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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Brasil Colônia HOJE e a Exportação de Produtos Primários

Colheita mecanizada de algodão no Cerrado Brasileiro: além da devastação, o desemprego causado pela automação
Quando o Brasil declarou sua independência, ficou como sua herança maldita a prática da monocultura, do latifúndio e da escravidão, e a subserviência aos países que despertavam para a industrialização. A distribuição das terras, em função do colonialismo português, atendia aos interesses das classes dominantes, que as herdaram da espoliação dos territórios indígenas. Esses hábitos foram transmitidos pelas gerações que se sucederam, deixando-nos, não apenas a herança maldita dos territórios manchados pelo sangue indígena e escravo, mas também a dependência permanente dos antigos senhores, tornando-nos meros fornecedores de produtos primários: matérias primas e commodities.

Essa relação foi construída pelas nações que se anteciparam ao processo de industrialização, desde o século XIX, como a Inglaterra e a França, seguidos dos EUA, da Bélgica e do Japão. O Japão ascendeu de um país feudal, do século XVII, para uma das maiores potências industriais do século XX. Enquanto os países europeus, os EUA e o Japão cresciam e conquistavam novas colônias, o Brasil, voluntariamente, ofereceu-se para ser "O CELEIRO DO MUNDO"! 

Com a desestruturação do bloco comunista, capitaneado pela União Soviética, e depois pela China, a Rússia perdeu seu domínio territorial na Europa e na Ásia, enquanto a China repetia o fantástico desenvolvimento japonês, tornando-se, em pouco mais de 20 anos, a segunda potência mundial e o maior mercado consumidor de matérias primas e commodities. Enquanto isso, o Brasil se arrastava, de crise em crise, através de sucessivas tentativas frustradas de conseguir uma explosão no seu desenvolvimento industrial. Finalmente, no final do século XX, o Brasil cometeu um erro estratégico, ainda no período da ditadura militar, priorizando, primeiro, a expansão de suas rodovias, e optando, definitivamente, por esse modal de transportes, caro e dependente do petróleo, e sucateando suas ferrovias, abandonadas quando a monocultura cafeeira entrou em declínio, logo depois do "crack" da Bolsa de New York.

Seu segundo erro, também durante a Ditadura, foi o estímulo ao desenvolvimento de uma indústria de computadores, na década de 1970. O erro se evidenciou pela incapacidade do país em enfrentar as gigantes do setor, como a IBM, a Burroughs e a Hewlet-Packard, seguidas por Microsoft, Apple e Dell. Para garantir a venda da produção interna, o governo militar publicou a lei que ficou conhecida como a "reserva de mercado de informática", que proibia as empresas de comprarem equipamentos importados. Depois de dez anos de sucessivos erros, o mercado foi reaberto, mas o estrago para o setor industrial e de comércio foi sentido pelo atraso tecnológico e pelo baixo desempenho competitivo de nossa indústria.

Devastação causada pela mineração: a Vale do Rio Doce está desmontando todas as montanhas de Minas Gerais
Hoje, passados quarenta anos, o Brasil se transformou em um país produtor e exportador de commodities e de matérias primas, e importador de produtos industrializados de alta tecnologia. Com a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao poder, por 12 anos o Brasil investiu na erradicação da miséria, mas esqueceu-se de incentivar a indústria. Esse descaso com o futuro se acentuou nos últimos quatro anos, pela total incompetência de Dilma em lidar com estratégias de mercado e em explorar fontes alternativas de energia.

Nas próximas décadas veremos um crescimento vertiginoso de fontes alternativas de energia em todo o mundo civilizado, devido às mudanças climáticas, que obrigarão os países a tentar estancar a devastação generalizada de seus recursos naturais. O Brasil poderia ter se tornado líder nesse processo, mas optou por investir em agronegócio, e continuar se comportando como uma colônia do mundo civilizado, fornecendo os insumos industriais e adquirindo produtos de alta tecnologia, mas preferiu prosseguir no processo de devastação de seu maior acervo e diferencial competitivo frente às demais nações do mundo, já tendo causado a perda de 25% do bioma Amazônia, 95% do bioma Mata Atlântica e 50% dos biomas Cerrado e Caatinga. É irônico, ao mesmo tempo que óbvio, constatar que essa devastação ocorreu, justamente, pela expansão das fronteiras do agronegócio, com incentivo do Governo Federal!

Certamente, estamos na contramão da História!

Canteiro de Obras de Belo Monte, em plena Amazônia! Devastação irreparável!
À medida em que os efeitos das mudanças climáticas se fizerem sentir em nosso vasto território, a produção de commodities cairá drasticamente, reduzindo nossas receitas de exportação, sem contudo reduzir a importação, devido aos constantes incentivos ao consumo interno. Isso acarretará um grave desequilíbrio em nossa balança de pagamentos, levando o país a um processo de entropia e empobrecimento. E todo esforço em acabar com a miséria terá sido efêmero e inútil, graças aos erros do passado e à estupidez do PT.

Infelizmente, quando descobrirmos essas verdades será tarde demais...

sábado, 12 de julho de 2014

Os Heróis e os Mártires desta Nação

Aldeia Krãnh na Terra Indígena Trincheira Bacajá, nas proximidades da Volta Grande do Xingu e de Belo Monte
Quando portugueses, espanhóis, holandeses, franceses e ingleses aportaram em terras da América na transição do século XV para o século XVI, o continente já era povoado por milhões de habitantes e centenas de etnias em diferentes estágios de evolução de suas sociedades. Ao norte da América, várias tribos se espalhavam por toda extensão territorial, desde o Atlântico até o Pacífico, vivendo em modo simples, explorando os recursos naturais necessários à sua sobrevivência e criando uma cultura rica e diversificada.

Na região central do continente americano, diversas civilizações milenares como os olmeca, teotihuacan, zapoteca, mixteca, huasteca, purepecha, tolteca e mexica anteciparam-se à construção dos impérios Maya e Azteca, igualando-se (ou mesmo superando) em brilho e magnificência o império egípcio. Suas construções monumentais em nada deviam às pirâmides, bem como sua ornamentação e seus cerimoniais fantásticos e sofisticados.

Nessa mesma época, no auge de sua civilização, a Europa vivia o período mais negro e sombrio de sua História, marcado pelas guerras violentas e cruéis, pela sucessão de monarcas ambiciosos e corruptos, e pela ação grotesca da Igreja, que constituiu um exército (as Cruzadas) sob o pretexto de resgatar a "Terra Santa", mas que cometeu as piores atrocidades contra seu próprio "rebanho", culminando com a "Santa Inquisição" que executou sumariamente todos os seus inimigos, queimados em fogueiras públicas, bastando, para isso, contestar a "Fé Cristã"! Ao sul da América, na região Andina, cresceu e floresceu a Civilização Inca, que se equiparava, em poder e riqueza, aos Mayas e Aztecas.

O conhecimento desses Povos Americanos suplantava, em muitos aspectos, a cultura do Velho Mundo, e seu povo dominava técnicas agrícolas que os europeus jamais suspeitaram existir. Em território oriental da América do Sul, centenas de etnias, falando dezenas de idiomas de quatro troncos linguísticos, coabitavam em relativa paz, explorando, com sabedoria e sucesso, as riquezas naturais da Floresta Amazônica, onde vivia a maior parte desses povos. Estima-se que toda América acolhia milhões de habitantes em diferentes estágios civilizatórios. Porém, com a invasão dos europeus, esses verdadeiros habitantes da América foram cruel e sistematicamente assassinados, ao longo de cinco séculos, processo que se prolonga até os dias atuais, vítimas do pior genocídio de todos os tempos. Apenas no Brasil, estima-se que mais de quatro milhões de indígenas tenham sido trucidados ou mortos por contaminação intencional de doenças, tais como a gripe, a varíola, o sarampo, a caxumba e a tuberculose. O ensino de História do Brasil nas escolas de nível fundamental mostra uma "realidade" que nada tem a ver com a verdadeira história de nossa Nação.

Os índios brasileiros foram vítimas das piores atrocidades praticadas por madeireiros, garimpeiros, tropas militares, grileiros, jagunços, posseiros e toda sorte de bandidos que "construíram" as propriedades rurais da atual aristocracia do Brasil. A Igreja Católica também foi responsável por crimes étnicos, na medida em que destruíram tradições e costumes sagrados desses povos, desconstruindo seu universo mítico e substituindo seus valores por outros que nada tinham a ver com a história desses povos. O "desbravamento" dos sertões foi uma avalanche de crueldades que não se consegue imaginar: aldeias queimadas, assassinatos (incluindo crianças, mulheres e idosos), saques, estupros, roubo de crianças para serem "educadas" pelos métodos da Igreja, escravidão e perseguições que os levaram a migrar incessantemente por todo território nacional, abandonando seus espaços onde edificaram suas culturas, onde enterraram seus mortos, onde reverenciavam seus espíritos e divindades, tudo deixado para trás, desesperadamente, para fugir de seus piores algozes.

Qualquer crime era justificado pela "necessidade" de expandir as fronteiras desse país. E a cada novo surto de "desenvolvimento" novas levas de migrantes invadiam os sertões, difundindo o pânico entre as populações indígenas, cada vez mais escassas e indefesas. O gado se espalhava pelas pradarias, enquanto os ciclos da cana de açúcar, da borracha, do cacau, do café, do garimpo do ouro e diamantes, favoreciam a migração de nordestinos e gaúchos para o interior do Brasil, país nascente que se construía pelo terror.

Além dessas atrocidades difíceis de se imaginar, os "brancos civilizados" "ensinaram" os indígenas a se embriagar com cachaça, destruindo sua auto-estima e comprometendo o respeito que tinham por suas lideranças. Foram assassinados aos milhares, os corpos deixados a apodrecer nos escombros das aldeias, os sobreviventes fugindo desesperadamente em direção à selva, na esperança de encontrar um refúgio que, aos poucos, deixava de existir.

Para "construir" essa Nação chamada "Brasil" foram necessárias milhões de vidas roubadas de seres, humanos como nós, que aqui viveram durante séculos sem destruir a floresta, sem se matarem apenas pelo prazer de ver a dor de suas vítimas, como fizeram os portugueses e espanhóis para montar suas colônias. A documentação dessa tragédia, que não consta dos livros de história, é farta e rica em detalhes. Porém, basta um livro, de Darcy Ribeiro, para comprovar esse morticínio: "Os Índios e a Civilização", que, ironicamente, tem por subtítulo "A integração das populações indígenas no Brasil moderno"!

Se nos cadernos de anotação e nos livros de História do Brasil dos estudantes constam nomes como "Duque de Caxias", "Almirante Barroso", "Fernão Dias", "Borba Gato", "Raposo Tavares" e outros, que são reverenciados como "heróis" por terem "desbravado" os sertões ou por terem combatido as rebeliões de escravos e índios, onde estarão os nomes de suas vítimas, Indígenas e Negros trazidos da África? Não existem heróis entre os povos massacrados por essa "civilização" européia! "A História das Civilizações é a História dos Vencedores", já diziam os historiadores...

Mas se disserem, ainda, que todas as nações foram "edificadas" sobre os esqueletos dos povos dominados, aqueles que perderam a guerra e que ficaram também perdidos na memória dos homens, é porque não conhecem a história de nosso país. Aqui, a crueldade extrapolou todos os limites!

E hoje, como vivem nossos indígenas? Pois eles continuam sendo massacrados, desprezados, humilhados, torturados, assassinados. Nos dias atuais, dezenas de terras indígenas, legalmente demarcadas de acordo com a Constituição Federal, continuam sendo ocupadas e exploradas por madeireiras, garimpeiros, grileiros e todo tipo de escória humana que nosso povo insiste em "preservar" em nome da democracia e do poder.

Ainda hoje, políticos corruptos e ladrões tratam os indígenas como "animais sem alma", esquecendo-se que toda população brasileira e não indígena ocupa terras roubadas desses povos tradicionais. No sul do país, principalmente, onde as "missões jesuítas" criaram os "aldeamentos" para "cristianizar" os indígenas e para destruir suas culturas seculares, políticos sujos clamam pela extinção das terras indígenas e culpam a FUNAI por não permitir que acabem com o pouco que resta a esses povos tradicionais.

Quem, afinal, senão os indígenas e os quilombolas, seriam os Heróis e Mártires dessa Nação Brasileira, construída sobre o sangue derramado por esses povos? Quem negará que, em seu próprio sangue estão indelevelmente marcados os traços das etnias indígenas e negras, que seus antepassados geraram filhos do estupro dessas mulheres negras e indígenas? Quem negará, enfim, que só existe uma Nação Brasileira porque milhões de seres humanos foram as vítimas desses dominadores que continuam entre nós, mentindo, matando, estuprando, contaminando, viciando, humilhando, explorando?

Nossos Heróis, nossos Mártires não são os "soldados da pátria", mas apenas e tão somente negros e indígenas, que continuam sendo desprezados e ignorados por nós, e tratados como marginais de uma sociedade arrogante e sem dignidade!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A "Via Crucis" da #REDE

Com o patrimônio eleitoral de mais de 20 milhões de votos nas últimas eleições, e o mérito de ter conduzido Dilma e Serra para o segundo turno, Marina Silva se vê, agora, diante da possibilidade de não concorrer às eleições de 2014, bem como seus correligionários, candidatos a cargos eletivos.



O que teria acontecido com a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, para ver frustradas suas possibilidades de forçar novo segundo turno, agora com chances reais de vitória, uma vez que seus índices de rejeição são muito menores que os de Dilma Rousseff, e sua posição privilegiada nas pesquisas de voto?

Há várias interpretações. A primeira é que ela demorou demais para se decidir pela formação de um novo partido político, e não simplesmente por um movimento popular em defesa de ideias e princípios. Queria Marina que seu movimento impusesse aos partidos e aos políticos um novo comportamento, ético como fora o PT em suas origens, pragmático como teria sido o MDB durante os governos militares, e comprometido com as causas ambientalistas, como deveria ter sido o PV, mas que se entregaram todos ao jogo fácil das trocas e favorecimentos políticos, aos conchavos de alcova e à luta pelo poder.

Na verdade, esse foi o principal motivo do "sufoco" por que passa a #REDE nesses últimos instantes do prazo para registro da nova legenda. No entanto, existe outra razão, sibilina e astuta, por parte da "classe política", cujo corporativismo chega às raias do absurdo de permitir que três novas legendas se formassem em menos de dois anos, apenas para "acomodar" políticos em posições estratégicas para "negociar" cargos depois de 2014, e fazem o impossível "por baixo dos planos" para "neutralizar" Marina Silva!

Agora, no desespero, e tendo se amordaçado com compromissos éticos de não fazer conluios de última hora, Marina Silva está praticamente fora da corrida eleitoral, a menos que os ministros do TSE acolham seu pedido de um registro provisório da sigla, até que todas as assinaturas enviadas "em prazo hábil" tenham sido conferidas e validadas. Pouco provável, porém não impossível, uma vez que há suspeitas acerca dos métodos utilizados pelas novas legendas para cooptar eleitores incautos a assinar algo que sequer teriam lido.

Desde os primeiros debates, a #REDE tem demonstrado rigor na coleta de assinaturas, colocando nas ruas enorme contingente de simpatizantes, comprometidos com as normas estabelecidas pelo comando do movimento. Isso, porém, não isentou de críticas a agremiação em construção, uma vez que suas fontes de recursos teriam origem em grandes empresas, ainda que essas doações estivessem ligadas a empresários que, nos últimos anos, se enfileiram com as bandeiras da ética e do conservacionismo ambiental.

Se nada surtir efeito, teremos a esdrúxula situação em que Dilma se elegerá, certamente, no primeiro turno, frustrando as expectativas de mudanças políticas, econômicas, sociais e ambientais de expressiva (porém minoritária) parcela da população brasileira. E candidatos sem carisma, como Serra e/ou Aécio, Eduardo Campos e a própria Dilma se confrontarão em um pleito cujos resultados não interessam senão às forças conservadoras e retrógradas do país. Neste caso, vencerão os ruralistas, as empreiteiras, os evangélicos e os políticos sem grandeza e sem ética; perderá a Nação Brasileira, que não terá alternativas para seus ideais.

Vale destacar que Marina, ela mesmo evangélica, jamais confundiu as funções de Estadista, que lhe estão reservadas, com suas crenças e convicções pessoais, ao contrário de tantos outros políticos de segunda categoria, que se aboletaram nas comissões do congresso em defesa de interesses sectários, religiosos ou não, com a desfaçatez de quem não sabe o valor da República e a missão de verdadeiros Políticos que deveríamos eleger! Enquanto a Nação Brasileira não se emancipar desses feudos de podridão não haverá futuro para nosso povo. E continuaremos subservientes às pequenas minorias privilegiadas de latifundiários, madeireiras, mineradoras, banqueiros, empreiteiras e políticos corruptos!

Por mais quatro anos o PT reinará soberano perante a população ignara, propagando suas redes de influência pelos serviços públicos, pelos tribunais federais e pelos cargos mais importantes do país, através de conchavos e negociatas, fazendo valer o ardiloso "plano" de Zé Dirceu de assegurar o PT durante 20 anos no comando da Nação. Sim, pois terão sido oito anos de Lula e oito de Dilma, com grandes possibilidades de Lula retornar em 2018 para completar o "projeto PT"! Não uma revolução proletária, nos moldes do "partidão", mas um "golpe burlesco" palaciano de quinta classe, moldado nos conluios de gabinetes fechados, que não apenas asseguram a manutenção do poder, mas também enriquecem de forma imoral seus governantes.

Sem nomes que se sobressaiam na política nacional, senão pela imoralidade de seus atos, e com 32 legendas desprovidas de Ideologia, nenhuma reforma decente e honesta passará pelo congresso, cada vez mais apequenado pela falta de estatura moral de nossos representantes. É triste o futuro desta Nação! Sob muitos aspectos, tão triste e vergonhoso quanto o que nos impôs, durante 21 anos, a ditadura militar!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Embargos Infringentes, julgamento do Mensalão e o (de) mérito do Supremo Tribunal Federal


O INFOGRÁFICO acima foi produzido pelo Jornal "O Estado de São Paulo", e esclarece de forma didática os possíveis impactos da decisão do Ministro Celso de Mello, hoje, sobre sua aplicabilidade aos réus do Mensalão. O que fica evidente, de imediato, é que esses impactos serão pequenos e não irão inocentar as principais personagens desse lamentável incidente de nossa História recente. Cabe, portanto, avaliar se nossa oposição sistemática a uma decisão contrária à Consciência Nacional é relevante, e se interessa ao país preservar a oposição ao STF diante de uma decisão desfavorável ao bom-senso da sociedade.

Que existem personalidades antagônicas dentro do STF é evidente. Que elas sejam maioria, é questionável, uma vez que a decisão final ficou para o decano da Corte, provavelmente o mais sensato de todos os ministros do Supremo nesses anos durante os quais se arrastou esse triste processo. Lamentável mesmo é apenas a presença do Ministro Dias Tófoli, cujo despreparo para o cargo destoa com o Saber Jurídico dos demais componentes da Corte Máxima da Justiça Nacional, a despeito de nossas opiniões e ideologias. Ainda que outros sirvam a interesses escusos da República, seu conhecimento está acima de suspeita.

De qualquer forma, seja qual for a decisão da Suprema Corte, os resultados obtidos se tornarão um marco da Democracia, ainda que tardia, de nossa Nação. Doravante, esperamos que decisões sobre corrupção, formação de quadrilha e outros crimes políticos sejam tratados com a mesma seriedade e com mais tempestividade pelos tribunais do país. Também esperamos que critérios de escolha de Ministros sejam mais justos e transparentes, não servindo a interesses partidários de presidentes de plantão.

Reformas políticas, jurídicas, econômicas e sociais são sempre urgentes e permanentes em qualquer Nação independente, uma vez que as Sociedades Humanas são organismos em constante transformação. Há que se prevalecer, um dia, a Sabedoria em lugar do oportunismo político e dos interesses mesquinhos das minorias privilegiadas de nosso país. Para isso, é imprescindível que a CULTURA seja privilegiada nas estruturas de poder, cedendo à Educação Formal os espaços a que tem direito, eliminando a IGNORÂNCIA nos processos de escolha de governantes, juízes e representantes da sociedade civil.

"I HAVE A DREAM", dizia o carismático líder negro norte-americano, Martin Luther "King", ao se referir a uma sociedade igualitária, na qual as diferenças raciais não seriam motivo de discriminação dos direitos constitucionais do "Big Brother". Pois dizemos o mesmo: "Eu tenho um sonho: um dia, esta Nação não terá mais 'elites' prepotentes, que fazem valer seus interesses econômicos contra a vontade de todo um povo oprimido e relegado à ignorância e ao ostracismo. Eu tenho um sonho em que todos os povos, todas as etnias, todas as camadas sociais sejam igualmente ouvidas e assistidas em seus direitos fundamentais!"

Só mesmo quando os desníveis sociais tenham sido reduzidos à ínfima porção tolerável das diferenças, em que todas as necessidades básicas de cada ser humano tenham sido atendidas, e em que essas diferenças sejam apenas de escolhas e aptidões pessoais e não de poder econômico, só mesmo então poderemos dizer que vivemos em uma sociedade democrática, que somos verdadeiramente irmãos e não precisaremos mais nos preocupar com a punição de políticos corruptos, mobilizando inúteis esforços para assegurar que crimes dessa natureza não sejam mais cometidos. Isso porque seremos capazes de decidir nosso próprio destino e de escolher com sabedoria os nossos representantes.

Mas isso é UTOPIA e talvez nunca venha a acontecer... por enquanto, nos limitemos a aceitar que a decisão de Celso de Mello não será, em si mesma, um final trágico do Mensalão...
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Conforme previsto, Celso de Mello acatou os embargos infringentes e contrariou toda NAÇÃO. Um Judiciário que faz "ouvidos moucos" à voz do povo está na contramão da História! As sociedades contemporâneas estão cada vez mais atreladas aos anseios populares, tornando seus conceitos abstratos mais maleáveis à dinâmica dessas populações. O Direito Constitucional é importante para estabelecer os marcos legais da Nação, mas nunca deve se sobrepor, em sua interpretação subjetiva, à lógica das ruas e aos anseios populares por uma solução contrária à CORRUPÇÃO!

O mais lamentável de tudo isso é que um novo julgamento terá início - somente em 2014 - para os 11 réus beneficiados por essa decisão absurda e inaceitável de Celso de Mello! Mais um ano se passará, em que os réus do Mensalão, já condenados pelo mesmo STF, continuarão impunes, longe das grades e com suas prerrogativas preservadas: mandatos legislativos, atividade política, etc...

Por mais sólidos e coerentes que tenham sido os argumentos do Magistrado, a Justiça de uma Nação é construída para atender aos anseios de seu povo, e as decisões do Supremo não se justificam em si mesmas, e jamais podem se sobrepor à vontade popular! O que o Brasil quer é ver o fim das arbitrariedades, da corrupção, das injustiças, da prepotência das minorias, da desigualdade de direitos! Tudo o que se fizer em contradição a essa expectativa coletiva não poderá encontrar eco no seio do povo, não se justificará no discurso arrogante dos magistrados, e terá o repúdio de toda Nação! Aquele que não escutar a "vox populi" estará condenado ao ostracismo e ao desprezo da História... Não significa contrariar a Doutrina Jurídica, e sim compreender que sua interpretação sábia é que faz de um bom juiz um grande Magistrado! Não fosse assim, e teríamos que admitir que cinco juízes se equivocaram em seus votos, cinco prevaricaram, e que apenas UM seria o responsável por decidir o destino desses réus!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dia do Índio (?)

O Brasil é o país da Biodiversidade. Possui as maiores florestas da Terra, os maiores rios do mundo, a maior variedade de espécies animais e vegetais. Mas não é disso que pretendo falar hoje, dia que deveria ser reverenciado por todos, principalmente por aqueles que são os responsáveis pelo destino de nossa gente e, no entanto, só cuidam de seus interesses mesquinhos e de seus apaniguados.

Temos, certamente, a maior diversidade de etnias do nosso planeta, mesmo depois de séculos de exploração e genocídio! E nem falo dos brancos: falo de nossos indígenas, assim chamados apenas pela dificuldade de mencionar as centenas de Nações que habitam nosso país há séculos, muito antes da chegada dos invasores europeus, que aqui vieram apenas para saquear suas culturas tradicionais.

Hoje deveria ser comemorado o DIA DO ÍNDIO. No entanto, nossa mandatária maior, Dilma Rousseff, saiu da capital do país para participar da posse de Nicolás Maduro na presidência da Venezuela. Não se vêem manifestações de alegria, festas, comemorações, seja na Capital Federal, seja nas demais capitais do país, seja até mesmo nas aldeias indígenas espalhadas por todo nosso território, que já foi somente deles, quando ainda podiam ser contados aos milhões...

Enquanto esses povos deveriam estar festejando seu dia, os políticos corruptos do Congresso Nacional tramam pelo seu futuro e pela sua vida, retirando da FUNAI, Fundação Nacional do Índio, o direito histórico de demarcar suas terras. No entanto, nem mesmo a FUNAI se manifesta, seja contra mais essa atrocidade dos latifundiários ruralistas, ansiosos por colocar suas patas nos territórios indígenas, para também convertê-los em PASTO  e enormes plantações de SOJA, seja para reverenciar as civilizações originárias da "terra brasilis", pelas quais é responsável.

O que essa gente humilde teria a comemorar, se a nação que a abriga tem tamanho desprezo pelas suas tradições e conhecimentos milenares? Até mesmo o povo que descendeu da miscigenação de brancos, negros e índios despreza esses povos! O preconceito é tamanho que costumamos ouvir que "é terra demais para tão pouco índio"! E, no entanto, eles são tão poucos graças aos portugueses que os assassinaram aos milhares ao adentrar o Novo Continente, aos latifundiários e madeireiros que invadem seus territórios para queimar a floresta, roubar suas árvores centenárias, assassinar lideranças e CRIANÇAS indígenas para tomar posse de seus territórios!

É muito triste ter que escrever isso, mas as maldades não param por aí... os "missionários" religiosos (salesianos, claretianos, jesuítas, evangélicos, pentecostais, mórmons, ...) fazem uma "limpeza étnica" desde o início do século XVI, com a chegada dos portugueses, e continuam até hoje, levando "doenças dos brancos" e invadindo suas aldeias com uma crença que nada tem a ver com a história desses povos indígenas. E não foi apenas a substituição de suas crenças, por si só um crime inominável contra essas populações, mas também a destruição de suas línguas nativas, a descaracterização de seus costumes, o aldeamento de suas crianças, a introdução da ideia medieval do "pecado capital" da nudez, das habitações coletivas e da ingenuidade pura de suas relações sociais!

Comemorar o que?

Creio que, apesar de tudo, ainda resta uma esperança, pois esses bravos guerreiros ainda não abdicaram de sua identidade como nações independentes, e enfrentaram os porcos do Congresso, exigindo que essas pseudo-lideranças políticas se envergonhassem de seus próprios atos e práticas abomináveis e os recebessem, ainda que a contragosto, naquela que deveria ser a ARENA de debates mais digno de nossa Nação! Pois que esses povos encontrem a força e a determinação para exorcizar esses demônios das mais diferentes seitas evangélicas e cristãs, e resistam até o último guerreiro a entregar suas terras e seu povo aos corruptos políticos do Brasil. Se nós, cidadãos invasores e maiores responsáveis por essas excrescências de nosso sistema de poder, não temos vergonha na cara para expulsá-los, que sejam, então, os indígenas, irmãos de nossa gente, que o façam!

SALVE O DIA DO ÍNDIO!
SALVEM AS NAÇÕES INDÍGENAS DO BRASIL! 

quinta-feira, 1 de março de 2012

AWARETÉ

Atividades produtivas
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A agricultura é a base da subsistência araweté, sendo o milho o produto dominante de março a novembro, e a mandioca no período complementar. De todo modo, há uma predominância absoluta do cultivo do milho sobre o da mandioca, o que distingue o grupo dos demais Tupi-Guarani amazônicos. O milho é consumido como mingau de milho verde, farinha de milho, mingau doce, paçoca de milho e mingau alcoólico. Este último (cauim) é o foco da maior cerimônia, que se realiza várias vezes durante a estação seca. Planta-se também batata-doce, macaxeira, cará, algodão, tabaco, abacaxi, cuieiras, curauá (uma bromeliácea usada para cordoaria), mamão, urucum.
A caça também é objeto de intenso investimento cultural. Os Araweté caçam uma grande variedade de animais; em ordem aproximada de importância alimentar, temos: jabotis; tatus; mutuns, jacus; cotia; caititu; queixada; guariba; macacos-pregos; paca; veados; inhambus; araras, jacamins, jaós; anta. Tucanos, araras, o gavião-real e outros gaviões menores, os mutuns, o japu e dois tipos de cotingas são procurados também pelas penas, para flechas e adornos. As araras vermelha e canindé, e os papagaios, são capturados vivos e criados como xerimbabos na aldeia. (Em 1982, a aldeia tinha 54 araras criadas soltas.)
As armas de caça são o arco de madeira de ipê, admiravelmente bem trabalhado, e três tipos de flecha. As armas de fogo foram introduzidas em 1982, e seu uso tem levado à diminuição da população animal nos arredores, obrigando os Araweté a cobrirem um raio maior de território.
A pesca se divide em dois períodos: a estação de pesca com o timbó, em outubro-novembro, e os meses de pesca cotidiana, feita com arco e flecha ou anzol e linha. Embora o peixe seja alimento valorizado, é-o menos que a carne de caça, e a pesca é uma atividade principalmente exercida por meninos e mulheres (exceto as pescarias coletivas com timbó). Os Araweté são índios da terra firme: a maioria das pessoas mais velhas não sabe nadar. A água de beber e cozinhar é retirada de cacimbas abertas na margem arenosa dos cursos d'água ou nos açaizais.
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A coleta é uma atividade importante. Seus principais produtos alimentares são: o mel, de que os Araweté possuem uma refinada classificação, com pelo menos 45 tipos de mel, de abelhas e vespas, comestíveis ou não; o açaí (Euterpe oleracea); a bacaba (Œnocarpus sp.); a castanha-do-Pará (Bertholetia excelsa), importante na época das chuvas; o coco-babaçu (Orbygnia phalerata), comido e usado como liga do urucum, e para ductilizar a madeira dos arcos; e frutas como o cupuaçu (Theobroma grandiflorum), o frutão (Lucuma pariry), o cacau-bravo (Theobroma speciosum), o ingá (Inga sp.), o cajá (Spondias sp.), e diversas sapotáceas. Destaquem-se ainda os ovos de tracajás (Podocnemis sp.), objeto de excursões familiares às praias do Ipixuna em setembro, e os vermes do babaçu (Pachymerus nucleorum), que podem também ser criados nos cocos armazenados em casa.
Dentre os produtos não-alimentares da coleta, podem-se registrar: as folhas e talas de babaçu para a cobertura das casas, esteiras, cestos; a bainha das folhas de inajá (Maximiliana maripa), açaí e babaçu, que servem de recipientes; dois tipos de cana para flecha; o taquaruçu para a ponta das flechas de guerra e caça grossa; a taquarinha e outras talas para as peneiras e o chocalho de xamanismo; a cuia silvestre para o maracá de dança; madeiras especiais para pilões, cabos de machado, arco, pontas de flecha, esteios e vigas das casas, paus de cavar, formões; enviras e cipós para amarração; e barro para uma cerâmica simples, hoje em desuso com a introdução das panelas de metal.

Os trabalhos e os dias


A vida social e econômica dos Araweté bate em compasso binário: floresta e aldeia, caça e agricultura, chuva e seca, dispersão e concentração.
Nas primeiras chuvas de novembro-dezembro, planta-se a roça de milho. À medida que cada família termina de plantar, vai abandonando a aldeia pela mata, onde ficará até que o milho esteja em ponto de colheita - um período de cerca de três meses. Os homens caçam, estocam jabotis, tiram mel; as mulheres coletam castanha-do-Pará, coco-babaçu, larvas, frutas, torram o pouco milho velho da colheita anterior que trouxeram. Essa fase de dispersão é chamada de awacï mo-tiarã, "fazer amadurecer o milho" - diz-se que, caso não se vá para a mata, o milho não vinga. Em fevereiro- março, após várias viagens de inspeção às roças, alguém finalmente traz os cabelos do milho verde ao acampamento, mostrando a maturidade da planta. Faz-se aí a última grande pajelança do jaboti - atividade típica da estação chuvosa - e a primeira grande dança opirahë, característica da fase aldeã que está para se iniciar. Esse é o "tempo do milho verde", o começo do ano araweté.
Apenas quando todas as famílias já chegaram na aldeia se faz a primeira pajelança de cauim (mingau de milho) doce, a que outras se seguem. O milho de cada festa é colhido coletivamente na roça de uma família, mas processado por cada unidade residencial da aldeia. Essa é também uma época em que as mulheres preparam grandes quantidades de urucum, dando à aldeia uma tonalidade avermelhada geral. A partir de abril- maio as chuvas diminuem, e se estabiliza a fase de vida aldeã, marcada pela faina incessante de processamento do milho maduro, que fornece a paçoca mepi, base da dieta da estação seca.
De junho até outubro estende-se a estação do cauim alcoólico, que recebe seu nome: kã'i da me, "tempo do cauim azedo". É o auge da seca. As noites são animadas pelas danças opirahë, que se intensificam durante as semanas em que se prepara o cauim. Essa bebida é produzida por uma família ou seção residencial, com o milho de sua própria roça. Pode haver vários festins durante a estação seca, oferecidos por diferentes famílias. Eles costumavam reunir mais de uma aldeia - quando os Araweté possuíam diferentes grupos locais- e ainda são o momento culminante da sociabilidade. A festa do cauim alcoólico é uma grande dança opirahë noturno em que os homens, servidos pela família anfitriã, dançam e cantam, bebendo até o dia seguinte.
Na fase final de fermentação da bebida - o processo todo dura uns vinte dias - os homens saem para uma caçada coletiva. Retornam uma semana depois, trazendo muita carne moqueada, o que os dispensará de caçar por vários dias. Na véspera da chegada dos caçadores há uma sessão de descida dos Maï e das almas dos mortos, trazidos por um pajé para provarem do cauim.
A partir de julho-agosto começam a aumentar a freqüência e a duração dos movimentos de dispersão. As famílias se mudam para as roças, mesmo que essas não distem muito da aldeia, e ali acampam por uma quinzena ou mais. É a estação de "quebrar o milho", quando se colhe todo o milho ainda no pé e se o armazena em grandes cestos, depositados sobre jiraus na periferia das roças. Dali as famílias se vão abastecendo até o final da estação seca, quando os cestos restantes são levados para o novo sítio de plantio.
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Esta temporada na roça reúne em cada acampamento mais de uma família conjugal - seja porque a roça pertence a uma seção residencial (conjunto de famílias aparentadas que moram próximas entre si na aldeia), seja porque os donos de roças próximas decidem acampar juntos. Durante a quebra do milho, os homens saem todo dia para caçar, enquanto as mulheres e crianças colhem as espigas, fazem farinha, tecem; essa é também a época da colheita do algodão.
Tais temporadas na roça são vistas como muito agradáveis. Depois de cinco ou seis meses de convivência na aldeia, os Araweté parecem ficar inquietos e entediados. Nos acampamentos de roça as pessoas ficam mais à vontade, conversam livremente sem medo de serem ouvidas por vizinhos indiscretos.
Durante o auge da estação seca, dificilmente se passa mais de uma semana sem que um grupo de homens decida realizar uma expedição de caça, quando dormem fora de uma a cinco noites. São comuns também, a partir de agosto, as excursões de grupos de famílias, para pegar ovos de tracajá, pescar, caçar, capturar filhotes de arara e papagaio. Exceto nos meses de março a julho, é muito raro haver dias em que todas as famílias estão dormindo na aldeia.
A partir de setembro, a estação do cauim começa a dar lugar ao tempo do açaí e do mel. A chegada dos espíritosIaraci (o "comedor de açaí") e Ayaraetã (o "pai do mel"), trazidos à aldeia pelos pajés, provoca a dispersão de todos para a mata em busca dos produtos associados a esses espíritos.
Em outubro-novembro, com as águas dos rios em seu nível mais baixo, fazem-se as pescarias com timbó, que também levam à fragmentação da aldeia em grupos menores.
A dispersão criada por todas essas atividades de coleta e pesca, porém, é mais uma vez contrabalançada pelas exigências do milho. Em setembro começa a derrubada das roças novas; no final de outubro, a queimada; e logo às primeiras chuvas de novembro-dezembro, o plantio, logo antes da dispersão das chuvas. Antes de partirem para a mata, colhe-se a mandioca, cuja farinha servirá de complemento à caça e ao mel da dieta da mata.
Este é o ciclo anual araweté: um constante oscilar entre a aldeia e a floresta, a agricultura e a caça-coleta, a estação seca e a chuvosa. A vida na aldeia está sob o signo do milho, e de seu produto mais elaborado, o cauim alcoólico; a vida na mata está sob o signo do jabuti (a caça dominante na estação chuvosa) e do mel.
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O texto acima foi extraído do excelente site do Instituto Socioambiental - ISA, verdadeira Enciclopédia Indigenista, cujo acervo antropológico é certamente o mais rico do Brasil. Minha intenção ao publicá-lo é de esclarecer, de uma vez por todas, o equivocado preconceito de que indígenas "são vadios", uma injustiça aos habitantes legítimos dessa "Terra de Santa Cruz". Recomendo a leitura deste site a todos que desejam conhecer toda riqueza cultural dos Povos Indígenas da Nação Brasileira.