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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dia do Índio (?)

O Brasil é o país da Biodiversidade. Possui as maiores florestas da Terra, os maiores rios do mundo, a maior variedade de espécies animais e vegetais. Mas não é disso que pretendo falar hoje, dia que deveria ser reverenciado por todos, principalmente por aqueles que são os responsáveis pelo destino de nossa gente e, no entanto, só cuidam de seus interesses mesquinhos e de seus apaniguados.

Temos, certamente, a maior diversidade de etnias do nosso planeta, mesmo depois de séculos de exploração e genocídio! E nem falo dos brancos: falo de nossos indígenas, assim chamados apenas pela dificuldade de mencionar as centenas de Nações que habitam nosso país há séculos, muito antes da chegada dos invasores europeus, que aqui vieram apenas para saquear suas culturas tradicionais.

Hoje deveria ser comemorado o DIA DO ÍNDIO. No entanto, nossa mandatária maior, Dilma Rousseff, saiu da capital do país para participar da posse de Nicolás Maduro na presidência da Venezuela. Não se vêem manifestações de alegria, festas, comemorações, seja na Capital Federal, seja nas demais capitais do país, seja até mesmo nas aldeias indígenas espalhadas por todo nosso território, que já foi somente deles, quando ainda podiam ser contados aos milhões...

Enquanto esses povos deveriam estar festejando seu dia, os políticos corruptos do Congresso Nacional tramam pelo seu futuro e pela sua vida, retirando da FUNAI, Fundação Nacional do Índio, o direito histórico de demarcar suas terras. No entanto, nem mesmo a FUNAI se manifesta, seja contra mais essa atrocidade dos latifundiários ruralistas, ansiosos por colocar suas patas nos territórios indígenas, para também convertê-los em PASTO  e enormes plantações de SOJA, seja para reverenciar as civilizações originárias da "terra brasilis", pelas quais é responsável.

O que essa gente humilde teria a comemorar, se a nação que a abriga tem tamanho desprezo pelas suas tradições e conhecimentos milenares? Até mesmo o povo que descendeu da miscigenação de brancos, negros e índios despreza esses povos! O preconceito é tamanho que costumamos ouvir que "é terra demais para tão pouco índio"! E, no entanto, eles são tão poucos graças aos portugueses que os assassinaram aos milhares ao adentrar o Novo Continente, aos latifundiários e madeireiros que invadem seus territórios para queimar a floresta, roubar suas árvores centenárias, assassinar lideranças e CRIANÇAS indígenas para tomar posse de seus territórios!

É muito triste ter que escrever isso, mas as maldades não param por aí... os "missionários" religiosos (salesianos, claretianos, jesuítas, evangélicos, pentecostais, mórmons, ...) fazem uma "limpeza étnica" desde o início do século XVI, com a chegada dos portugueses, e continuam até hoje, levando "doenças dos brancos" e invadindo suas aldeias com uma crença que nada tem a ver com a história desses povos indígenas. E não foi apenas a substituição de suas crenças, por si só um crime inominável contra essas populações, mas também a destruição de suas línguas nativas, a descaracterização de seus costumes, o aldeamento de suas crianças, a introdução da ideia medieval do "pecado capital" da nudez, das habitações coletivas e da ingenuidade pura de suas relações sociais!

Comemorar o que?

Creio que, apesar de tudo, ainda resta uma esperança, pois esses bravos guerreiros ainda não abdicaram de sua identidade como nações independentes, e enfrentaram os porcos do Congresso, exigindo que essas pseudo-lideranças políticas se envergonhassem de seus próprios atos e práticas abomináveis e os recebessem, ainda que a contragosto, naquela que deveria ser a ARENA de debates mais digno de nossa Nação! Pois que esses povos encontrem a força e a determinação para exorcizar esses demônios das mais diferentes seitas evangélicas e cristãs, e resistam até o último guerreiro a entregar suas terras e seu povo aos corruptos políticos do Brasil. Se nós, cidadãos invasores e maiores responsáveis por essas excrescências de nosso sistema de poder, não temos vergonha na cara para expulsá-los, que sejam, então, os indígenas, irmãos de nossa gente, que o façam!

SALVE O DIA DO ÍNDIO!
SALVEM AS NAÇÕES INDÍGENAS DO BRASIL! 

terça-feira, 16 de abril de 2013

O Custo Ambiental da Pecuária e da Extração de Carvão




MEIO AMBIENTE


Prejuízo ambiental provocado por carvão e gado é o dobro do PIB do Brasil

Estudo revela que pecuária na América do Sul e extração de carvão na Ásia causam prejuízo de 4,7 trilhões de dólares por ano ao meio ambiente. Especialistas alertam para a urgência da transição para a economia verde.

A pecuária na América do Sul e a extração de carvão na Ásia são as atividades econômicas mais prejudiciais ao meio ambiente. É o que mostra um estudo publicado nesta segunda-feira (15/04) pela coalizão de negócios para Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB, na sigla em inglês), órgão ligado ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma.

O relatório oferece uma perspectiva de negócios dos riscos que envolvem o capital natural, ou seja, os custos ambientais e sociais provocados pelos danos ao meio ambiente. O cálculo aponta que, por ano, essa conta chega a 4,7 trilhões de dólares – o dobro do Produto Interno Bruto do Brasil em 2012, que foi de 2,2 trilhões de dólares (4,4 trilhões de reais).

Toda a riqueza produzida em território nacional multiplicada por dois é o quanto custa para a economia mundial os prejuízos causados pelas emissões de gases de efeito estufa, perda de recursos naturais e serviços baseados na natureza, como o armazenamento de carbono por florestas, mudanças climáticas – além dos custos de saúde associados à poluição do ar.

Transformar o impacto da degradação ambiental em cifra ainda é uma tarefa complexa. Mas os valores iniciais já assustam. "Os números desse estudo ressaltam a urgência e também as oportunidades para todas as economias que optarem pela economia verde", comentou Achim Steiner, chefe do Pnuma.

Ásia e América do Sul como maiores predadores


A análise mostra que a extração de carvão na Ásia, liderada pela China, gera um lucro estimado em 443 bilhões de dolares por ano. Ao mesmo tempo, a atividade custou 452 bilhões de dólares em danos à natureza – em grande parte pela emissão de gases de efeito estufa.

Já a pecuária na América do Sul ocupa o segundo lugar no ranking. O prejuízo para a natureza foi calculado em 353 bilhões de dólares, que considerou os problemas no abastecimento de água e o desmatamento principalmente na região amazônica. Por outro lado, a estimativa é que o corte da floresta tenha gerado um rendimento de apenas 16,6 bilhões de dólares.

Entre os impactos provocados pelos dois setores estão as emissões de gases de efeito estufa, escassez de recursos naturais, derrubada das florestas, escassez de água, mudanças climáticas, poluição do ar e aumento dos gastos no setor de saúde.

Método quer estimular novas pesquisas


O relatório avaliou mais de 100 impactos ambientais utilizando o modelo ambiental Trucost, que concentra o uso da água, do gás de efeito estufa, resíduos, poluição do ar e da água, poluição do solo e uso da terra. Estes elementos foram quantificados por região, por meio de mais de 500 setores de atividade.

O método utilizado não dá a precisão exata, mas uma indicação dos setores prioritários e regiões onde o risco de capital natural se encontra. Ainda assim, as limitações têm um ponto positivo, de acordo com os realizadores da pesquisa: elas são apresentadas desta forma no relatório com o objetivo de estimular o desenvolvimento contínuo desse tipo de análise.

De acordo com o estudo, essa conta pode ficar mais cara nas próximas décadas. O aumento da classe média, especialmente em mercados emergentes, pode provocar uma degradação ainda maior do meio ambiente. Com um número maior de consumidores que optam pela carne e precisam de mais energia, por exemplo, os ecossistemas naturais terrestres são colocados cada vez mais em risco.

Fonte: DW (Deutsche Welle)

sexta-feira, 23 de março de 2012

A EXECRÁVEL BANCADA RURALISTA AGORA ATACA A FUNAI E OS INDÍGENAS!


 
Os requerimentos 165 e 166 de 2012 solicitam audiência pública com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para discutir sobre Instrução Normativa nº 1, de 9 de janeiro de 2012, e nº 2, de 2 de fevereiro de 2012 que tratam da participação da Funai em licenciamento ambiental e benfeitorias implantadas em terras indígenas, para que sejam esclarecidos o assunto devido o impacto que possa causar sobre as áreas rurais localizadas no entorno das áreas indígenas.
Após a aprovação, Moreira Mendes explicou que a data ainda vai ser definida, mas que os dispositivos das normas precisam ser esclarecidos ou até alterados pela Comissão de Agricultura, pois a norma estabelece que a Funai participe do licenciamento ambiental nos empreendimentos das terras indígenas e entorno. Para o parlamentar a Funai além de agir de forma arbitrária na demarcação de terras indígenas, agora também quer decidir sobre o licenciamento ambiental dentro do parque e nas periferias.
Moreira Mendes, que acompanha essa questão há tempos, justifica sua preocupação pela abrangência e importância do assunto em questão. “A Funai tomou para si a autorização de licenciar suas terras. Quais vão ser os critérios de avaliação, como vão ser constituídos esses grupos? É preciso que seja debatido e esclarecido esse assunto. A exemplo do que está acontecendo com a criação indiscriminada de novas reservas indígenas e ampliação das já existentes, a FUNAI extrapola a sua competência gerando novos conflitos”.
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Não satisfeita com a dilapidação do patrimônio natural das APP´s - Áreas de Preservação Permanente - através do estupro do nosso Código Florestal, a famigerada Bancada Ruralista agora ataca as POPULAÇÕES INDÍGENAS, demonstrando sua nenhuma familiaridade com a ciência da Antropologia! Pretende agora controlar a FUNAI e impedir seu trabalho, submetendo-a aos CORRUPTOS, LEVIANOS e INCONSEQUENTES POLÍTICOS do Poder Legislativo!
É uma vergonha a atuação desses representantes do AGRONEGÓCIO! O que deveria ser tratado com prioridade pelos representantes do povo é deixado no esquecimento, pois não importa aos poderosos tratar de questões essenciais como a reforma Política, a reforma Fiscal e outras matérias de interesse nacional, que aguardam na fila desde a promulgação da Constituição Federal de 1.988. Mas tratar dos próprios interesses e gastar fortunas para manter seus apadrinhados no poder, disso eles não abrem mão!
O processo de regularização das Terras Indígenas é demorado, complexo e técnico, pois compreende estudos antropológicos de identificação das áreas tradicionalmente ocupadas por essas populações desde os seus primórdios, muitas vezes anteriores ao ingresso dos portugueses em terras brasileiras. Entende-se por "áreas tradicionalmente ocupadas" os locais onde habitam, cultivam suas roças, exploram seus locais de caça e de pesca, cultuam seus locais ritualísticos e sagrados e preservam as áreas de proteção ambiental para que sua existência não seja ameaçada. O que entendem esses TROGLODITAS desse assunto?
Vale ressaltar que as Terras Indígenas hoje somam áreas equivalentes às Unidades de Conservação e são, certamente, as terras mais preservadas do país. Portanto, as Terras Indígenas extrapolam as questões sociais de sobrevivência dessas populações tradicionais e representam verdadeiras barreiras de proteção contra a devastação causada pelo AGRONEGÓCIO! Aí está o interesse desses INESCRUPULOSOS e GANANCIOSOS LATIFUNDIÁRIOS da SOJA, da CANA DE AÇÚCAR e do GADO: ampliar até a EXAUSTÃO as fronteiras agrícolas do país, sem se preocupar com o futuro de nossa NAÇÃO, da qual esses MENTECAPTOS não se sentem participantes!
Portanto, esperamos que o sr. Presidente da FUNAI, MÁRCIO MEIRA e o sr. Ministro da Justiça, JOSÉ EDUARDO CARDOZO saibam defender não apenas a NAÇÃO BRASILEIRA, mas também os mais ilustres representantes de nossa população: os INDÍGENAS! Que não façam como fizeram com Belo Monte, abandonando esses povos à sua própria sorte, mesmo sabendo que atrás dos tratores, caminhões e motoniveladoras chegam milhares de trabalhadores que se instalam e criam cidades, constroem estradas e, com eles, trazem os vícios, as drogas, a prostituição e as demais mazelas da nossa corrupta sociedade "civilizada"...
LEMBREM-SE, OS BRASILEIROS, DESSAS IGNOMÍNIAS AO VOTAR ESTE ANO: SE ESSES CRETINOS HOJE DETÊM O PODER, EMBORA SEJAM APENAS 2% DE NOSSA POPULAÇÃO, É PORQUE OS INGÊNUOS ELEITORES BRASILEIROS SEMPRE VOTAM NELES, MESMO SEM TER CONSCIÊNCIA DAS CONSEQUÊNCIAS INEVITÁVEIS DESSE ATO IRRESPONSÁVEL! É POR ISSO QUE NÃO ACREDITO NESTE SISTEMA ELEITORAL E DE REPRESENTAÇÃO "DEMOCRÁTICA"! FALTA CONSCIENTIZAÇÃO POLÍTICA, FALTA CULTURA, FALTA COERÊNCIA COM AS DEMANDAS DO POVO!
NÃO DEIXEM DE ASSISTIR TAMBÉM AO DOCUMENTÁRIO "HOME - NOSSA CASA"! ELE RETRATA A CRUEL REALIDADE DA PRESENÇA DO HOMEM NA TERRA E A DEVASTAÇÃO CAUSADA NESSES RECENTES 100 ANOS, EM CONTRAPOSIÇÃO AOS MAIS DE 100 MILHÕES DE ANOS DE EXISTÊNCIA DE VIDA NO PLANETA! QUEM SABE ALGUÉM SE SENSIBILIZE COM A ABERRAÇÃO DE TERMOS REPRESENTANTES TÃO INDIGNOS E PREDATÓRIOS NO CONGRESSO NACIONAL. O QUE NINGUÉM PERCEBE É QUE, DE FORMA INCONSEQUENTE, A PROMULGAÇÃO DE UMA LEI ORDINÁRIA (NO SENTIDO PEJORATIVO) PODE CAUSAR MAIS DANOS AO MUNDO DO QUE TODOS OS ATOS PRATICADOS POR UM SER HUMANO AO LONGO DE TODA SUA EXISTÊNCIA! UMA CANETA APENAS PODE CAUSAR A EXTINÇÃO DE MILHARES DE ESPÉCIES VIVAS! SÓ UMA CANETA E UMA ASSINATURA!


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A PROTEÇÃO DE NOSSA BIODIVERSIDADE
A Política Nacional de Biodiversidade do Brasil identifica a conservação ambiental através de Áreas Protegidas como política essencial para a proteção da megadiversidade do país e, para isso, estabeleceu a meta de ter 10% de cada um dos 6 biomas brasileiros (Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas) classificados como Áreas Protegidas.

O atual Sistema Nacional de Unidades de Conservação (
SNUC) cobre cerca de 12% do território; porém isso não garante a proteção adequada de todos os biomas florestais nem inclui muitos locais definidos como de alta prioridade para a conservação florestal. Para este fim, as 661 atuais Terras Indígenas do Brasil (regularizadas) representam uma oportunidade significativa. Elas promovem a segurança física e cultural dos Povos Indígenas – frequentemente referidos como "povos do ecossistema" ou "povos da floresta" – e, consequentemente, através das estratégias indígenas tradicionais e naturais de gestão de recursos e de suas crenças culturais, essas terras protegem a biodiversidade florestal e os serviços prestados por esses ecossistemas. As Terras Indígenas cobrem uma área tão grande senão maior do que o atual sistema SNUC, e muitas delas contêm florestas identificadas como prioritárias para a conservação. Outras estão estrategicamente localizadas em áreas críticas para a conectividade entre Áreas Protegidas dentro do SNUC, ou para zonas de transição entre biomas. 
No entanto, devido a pressões internas e externas sobre as  Terras Indígenas, a capacidade dos Povos Indígenas de continuar com suas estratégias de conservação tradicionais, com uma boa relação custo-benefício, está sendo comprometida. Ameaças à biodiversidade em Terras Indígenas podem ser agrupadas de acordo com (1) as que surgem de usos da terra fora das Terras Indígenas (tais como monocultura, pecuária extensiva e urbanização); (2) as que surgem da extração de recursos por não-indígenas que invadem a Terra Indígena (tais como atividade madeireira, mineração, caça ilegal, garimpo); e (3) as que surgem da exploração excessiva dos recursos pelos Povos Indígenas dentro das Terras Indígenas (tais como necessidades de subsistência e comercialização). As principais barreiras para a consolidação da conservação da biodiversidade florestal em Terras Indígenas são: (1) lacunas e inconsistências em políticas, mandatos institucionais e capacidades que dificultam que as Terras Indígenas recebam apoio efetivo para a conservação, (2) fraca capacidade de gestão operacional para otimizar o papel das Terras Indígenas na conservação da biodiversidade e (3) conhecimentos e habilidades limitados entre os Povos Indígenas para desenvolver práticas de produção sustentáveis que não prejudiquem a base de recursos ao mesmo tempo em que cumpram com as necessidades econômicas dos  Povos Indígenas.

Embora o governo do Brasil tenha fornecido uma forte base legal para o reconhecimento dos direitos dos 
Povos Indígenas às Terras Indígenas e também tenha realizado diversos programas e projetos de apoio, esses esforços agora estão ameaçados pela irresponsabilidade e ganância de políticos inescrupulosos e comprometidos com interesses pessoais, tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro.
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EXECRÁVELabominável; detestável; ignominioso; desprezível; nefasto; condenável;   odioso; repugnante; torpe

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pecuária brasileira: ‘Patada’ Ecológica, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

[EcoDebate] A “pegada ecológica” dos 187 milhões de brasileiros está estimada em 2,4 hectares por pessoa ano. Já ultrapassou a demanda, considerada equilibrada, de 2,1 hectares. Como o Brasil é o décimo país mais desigual do planeta, é evidente que alguns poucos estão consumindo mais hectares do que a esmagadora maioria que mal consegue sobreviver.

Porém, o estrago feito pela média brasileira tem embutida à “patada ecológica” do rebanho bovino. A pecuária brasileira ocupa 172 milhões de hectares para 177 milhões de cabeça de gado. Cada boi, portanto, ocupa quase um hectare de terra, ou seja, quase 20% da superfície do país. Toda área ocupada pela agricultura não passa de 72 milhões de hectares. Portanto, a “patada ecológica” das boiadas representa quase 50% da “pegada ecológica” da média brasileira.
Hoje a pecuária, parte essencial do agronegócio, representa quase um terço do PIB agrícola. Portanto, tem importância econômica. Ninguém que assuma o comando político do país vai abdicar desse negócio. Seria deposto no dia seguinte. Mas seu estrago é infi nitamente maior do que o da cana, da soja e outras atividades do agronegócio. Sem falar que para produzir um kg de carne são necessários de dez a 40 mil litros de água, a depender do que é contabilizado em todo o processo.
Há um agravante. Os bovinos, em seu metabolismo, expelem gás metano pelos arrotos e outros mecanismos, um dos gases do efeito estufa, dezessete vezes mais perniciosos que o próprio dióxido de carbono.
As fazendas de gado, nascidas junto com o país, ainda têm o dom de abrigar trabalho escravo em muitas de suas atividades. Portanto, primitivas no jeito de produzir, primitivas no jeito de lidar com as pessoas.
Quem conhece a lógica da biodiversidade sabe que nenhuma espécie sozinha é danosa ao equilíbrio da vida. Porém, quando se torna monocultivo, passa a ser um problema, não uma solução.
Um Brasil que se queira justo e sustentável terá necessariamente que rever a patada ecológica de seus bois.
OBS: Publicado originalmente no Brasil de Fato (Dezembro)
Roberto Malvezzi (Gogó), articulista do EcoDebate, é Assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT
EcoDebate, 04/01/2011