu em Cuba, nas prisões de Guantánamo, no Vietnam, no Iraque e nas prisões e calabouços dos países latino-americanos sufocados por ditaduras militares sustentadas pelos EUA durante mais de duas décadas.

E a Inglaterra? Além de sua subserviência incondicional aos EUA, esse país também tem sua história de exploração e violência contra os povos. Que o digam Mahatma Ghandi e a Índia, destruídos por uma guerra sibilina, do ópio, que fez com que toda uma população fosse contida pelo vício, apenas para que suas riquezas sustentassem a Coroa Britânica e seu povo aristocrata e de um poder imperial anacrônico.

Mas a Inglaterra também nos fez de idiotas depois da Segunda Guerra Mundial; credores de imensa dívida contraída pelo fornecimento de material bélico e matérias-primas, o Brasil recebeu, em pagamento, quinquilharias, perfumarias, lixo industrial da Grã-Bretanha imperial.

E as colônias inglesas ao redor do mundo, de onde retiraram, por séculos, tesouros incalculáveis, obras de arte, minérios, pedras preciosas? E a farsa do combate à escravidão no Brasil: por que não interessava à Inglaterra que explorássemos escravos africanos? Não foi por pena, com certeza! Com a exploração de escravos, a Inglaterra não tinha mercado para seus produtos, concorrentes de nossas "plantations" de cana de açúcar. Daí seu interesse em acabar com a escravidão e fomentar uma crise de produção de açúcar e nas lavouras de café no Brasil.

E nossa independência de Portugal? Quem pagou a conta para a Inglaterra foi o Brasil, por um acordo entre nossa antiga matriz e a Inglaterra, credora dos portugueses por ter ajudado Dom João VI e a Famíla Imperial a fugir de Napoleão e se instalar no Brasil. E o regime de Apartheid na África do Sul, colonizada por ingleses e franceses, fazendo dos negros africanos, em sua própria nação, o que foi feito aqui com nossos indígenas e com os negros trazidos da África?

Se hoje Inglaterra e Estados Unidos têm pavor do Terror internacional, a culpa é exclusivamente deles, que criaram e alimentaram seus próprios inimigos! Com certeza, nos jogos do Brasil contra países não alinhados (submissos) aos EUA e Inglaterra, não haverá tamanho  aparato militar para proteger nossos jogadores e nossa torcida, pois somos amantes da paz e amados por todos os povos do "terceiro mundo"!