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sábado, 16 de agosto de 2014

A nova Polarização dos Debates Políticos

Dilma, Marina e Aécio
Se a família de Eduardo Campos ainda está de luto, e todos sentimos um profundo mal-estar e tristeza com a trágica morte do ser humano por detrás do candidato a presidente, o processo eleitoral, contudo, segue adiante, e novas perspectivas se revelam com o reingresso de Marina Silva na disputa eleitoral.

Não é, simplesmente, a troca de nomes e pessoas; é uma nova estratégia que deverá ser elaborada para cada um dos possíveis eleitos no pleito de 3 de outubro, e que definirá o destino de nossos próximos quatro anos, como Nação e como Povo Brasileiro. Antes havia uma situação de fato, caracterizada pela mesma polarização de todas as eleições desde 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito pelo PSDB. Desde então, PT e PSDB se enfrentam sem dar espaço para outras candidaturas, cada um abraçando tantas legendas que até descaracterizam completamente seus partidos políticos e suas ideologias. Mesmo em 2010, quando Marina teve seus 20 milhões de votos e forçou a realização do segundo turno nas eleições para presidente, não havia, de fato, chances de ela ser eleita, principalmente pelo tempo ridículo que possuía para vender a sua imagem na TV.

Eduardo Campos estava seguindo essa mesma lógica, e tinha menos de 10%, enquanto Aécio estava com 22% e Dilma com 38%. Marina Silva entrou para transformar esse cenário. O terrível torpor causado pelo choque da morte de Eduardo Campos, a forma como se deu esse falecimento, a perplexidade que tomou conta dos brasileiros e, é claro, a manipulação da mídia para o espetacular retorno de Marina Silva ao palco das disputas, tudo isso terá um reflexo imediato nas pesquisas, e provavelmente, Marina se aproximará de Aécio, resgatando o voto daqueles que haviam decidido anular o seu, mas também trazendo votos do tucano, daqueles que preferiram tentar evitar que Dilma se reelegesse ainda no primeiro turno.

Agora, é o próprio PT quem afirma que as eleições irão para o segundo turno, e poucas pessoas acreditam no contrário. A dúvida, apenas, é quem irá para o segundo turno! Os petistas estão certos de que sua candidata garantirá sua vaga, deixando para a especulação quem a enfrentará na fase final. Aécio tem demonstrado certa estabilidade nesse patamar de 20%, mas a incógnita é: Marina superará esse limite? E de onde virão seus votos: dos Evangélicos? de Aécio? de Dilma? Dos votos nulos ou em branco? Porém, existe outro aspecto a se considerar: Dilma, segundo a opinião de experientes analistas, além de ter o maior índice de rejeição dentre os candidatos, já atingiu seu teto de eleitores, e a tendência é apenas de reduzir seu percentual, a despeito da poderosa máquina de governo e do enorme tempo de que dispõe para conquistar os votos dos indecisos nos programas eleitorais na TV, que logo se iniciam.

É claro que não temos a antevisão dos motivos que levarão eleitores a mudar seus votos, mas, exatamente por isso, a hipótese de um segundo turno disputado entre Aécio e Marina não está descartada. Um fato é certo e notório: a população está cansada de tantas denúncias de corrupção, de desonestidade, de malandragem em todos os escalões da vida pública nacional, e a novidade de um novo embate, com candidatos em condições de igualdade, é muito bem vinda para a vida política nacional. Mais do que isso, é a presença de uma personalidade séria, de eloquente capacidade oratória e de argumentação lógica, e uma nova proposta, diferente de tudo que esteve aí e que governou nossos destinos durante 20 anos.

No entanto, há mais uma pitada de condimentos a se acrescentar nessa "salada mista": existem TRÊS LINHAS DIFERENTES DE PENSAMENTO E DE IDEOLOGIAS a se digladiarem nas arenas políticas brasileiras! A primeira, petista, representa a "esquerda" brasileira, um tanto quanto desacreditada e corroída pelos vícios, mas ainda assim, trata-se da única candidata que poderia puxar para si a bandeira social-marxista em condições de se eleger. A segunda, tucana, representa a "direita", o "neo-liberalismo" e o "desenvolvimentismo", e traz em seu bojo os partidos que estiveram durante anos ao lado da ditadura militar. E a terceira, que também pode ser tratada como a "terceira via", representa a opção pela "sustentabilidade" econômica, política, social e ambiental, embora seu partido, o PSB já tenha se declarado também "desenvolvimentista" e tenha exigido de Marina o compromisso de manter as alianças mais absurdas que Eduardo Campos estabeleceu nos estados da federação e com o agronegócio, principalmente.

O importante a esclarecer é que, agora, com Marina, Dilma e Aécio, não existe mais aquela situação de dicotomia que tanto incomodava aos brasileiros, de optar por Dilma e o PT, ou por Aécio e o PSDB, apenas isso. Agora temos a perspectiva de afrontar as minorias privilegiadas e poderosas do agronegócio, da mineração, das empreiteiras de obras faraônicas, dos banqueiros, bastando, para isso, entender oque fizeram o PT e o PSDB nos últimos VINTE ANOS, e responder, nas urnas, se somos marionetes ou somos HOMENS E MULHERES conscientes e queremos MUDANÇAS JÁ! Cabe a cada um responder.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A triste realidade eleitoral brasileira

"Mais da metade do eleitorado brasileiro (53,56%) são pessoas com nenhum ou pouco nível de escolaridade: 33,09% têm primeiro grau incompleto, 14,57% apenas leem e escrevem e 5,9% são analfabetos!."

"Os dados do eleitorado divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a Região Nordeste tem o maior número de eleitores analfabetos,11,05%. Os que apenas leem e escrevem – chamados de analfabetos funcionais - são 24,19% dos eleitores. Em segundo lugar, está a Região Norte, com 8% de analfabetos e 18,29% de pessoas que leem e escrevem. A Região Sul é a que apresenta o menor índice de analfabetos e analfabetos funcionais, mas tem o maior número de pessoas com o ensino fundamental incompleto, 36,36%."

"As pessoas com ensino superior completo são minoria no eleitorado brasileiro. O Sudeste é a região em que essa parcela da população aparece em maior número, 4,9%, seguida do Centro-Oeste, com 4,39%. Entre os eleitores que ainda não concluíram o ensino superior, a maioria está na Região Sul, 3,82%. Em segundo lugar, vem a Região Centro-Oeste, 3,38%."

"Os números, no entanto, são inversos quando se analisa o nível de escolaridade dos 200 mil eleitores que votam no exterior, 31,16% têm nível superior completo e 13,88% ainda estão cursando faculdade ou universidade. Apenas 0,12% se registrou como analfabeto, 1,86% como analfabetos funcionais e 7,75% têm primeiro grau incompleto."

"A Constituição brasileira determina o voto facultativo para os analfabetos – pessoas que não sabem ler nem escrever. Entretanto, elas são inelegíveis, não podem ser candidatos a cargos eletivos."
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Esses números já eram esperados, mas sua análise apenas reforça minha tese de que o eleitorado brasileiro não pode representar a Democracia. 53% de analfabetos funcionais, fora aqueles que, mesmo tendo algum nível básico de escolaridade, mal sabem redigir um texto elementar, ou desenvolver um raciocínio minimamente estruturado. Como esperar que essa massa ignara consiga ao menos escolher políticos preparados para exercer cargos de tamanha importância na República?

Em nossas eleições, os políticos que a essa farsa se candidatam sabem que iludir um ser ignorante é muito fácil; daí a tremenda representação evangélica em todas as esferas do poder! E, sendo dessa maneira escolhidos, também é fácil para uma minoria irrelevante numericamente, mas poderosa financeiramente, dominar as casas legislativas, fazendo valer sua vontade e seus interesses escusos em detrimento do interesse maior da Nação Brasileira. Daí o poder da famigerada Bancada Ruralista!

Portanto, de nada valem nossos esforços pela moralidade, pois basta uma só eleição para repor a carga podre de políticos eventualmente banidos por fichas limpas e outros expedientes moralizadores. Certamente, não será esta realidade que nos guindará ao nível dos países ditos de 1º Mundo! Permaneceremos nas sombras e penumbras da ignorância e sujeitos aos interesses ainda maiores das grandes nações mundiais, trocando nossos recursos naturais pelos “espelhinhos” usados pelos jesuítas para catequizar nossos índios no período colonial.

Somente uma política focada fortemente na Educação poderá, a longo prazo, reverter esse quadro desalentador. Até lá, nossas florestas já terão desaparecido da face da Terra.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Dilma resistirá às pressões?

Agora que começo a gostar da postura de Dilma, acho que ela mexeu em vespeiro com vara curta, como se diz no interior. Espero, sinceramente, que ela perceba quais são as maçãs podres e quais são aquelas que vale a pena comer nesse grande circo da política brasileira. Os palhaços que sempre estão em cena talvez ganhem a batalha e forcem a presidente a ceder e retornar aos trilhos, recolocando a escória de nossa política nos cargos federais. Isso será lastimável!...

Eu já disse isso quando de sua eleição em 2010 e repito agora: se ela tiver coragem e afrontar os caciques dos grandes partidos políticos, talvez consiga vencer a barreira quase intransponível da corrupção e da safadeza em sua base de governo. Mas para isso ela precisaria mostrar publicamente as armações que acontecem todos os dias, o tempo todo na corte palaciana. E isso já é difícil...

Sinceramente, não creio na presidente Dilma, pois seu caminho político não é o que eu preconizo, e que passa longe demais do caráter desenvolvimentista de sua política econômica. No entanto, percebo que ela tem se demonstrado coerente e está tentando mudar a feição de sua equipe de governo. Os medíocres ministros conduzidos à Esplanada no início de seu governo, a maioria para satisfazer as alianças espúrias feitas para assegurar sua eleição, agora são substituídos por novas caras, nem todas assim tão notórias da política do "toma-lá-dá-cá". Mas isto não basta!

Para que Dilma conquiste a Nação e mereça o respeito do Povo Brasileiro será necessário muito mais - terá, acima de tudo, que derrotar as forças retrógradas e reacionárias do poder legislativo e colocar nos cargos de primeiro escalão pessoas dignas e isentas da lama que cobre as canelas (e os cotovelos) dos políticos tradicionais, principalmente da famigerada bancada ruralista!

Será um caminho árduo, pois em um primeiro momento terá enormes dificuldades de conduzir as votações no Congresso Nacional. No entanto, não existe melhor momento político do que este, um ano eleitoral em que todos esses promíscuos políticos buscam eleger seus apadrinhados para manter a máquina da corrupção azeitada para mais um perído de quatro anos de safadezas e corrupção. Tirado o respaldo popular, caso ela enfrente a máfia, esses mesmos elementos se voltarão para o Planalto para tentar salvar seus dedos, já que os anéis se foram no embate desleal por cargos, favorecimentos pessoais e "pagamento" de dívidas entre "correligionários"!

O problema se agrava quando percebemos que a própria população está fatalmente contaminada por essa sujeira que grassa em todas as esferas do poder, uma vez que não demonstra reações de revolta e indignação, e não existem mais baluartes a serem defendidos em nome da ética, da decência, da dignidade e da honestidade! Quem se salva nessa canoa furada da política brasileira?

Só mesmo o futuro dirá... mas para isso é preciso mudar, lembrando o velho refrão desse verdadeiro hino das oposições à ditadura ("Prá não dizer que não falei das flores..."), que mexeu profundamente com minha geração e nos fez corajosos e idealistas: "Vem, vamos embora, que esperar não é saber! Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"! (Salve, Vandré!)

Dilma, lembre-se de seus tempos de guerrilheira e cumpra seu papel de principal mandatária desta Nação cansada de tantas falcatruas, hipocrisia, mentiras e falta de vergonha na cara! Se você, presidente, perseverar e enfrentar esse poder corrupto e degenerado, poderá até perder a batalha, como perdemos na década de 70, mas terá revitalizado nossas crenças e nosso idealismo! E é disso que precisa a Gente Brasileira para poder ter referências de mérito para nossos descendentes! A Senda do Bem é longa, árdua e perigosa: somente poucos eleitos podem trilhá-la, mostrando o caminho para os que vêm depois... sem essa entrega da alma, não haverá futuro para a Nação!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

As Trapalhadas do Poder Público

Sou novato em Administração Pública; dediquei minha vida profissional à iniciativa privada, onde trabalhei durante 35 anos, até me aposentar, em 2007. Estava acostumado com a agilidade exigida dos executivos, cujos empregos dependiam de sua competência pessoal e dos resultados que produziam para a Organização, seja no volume de negócios gerados, seja nos lucros produzidos. Um executivo não permanecia no cargo apenas por ter sido contratado, ou pelos seus méritos passados. A competência é algo que deve ser demonstrada permanentemente, todos os dias, em todas as ações, em cada projeto implementado. Assim foram meus dias e assim se delineou minha carreira por tantos anos.

Agora, como "servidor público" é diferente: não preciso demonstrar nada; apenas assinar o ponto e não incomodar ninguém. Não esperam de mim o trabalho realizado, mas minha subserviência ao "sistema". Percebi isso enquanto exercia o cargo de Coordenador Regional da FUNAI em São Gabriel da Cachoeira, durante cinco meses. Acreditando nas boas intenções da instituição, fiz planos, motivei pessoas, desenvolvi relacionamentos com outras instituições e exerci o meu "poder" em conformidade com o cargo que ocupava. Queria mudar o destino dessa gente humilde, os indígenas; tirá-los da dependência de um sistema perverso, praticado pelos seus líderes. É claro que "dei com os burros nágua"!

Já na primeira medida administrativa, tentando substituir um assessor incompetente e desleal, fui barrado pelo presidente, que disse que o cargo "de confiança" não poderia ser "de minha confiança", mas da confiança dele, ou melhor, de outra instituição, a FOIRN ("Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro"), uma organização não-governamental. Eu não poderia exonerar o indígena que iria me assessorar em assuntos tão importantes como o relacionamento com a própria FOIRN! Para maior surpresa, existe um instrumento criado pelo próprio presidente para que esse relacionamento se tornasse efetivo: o Comitê Regional do Rio Negro, um grupo paritário constituído de 7 indígenas e 7 servidores, inclusive o tal assessor, também indígena, o que já elimina o seu caráter paritário.

Durante esses cinco meses encaminhei uma centena e meia de memorandos a Brasília, com diversas finalidades, a maioria sem resposta. Desses, cerca de 35 memorandos tinham por objetivo solicitar providências para viabilizar a gestão administrativa e financeira sob minha responsabilidade. Essenciais! Recebi apenas dez respostas! Outros 25 memorandos foram simplesmente ignorados! Sem resposta! Nem "sim", nem "não"! Apenas o silêncio! Como administrar dessa maneira? Como demonstrar competência, se nos são negados os instrumentos mínimos de gestão? Como superar desafios se nos negam o mínimo exigido?

A base da gestão administrativa e financeira de uma instituição pública está assentada no tripé equipe de licitação (que inclui um pregoeiro), procuradoria federal (que dá legitimidade aos atos de gestão) e legislação pública (que fundamenta os atos de gestão). Portanto, não são as leis o empecilho para se gerir com competência, mas a existência das outras condicionantes. Naquela coordenação regional não havia equipe de licitação habilitada, não possuía um pregoeiro qualificado e não existia uma Procuradoria Federal. Portanto, durante cinco meses administrei uma unidade sem capacidade própria de gestão.

O pior, porém, veio depois de meu pedido de exoneração: mal deixei meu cargo e todas as minhas solicitações passaram a ser atendidas, como num "passe de mágica", pela diretoria da FUNAI! Por que me trataram assim? Por que fui "fritado" publicamente, se o que eu solicitava eram apenas as medidas indispensáveis à gestão pública honesta, transparente, eficiente, ética, impessoal, conforme ditam os cinco princípios básicos da Administração Pública: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade, Eficiência?


Na verdade, eu devassei as práticas antigas do empreguismo, dos favorecimentos pessoais, das vaidades extremas, dos interesses escusos e dos abusos de poder que existiam (e agora voltam a existir). Chego à triste conclusão de que o poder público não depende das leis para ser correto, mas das pessoas que o exercem. E, infelizmente, em grande maioria, as pessoas que buscam o serviço público estão interessadas na ESTABILIDADE NO EMPREGO e no atendimento a INTERESSES PESSOAIS. Onde fica, então, o interesse público da Administração?

"Ora, isso não é de sua conta, João Carlos Figueiredo!"

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Novamente, as eleições!

Ainda faltam meses... um ano, na verdade! Mas já nos sentimos ofendidos pelas propagandas estúpidas e mentirosas dos políticos e dos partidos que temos, e que nos envergonham nos noticiários.
Partidos que nem sequer sabemos que existem, por que existem e o que defendem em suas "doutrinas ideológicas"! Creio que seus dirigentes nem sabem o que isto significa. A Presidência fala de progressos que não percebemos: milhões de empregos, sociedade igualitária, obras magníficas, solução para todos os problemas desse povo sofrido e ignorante... sim, ignorante, que não sabe votar, que é manipulado descaradamente, que é levado a pensar que existe solução para tudo, que o petróleo do fundo do mar mudará suas vidas para sempre, que haverá moradia decente e digna para suas famílias, e que a primavera florescerá para todos!

Mentira! Continuamos fingindo para nós e para o mundo! Os pobres serão sempre as vítimas, nem tão inocentes quanto deveriam, dos poderosos, exibidos às claras nas novelas globais que, no entanto, falam de reinos maravilhosos, da nobreza que ainda existe no imaginário de toda gente que vota nos "bacanas" ou nos "babacas", que aposta na megassena, que vislumbra o paraíso nas crendices de suas religiões simplórias! Continuamos acreditando nas promessas dos candidatos e votando no lixo intelectual dos "tiriricas da vida"!

Enquanto isso, nossa educação pública se vangloria dos péssimos índices de qualidade que, sendo genéricos e nacionais, não refletem a verdadeira situação dos guetos de pobreza que se dispersam nos sertões do Brasil. Nossa política ambiental decreta o fim de nossas reservas naturais, que continuam sendo dizimadas às claras, à luz do dia, por políticos latifundiários, capitaneados pela famigerada e poderosa "bancada ruralista", amparada por políticas exportadoras de produtos primários e importadora de alta tecnologia. Enquanto isso, ouvimos diariamente as promessas de uma Copa do Mundo salvadora, de uma Olimpíada que resgatará a imagem perversa que têm os povos cultos do mundo com relação à nossa gente.

E as eleições virão para confirmar nossa incompetência em escolher gente digna e honesta e que comprovará que esse modelo de "democracia" está falido e podre, servindo apenas para perpetuar no poder aqueles que compactuam da safadeza e usufruem das benesses da corrupção, do empreguismo e do vandalismo de nossos valores culturais. O que sobra desse país, senão um povo ludibriado e passivo? O que restou da juventude dos "anos de chumbo", daqueles que deram suas vidas pela liberdade de expressão, pela dignidade humana? Se éramos minoria diante dos terrores da ditadura, ao menos tínhamos ideais e lutávamos pela ética na política e pela justiça social. Agora, os partidos que ajudamos a criar nos traem descaradamente, buscam parcerias com o inominável poder daqueles que no passado nos torturaram nas celas das prisões ilegais e desumanas! Eles estão por toda parte, galgando cargos e pisando nas cabeças daqueles que deram seu sangue para o bem do país...

Agora virão novas eleições para vereadores, prefeitos, deputados, senadores... e veremos, mesmo que contra nossa vontade, perfilarem diante de nós, nas telinhas da tv, qual bandidos sendo expostos à identificação pública, os mesmos, os novos, os sempre políticos imorais que combatemos no passado. Se me perguntarem de novo, direi que não valeu a pena nossa geração se perder na luta inglória, assim como não vale a pela defender princípios éticos, ideologias que já não servem para nada, pois o futuro dessa geração de agora está sendo desenhado em um rascunho indecente e imoral... tenho pena dos que virão depois de mim...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O serviço público e a imoralidade

Trabalhei 35 anos em empresas privadas. Foram anos de luta e muita dedicação para encontrar meu espaço no competitivo mercado do Capital. Sempre achei que as empresas tinham um elevado grau de incompetência e ociosidade, causados pelo despreparo da maioria dos profissionais. São poucas as pessoas competentes e que fazem a diferença.

No entanto, o serviço público leva essa incompetência ao nível extremo! E para agravar ainda mais a situação, uma parcela muito expressiva de servidores públicos não tem nenhum compromisso com a Ética, a Moralidade, a Dignidade e a Justiça! É uma relação doentia, egoísta e indecente, que sempre alimentou os noticiários da imprensa nacional, mas que relutamos a aceitar como um comportamento doentio e predominante. Infelizmente, é verdade.

Estou enojado, decepcionado e arrependido de ter prestado um concurso público e ter assumido um cargo executivo em uma organização pública. Não vejo possibilidade de reversão desse processo nefasto e indecente que predomina nas relações sociais dentro das organizações governamentais. É um câncer que se alastra pelo tecido orgânico da administração pública! Um câncer que, não sendo terminal, mantém esse organismo vivo, sugando a seiva da Nação, promovendo o desperdício dos recursos públicos e humilhando a população que, com extremo esforço, doa parcela expressiva de seus salários para manter essa máquina emperrada em funcionamento.

Não tenho orgulho de meu trabalho porque sei que a maioria dos servidores não é digna do respeito da Nação Brasileira. Em meus sessenta anos nunca experimentei essa sensação de impotência e inutilidade; de que todo trabalho é inútil e todo esforço um desperdício. Jamais convivi com pessoas tão mesquinhas e desprovidas de qualquer sentimento patriótico!

Quanto tempo suportarei essa situação? Não sei... meu instinto me compele a abandonar esse trabalho indigno, mas meu compromisso com a Ética e a Decência me obriga a perseverar. Sinto que essa permanência me consome internamente, mas ainda tenho uma tênue esperança de superar essa força do mal que contamina o Poder. Devo estar errado.

Não há, racionalmente, nenhuma possibilidade de vencer a podridão do poder público. Sou um ser em extinção, remando contra a correnteza, enquanto passam por mim as embarcações dos corruptos e dos comprometidos com suas próprias causas e interesses mesquinhos.

Que pena... este jogo eu já perdi...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ideologia e partidos políticos

Vivemos um antagonismo e uma contradição: enquanto a ciência e a tecnologia ultrapassam todas as fronteiras concebíveis e se equiparam à ficção, nossa organização social permanece arcaica e anacrônica. Os partidos políticos perderam a ideologia junto com o desaparecimento das doutrinas marxistas.

E isso não é exclusividade do terceiro mundo! As nações ditas "desenvolvidas" passam pelos mesmos dilemas. Alguns países possuem apenas dois partidos políticos, que se autodenominam "conservadores" e "progressistas", como se houvessem apenas o branco e o preto em nossa natureza ideológica! As matizes não teriam nenhuma importância!

Outros países, como o nosso, mergulharam em um mar de partidos sem qualquer identidade intelectual, senão os próprios nomes, com suas cargas históricas desvirtuadas. Vejam, por exemplo, o trabalhismo: PT, PDT, PTB e outros tantos sem expressão política relevante. O que, de fato, eles representam? O Getulismo morto e enterrado? As centrais sindicais, corruptas e pelegas? O paternalismo estatal de nossas lideranças?

Ou então a velha denominação "esquerda" versus "direita"! Quem é de esquerda? PSDB? PSOL? PT? PDT? PPS? PC do B? Apenas siglas, mas sem conteúdo ou orientação ideológica! A discussão das idéias políticas não existe dentro dos partidos políticos!

Então, o que os diferencia, senão seu maior ou menor fisiologismo ou "grau de adesão" ao partido no poder? Alguns até assumiram como estratégia "crescer para aderir ao poder", sem disputar eleições para cargos executivos, como é o caso do PMDB e do DEM (ex-arena, ex-PDS, ex-PFL, ex-qualquer-coisa). É mais confortável e seguro oferecer seu apoio condicionado a concessões por cargos de primeiro escalão, ou por presidência de empresas estatais!

Na verdade, não há saída para os partidos políticos, senão a extinção! É preciso rever o modelo de representatividade, o papel dos partidos políticos, a questão ideológica, a responsabilidade ética como pré-requisito à representação popular, a questão da fidelidade partidária, que deveria ser ideológica...

De que adiantam tantos partidos políticos se o povo não se encaixa em nenhum deles? Como ingressar na política sem macular o próprio nome na corrupção, nas mordomias, no nepotismo descarado, nos conchavos da disputa por cargos, na ausência de uma ética política? Como participar da vida política de uma nação quando seus governantes perderam a vergonha na cara e posam para as fotos com a cara de pau de quem nada deve?

O Senado, a Câmara Federal, as Assembléias Estaduais, as Câmaras Municipais, todos os palanques populares estão completamente contaminados pela corrupção e pelo abuso dos mecanismos de poder! E como resgatar a dignidade dessas casas representativas se nossos representantes, escolhidos por nós, corrompem, roubam e trapaceiam sem nenhum pudor ou decência?

Talvez, nessa sociedade movida a tecnologia não haja lugar para a ideologia...  e esse reality show em que se transformaram nossas vidas, seja pelos meios de comunicação, seja pelos sites de relacionamento cada vez mais presentes e determinantes em nossas sociedades, talvez esse terceiro poder seja a nova célula  desse mundo anárquico e cada vez mais desigual!

Enquanto isso, à nossa revelia, os mecanismos do poder institucionalizado articulam as ações, sem o respaldo do povo para o qual ele foi constituído, e devassando cenários de extrema indecência política, seja dos mensalões, seja das obras faraônicas, seja das igrejas universais! E, pasmem, tudo é feito às claras, noticiado em cadeia nacional, explorado por entrevistas onde os responsáveis pelas falcatruas nem se defendem mais, convictos de sua impunidade, e até mesmo admirados pela esperteza de dar um golpe sem consequências para si, senão fama e poder!

Fortunas surgem do nada, de um conceito virtual, "vaporware" como diz a tecnologia, neologismo que revela a fragilidade desse admirável mundo novo! Com isso, jogamos nossa História no lixo da própria História, pois o que vale é o "aqui e o agora", não das doutrinas budistas, mas do imediatismo ágil e esperto!

E se a ideologia morreu e se tornou anacrônica, assim como os princípios éticos e morais, se os partidos políticos representam apenas os "clubes" de poder que dividem a carniça apodrecida da "res publica", se a "governança" se confunde com a "comilança" e com a partilha dos bens e da riqueza nacional, só nos resta fazer parte dessa festa, ou escrever um blog como o meu!...