Mostrando postagens com marcador monocultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador monocultura. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Brasil Colônia HOJE e a Exportação de Produtos Primários

Colheita mecanizada de algodão no Cerrado Brasileiro: além da devastação, o desemprego causado pela automação
Quando o Brasil declarou sua independência, ficou como sua herança maldita a prática da monocultura, do latifúndio e da escravidão, e a subserviência aos países que despertavam para a industrialização. A distribuição das terras, em função do colonialismo português, atendia aos interesses das classes dominantes, que as herdaram da espoliação dos territórios indígenas. Esses hábitos foram transmitidos pelas gerações que se sucederam, deixando-nos, não apenas a herança maldita dos territórios manchados pelo sangue indígena e escravo, mas também a dependência permanente dos antigos senhores, tornando-nos meros fornecedores de produtos primários: matérias primas e commodities.

Essa relação foi construída pelas nações que se anteciparam ao processo de industrialização, desde o século XIX, como a Inglaterra e a França, seguidos dos EUA, da Bélgica e do Japão. O Japão ascendeu de um país feudal, do século XVII, para uma das maiores potências industriais do século XX. Enquanto os países europeus, os EUA e o Japão cresciam e conquistavam novas colônias, o Brasil, voluntariamente, ofereceu-se para ser "O CELEIRO DO MUNDO"! 

Com a desestruturação do bloco comunista, capitaneado pela União Soviética, e depois pela China, a Rússia perdeu seu domínio territorial na Europa e na Ásia, enquanto a China repetia o fantástico desenvolvimento japonês, tornando-se, em pouco mais de 20 anos, a segunda potência mundial e o maior mercado consumidor de matérias primas e commodities. Enquanto isso, o Brasil se arrastava, de crise em crise, através de sucessivas tentativas frustradas de conseguir uma explosão no seu desenvolvimento industrial. Finalmente, no final do século XX, o Brasil cometeu um erro estratégico, ainda no período da ditadura militar, priorizando, primeiro, a expansão de suas rodovias, e optando, definitivamente, por esse modal de transportes, caro e dependente do petróleo, e sucateando suas ferrovias, abandonadas quando a monocultura cafeeira entrou em declínio, logo depois do "crack" da Bolsa de New York.

Seu segundo erro, também durante a Ditadura, foi o estímulo ao desenvolvimento de uma indústria de computadores, na década de 1970. O erro se evidenciou pela incapacidade do país em enfrentar as gigantes do setor, como a IBM, a Burroughs e a Hewlet-Packard, seguidas por Microsoft, Apple e Dell. Para garantir a venda da produção interna, o governo militar publicou a lei que ficou conhecida como a "reserva de mercado de informática", que proibia as empresas de comprarem equipamentos importados. Depois de dez anos de sucessivos erros, o mercado foi reaberto, mas o estrago para o setor industrial e de comércio foi sentido pelo atraso tecnológico e pelo baixo desempenho competitivo de nossa indústria.

Devastação causada pela mineração: a Vale do Rio Doce está desmontando todas as montanhas de Minas Gerais
Hoje, passados quarenta anos, o Brasil se transformou em um país produtor e exportador de commodities e de matérias primas, e importador de produtos industrializados de alta tecnologia. Com a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao poder, por 12 anos o Brasil investiu na erradicação da miséria, mas esqueceu-se de incentivar a indústria. Esse descaso com o futuro se acentuou nos últimos quatro anos, pela total incompetência de Dilma em lidar com estratégias de mercado e em explorar fontes alternativas de energia.

Nas próximas décadas veremos um crescimento vertiginoso de fontes alternativas de energia em todo o mundo civilizado, devido às mudanças climáticas, que obrigarão os países a tentar estancar a devastação generalizada de seus recursos naturais. O Brasil poderia ter se tornado líder nesse processo, mas optou por investir em agronegócio, e continuar se comportando como uma colônia do mundo civilizado, fornecendo os insumos industriais e adquirindo produtos de alta tecnologia, mas preferiu prosseguir no processo de devastação de seu maior acervo e diferencial competitivo frente às demais nações do mundo, já tendo causado a perda de 25% do bioma Amazônia, 95% do bioma Mata Atlântica e 50% dos biomas Cerrado e Caatinga. É irônico, ao mesmo tempo que óbvio, constatar que essa devastação ocorreu, justamente, pela expansão das fronteiras do agronegócio, com incentivo do Governo Federal!

Certamente, estamos na contramão da História!

Canteiro de Obras de Belo Monte, em plena Amazônia! Devastação irreparável!
À medida em que os efeitos das mudanças climáticas se fizerem sentir em nosso vasto território, a produção de commodities cairá drasticamente, reduzindo nossas receitas de exportação, sem contudo reduzir a importação, devido aos constantes incentivos ao consumo interno. Isso acarretará um grave desequilíbrio em nossa balança de pagamentos, levando o país a um processo de entropia e empobrecimento. E todo esforço em acabar com a miséria terá sido efêmero e inútil, graças aos erros do passado e à estupidez do PT.

Infelizmente, quando descobrirmos essas verdades será tarde demais...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

PLATAFORMA DOS CONSUMIDORES PELO CONSUMO SUSTENTÁVEL PARA RIO+20

Assine a plataforma no link
www.idec.org.br/mobilize-se/campanhas/plataformaconsumidores 




10 propostas para o futuro que queremos já!

Enquanto poucos consomem muito, muitos consomem pouco. Mas todos – ricos e pobres – perseguem um estilo de vida consumista que é inviável: os recursos naturais são finitos; o planeta não aguenta a poluição e o lixo gerado; e grande parte dos modelos de produção em larga escala exclui pequenos produtores e explora trabalhadores.

Para o consumidor poder consumir diferente, precisamos de mudanças concretas e efetivas tanto das empresas, que precisam de novos modelos de negócio, quanto dos governos, que precisam implementar políticas públicas que inibam os padrões insustentáveis e estimulem novos e diferentes padrões de produção e consumo.

Já estamos consumindo 50% a mais do que o planeta é capaz de repor e temos que reduzir em até 40% as emissões de gases do efeito estufa para que a temperatura não suba mais do que 2°C. Enquanto isso, milhões de pessoas vivem com menos de R$3,00 por dia.

Temos que fazer uma REVOLUÇÃO NOS PADRÕES DE PRODUÇÃO E CONSUMO; por isso exigimos que os governos na Rio+20 se comprometam e dêem encaminhamentos justos e ambiciosos para:

1. Implementar políticas públicas integradas que resgatem o papel do Estado de regular e fiscalizar para impedir padrões insustentáveis e estimular os novos padrões de produção e consumo.

2. Exigir transparência e responsabilidade das empresas que permitam o acesso à informação e a responsabilização sobre os impactos socioambientais em suas cadeias produtivas, visando a mudança dos padrões insustentáveis de produção e consumo.

3. Assegurar a oferta de produtos e serviços seguros, saudáveis e éticos para todos, sem obsolescência programada, que sejam reparáveis, produzidos com material reciclado e passíveis de reciclagem.

4. Implementar políticas públicas que não só assegurem a responsabilidade compartilhada pela destinação adequada dos resíduos, mas também assegurem a obrigatoriedade da análise de ciclo de vida dos produtos, levando ao ecodesign dos produtos e de suas embalagens.

5. Assegurar o acesso à informação sobre os produtos e serviços, através de rotulagem compulsória com critérios sociais, ambientais e econômicos consistentes, restringindo a publicidade que estimula o consumismo e apelos que se caracterizam como "greenwashing" (falsa imagem pública de respeito ao meio ambiente).

6. Implementar políticas públicas que garantam o acesso à educação formal e não-formal para o consumo sustentável, conforme os critérios estabelecidos na publicação “Aqui e agora!” do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

7. Implementar políticas públicas para massificar o que hoje são experiências alternativas de produção e consumo “mais sustentáveis”, como economia solidária, comércio justo, produção familiar agroecológica, tornando-as mais visíveis e acessíveis aos consumidores.

8. Implementar políticas públicas que assegurem a soberania alimentar dos povos e alimentação saudável para todos, que considerem todo o sistema de produção, processamento, fornecimento e comercialização de alimentos, para inibir os impactos negativos ao meio ambiente e à saúde humana causados pelo uso intensivo de agrotóxicos, transgênicos, grandes fazendas de monocultura, pela produção de alimentos industrializados de baixa qualidade nutricional e ricos em gordura, açúcar e sódio.

9. Implementar políticas públicas para assegurar que a mobilidade seja de fato sustentável, garantindo acesso a transporte coletivo e não motorizado, exigindo maior eficiência energética e menor emissão veicular, acabando com as isenções fiscais aos combustíveis fósseis.

10. Implementar políticas para garantir acesso a bens e serviços essenciais para uma vida decente, especialmente dos mais pobres no mundo. Estas políticas devem garantir energia limpa, renovável de fontes diversificadas e acessíveis a todos; assim como o desenvolvimento de programas de conservação e gestão de demanda de energia, incluindo programas de eficiência energética obrigatórios para todos os produtos que usam energia . Além disso, essas políticas devem ser capazes de garantir o direito de acesso à água e ao saneamento básico.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pecuária brasileira: ‘Patada’ Ecológica, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

[EcoDebate] A “pegada ecológica” dos 187 milhões de brasileiros está estimada em 2,4 hectares por pessoa ano. Já ultrapassou a demanda, considerada equilibrada, de 2,1 hectares. Como o Brasil é o décimo país mais desigual do planeta, é evidente que alguns poucos estão consumindo mais hectares do que a esmagadora maioria que mal consegue sobreviver.

Porém, o estrago feito pela média brasileira tem embutida à “patada ecológica” do rebanho bovino. A pecuária brasileira ocupa 172 milhões de hectares para 177 milhões de cabeça de gado. Cada boi, portanto, ocupa quase um hectare de terra, ou seja, quase 20% da superfície do país. Toda área ocupada pela agricultura não passa de 72 milhões de hectares. Portanto, a “patada ecológica” das boiadas representa quase 50% da “pegada ecológica” da média brasileira.
Hoje a pecuária, parte essencial do agronegócio, representa quase um terço do PIB agrícola. Portanto, tem importância econômica. Ninguém que assuma o comando político do país vai abdicar desse negócio. Seria deposto no dia seguinte. Mas seu estrago é infi nitamente maior do que o da cana, da soja e outras atividades do agronegócio. Sem falar que para produzir um kg de carne são necessários de dez a 40 mil litros de água, a depender do que é contabilizado em todo o processo.
Há um agravante. Os bovinos, em seu metabolismo, expelem gás metano pelos arrotos e outros mecanismos, um dos gases do efeito estufa, dezessete vezes mais perniciosos que o próprio dióxido de carbono.
As fazendas de gado, nascidas junto com o país, ainda têm o dom de abrigar trabalho escravo em muitas de suas atividades. Portanto, primitivas no jeito de produzir, primitivas no jeito de lidar com as pessoas.
Quem conhece a lógica da biodiversidade sabe que nenhuma espécie sozinha é danosa ao equilíbrio da vida. Porém, quando se torna monocultivo, passa a ser um problema, não uma solução.
Um Brasil que se queira justo e sustentável terá necessariamente que rever a patada ecológica de seus bois.
OBS: Publicado originalmente no Brasil de Fato (Dezembro)
Roberto Malvezzi (Gogó), articulista do EcoDebate, é Assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT
EcoDebate, 04/01/2011