segunda-feira, 14 de junho de 2010

Os EUA, a Inglaterra e o pavor do Terror

Nunca antes, em uma Copa do Mundo de Futebol, viu-se tamanho aparato militar para proteger jogadores e torcedores de dois países: EUA e Inglaterra. Foi uma verdadeira operação de guerra, com várias inspeções no campo e nas arquibancadas, nos arredores e em toda a cidade que hospedou as duas seleções do mundo. E tudo sob a supervisão dos órgãos de contra-espionagem desses países! Isso contrastava e violentava o clima de paz, de harmonia e de simpatia que irradiava dos anfitriões africanos desde a abertura e em todos os jogos já realizados.

Por que esse pavor? Porque esses dois países são os campeões da violência nas arenas reais do mundo; os EUA comandando as ações de guerra e a Inglaterra, de joelhos, prestando vassalagem a seus ídolos internacionais. Quem não conhece a História poderia se espantar com essas palavras, mas basta um pequeno "tour" pela história recente para compreender essa triste realidade, partindo de um país que se auto-intitula o "campeão e defensor da democracia" e, em nome dela, tem perpetrado os mais cruéis crimes da História contemporânea.

Tudo começou ao término da 2º Guerra Mundial, quando o planeta foi dividido entre países Capitalistas e Comunistas. Embora a União Soviética tenha feito sua Revolução Comunista em outubro de 1917, EUA e URSS foram "aliados" durante a Guerra, tendo em vista o inimigo comum. Bastou acabar a guerra e a farsa também se esgotou.

Com a morte de Stalin e a ascensão de seu sucessor Nikita Krushev, foi declarada oficialmente a "Guerra Fria" entre URSS e EUA. O mundo passou a ser disputado entre as duas facções em conflitos sangrentos, como a Guerra do Vietnam, que se extendeu pela Coréia, pelo Cambodja e pelo Laos, causando centenas de milhares de mortos e destruindo quase completamente esses países e suas culturas. A presença dos militares norte-americanos nessa região por mais de 10 anos provocou a degeneração dos costumes, a proliferação das drogas e da prostituição, e o assassinato cruel e desumano de parte expressiva da população inocente e civil. Até bombas químicas e de "napalm" (plástico que, ao explodir, se incendiava e aderia aos corpos dos soldados, em morte lenta e cruel) os EUA usaram contra a população, indiscriminadamente, matando velhos, crianças e mulheres, e dizimando enormes extensões de florestas nativas com desfolhantes químicos de alto poder destrutivo.

Sabe-se que os EUA testaram exaustivamente seus armamentos mais modernos, como os caças Phanton, tanques de guerra e armas de toda espécie, permitindo-lhes assumir a vanguarda mundial na produção, proliferação e consumo de armamentos de alto poder de destruição. No entanto, finda essa guerra nos anos 70, os EUA tinham um expressivo contingente de soldados mutilados, viciados em cocaína e outras drogas, e desempregados. O que fazer com eles e com o enorme estoque de armamentos desenvolvidos e produzidos durante a guerra?

Nas décadas de1960 e 1970 os EUA se defrontaram com uma nova ameaça: diante do fracasso das políticas do "New Deal", as promessas de igualdade e justiça social do Comunismo conquistaram os intelectuais e estudantes de todo o mundo. Em 1967 e 1968 aconteceram manifestações estudantis na França e em toda a Europa, apoiadas por nomes ilustres como Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Ferdinad Sausure, e o Quartier Latin (quarteirão latino), famosa área central de Paris, foi ocupado por manifestantes exigindo mudanças estruturais na educação, na política, na filosofia e nas relações sociais, com mais liberdade.

Essas manifestações, aliadas a protestos estudantis dentro dos EUA contra sua participação na guerra do Vietnam, e à anterior e comovente experiência de Fidel Castro e Ernesto "Che" Guevara, reconquistando Cuba de seu ditador Fulgêncio Batista, inspiraram e motivaram rebeliões em muitos países sub-desenvolvidos, chamados de "terceiro mundo" pelas aristocracias da época. Essas rebeliões tornavam-se cada vez mais fortes, abalando as estruturas sociais, políticas e militares desses países, e ameaçando a hegemonia norte-americana no Ocidente.

Diante dessas ameaças, os EUA se envolveram diretamente em todos os golpes militares dos anos 60 e 70, instaurando ditaduras violentas em todo o continente sul-americano, inclusive no Brasil. Em todos eles a CIA (Central Intelligence Agency) teve papel preponderante e determinante na queda das democracias. Algumas dessas ditaduras se iniciaram com o assassinato de presidentes, como ocorreu com Salvador Allende, no Chile, em 1973 e a tomada do poder por um dos maiores facínoras sanguinários contemporâneos, o General Augusto Pinochet.

Uma nova política, muito diferente dos ideais democratas, foi implantada, à força, no mundo, substituindo governos legitimamente eleitos por títeres do regime imperialista norte-americano. Só restou Cuba, sustentada pela União Soviética, devido ao cerco político internacional que perdura até hoje, e apesar de sanções econômicas drásticas que minaram sua sociedade até a exaustão. Hoje, Cuba não consegue superar sua fragilidade econômica, e os países "democratas" não têm coragem suficiente para romper esse bloqueio. Mesmo o governo Lula, que se diz amigo pessoal de Castro, não cancelou as sanções econômicas e compactuou com os EUA nessa barbárie que macula nossas relações internacionais.

Ao final da década de 1980, os EUA detinham o poder na maior parte do mundo: venceram a "Guerra Fria", chegaram à Lua, derrubaram governos, e possuíam cerca de 25.000 ogivas nucleares apontadas para Moscou. Em 1988 o regime soviético se esfacelou e, com ele, a União Soviética, fragmentada em mais de uma dezena de países, sob a batuta de Mikhail Gorbachev. As ogivas nucleares soviéticas se espalharam entre esses países, ameaçando a paz mundial. O Muro de Berlim despencou, as Alemanhas foram reunificadas, e a Rússia que sobrou não tinha um décimo do poder da antiga União Soviética.

Com tamanho poder militar em suas mãos, os EUA se defrontaram com outro grave problema interno: a antes florescente indústria de armamentos estava em processo de falência, pois não havia novos conflitos que consumissem esse material bélico, e o enorme contingente de soldados não tinha o que fazer nos quartéis norte-americanos. Então, por que não criar um novo conflito? A pressão interna era enorme.

O primeiro alvo foram as guerras internas do continente europeu e, em particular, da Macedônia, Bósnia, Eslovênia, Croácia e Sérvia, pertencentes à antiga Iugoslávia. Milhares de pessoas, principalmente civis, foram vítimas dos tanques que rolaram sobre eles em confronto fratricida em Kosovo, sob os olhares passivos da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da comunidade do Pacto de Varsóvia, esfacelada pela "dèbacle" socialista. Gastou-se muito armamento por lá...

O segundo alvo foi o Iraque. Havia escassez de petróleo no mundo ocidental, causada pelas restrições de produção da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo), e os preços subiam de hora em hora, assustadoramente. Estávamos nos anos 1970, e a economia mundial entrava em uma grave crise, desta vez provocada pela falta de guerras! Era preciso, era imperativo, que uma nova guerra fosse provocada.

A primeira Guerra do Iraque permitiu que os EUA desovassem grande parte de seus estoques de armamentos obsoletos e a indústria de material bélico norte-americano e dos demais países desenvolvidos se salvou. A crise do petróleo foi contida e os preços internacionais baixaram. A segunda Guerra do Iraque e a guerra contra os Talibãs do Afeganistão, provocadas pelo ataque às torres gêmeas de New York (setembro, 2001) completaram esse trabalho de reposição de armamentos, de recuperação das indústrias de material bélico e da regularização do fluxo de petróleo.

Todas essas ações norte-americanas causaram o repúdio dos meios intelectuais e, com as guerras do Iraque, também a repulsa dos países árabes, humilhados diante de seu inimigo visceral, Israel, que tinha o privilégio de contar com apoio incondicional dos EUA. A razão desse apoio era evidente: em primeiro lugar, representava o antagonismo ao poder dos muçulmanos; em segundo lugar porque os EUA precisavam conter o fortalecimento dos países produtores de petróleo do Oriente Médio; e, em terceiro lugar porque era estrategicamente interessante para os EUA ter um forte aliado implantado nos quintais de seus inimigos árabes.

Daí, para surgirem as novas fórmulas do terror foi um passo: em toda História da Humanidade, mesmo durante o obscurantismo da Idade Média, o alvo das guerras sempre foram os soldados e seus comandantes. Agora, em nosso admirável mundo novo, o alvo mais fácil se tornou o povo, as pessoas comuns, indefesas diante de uma violência sem autor.

Pura covardia, diriam todos. Sim, covardia em sua manifestação extrema! E a causa primária dessa covardia foi o surgimento de um poder único, insuperável e sem limites de um só país em todo mundo: os Estados Unidos! Eles podiam fazer guerras, matar inocentes, prender e torturar seus inimigos, mesmo sem comprovação de culpa, como aconteceu em Cuba, nas prisões de Guantánamo, no Vietnam, no Iraque e nas prisões e calabouços dos países latino-americanos sufocados por ditaduras militares sustentadas pelos EUA durante mais de duas décadas.

E a Inglaterra? Além de sua subserviência incondicional aos EUA, esse país também tem sua história de exploração e violência contra os povos. Que o digam Mahatma Ghandi e a Índia, destruídos por uma guerra sibilina, do ópio, que fez com que toda uma população fosse contida pelo vício, apenas para que suas riquezas sustentassem a Coroa Britânica e seu povo aristocrata e de um poder imperial anacrônico.

Mas a Inglaterra também nos fez de idiotas depois da Segunda Guerra Mundial; credores de imensa dívida contraída pelo fornecimento de material bélico e matérias-primas, o Brasil recebeu, em pagamento, quinquilharias, perfumarias, lixo industrial da Grã-Bretanha imperial.

E as colônias inglesas ao redor do mundo, de onde retiraram, por séculos, tesouros incalculáveis, obras de arte, minérios, pedras preciosas? E a farsa do combate à escravidão no Brasil: por que não interessava à Inglaterra que explorássemos escravos africanos? Não foi por pena, com certeza! Com a exploração de escravos, a Inglaterra não tinha mercado para seus produtos, concorrentes de nossas "plantations" de cana de açúcar. Daí seu interesse em acabar com a escravidão e fomentar uma crise de produção de açúcar e nas lavouras de café no Brasil.

E nossa independência de Portugal? Quem pagou a conta para a Inglaterra foi o Brasil, por um acordo entre nossa antiga matriz e a Inglaterra, credora dos portugueses por ter ajudado Dom João VI e a Famíla Imperial a fugir de Napoleão e se instalar no Brasil. E o regime de Apartheid na África do Sul, colonizada por ingleses e franceses, fazendo dos negros africanos, em sua própria nação, o que foi feito aqui com nossos indígenas e com os negros trazidos da África?

Se hoje Inglaterra e Estados Unidos têm pavor do Terror internacional, a culpa é exclusivamente deles, que criaram e alimentaram seus próprios inimigos! Com certeza, nos jogos do Brasil contra países não alinhados (submissos) aos EUA e Inglaterra, não haverá tamanho  aparato militar para proteger nossos jogadores e nossa torcida, pois somos amantes da paz e amados por todos os povos do "terceiro mundo"!

domingo, 13 de junho de 2010

Conflitos Fundiários no Sertão da Bahia

Na postagem anterior (veja abaixo) reproduzi um manifesto publicado no site da Comissão Pastoral da Terra e assinado por diversas organizações de movimentos populares nacionais e regionais. Trata esse documento de um conflito de terras na região de Santa Maria da Vitória, na Bahia, como tantos outros que ocorrem nos sertões nordestinos, para os quais a Justiça NÃO faz vistas grossas, mas atua em favor de grileiros e grandes agricultores que invadem, expropriam e violentam as populações tradicionais do Cerrado e da Caatinga, principalmente no oeste bahiano.

Quando passei por aquela região durante minha expedição pelo rio São Francisco permaneci durante quase duas semanas em Bom Jesus da Lapa, a convite da Comissão Pastoral da Terra, participando de suas reuniões nas comunidades quilombolas e indígenas e em acampamento de Sem-Terras, onde pude constatar a veracidade dessas agressões contra povos que lá residem há mais de uma centena de anos, tendo, só por isso, direito a essas terras que cultivam, e onde criam seus filhos.

Presenciei conflitos e ouvi as histórias dessas comunidades, que vivem assustadas, amedrontadas e ameaçadas, não apenas pelos latifundiários que os humilham, mas também sob as ameaças perpetradas pelas milícias e pela famigerada polícia do cerrado, entidade fantasma composta por policiais militares em nome desses fazendeiros. Protegidos pela força da lei, os capangas desses grileiros soltam seu gado nas plantações de lameiro, aprisionam e maltratam suas criações e ameaçam, constantemente, esse povo simples e indefeso com ações de violência e terror.

As únicas pessoas que defendem esses povos são os abnegados missionários e voluntários das organizações que trabalham para os movimentos sociais: a Comissão Pastoral da Terra, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Via Campesina, o Movimento dos Atingidos por Barragens, dentre tantos outros. São pessoas que transformaram suas próprias vidas em uma missão solidária, abrindo mão das possibilidades de crescer profissionalmente e de ter acesso ao conforto e às comodidades da vida contemporânea. Quase constantemente os encontramos trabalhando mais de 12 horas por dia, todos os dias da semana e mesmo nos feriados, dando apoio a essas populações, levando a eles conforto espiritual, medicamentos, alimentos e orientação.

Nada disso se sabe por aqui, pois esses conflitos estão distantes demais de todos nós para nos incomodarmos com eles. No entanto, milhares, senão milhões de pessoas são vítimas de maus-tratos, de violência, de ameaças, de humilhações, enquanto nos divertimos em jogos virtuais, em "brinquedos de adultos", esquecendo-nos de nossos irmãos. Isso não é justo! Ninguém pode dormir sossegado sabendo que imensa parcela de nosso povo vive hoje como viviam nossos antepassados sob a ameaça dos Senhores de Engenho e dos Barões do Café! Isso é quase ESCRAVIDÃO!

Às vezes fico surpreso, até mesmo revoltado com a futilidade das classes favorecidas de nossa Nação: que NAÇÃO é essa que deixa crianças serem maltratadas, que fazem com que homens sejam agredidos impunemente e se submetam a trabalhos semi-escravos, pessoas que se humilham diante das instituições que deveriam lhes assegurar a dignidade e a justiça social? Como acreditar nesse povo que se diverte com os jogos da Copa do Mundo de Futebol, enquanto populações inteiras se submetem à crueldade de milionários que lhes roubam a TERRA e a fonte de seu sustento?

Se ninguém se emocionar com essa realidade, é porque nosso país NÃO É UMA NAÇÃO e não merece se destacar diante da Comunidade das Nações, não tem direito a levantar sua voz nas Nações Unidas ou no Conselho de Segurança. Onde estão os candidatos à Presidência da República, que não se manifestam perante essa criminalidade oficializada pelos Poderes Instituídos? ONDE ESTÁ VOCÊ, que não ouve esse chamado?

Nota Pública à Sociedade sobre a grilagem em Santa Maria da Vitória-BA

Fonte: notícia veiculada no site da Comissão Pastoral da Terra: http://cptnacional.org.br/index.php/noticias/


Nós representantes da sociedade civil organizada, movimentos sociais, organizações e entidades populares, paróquias, sindicatos, dioceses vimos por meio desta, solidarizar com as famílias de João Cerrano Sodré, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe e de Marilene de Jesus Cardoso Matos, agente pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT – Centro Oeste da Bahia). Ambos foram presos no dia 25/03, por volta das 15:00 horas, a mando do Juiz Eduardo Pedro Nostrani Simão; sendo libertados no dia 26/03 às 22:30 horas, por determinação do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia.

O motivo da prisão baseou-se no fato de João e Marilene terem assinado uma Nota Pública, em 09 de março de 2010, pedindo providências diante do conflito agrário envolvendo Comunidades Tradicionais de Fechos de Pasto do Município de Santa Maria da Vitória-BA e grileiros, que se dizem donos de uma área de 30 mil hectares de terra.

A Nota foi enviada a vários órgãos públicos, dentre os quais a Ouvidoria Agrária Nacional, Secretaria de Segurança Pública, Corregedoria do Tribunal de Justiça da Bahia, Ministério Público, dentre outros. Cabe ressaltar que há interesse do Estado da Bahia na regularização da área em conflito, como comprova a deflagração da Ação Discriminatória Administrativa Rural (Portaria CDA no 18/2010, publicada no Diário Oficial da União em 11 de março de 2010), que pretende comprovar a origem destas terras e a possibilidade das mesmas serem Terras Devolutas.

A história destes Geraizeiros, moradores dos Fechos de Pasto, que abrangem mais de 400 famílias, aproximadamente 2.000 pessoas e 14 comunidades, dentre as quais Quatis, Mutum, Salobro, Jacurutú e outras, mostra que eles vivem (ou melhor viviam) harmoniosamente com o Cerrado (Gerais), sendo este indispensável as suas vidas, sendo a base de um complexo sistema de relação homem/natureza; onde terra, água, veredas e plantas são utilizadas racionalmente e culturalmente por estas comunidades. Comunidades estas que há mais de 200 anos ocupam este território, criando gado nos Fechos de Pastos, que são áreas de uso comum, plantando e extraindo frutos nativos, comercializadas nas feiras locais.

No entanto, a partir da década de 80, estas comunidades se tornaram vítimas de um articulado processo de grilagem, pela família de advogados: Sr. Paulo de Oliveira Santos e sua esposa Sra. Socorro Sobral Santos, residentes em Santa Maria da Vitória. A intervenção deste casal na região é conhecida, pois este não é o único caso de grilagem que eles estão envolvidos.

Repudiamos, a forma como vem sendo tratada a problemática destas famílias de agricultores, que vem sofrendo perseguições e ameaças de pessoas fortemente armadas, e a utilização do judiciário por parte dos grileiros, através do ajuizamento de várias ações, com o intuito de impedir a permanência e o uso do território secularmente ocupado por estas comunidades.

Repudiamos, ainda, a prisão arbitrária de João Cerrano Sodré e Marilene de Jesus Cardoso Matos, ressaltando que eles pertencem a entidades históricas na defesa das causas dos trabalhadores e são pessoas idôneas, conhecidas e respeitadas na região e em todo Estado.

Diante do exposto, conclamamos a todos e todas para se juntarem nesta luta, visando garantir:

os direitos fundamentais dos agricultores da região, que estão com suas vidas ameaçadas, para que os mesmos tenham seus territórios preservados; uma justiça isenta; que os órgãos competentes tomem providencias de forma contundente para resolução dos conflitos agrários no município de Santa Maria da Vitória; realização da discriminatória, a fim de identificar as Terras Devolutas e pela titulação dos Territórios das Comunidades Tradicionais; preservação do cerrado e da vida, cultura e tradição de seu povo.

Santa Maria da Vitória-BA, 31 de março de 2010

Assinam:

Comissão Pastoral da Terra, Regional Bahia e Nacional; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canápolis; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Coribe; Sindicato dos Trabalhadores de Cocos; Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Município de Correntina; Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB; Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP; Movimento dos/as Acampados/as, Assentados/as e Quilombolas - CETA; Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais da Bahia – AATR; Paróquia de Santa Maria da Vitória; Paróquia de São Felix do Coribe; Paróquia de Coribe; Paróquia de Serra do Ramalho;

10 Envolvimento/Barreiras; Diocese de Barreiras; Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santa Maria da Vitória; Associação Comunitária de Jovens Santamarienses; Movimento de Mulheres Unidas na Caminhada – MMUC; Casa da Cultura Antonio Lisboa de Morais; APLB-Sindicato; Espaço Cultural Paulo Freire; Escola Família Agrícola de Correntina; Associação Beneficente do Corrente; Movimento Cidadania e Vida; Biblioteca Rosa Oliveira Magalhães; Biblioteca Eugenio Lyra.

sábado, 12 de junho de 2010

Comentários sobre a Transposição do rio São Francisco

As notícias reproduzidas nos dois posts abaixo referem-se à gigantesca obra que desviará parte das águas do rio São Francisco para abastecer outras bacias hidrográficas do nordeste, e que custará mais de sete bilhões de reais aos cofres públicos. Essa obra faraônica foi contestada por grandes nomes da hidrologia nacional devido a seus custos financeiros e sociais, uma vez que favorecerá o desenvolvimento de outros grandes projetos da agro-indústria, e não ao povo nordestino, que depende de carros-pipa para sua sobrevivência.

Até mesmo a população das cidades que foram beneficiadas pelas obras, com a criação de milhares de empregos temporários, temia as conseqüências do seu término, quando boa parte desses trabalhadores, vindos de outros municípios, ficariam sem emprego, agravando ainda mais a precária situação de penúria dessas localidades.

Em quase todos os locais por onde passarão os canais da transposição o povo sofre os problemas da seca, às vezes a poucos quilômetros de distância do rio São Francisco. No entanto, esses canais não serão utilizados para mitigar a sede da população, que verá a água passar sem poder dela conseguir sua redenção. Mesmo nos maiores municípios, como Cabrobó, em Pernambuco, que fica às margens do rio, parte da população urbana depende de carros-pipa para se abastecer de água.

Esse paradoxo de ver a água passar sem poder fazer uso dela revolta a população que há séculos sofre os efeitos das prolongadas estiagens que matam seus rebanhos, destroem suas plantações, e até mesmo seus filhos sucumbem à miséria, à fome e à sede que se prolonga por muitos meses.

Não obstante isso, muitos políticos locais aderiram ao projeto do governo federal para obter os favorecimentos imediatos em detrimento de soluções definitivas e solidárias, que foram preteridas, mesmo sob o protesto de organizações não-governamentais e dos movimentos sociais.

Agora constatamos o início dos problemas, com a provável demissão de boa parcela desses trabalhadores, que se juntarão ao enorme contingente de desempregados, de sem-terras, de sub-empregados e semi-escravos que subsistem naquela região, agravando os problemas sociais e fundiários, crônicos de imensa parcela do semi-árido nordestino.

Cavalcanti: obras da Transposição estão dentro do prazo

O senador Roberto Cavalcanti (PRB) disse nesta sexta-feira (11) que as obras da Transposição do Rio São Francisco não pararam e que continuam da forma e dentro dos prazos previstos.

A declaração do senador foi feita durante entrevista por telefone ao programa Correio da Manhã, da Correio Sat, e em resposta à informação que circulou na imprensa na semana passada que dava conta da paralisação das obras.

"É uma falsa verdade sobre a paralisação das obras da Transposição. Procurei apurar junto ao Ministério da Integração Nacional e tomei conhecimento de alguns números", ressaltou o senador.

Cavalcanti explicou que no ramal leste, que chega até Monteiro, está com 49% das obras concluídas e atualmente estão sendo construídos túneis para a passagem da água em locais elevados. Já no eixo norte, que faz ligação até o Ceará, a construção já está 39% concluída.

O senador afirma, no entanto, que as obras executadas atualmente necessitam de menos profissionais do que na construção dos canais, não negando a demissão em massa.

Suspensas as obras de transposição do São Francisco; 4 mil operários são dispensados


Fonte: Fernando Rodrigues - ClickPB
17h20 - Segunda-Feira, 31 de Maio de 2010

As obras de transposição o Rio São Francisco nos trechos Petrolina (PE)/Monteiro (PB) e Cabrobó (PE)/ São José de Piranhas (PB) foram suspensas na tarde de sexta-feira (28) e mais de 90% dos trabalhadores dispensados. Segundo informações do ex-vereador de João Pessoa, Pedro do Caminhão, os consórcios responsáveis pela transposição decidiram suspender os trabalhos devido à falta de dinheiro. “A situação é tão grave que até o Exército também paralisou”, informou Pedro do Caminhão que trabalha na obra como terceirizado.

Ainda de acordo com o ex-vereador, na sexta-feira o ministro da Integração, João Santana, se negou a receber os diretores do consórcio para discutir a falta de orçamento do projeto. “Eles voltaram decepcionados e, então, decidiram dispensar mais de 90% dos trabalhadores – cerca de quatro mil pessoas”, revelou.

A demissão em massa dos operários provocou, segundo Pedro do Caminhão, desespero em diversos municípios do sertão pernambucano. O ex-vereador prever que muitos comerciantes podem ir à falência se a situação não for logo resolvida. “Muitos investiram tudo o que tinha para suprir às necessidades dos trabalhadores”, revela.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Reflexões insólitas

Dizem que o Universo tem 15 bilhões de anos, o Sistema Solar 4 bilhões de anos e a Terra só surgiu há um bilhão de anos. Na verdade, esses números são apenas referências  abstratas de quão longa é a existência do Universo, já que ninguém poderá contestá-los. O homem se diferenciou dos primatas há cerca de um milhão de anos e o Homo Sapiens surgiu há cerca de 300 mil anos. O homem "moderno", tal qual o conhecemos hoje, só apareceu há 50.000 anos e a história da civilização remonta a 10.000 anos atrás.

Ou seja, nós só começamos a transformar o mundo em que vivemos a partir das antigas civilizações, dos Sumérios, dos Babilônios, dos Fenícios, dos Persas, dos Chineses, dos Egípcios, dos Gregos e dos Romanos... de 5.000 anos antes de Cristo para cá. Desde então, a evolução do conhecimento humano ocorre em velocidade exponencial.

No entanto, nem todo o conhecimento humano é suficiente para atender às nossas expectativas e responder às questões elementares de todo ser humano: de onde vim, o que sou, para onde vou. As religiões surgiram e continuam a existir para preencher as lacunas do nosso conhecimento.

No início dos tempos, as aldeias onde se assentavam os seres humanos estavam cercadas por demônios e divindades, que simbolizavam o terror sentido por aqueles indivíduos diante dos fenômenos incompreensíveis que dominavam suas existências. Para eles não existiam opções, e a vida era um tormento marcado pela necessidade de sobreviver, de procriar e de dominar seus semelhantes.

As religiões surgiram para explicar o inexplicável, criando uma entidade abstrata que justificaria tudo o que fosse incompreensível: Deus, a fonte da Sabedoria, o Criador de todas as coisas, o Ser Supremo que tudo pode. O Deus único substituiu as antigas divindades e consolidou o domínio de todas em um só Ser Todo Poderoso e Eterno.

Ao longo dos tempos desenvolveram-se três tipos de religião. Para a primeira, a vida é uma só, única e irreversível; e conforme nosso desempenho e conduta nessa vida, teríamos como destino o Céu, o Inferno ou o Purgatório. As contradições desse tipo de religião são evidentes, a começar pela injustiça latente na origem de cada ser humano e suas possibilidades de sucesso ou fracasso nesta vida, e na duração da própria vida, que poderia abortar uma possibilidade de sucesso antes mesmo que o indivíduo provasse seus méritos para a vida eterna.

A segunda hipótese é a das reencarnações, uma sucessão de vidas ao longo das quais o ser humano se aperfeiçoaria até que não precisasse mais retornar à vida terrena e estaria libertado desse ciclo do renascer. O paradoxo não explicado é o crescimento contínuo da população terrestre e a motivação desse processo evolutivo, uma vez que Deus seria um ser perfeito e suficiente em si mesmo. Então, para que o ser humano?

A terceira hipótese é uma variação da anterior; só que, atingindo a perfeição neste mundo, o espírito passaria para mundos sucessivamente mais sutis, onde continuaria seu processo evolutivo. Quantos níveis evolutivos existiriam? Quem teria voltado da Eternidade para explicar a existência desses outros mundos sutis? Por que os mundos sutis reproduziriam as mesmas condições terrenas de nosso mundo grotesco?

Enquanto a Ciência trabalha para destruir esses simplórios dogmas religiosos, as crenças humanas permanecem intactas, uma vez que o homem não sabe praticamente nada a respeito desse complexo Universo. A religião é necessária para que os homens possam viver em sociedade. Sim, pois se não houvesse um parâmetro de controle, por que as pessoas viveriam em relativa paz? Por que lutariam pela ética, pela justiça, pela dignidade, pela solidariedade?

Nenhum código de vida seria aceito e respeitado se soubéssemos que, com nossa morte, tudo se acabaria, que não existem recompensas pelo bom comportamento, assim como não existem punições para o "pecado". E o mundo se tornaria um caos, e a barbárie nos levaria de volta aos tempos primitivos, onde a única lei era a do mais forte e desleal.

A Terra terá seu fim, seja porque o Sol se acabará um dia, seja porque o próprio Homem conseguirá antecipar a destruição do planeta pelos seus atos predatórios contra o meio ambiente, e toda fonte de água, de alimentos e de energia se extinguirá em pouco tempo.

Então, todo o conhecimento acumulado pelos homens será perdido para sempre. Talvez existam sobreviventes;  talvez o homem encontre outros mundos, outros planetas para ocupar e destruir depois da Terra; mas são meras conjecturas... afinal, o Homo Sapiens é apenas uma aberração genética, uma mutação acidental da vida em suas infinitas manifestações.

Seja como for, assim como ocorreu com todas as civilizações que nos precederam, nossa sociedade contemporânea também chegará a seu ocaso e declínio, desaparecendo em função dos abusos cometidos e da extinção de suas fontes de suprimento. A única diferença é que agora vivemos em escala global, todas as sociedades interligadas em uma única rede de produção e de consumo, sujeitas às mesmas regras que nos destruirão a todos. Curiosamente, se isso acontecer, as sociedades que têm maior probabilidade de sobreviver são as mais remotas, as mais pobres, as mais esquecidas, as mais injustiçadas e humilhadas...

E se esse Universo que concebemos for apenas o interior de uma pequena célula de um Universo muito maior que o contém? E se esse pensamento recursivo se propagar ao infinito, evidenciando nossa total irrelevância no concerto universal das coisas, que jamais caberia em nossa limitada compreensão? E se muito além de nossa imaginação não passarmos de pensamentos nas mentes de outros seres muito mais poderosos e eternos?

Meras reflexões de um passeio pelo bosque...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Marina Silva no Roda Viva














Marina Silva, candidata do Partido Verde à Presidência da Republica será a entrevistada do programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, na próxima segunda-feira, dia 14 de junho, às 22:00 horas. Imperdível!
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Crime Ambiental da Votorantim


Ibama de Corumbá (MS) estima que o cemitério
de pneus inservíveis chega a 40 toneladas.


Sílvio Andrade, de Corumbá
15 de Fevereiro de 2010

O Ibama de Mato Grosso do Sul multou em R$ 1,2 milhão a fábrica da Votorantim Cimentos, em Corumbá, por manter depósito a céu aberto de pneus usados ao lado de sua jazida de pedra. O depósito está a 15 quilômetros da cidade, que tem 70% de seu vasto território (64 mil quilômetros quadrados) de Pantanal.


Embargo

A fábrica da Votorantim, que opera desde os anos 70 próxima ao Rio Paraguai, já sofreu outras sanções por crimes ambientais. Nos anos 80, um juiz de Corumbá embargou a unidade por emissão de fuligem acima do índice recomendável e também por falta de controle dos filtros.

A poluição atmosférica motivou, em 2009, multa do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS), que não divulgou o fato. A multa foi de R$ 2 milhões e o Ministério Público tem dificuldades para definir um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) com a empresa por omissão do órgão fiscalizador.

O Ibama lavrou o procedimento administrativo em relação ao depósito de pneus, que chega a três metros de altura, e notificou a Votorantim, recomendando destinação adequada ao material concentrado em uma área de 150 metros.

O relatório do ilícito ambiental foi encaminhado ao promotor de Meio Ambiente, Ricardo de Melo Alves, que deverá denunciar criminalmente após o recesso do Judiciário. A empresa não se manifestou sobre o caso.

Fiscais do órgão, atendendo ao Ministério Público Estadual (MPE), fiscalizaram a área e encontraram o material depositado no meio do mato, a cerca de 350 metros da mina, que fica na Fazenda Lajinha. O chefe do escritório do Ibama em Corumbá, Gilberto Alves Costa, estima que o cemitério de pneus inservíveis (usados como abafadores na detonação de rochas) chega a 40 toneladas.

Além da poluição e má destinação do material, a Votorantim cometeu um crime grave, segundo o órgão fiscalizador: o risco à saúde humana, numa época de proliferação do mosquito transmissor da dengue.Enquanto Corumbá promove campanha para controle e prevenção da doença, encontramos milhares de pneus com água, um ambiente propício para multiplicação do mosquito?, disse Gilberto Alves, que coordenou a fiscalização no local.
Segundo o agente, os pneus usados estão sendo depositados a céu aberto há pelo menos cinco anos. Até imagens do Google, de 2005, identificam o descarte irregular.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O Código Florestal Brasileiro

Por: MAYLA YARA PORTO(*)

No momento em que o mundo discute estratégias para ampliar a proteção da natureza, no Brasil são elaborados projetos de leis para autorizar mais desmatamentos, como é o caso da reforma do Código Florestal defendida pelos ruralistas.

O Código tem imensa importância porque é uma lei pioneira que permitiu a formação da política ambiental no País, sendo um dos principais instrumentos da sociedade para atender o que a Constituição determina que é a preservação do meio ambiente. Não obstante, os ruralistas querem que as áreas de proteção permanente e as reservas legais sejam reduzidas na Amazônia e no Cerrado abaixo do estabelecido pela Lei 4.771/65, defendendo ainda que os desmatamentos feitos até 2006 sejam perdoados.

O que precisamos é justamente o contrário, fazer com que a legislação seja cumprida, coibindo-se infrações de uma agropecuária que se tornou um grande problema para o país, possuidor de enorme potencial ambiental, mas que ainda assiste deitado em berço esplêndido à derrubada de suas matas, um capital de biodiversidade ímpar no mundo.

A incompetência do setor rural para produzir sem desmatar, não pode ser pretexto para que se pague um preço alto pela manutenção de privilégios e impunidade. Pois, se tem um setor privilegiado, é este, cuja choradeira sempre faz com que obtenham créditos maiores e juros mais baixos, para não dizer das anistias fiscais com que são agraciados, e com essas regalias ainda efetuam práticas retrógradas.

De acordo com relatórios da Anistia Internacional, desde que entrou em ação o Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho, “resgatou” 30.036 trabalhadores rurais. O recorde foi em 2007, com 5.999 “libertações” de pessoas que foram encontradas em condições análogas à de escravo.

Este “moderno” agronegócio gerou também o maior mercado de agrotóxicos do mundo. Segundo denúncias no Congresso, cerca de 5 mil trabalhadores morrem por ano, intoxicados por venenos agrícolas, e o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, tem demonstrado que 20% das amostras recolhidas em nível nacional apresentam índice de contaminação acima do permitido para se preservar a saúde da população, o que é muito preocupante. E o setor ruralista o que tem feito? Tentado impedir judicialmente a divulgação dessas informações e fazendo gestões para retirar da Anvisa seu papel fiscalizador.

A mesma atitude se reproduz no ataque a legislação ambiental. O problema não é o topo do morro ou o leito do rio, mas sim quem tem propriedade rural e nunca aceitou ter limite no uso dos recursos naturais. O desmatamento é um dos grandes responsáveis pelas emissões de gases de efeito-estufa, cujas consequências se espalham para muito além da floresta amazônica e do cerrado, basta mencionar os desastres ambientais sofridos pelas populações de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. Assim, manter áreas protegidas é vital para conseguir efeito no combate as mudanças climáticas.

É necessário elevar o nível do debate. Ao invés de retroceder, porque não evoluir? Já existem alternativas como os Sistemas Agroflorestais que são sistemas de produção que mesclam culturas agrícolas e florestais e aproveitam melhor o uso do solo, bem como práticas de manejo agroecólogico. Porque não trabalhar para ter uma legislação que reposicione o Brasil como uma potência mundial em produção de bens e serviços ambientais?

Se o setor ruralista quiser incrementar o fornecimento global de alimentos, será preciso ter uma postura ativa e não restritiva em relação aos novos paradigmas ambientais, pois a certificação socioambiental visa atender ao padrão de vida de uma sociedade onde o consumidor cada vez mais exigente quer saber se a carne que chega ao seu prato está comprometida com crimes ambientais, fundiários ou trabalhistas.

(*) Mayla Yara Porto é advogada, ambientalista, membro da Executiva do Partido Verde em Campinas e foi Presidente do COMDEMA Campinas, ocasião que teve grande destaque na defesa do meio ambiente da cidade e contrária à política da especulação imobiliária.

Brasil, a agenda ‘esquecida’: Código florestal, debate para além da questão ambiental

A possível alteração do Código Florestal brasileiro é outro fato da conjuntura nacional, na agenda nesses dias, que manifesta o debate de modelo de sociedade que se deseja. Ofuscado pelo boom econômico, o tema ambiental não tem recebido atenção por parte do governo, pelo contrário, é visto como um empecilho para o crescimento econômico. Há um visível desconforto e até má vontade por parte do governo em debater o tema, e nesse sentido o debate do Código Florestal é apenas um dos muitos temas que faz parte da denominada agenda ambiental.

A temática ecológica já não se constitui mais em uma novidade na sociedade, mas o tema veio à tona e ganhou espaço muito em função do esforço do movimento ambientalista, movimento esse que já irrompe como um dos principais movimentos sociais do século XXI. O movimento ambientalista – pouco compreendido até muitas vezes por seus parceiros do movimento social – alerta para os limites do paradigma do crescimento econômico fundado na idéia da exploração ilimitada dos recursos naturais. É ele, o movimento ambientalista, que exprime de forma mais contundente que o atual modo de produzir e consumir não é compatível com as possibilidades do Planeta.

Destacar o tema do Código Florestal nesse momento é dar visibilidade a um debate que para além dos atores envolvidos: governo, parlamentares, ruralistas e movimento social diz respeito ao Brasil que se quer – conteúdo aliás central do encontro da Assembléia Popular.

A bancada ruralista pressiona o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), a colocar em discussão e votação, ainda neste mês, o relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) – cada vez mais próximo da bancada ruralista – que modifica o Código Florestal. A pressão dos ruralistas vai além da abordagem direta ao presidente da Câmara. O deputado Moreira Mendes (PPS-RO), da Frente Parlamentar da Agropecuária, disse, que se for necessário organizará uma manifestação de produtores rurais em Brasília. “A Frente pretende reunir 50 mil manifestantes para fazer um panelaço a favor das mudanças no Código Florestal”, disse ele em tom exagerado.

As medidas propostas, na opinião do movimento social, vão no sentido de flexibilizar a legislação ambiental para favorecer o agronegócio, fazendeiros e exportadores de commodities. As propostas sugerem: reduzir a Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50%; reduzir as Áreas de Preservação Permanente como margens de rios e lagoas, encostas e topos de morro; anistia aos crimes ambientais, sem tornar o reflorestamento da área uma obrigação e – medida considerada extremamente grave pelo movimento social –, transferir a legislação ambiental para o nível estadual, removendo o controle federal.

Segundo o movimento social os objetivos dos ruralistas são muito claros com a proposta de retalhar o Código Florestal: “consolidar o desmatamento que já promoveram no Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Caatinga; avançar na destruição da Amazônia e consolidar as áreas que já desmataram”, avalia Luiz Zarref, engenheiro florestal, especialista em agroecologia e militante do MST.

O ambientalista Mário Mantovani, coordenador da ONG SOS Mata Atlântica, afirma que o que se quer com o projeto de Rebelo é “massacrar a legislação ambiental brasileira”. Raul do Valle, coordenador do Programa de Política e Direito Socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA), tem opinião similar ao de Mantovani. Segundo ele, “a proposta dos ruralistas é acabar com o Código Florestal”.

A SOS Mata Atlântica é uma das organizações que ao lado de outras lançou a campanha ”exterminadores do futuro”, numa referência aos principais defensores da mudança da legislação ambiental.

A luta contra as mudanças no Código Florestal torna-se nesse momento de grande importância porque manifesta em seu interior interesses antagônicos que dizem respeitos a formas de conceber a relação com o meio ambiente. De um lado estão as forças econômicas que vêem os recursos naturais como mercadorias. A estratégia dos ruralistas e do agronegócio é uma estratégia auto-destrutiva destaca Sérgio Abranches: “O agronegócio brasileiro adota as piores práticas sócio-ambientais. Despreza a tendência do mercado global de adotar práticas de sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos. Um projeto economicamente suicida”. Sequer o agronegócio saber utilizar racionalmente a “mercadoria” que tanto preza. De outro, temos as forças sociais que percebem que a utilização indiscriminada da biodiversidade é uma ameaça a vida humana e de todos os seres. Esses movimentos não aceitam a mercadorização dos recursos naturais.

(Ecodebate, 07/06/2010) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A equivocada política desenvolvimentista brasileira

Historicamente, o Brasil tem feito escolhas erradas que nos conduziram, nesses quinhentos anos, à situação de dependência econômica e cultural do mundo desenvolvido. Prova disso é o crescimento fantástico dos países asiáticos do pós-guerra, criando potências emergentes como o Japão, a Coréia, a China e a Índia. Enquanto isso, o Brasil, com um território privilegiado e rico, cresce a passos lentos, mantendo desequilíbrios sociais inaceitáveis e concentrando a riqueza nas mãos de poucos.

Desde os primórdios da colonização, Portugal decidiu que nossa vocação como sistema produtivo seria a lavoura e a pecuária, assim como a mineração. Ou seja, setores primários, de baixo valor agregado, e que determinaram nossa condição de país subdesenvolvido por mais de quatro séculos. Em todo esse período histórico, a exploração de mão-de-obra escrava e semi-escrava permitiu que uma minoria se enriquecesse em detrimento do resto da população, cada vez mais numerosa. Hoje somos quase 200 milhões de habitantes, dos quais 50% vivem em condições precárias ou miseráveis.

O processo econômico se deu em ciclos mais ou menos longos, cujos resultados finais sempre foram nefastos. O primeiro ciclo, extrativista, de exploração do pau brasil, quase acabou com a vegetação costeira do país, a Mata Atlântica, cujos remanescentes hoje representam cerca de 7% da floresta encontrada pelos portugueses. O ciclo extrativista nunca cessou; do pau brasil passou para o ouro, o diamante, a borracha, o petróleo e todo tipo de minérios, e a madeira, que até hoje causa o desmatamento da Amazônia em escala gigantesca e irreversível.

A exploração e exportação de produtos primários foi e continua sendo a grande responsável pela miséria, pelos desequilíbrios sociais, pelos genocídios perpetrados pelos brasileiros a seus povos originários e escravos africanos, e pela nossa constante dependência tecnológica com relação aos países desenvolvidos. Exportamos minérios, madeira, soja, carne bovina, álcool, açúcar, petróleo e importamos produtos eletrônicos, de alta tecnologia. Isso sem falar nos fármacos roubados de nossas florestas, que retornam ao Brasil como produtos químicos e farmacêuticos, de altíssimo valor agregado, patenteados com nossas ervas pelos grandes laboratórios multinacionais.

A cana de açúcar gerou fortunas aos senhores de engenho e miséria e desolação às populações indígenas e escravos africanos. Nossa população de indígenas foi quase totalmente dizimada pela violência dos colonizadores e pelas doenças transmitidas pelos brancos em seus primeiros contatos com esses povos nativos. Dos estimados três milhões de indígenas originais, pertencentes a centenas de etnias, restam hoje menos de 700 mil, grande parte desses já descaracterizados de suas culturas, línguas e tradições.

O cultivo do café aliou-se à cana de açúcar nesse processo de ruptura sócio-cultural, explorando índios e escravos em nome de uma minoria de barões que se enriqueceram às suas custas. O café substituiu a Mata Atlântica na região sudeste, e promoveu a construção das estradas de ferro, cujo traçado obedecia aos interesses desses fazendeiros e não a um planejamento estratégico nacional. A conseqüência disso foi que, com o tempo, essas ferrovias foram substituídas por rodovias e, sucateadas, hoje estão quase extintas .

Ao contrário do que dizem os latifundiários da bancada ruralista, o brasileiro não come soja, não bebe álcool e mal come carne. A maior parte da produção agrícola brasileira, dos grandes empresários do setor, é destinada à exportação. Quem abastece a mesa dos brasileiros é o pequeno produtor, o produtor artesanal, as lavouras familiares, o pescador artesanal; e esses representam 90% dos produtores agrícolas.

Esse modelo exportador torna o país altamente suscetível às crises internacionais por não ter um mercado consumidor interno desenvolvido para assegurar a produção agrícola e industrial, como ocorre com a China. Graças a isso, enquanto crescemos a taxas médias de 3 a 5% ao ano, a China cresceu nas últimas décadas a taxas superiores a 15% ao ano, devendo se tornar a maior potência mundial em muito poucos anos, superando o Japão e os Estados Unidos. Enquanto isso, continuamos sendo o país do futuro!

Se o agronegócio fosse tão bom, com tamanho incentivo fiscal e monetário concedido pelo governo, já seríamos a maior potência mundial. Nossas fronteiras agrícolas quase que duplicaram em duas décadas; o crédito bancário oferece dinheiro a juros inferiores a 12% ao ano para esses latifundiários, enquanto a quase totalidade dos brasileiros paga 6% ao mês para conseguir parcos recursos para sua sobrevivência. Não bastasse essa desigualdade de tratamentos, muitas vezes o governo "perdoa" as dívidas fiscais desses poderosos, enquanto pune rigorosamente o cidadão comum que não consegue pagar seus impostos.

Os usineiros de açúcar e do álcool já tiveram suas dívidas parceladas, sem juros, por décadas, e muitas vezes, mesmo assim, não as pagam, esperando por uma "anistia fiscal" que sempre chega. Com isso, nosso potencial empreendedor fica nas mãos dos poderosos, enquanto os pequenos continuam atrelados a empregos mal remunerados, pouco estimulantes, com baixa exigência de novos conhecimentos e instáveis.

Esse é o retrato de nosso país depois de quatro mandatos (16 anos) de políticas "sociais" do PSDB e do PT. Fernando Henrique disse, ao assumir o poder, que esquecêssemos tudo o que ele disse enquanto intelectual e acadêmico. E assim, penalizou mais uma vez a classe trabalhadora em favor do empresariado. Lula se esqueceu, sem admitir, seus compromissos com os movimentos sociais, e fez acordos espúrios com o agronegócio, privilegiando os latifundiários em detrimento dos trabalhadores rurais, com ou sem terras.

A perspectiva agora é Dilma Roussef, defensora ardorosa e mentora intelectual das políticas do governo Lula; ou José Serra, defensor do empresariado e porta-voz do neo-liberalismo globalizante de FHC; ou então Marina Silva, ambientalista, com uma proposta renovadora de um desenvolvimento sustentável (por mais que eu rejeite essa expressão falaciosa). Cabe aos brasileiros escolher o seu futuro.

Mas não é somente a escolha do mandatário máximo do país que determina esse futuro. Cada parlamentar, em todas as esferas do poder, tem partidcipação ativa nesse processo, e o partido majoritário do Brasil continua sendo o PMDB, um partido sem ideologia, que navega conforme as águas, permanecendo sempre no poder. Existem ainda as forças reacionárias representadas pelos evangélicos e pelos ruralistas latifundiários, que sempre conseguem eleger um número expressivo de parlamentares e dominar as principais comissões da Câmara e do Senado, inviabilizando qualquer mudança progressista e popular.

Infelizmente, nossas políticas desenvolvimentistas, sejam quais forem as forças vencedoras dessas eleições, continuarão equivocadas e na contra-mão da história e do cenário mundial, onde seguiremos desempenhando nosso papel de coadjuvantes, enquanto a China e a Índia assumem a liderança e se tornam os protagonistas dessa comédia humana.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Protocolo do São Francisco

A batalha pela preservação do Meio Ambiente é responsabilidade de todos.

Diante das freqüentes ameaças da bancada ruralista, agora com a descarada intenção de acabar com nossa legislação ambiental e aniquilar o Código Florestal brasileiro com apoio do PT, do PCdoB de Aldo Rebelo e do governo LULA, precisamos estar ainda mais alertas, pois o objetivo deles é destruir todos os espaços naturais preservados, substituindo-os por pastagens, lavouras de soja e de cana de açúcar. A noção da beleza, para eles, é um imenso canavial ou uma enorme pastagem de gado nelore!

Nós, ambientalistas, fotógrafos da Natureza, praticantes de atividades extremas em áreas remotas, amantes e defensores incondicionais do meio ambiente, doamos nossas vidas para a salvação de nosso Planeta, mas nada podemos fazer se as pessoas do mundo não quiserem dar sua contribuição...

 
Colaborem, ao menos, assinando as petições em defesa da Terra... Minha petição, que eu denominei "Protocolo do São Francisco", é pelo rio, pelo povo que vive dele, pela cultura dessa gente, que também é nossa, pelas águas que preservam nossas existências! Às margens do São Francisco e de seus afluentes vivem mais de 15 milhões de pessoas: comunidades indígenas e quilombolas, pequenas vilas e periferias das grandes cidades compõem esse universo de culturas tradicionais.

 
Por isso, peço-lhes que leiam e assinem a petição: http://www.ipetitions.com/petition/velhochico/

Conheçam, também, o meu blog: Meu Velho Chico (http://meuvelhochico.blogspot.com/). Nele descrevo minha expedição pelos 2.700 km de extensão do rio São Francisco, que percorri em canoa canadense, durante 100 dias, remando sozinho, visitando e convivendo com esses povos esquecidos dos homens.

Ajudem a salvar o nosso Velho Chico!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dois pesos, duas medidas!

Israel atacou uma pequena frota de navios pacifistas em águas internacionais, matando nove pessoas. Eles levavam ajuda humanitária para os palestinos na Faixa de Gaza. A truculencia das forças israelenses contra pessoas inocentes e desarmadas lembra a violência e as atrocidades nazistas na Segunda Guerra Mundial! E agora? Será que o Conselho de Segurança da ONU reagirá contra Israel como o fez tantas vezes contra os países árabes? Será que os Estados Unidos da América do Norte reagirão contra Israel como têm feito contra o Irã? O que seria pior: ter uma arma nuclear para se defender de Israel, ou agir impunemente contra povos palestinos, que nem mesmo possuem um território reconhecido pelas Nações Unidas?

De onde vem tamanho poder dos israelenses? Talvez do dinheiro que eles mantêm em ações dos maiores bancos internacionais... Como um pequeno país incrustado no território árabe consegue impor sua vontade ao mundo, que se ajoelha a seus pés? Racistas, os judeus dominam as ações do Conselho de Segurança da ONU... quando esse órgão da ONU emitiu alguma sanção econômica ou militar contra Israel? Nunca!

Está na hora do mundo tirar sua máscara e reconhecer os verdadeiros inimigos da paz mundial: os EUA! Sim, pois o Conselho de Segurança da ONU é apenas um marionete nas mãos dos norte-americanos. Por isso, os países emergentes ainda não conseguiram fazer parte desse Conselho. É insustentável a afirmação de que os inimigos do mundo, as "forças do mal" são os países árabes, o islamismo e o Corão! A cada dia, uma ação extrema é tomada pelo ocidente, demonstrando seu desprezo pelos povos do Oriente Médio.

Para o governo Bush o "Eixo do Mal" era composto pelo Afeganistão, pela Al Qaeda e pelo Iraque. Dizia o então presidente que Sadam Hussein possuía enorme estoque de armas químicas para usar contra o Ocidente. Invadiram o Iraque, mataram Sadam Hussein, e não encontraram as armas químicas porque elas não existiam. Prometeram acabar com a guerra em poucos meses e derrubaram o Talibã do poder no Afeganistão, prometendo capturar Osama Bin Laden. Fizeram centenas de milhares de vítimas. Não acabaram com a guerra mas destruíram dois países e não encontraram o terrorista. Os EUA podem tudo!

Sob o manto protetor dos EUA e a omissão da ONU, Israel também pode tudo! O país que foi vítima de Adolf Hitler e condenou a construção do Muro de Berlim construiu seu próprio Muro de Israel, privando o povo palestino de viver em liberdade. Agora, atacaram navios pacifistas sob a alegação de que esses barcos estavam "quebrando o bloqueio" aos palestinos! As Nações Unidas aprovaram esse bloqueio? O Conselho de Segurança da ONU aprovau alguma sanção contra esse povo que vive há décadas sob o jugo de Israel?

Está na hora de caírem as máscaras da hipocrisia no mundo ocidental. Chega de mentiras! Todas as guerras contemporâneas têm demonstrado duas poderosas motivações: a primeira é óbvia e destina-se a manter o poder militar americano e de seus aliados sobre o resto do mundo. A segunda, mais disfarçada, é assegurar o consumo e a renovação do material bélico produzido e garantir a evolução tecnológica dos armamentos militares americanos e de seus aliados, certamente a mais poderosa indústria do mundo contemporâneo!

Os EUA consomem imensos recursos em armamentos, que seriam suficientes para acabar com a fome no mundo e erradicar a miséria na África e em todos os outros continentes! O orçamento militar dos Estados Unidos corresponde a R$ 858 bilhões!  O Departamento de Assuntos Relacionados a Veteranos de Guerra leva mais R$ 60,32 bilhões, mais do que o que gastamos com educação e saúde somados. Além disso, as grandes potências ocidentais insistem em preservar enorme estoque de ogivas nucleares, prontas para varrer a humanidade da face da Terra, enquanto implicam com o Irã por querer produzir sua própria bomba atômica!

Estima-se que o arsenal americano e russo alcance hoje mais de 2 mil e 2,5 mil ogivas nucleares estratégicas, respectivamente. Há uma proposta para reduzir esse número para 1.500 ogivas nucleares, o que ainda seria suficiente para acabar com toda a humanidade. Ressalte-se que quando eles destróem armamentos, são aqueles mais obsoletos, sucateados e de maior custo de manutenção que desaparecem,  ou seja, é de grande interesse fazê-lo, sem prejudicar seu poderio bélico! Durante o período da Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a ter mais de 15 mil ogivas nucleares estratégicas, e a Rússia, mais de 10 mil.

Até quando a imprensa mundial vai nos manter reféns da mentira e esconder a verdadeira face dos poderosos no mundo atual? Até quando fingiremos acreditar nos "contos de fada" e nos patéticos heróis do cinema americano que tentam demonstrar que esse povo cruel e belicista só quer garantir a "PAZ" mundial?

Povos do mundo, acordem desse torpor de mentiras!
O "Eixo do Mal" tem suas sedes em Washington e TelAviv, sob o apoio envergonhado da União Européia!

O fim do Código Florestal?

Fonte: Pesquisadores do LAPLA - Laboratório de Planejamento Ambiental - UNICAMP

   Caros amigos,  As nossas florestas estão em perigo! Deputados ruralistas querem destruir o Código Florestal Brasileiro, liberando o desmatamento de áreas protegidas por lei, especialmente na Amazônia. Assine a petição para salvar o Código Florestal:

   Próxima terça-feira dia 1 de junho nossas florestas irão sofrer um ataque perigoso – deputados da “bancada ruralista” estão tentando destruir o nosso Código Florestal, buscando reduzir dramaticamente as áreas protegidas, incentivando o desmatamento e crimes ambientais.

   O que é mais revoltante, é que os responsáveis por revisar essa importante lei são justamente os ruralistas representantes do grande agronegócio. É como deixar a raposa cuidando do galinheiro!

   Há um verdadeiro risco da Câmara aprovar a proposta ruralista – mas existem também alguns deputados que defendem o Código e outros estão indecisos. Nos próximos dias, uma mobilização massiva contra tentativas de alterar o Código, pode ganhar o apoio dos indecisos. Vamos mostrar que nós brasileiros estamos comprometidos com a proteção ambiental – clique abaixo para assinar a petição em defesa do Código Florestal:

   http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal/?vl

   Enquanto o mundo todo defende a proteção do meio ambiente, um grupo de deputados está fazendo exatamente o contrário: entregando de mão beijada as nossas florestas para os maiores responsáveis pelo desmatamento do Cerrado e da Amazônia. Eles querem simplesmente garantir a expansão dos latifúndios, quando na verdade uma revisão do Código deveria fortalecer as proteções ao meio ambiente e apoiar pequenos produtores.

   As propostas absurdas incluem:

     a.. Reduzir a Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50%
     b.. Reduzir as Áreas de Preservação Permanente como margens de rios e lagoas, encostas e topos de morro:
     c.. Anistia aos crimes ambientais, sem exigir o reflorestamento da área
     d.. Transferir a legislação ambiental para o nível estatal, removendo o controle federal

   Essa não é uma escolha entre ambientalismo e desenvolvimento econômico, um estudo recente mostra que o Brasil ainda tem 100 milhões de hectares de terra disponíveis para a agricultura, sem ter que desmatar um único hectare da Amazônia.

   A proteção das florestas e comunidades rurais dependem do Código Florestal, assim como a prevenção das mudanças climáticas e a luta contra a desigualdade do campo.

Assine a petição para salvar o Código Florestal e depois divulgue!


   http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal/?vl

   Juntos nós aprovamos a Ficha Limpa na Câmara e no Senado. Se agirmos juntos novamente pelas nossas florestas nós podemos fazer do Brasil um modelo internacional de desenvolvimento aliado à preservação.

   Com esperança,

   Graziela, Alice, Paul, Luis, Ricken, Pascal, Iain and the entire Avaaz team

   Saiba mais:

   País tem 100 mi de hectares sem proteção - "O Estado de São Paulo":
   http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100505/not_imp547054,0.php

   Estudos ressaltam importância ambiental do Código Florestal - WWF:
   http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?24940/Estudos-ressaltam-importancia-ambiental-do-Codigo-Florestal

   Para ambientalistas, relatório de Rebelo é genérico e equivocado:
   http://www.portaldomeioambiente.org.br/legislacao-a-direito/codigo-florestal-brasileiro/4110-para-ambientalistas-relatorio-de-rebelo-e-generico-e-equivocado.html

Ruralistas dominaram a comissão de revisão do Código Florestal Brasileiro com apoio do PT:
http://www.pecuaria.com.br/info.php?ver=6970

Para ambientalistas, relatório de Rebelo é genérico e equivocado

Genérico e equivocado. Assim representantes ambientalistas do país qualificaram o relatório final de reforma do Código Florestal, que deverá ser apresentado oficialmente em junho e cujos principais pontos foram antecipados pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB), em entrevista ao Valor.
Duramente criticado, como uma organização "com um histórico muito pouco recomendável", o Greenpeace afirmou que o documento fará o país "retroagir para antes de 1934", data da elaboração do Código Florestal brasileiro. "Fiquei chocado com a entrevista", disse Sérgio Leitão, diretor da ONG. "Ele [Rebelo] não entende nada do assunto".
Segundo o ambientalista, há incoerências entre o discurso do deputado e o relatório, agora, defendido por ele. A principal delas refere-se à possibilidade de os Estados legislarem em questões ambientais, uma permissão jurídica que poderia colocar em perigo o já frágil equilíbrio dos biomas brasileiros. Incoerência porque, de acordo com Leitão, Rebelo teria dito textualmente ser contra a medida durante reuniões com o Greenpeace, em audiências públicas e em seminário do PcdoB. "É uma questão muito simples: bioma respeita limite geográfico? Começo a achar que ele está de má-fé nesse debate. Acho que abandonou o passado de luta e passou pra motoserra".
O grande temor dos ambientalistas é que a falta de uma unidade nacional acabe replicando a decisão de Santa Catarina no resto do país. Recentemente, o Estado mudou sua legislação ambiental e reduziu a área de mata ciliar de 30 metros, como prega o Código federal, para cinco. Ana Cristina Barros, representante no Brasil da The Nature Conservancy (TNC), acredita que a descentralização seria positiva apenas se houver um parâmetro federal. "Um "baseline" que não tire o poder da União", diz ela, tal como ocorre com a Saúde e Educação.
Topos de morros e várzeas são áreas de proteção permanente (APPs). Por funções ecológicas, como evitar o assoreamento dos rios, devem permanecer intactas. Mas as mudanças no Código consideram certas culturas como consolidadas nessas regiões. Caso do arroz, que, de acordo com Rebelo, tem 75% de sua produção em várzeas, e da banana do Vale do Ribeira, também na ilegalidade. Para os ruralistas, entraves como esse ameaçam a agricultura. Para Leitão, culturas em APPs representam 1% da produção.
"Para saber o que são áreas consolidadas é preciso fazer o georreferenciamento [o mapeamento por satélite das propriedades rurais]", diz o deputado José Sarney Filho, da Frente Parlamentar Ambientalista. "Não gosto de frases genéricas. Não dá para saber o que Rebelo está pensando".
"O momento é inoportuno para discutir reforma no Código porque estamos às vésperas de uma eleição que envolve interesses. Não há a isenção", diz Sarney Filho. Para ele, tampouco é possível dizer o que os candidatos à Presidência, Dilma Roussef e José Serra, são favoráveis a ela, apesar do apoio afirmado do Rebelo. "Até agora eles não se expressaram, só a Marina [Silva]".

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ficha Limpa: solução ou cortina de fumaça?

 .
Depois do brilhante discurso de Pedro Simon em defesa da proposta conhecida como "Campanha Ficha Limpa", e da sua aprovação, por unanimidade, no Senado, cabe-nos questionar a efetividade dessa nova lei, que deveria excluir dos processos eleitorais os candidatos já condenados em segunda instância por crimes de corrupção ou outros crimes correlatos. A campanha contou com mais de quatro milhões de assinaturas de todo o país, o que demonstra a enorme insatisfação popular com a histórica impunidade dos políticos corruptos brasileiros.

Se a lei fosse, de fato, eficaz, senadores como Paulo Maluf, Renan Calheiros, José Sarney, Fernando Collor e tantos outros deveriam se tornar inelegíveis para sempre. Isso não acontecerá. Sabemos que os poderosos políticos brasileiros nunca foram condenados, o que também evidencia a fragilidade de nossas instituições jurídicas.

Essa nova lei poderá até não ser efetiva para as próximas eleições, pois depende ainda de uma decisão do Superior Tribunal Eleitoral. A postura de nossos magistrados tem sido excessivamente conservadora, o que acaba por favorecer os políticos desonestos, protegidos pelo cargo eletivo.

Na verdade, nossas mazelas políticas não estão na legislação ou no processo eleitoral, mas na ignorância de nosso povo, despreparado politicamente para diferenciar os bons dos maus políticos. A escolha de um bom candidato pressupõe consciência política, que não se adquire sem informação e maturidade. Um processo que admite o voto de analfabetos funcionais ou absolutos, não pode gerar bons políticos.

De fato, essa nova lei irá servir apenas para obscurecer ainda mais o processo eleitoral, credenciando os maus políticos com uma imunidade que conquistaram na própria justiça, e frustrando, mais uma vez, as expectativas da Nação. Prova disso é a mudança de última hora feita pelo Senado, de forma sibilina, alterando o tempo verbal de uma expressão ("tenham sido" -> "forem") que livra os políticos atuais de qualquer risco de impugnação. Quem acredita que alguém será punido?
.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Brasil, o Irã e a Questão Nuclear

O presidente Lula deu sua mais arriscada cartada política internacional ao obter o apoio do Irã a um acordo político relativo ao enriquecimento do urânio, em níveis críticos para a possibilidade de desenvolvimento de um programa nuclear para fins militares por aquele país. As conseqüências para o Brasil ainda são imcertas; caso a Agência Internacional de Energia Nuclear aceite o acordo, será um desastre para o presidente Obama e uma vitória para o presidente Lula. Mesmo assim, a situação de Lula se complicará nas relações com a ONU e os países desenvolvidos, que não aceitarão de bom grado essa derrota política. Caso o acordo seja rejeitado pela Agência, abre-se a possibilidade de aprovação de sanções econômicas rigorosas, o conflito se agravará e Lula será ridicularizado publicamente por sua ingenuidade política.

No entanto, o que não se questiona é a desigualdade dessas decisões da ONU; quando o Paquistão e a Índia tiveram acesso aos armamentos nucleares, e depois a Coréia do Norte se impôs com seu programa nuclear, as reações mundiais não foram tão enérgicas como ocorre agora com o Irã. O mesmo aconteceu quando Israel desenvolveu sua própria bomba atômica e entrou para o seleto clube de países detentores da tecnologia de produção de ogivas nucleares sob o discreto apoio norte-americano. O Brasil, signatário do acordo de não-proliferação de armas nucleares nunca questionou a honestidade de propósitos da ONU, favorecendo uns e deixando a maior parte da humanidade à mercê das políticas desses países armados.

Se houvesse intenção efetiva de um desarmamento internacional, Estados Unidos e Rússia já teriam chegado a um acordo de destruição de seus próprios e gigantescos arsenais nucleares. No entanto, a Guerra Fria terminou há décadas e muito pouco se fez nesse sentido, pois não há um interesse real em buscar a paz e o entendimento entre as nações. Os poderosos continuam com sua indisfarçável intenção de subjugar o resto do mundo a seus interesses econômicos e políticos de dominação e exploração dos países pobres.

É pouco provável que Lula consiga sua tão almejada cadeira no Conselho de Segurança da ONU depois dessa atrevida iniciativa diplomática no Oriente Médio; mas o Brasil conquistou, de fato, o respeito dos países árabes à sua causa e poderá, a médio prazo, obter vantagens comerciais dessa decisão. Infelizmente, o mundo é movido pelos interesses comerciais, e o Brasil não é exceção. Enquanto as questões fundamentais da eliminação da pobreza e da fome no mundo são deixadas de lado, esses aspectos periféricos permanecem prevalecendo na diplomacia internacional, como cortina de fumaça a ocultar os verdadeiros propósitos dos países mais poderosos de nosso planeta.

Permaneceremos, assim, convivendo com a triste realidade de que, a cada dia, 30.000 crianças morrem de fome e miséria nos países mais pobres, enquanto os líderem mundiais debatem o uso de armamentos nucleares...

Eleições e Preservação Ambiental

Como um intransigente defensor do Meio Ambiente, não posso me omitir neste importantíssimo momento da vida política nacional. Minhas idéias políticas são bem conhecidas de todos. Mas creio ser importante avaliar o momento atual sob o enfoque ambiental, principalmente quando políticos se manifestam de forma tão anacrônica e irresponsável, como o fez Aldo Rebelo, defendendo a revisão do código florestal, com o propósito de facilitar a transformação das poucas florestas ainda existentes em pastos, canaviais e plantações de soja. Esse político apóia Dilma Roussef, que já cometeu seus equívocos ao conseguir a revogação do único decreto que protegia nossas cavernas, propondo sua substituição por uma lei que permitiria a destruição da maior parte de nossas cavidades naturais, sob a justificativa política da "relevância" das grutas, ou seja, para que preservar duas grutas, se elas possuem os mesmos tipos de espeleotemas? Mais vale destruir uma para exploração de cancário...

Pois é, diante de tais barbaridades, vale lembrar que o governo LULA deu seu apoio incondicional aos integrantes da Bancada Ruralista no Congresso Nacional, privilegiando o desenvolvimento do Agro-Negócio em detrimento da agricultura familiar. Enqunato aquela favorece apenas 5% dos produtores rurais, a agricultura familiar dá emprego para 95% dos pequenos agricultores do país! O que vale mais: a vida humana ou a produção agrícola? Vale ressaltar que a maior parcela dessa produção em massa dos latifúndios nacionais é exportada, favorecendo a riqueza indivdual em detrimento da riqueza social, da distribuição de renda e da redução da pobreza, esse ranço imperial que ainda mantém na miséria milhões de brasileiros.

Foi também o governo LULA que acelerou a construção das grandes hidrelétricas do Amazonas, causando enorme e irreversível impacto ambiental, a despeito das manifestações contrárias dos maiores especialistas nacionais em hidrologia. LULA também decidiu, em oposição a esses pesquisadores e ofendendo frontalmente as populações tradicionais ribeirinhas, a construção dos canais da Transposição do Rio São Francisco, levando bilhões de litros de suas águas para outras terras do nordeste, e deixando à mingua a população que durante séculos viveu da lavoura e da pesca. Usou, inclusive, tropas do Exército para impor sua vontade.

Centenas de pequenas centrais hidrelétricas estão em construção pelo país, grande parte delas sem estudo adequado de impactos ambientais, e expulsando milhares de pequenos agricultores de suas terras em troca de falsas promessas de fartura e riqueza. Todos sabemos que isso não corresponde à verdade.

LULA não cumpriu suas promessas de regularização fundiária e o INCRA continuou sua "reforma agrária" a passos de tartaruga, deixando imensas populações à mercê da miséria e do subemprego nas favelas das metrópoles brasleiras. Assentamento rural é um tabu para esse governo, que regulariza as terras griladas pelos milionários fazendeiros, favorecidos pelo crédito fácil e pelo perdão de suas dívidas passadas, sob o manto da impunidade e sob o pretexto do crescimento econômico a qualquer preço. Quanto valem essas "políticas agrárias" que favorecem os latifúndios?

Por outro lado, Serra nunca demonstrou talento pela preservação ambiental. Suas obras são de concreto: estradas, escolas, edificações, crédito agrícola aos grandes fazendeiros do estado de São Paulo, principalmente em favor das "plantations" de cana de açúcar e soja, verdadeiras "panacéias" no imaginário de nossos políticos e empresários. Se sua obra foi correta sob o ponto de vista econômico-financeiro, já suas conseqüências não podem ser tão bem avaliadas. São Paulo é, sem dúvida, um estado privilegiado, que sobreviveu às ambições políticas de Ademar de Barros, Paulo Maluf e outros políticos de idoneidade (no mínimo) duvidosa. Mas as áreas verdes desse pequeno grande território já não podem dizer o mesmo, uma vez que a Mata Atlântica se encontra cada vez mais ameaçada e restrita a poucas manchas nas proximidades litorâneas e em algumas encostas da Mantiqueira.

Resta-nos Marina Silva, a candidata do Partido Verde. Marina possui uma biografia impecável e edificante. Nascida seringueira, lutou contra as possibilidades estatísticas e venceu, tornando-se conhecida mundialmente por sua luta em defesa do meio ambiente, e sendo considerada uma das poucas celebridades mundiais que poderiam fazer a diferença na luta pela sobrevivência dos principais ecossistemas de nosso planeta. Marina Silva é uma personalidade cativante pela sua lucidez e brilhantismo em defesa de suas idéias. Mas, infelizmente, a mídia nacional a ignora. A razão é óbvia, pois os grandes veículos da imprensa brasileira sobrevivem graças ao poder econômico dos grandes grupos nacionais, que veiculam suas propagandas na mídia impressa e televisiva, para os quais não seria conveniente uma ativista ambiental no poder.

Esse mesmo raciocínio tem feito fracassar todas as iniciativas de luta contra o aquecimento global e a destruição sistemática do meio ambiente. Por enquanto, ficou apenas o discurso fácil dos políticos, sem resultados concretos. A maior evidência desse fracasso preservacionista é o uso abusivo da expressão "SUSTENTABILIDADE". Políticas sustentáveis, programas econômicos sustentáveis, obras de engenharia sustentáveis, edifícios inteligentes... o modismo desses termos esconde a verdadeira intenção de dispersar a opinião pública da terrível devastação de nosso planeta! A cada dia, milhares de espécies animais e vegetais desaparecem definitivamente da Natureza; a Floresta Amazônica segue sendo destruída sob o falso pretexto da "redução" do desmatamento; os desastres ecológicos mostram-se cada vez mais agressivos à Natureza, assim como os fenômenos "naturais".

Pois este é o momento de decisão em que podemos defender nossas idéias e intenções. O voto é um instrumento poderoso, que poderia reverter esse quadro desolador, caso houvesse consciência ecológica em nossa Nação. Mas não existe; o voto é obrigatório, inclui os analfabetos absolutos e funcionais, não se observam campanhas conscientizadoras por parte dos partidos políticos, que repetem as mesmas fórmulas imorais de prometer o que não podem cumprir. E os políticos que se apresentam ao voto popular são os mesmos: mesmas caras, mesmas idéias, mesmos interesses pessoais, mesmas intenções de enriquecimento ilícito!

Aos poucos que ainda perseveram na luta pela decência, pela moralidade ideológica, pela defesa de princípios éticos, resta o consolo de manifestar suas posições políticas e incitar o povo a votar CONSCIENTEMENTE. Eu aqui o faço, convidando-os a avaliar as intenções ocultas nas palavras fáceis dos políticos: escolham bem os seus políticos, pois serão os nossos filhos os herdeiros dessa Terra.

domingo, 2 de maio de 2010

Marina Silva: um ser iluminado

Já esperávamos ansiosos, há quase duas horas, nos corredores e nas rodas de discussão, quando Marina Silva se desvencilhou dos repórteres e dos membros da executiva do partido e seguiu para o Salão Nobre da Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto. Aquela delicada criatura quase desaparecia na multidão, rodeada de políticos, jornalistas, fotógrafos, admiradores e insistentes pedidos de autógrafos.

Formada a mesa, seguiram-se os discursos de Fábio Feldmann e Ricardo Young, respectivamente candidatos ao Governo e Senador da República por São Paulo. Finalmente, aquela que todos esperávamos: Marina Silva! No começo, as citações de praxe, mencionando as presenças de políticos... e então, eis que ela aparece em toda a sua aura de sabedoria, delicadeza, generosidade, elegância, humildade e inteligência! Marina encantou a todos discursando durante quase uma hora, falando de improviso, sem consultar uma anotação sequer!

Suas palavras foram entremeadas de aplausos, não aqueles ensaiados pela claque política, mas aplausos verdadeiros, entusiásticos, emocionados, encantados com a sua coerência e fluidez. Não falou apenas da preservação ambiental, mas discorreu sobre as possibilidades de um novo governo que se oferece como alternativa ao plebiscito que PT e PSDB tentam impor ao eleitorado. Havia em suas palavras uma certeza de que a disputa apenas começara, que os números ainda não conseguem traduzir em estatísticas confiáveis.

Por detrás de seus 12% do eleitorado existe uma imensa possibilidade de mudança de opiniões! Afinal, poucos a conhecem, e talvez esses números apenas indiquem o percentual dos brasileiros que estão efetivamente comprometidos em reverter o quadro de devastação ambiental deixado pelos antecessores: políticos, industriais, comerciantes, agricultores e pecuaristas que praticaram a política da terra arrasada, acreditando que os recursos naturais são ilimitados e renováveis, mesmo diante de tamanha destruição.

Com o acirramento das campanhas, com os debates públicos ao vivo, com a presença marcante dessa mulher fantástica, esses números certamente crescerão, assim como aconteceu com Lula depois de tantas derrotas eleitorais. Um povo que elegeu um sociólogo e um operário poderá, certamente, quebrar outro paradigma e eleger uma mulher tipicamente brasileira, misto de negra, indígena e branca, nascida e criada na pobreza e nos confins da maior floresta do mundo, educada na luta contra o preconceito racial e social, e admirada mundialmente como uma das mais importantes personalidades que poderão influenciar favoravelmente nosso planeta na luta pela preservação do meio ambiente e por um desenvolvimento sustentável. Se o mundo aos poucos desperta para a gravidade da situação, o Brasil também haverá de fazê-lo, sob pena de perder, uma vez mais, as oportunidades que se lhe oferecem de liderança global.

Disse Marina, com propriedade e justiça, que as conquistas de seus antecessores credenciam-na a partir para uma nova etapa no processo evolutivo de nosso povo: conduzir nosso país na liderança das ações solidárias, com responsabilidade social e compromisso ambiental, assegurando às futuras gerações as mesmas possibilidades que hoje temos de acesso aos recursos naturais renováveis. Ainda é possível reverter as terríveis ações que devastaram nossos ecossistemas: Cerrado, Matas Tropicais, Florestas Equatoriais, Recursos Hídricos de superfície e do subsolo, Plataforma Marítima, Cavernas, Montanhas, Caatinga... os mais ricos e diversificados ambientes naturais do mundo!

Com todo respeito à história de seus adversários políticos, Marina Silva se mostra como a personalidade mais preparada para conduzir esse novo processo, dando ênfase às prioridades sociais e às conquistas já consolidadas, mas com uma nova visão dos compromissos de nossa Nação com o futuro de sua gente. Se foram importantes e vitais o controle da economia e a distribuição, ainda que modesta, da renda, agora é o momento do gigantesco salto qualitativo do domínio dos espaços naturais preservados, sem perda da capacidade produtiva, apoiados no desenvolvimento tecnológico e na redução dos desperdícios.

Mesmo falando para uma platéia de correligionários políticos, Marina Silva manteve a sua elegância e serenidade, evitando qualquer crítica aos erros de seus antecessores. Sabemos que foram muitos esses erros, assim como muitos também foram os seus acertos; porém, um dos grandes méritos da democracia é a alternância ideológica no poder. Se os intelectuais tiveram seus oito anos no poder com Fernando Henrique, e a classe trabalhadora teve também seus oito anos no poder com Luiz Inácio, agora é a vez dos ambientalistas, daqueles que defendem um desenvolvimento sustentável na boa acepção dessa expressão, tão desgastada pela mídia e pelos interesses dos grandes produtores agro-industriais.

Saímos da palestra com a certeza de que Marina Silva não é apenas admirada internacionalmente pela sua lucidez e inteligência, mas também é a melhor candidata à Presidência do Brasil nas próximas eleições! Não fossem o poder da máquina estatal em favor dos candidatos concorrentes, as alianças políticas oportunistas dos partidos nanicos e os interesses econômicos que tendem a favorecer aqueles que já estão no poder, e Marina Silva não teria concorrentes capazes de alcançá-la na corrida presidencial. Ainda assim, ao revés de todas as expectativas, a dimensão ética, intelectual e cívica de Marina Silva é tamanha que nos dá a certeza de que essa disputa está muito longe de ser definida, e dependerá apenas da convicção daqueles que a conhecem e admiram!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Marina Silva em Ribeirão Preto!

Neste sábado, dia 1º de maio, dia do Trabalhador, às 10:00 horas da manhã, nossa candidata à Presidência da República estará em nossa cidade, na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto! Vamos prestigiá-la e mostrar a força dos Ambientalistas nas próximas eleições de 2.010!
Enquanto ações políticas eleitoreiras destróem nosso meio ambiente nos extertores do governo Lula, com obras faraônicas (Transposição do rio São Francisco: 6,6 bilhões de reais; Hidrelétrica de Belo Monte: 29 bilhões de reais!) que, certamente, comprometerão o orçamento do próximo governante, tanto o PT quanto o PSDB já se consideram vitoriosos nas próximas eleições.

Não podemos nos omitir! Precisamos mostrar que existe uma terceira via, mais inteligente, mais humana, mais justa e solidária, que não favoreça as motosserras da raivosa bancada ruralista, mas dê dignidade ao pequeno trabalhador rural, à agricultura familiar, às plantações orgânicas, ao tradicional plantio dos vazanteiros, às culturas de nossos povos tradicionais, caboclos, indígenas e quilombolas, que representam 90% de toda a população rural brasileira.

O grande agricultor, o grande pecuarista, esses não conhecem a realidade dos campos, exceto para impor sua força e prepotência aos pequenos lavradores. Governam seus latifúndios de longe, de seus apartamentos luxuosos, de suas mansões, das capitais dos estados. Presenciei a violência e a truculência desses senhores que se consideram os donos do Brasil, soltando seu gado sobre as pequenas plantações de comunidades quilombolas no oeste bahiano. É cruel e desumano!

Companheiros ambientalistas: vamos apoiar nossa candidata Marina Silva e mostrar a força de um pequeno partido repleto de grandes idéias inovadoras! Esse é o momento da virada, o ponto de inflexão da curva na preferência dos eleitores, enquanto os marketeiros ainda não colocaram seus clientes nos cartazes, nem nas telinhas da TV. Cada membro do Partido Verde pode trazer muitos eleitores e convencê-los de que os grandes partidos já demonstraram a que vieram. Chega de escândalos financeiros, chega de propinas e de mensalões! Agora é a nossa vez!

Sábado, dia 1º de maio, dia do Trabalhador, às 10:00 horas da manhã, nossa candidata à Presidência da República, MARINA SILVA, estará em nossa cidade, na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto! COMPAREÇA E MOSTRE SUA CONVICÇÃO POLÍTICA E IDEOLÓGICA!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Aldo Rebelo, o novo integrante da Bancada Ruralista

 Aldo Rebelo - quem diria? - aderiu ao discurso do Agronegócio e da raivosa bancada ruralista! Pois é... quem assistiu ao programa do PCdoB ouviu, com todas as palavras, esse antigo membro do Partidão entregar o ouro e a dignidade em defesa daqueles que desmatam e destróem nossa Natureza!

Até mesmo o discurso de Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso e maior plantador de soja de nosso país, Aldo Rebelo agora reverencia. Ele não sabe a diferença entre áreas de florestas, onde a lei é clara e exige que 80% das terras sejam preservadas, e áreas já ocupadas, que a legislação tolerante admite que 80% seja devastada, sem mesmo um estudo de impacto ambiental. Agora, como relator, quer mudar o código florestal brasileiro e acabar com o que resta de nossas florestas.

Chama o Greenpeace de ONG holandesa, em completa ignorância de que essa organização é internacional, não tem uma pátria, e luta ardorosamente, até sob o risco de vida de seus ativistas, para defender o que restou de vida em nosso combalido planeta! Diz o parlamentar que sua comissão "ouviu" mais de 300 pessoas para propor a transformação do código florestal em mais um aliado da motosserra. O que são 300 pessoas em um universo de 200 milhões? Quantas dessas pessoas ouvidas têm a competência e a dignidade de falar pelos ambientalistas?

Diz ele que ouviu a Embrapa, empresa brasileira que se dedica, com competência, ao desenvolvimento de tecnologias agropecuárias, mas que não tem nenhum compromisso com a preservação do meio ambiente. Se Luiz Inácio e Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, nada fizeram de concreto para salvar nossos ecossistemas, o que esperar de um deputado que mal conhece o Brasil Silvestre?

Senhor Aldo Rebelo, alguma vez o senhor se embrenhou na mata, conviveu nas comunidades indígenas e quilombolas, dormiu nas barracas de lona preta dos sem-terra? Alguma vez o senhor percorreu os rios, as matas, as montanhas de nosso país para poder falar em nome dos nossos irmãos empobrecidos e explorados pelo agro-negócio? Por acaso o senhor conhece os impactos sócio-ambientais da Transposição ou da Hidrelétrica de Belo Monte? Certamente, não!

Não fale, portanto, senhor Aldo Rebelo, em nome do que não conhece! O senhor sabe dos crimes ambientais praticados pelas nossas grandes indústrias mineradoras, como a White Martins e a Votorantim? Sabe que, em fevereiro de 2004, em Três Marias, a fábrica de Manganês da Votorantim derramou toneladas de dejetos e produtos químicos usados na extração desse metal dentro do rio São Francisco, deixando os pescadores sem seu sustento durante meses com a mortandade de milhões de peixes? Sabe que até hoje, seis anos depois, o rio não se recuperou dessa matança e a lagoa de dejetos continua lá, à beira da BR 040, esperando uma nova enchente para ser derramada de novo na calha do rio? Pois, é, senhor deputado, estude mais e ouça os que sabem antes de tentar mexer na legislação ambiental.

O senhor sabe qual o potencial energético necessário para acionar os tanques eletrolíticos das indústrias de extração de alumínio do senhor Antônio Ermírio de Moraes? Sabe das centenas de pequenas centrais hidrelétricas que estão sendo construídas sem licitação pelo Brasil afora, destruindo o pouco que resta de nossas matas ciliares? Apenas na região de Cocos, no oeste Bahiano, entre os rios Corrente e Carinhanha, são 49 (pasmem! quarenta e nove!) PCH's que irão destruir quatro afluentes do São Francisco, além de desalojar centenas de famílias de seus lares tradicionais!

O senhor deputado sabe que, para a construção do imenso Lago de Sobradinho, em plena ditadura militar, 72.000 famílias foram desalojadas, perderam sua história e suas tradições e foram despachadas como gado para diversos outros lugares para viver miseravelmente?

Deputado Aldo Rebelo, antes de legislar, aprenda alguma coisa sobre o meio ambiente para não cometer a estupidez de falar em nome de quem não conhece. Milhares de indígenas, nossos povos tradicionais, estão sendo alijados de seus locais de origem, que ocuparam por centenas de anos, para dar passagem às águas da Transposição, que não abastecerão suas casas, suas propriedades, mas sim os rios e reservatórios de outras bacias hidrográficas do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte.

Enquanto isso, os indígenas e os pequenos agricultores passam fome a menos de três quilômetros do rio São Francisco; enquanto isso, muitos bairros de Cabrobó, de Orocó, de Santa Maria da Boa Vista e de Petrolina depndem da famosa "indústria da seca", sendo abastecidos de água pelos carros-pipa, controlados por políticos regionais!

O Nordeste tem armazenadas mais de 50 bilhões de metros cúbicos de água em seus reservatórios, açudes, cacimbas... enquanto isso, mais de 7 bilhões de reais serão gastos em uma obra que não abastecerá um único rincão do sertão nordestino pela Transposição. Toda essa água será destinada aos grandes centros urbanos e aos grandes empreendimentos do agro-negócio, cada vez mais próspero no meio da miséria nordestina!

Por isso, senhor deputado Aldo Rebelo, não seja hipócrita! Deixe nossa legislação ambiental em paz, e que os verdadeiros especialistas façam sua atualização, sem prejudicar ainda mais a Natureza. Nós, os ambientalistas, agradeceremos sua omissão e ausência!

sábado, 17 de abril de 2010

As obras faraônicas do governo LULA

Depois de sete anos fazendo aquilo que se espera de um estadista, LULA, em seus últimos momentos de Glória, decidiu, como um verdadeiro IMPERADOR, assumir a paternidade de obras que, pelo seu caráter polêmico e pelo gigantismo dos investimentos, não deveriam ser iniciadas ao final de um período governamental. Afinal, depois de iniciadas, o ônus da interrupção cairá sobre o próximo governante.

A primeira dessas obras faraônicas foi a Transposição das águas do rio São Francisco. Apesar de todas opiniões de especialistas não recomendando o início das obras, apesar de toda oposição dos movimentos sociais denunciando os impactos dessas obras sobre as comunidades tradicionais de indígenas e quilombolas, LULA "contratou" os serviços do Exército Brasileiro, desviando-o de suas atribuições constitucionais, para conseguir, pela força, o que não conseguiu pela fraca argumentação de seus defensores.

Agora LULA ataca novamente, desta vez na destruição da Amazônia, e justamente no estado campeão de desmatamento, o Pará, e em um dos rios mais preservados da região, o Xingu, em cujas margens habitam centenas de comunidades indígenas, para a construção de uma das maiores hidrelétricas do mundo, a Usina de Belo Monte.

As características dessa obra gigantesca, que custará mais de 30 bilhões de reais aos cofres públicos, são semelhantes àquelas encontradas na construção da hidrelétrica de Sobradinho, no São Francisco, nos tristes anos da Ditadura Militar onde, provavelmente, LULA encontra os modelos de autoritarismo que vêm justificar sua loucura empreendedora.

Sobradinho é o segundo maior lago artificial do mundo, responsável por um volume de 34 bilhões de metros cúbicos de água armazenada. Essa represa foi a responsável por desalojar 72 mil famílias de sua terra natal, levados à força para outras regiões; também causou um dos maiores desastres ecológicos em rios brasileiros, eliminando todas as espécies migratórias a sua jusante, impossibilitados de desovar nos movimentos de piracema interrompidos pela gigantesca barragem de concreto.

Belo Monte fará pior: invadirá regiões intocadas da floresta, bloqueará a migração de peixes, reduzirá drasticamente a mecânica natural do rio, de enchentes e vazantes, que abastecem suas margens dos nutrientes necessários à preservação das matas ciliares, e desalojará as populações indígenas de seus territórios, a despeito dos protestos.

Assim como no projeto de Transposição do Rio São Francisco, as populações afetadas não foram ouvidas, e o processo de tramitação das licenças ambientais foi atropelado sob a justificativa eleitoreira dos pretensos benefícios sociais desses projetos.

Mesmo com a argumentação dos maiores especialistas em hidrologia e dos ambientalistas, o governo LULA mostrou-se insensível aos apelos e impôs seu caráter autoritário, tripudiando da sociedade brasileira.

Agora, só nos resta esperar que o povo brasileiro saiba escolher seus governantes e que o presidente eleito interrompa essas obras, mesmo com os inevitáveis prejuízos dessas ações irresponsáveis do governo petista.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Os sinais da tragédia

Nos últimos tempos diversos acontecimentos nos sinalizam que alguma coisa mudou drasticamente em nosso planeta; primeiro foi o tsunami que dizimou 250 mil pessoas nas Filipinas; depois a sucessão de vulcões, tornados, furacões, terremotos e enchentes.

Alguns poderiam afirmar que foram apenas lamentáveis coincidências, mas as evidências do agravamento dos sintomas de uma tragédia de enormes proporções nos alertam de que não se trata do acaso, mas das conseqüências das atitudes irresponsáveis do homem com relação à Natureza.

A cada dia constatamos que as autoridades se esquecem dos alertas de cientistas de que existe, de fato, uma situação de agravamento dos efeitos danosos sobre o meio ambiente. As fotografias de satélites mostram o avanço das queimadas sobre a Amazônia em toda a extensão das estradas que margeiam a floresta, principalmente no estado do Pará.

Nas regiões polares e nos glaciares imensos blocos de gelo se desprendem e flutuam pelos oceanos, ameaçando alterar a temperatura das águas e comprometer a vida marinha, nossa última fronteira alimentar. As áreas de desertificação avançam em diversos pontos do globo terrestre.

O que estamos esperando? Que esses sintomas se transformem em fatos irreversíveis? Não é apenas o cinema que nos remete às conseqüências do desastre que está por vir; é a razão, o bom-senso, a obviedade dos fatos, ocupando cada vez mais os espaços dos noticiários. Nos últimos 12 meses mais de 200 mil pessoas morreram em decorrência desses desastres "naturais"! Seria coincidência?

É evidente que a população humana também atingiu seus limites de sobrevivência, e isso se soma às demais causas da tragédia que está por vir. E o que fazem nossos governantes? Discutem as crises econômicas, os tratados de redução das ogivas nucleares, o terrorismo internacional?

Precisamos observar mais atentamente todos esses problemas em seu conjunto, em suas interações de causa e efeito, e não isoladamente; eles são a verdadeira ameaça à sobrevivência da raça humana. Ainda que milhões sobrevivam à tragédia, os males causados ao planeta serão terríveis e atrasarão em centenas de anos nosso processo evolutivo.

Não reconhecer esses sinais como evidências da tragédia que está por vir é fechar os olhos à responsabilidade de cada um, como vetores do projeto humano sobre a Terra. Somos nós os responsáveis; cada um de nós!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

As tragédias das enchentes e as políticas públicas

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Vemos as tragédias dos desabamentos de morros no Rio de Janeiro e Niterói e nos emocionamos com as mortes, os desabrigados, as famílias desfeitas. Toda a vida ao seu redor parece ter se tornado um caos, e as imagens da desgraça nos agridem, como se tivéssemos culpa pelo ocorrido.

Pois temos, de fato! Deixamos de nos manifestar ao vermos a iminência das catástrofes nas ocupações irregulares das encostas, das vertentes dos morros, populações inteiras à espera das tragédias. É evidente, nas favelas penduradas pelos morros, a probabilidade dos desabamentos.

No entanto, nada fazemos; nem nós, nem as autoridades, que fazem vista grossa à aventura irresponsável de viver à beira da desgraça. E quando acontece, todos choram suas lágrimas de crocodilo, lamentando que seu deus os abandonou, e os que nada tinham, perderam seus parentes, seus pais, seus filhos, amigos, conhecidos, vizinhos...

Não devemos lamentar a tragédia, mas sim a inércia, a omissão, a falta absoluta de compromisso com a vida. Enquanto a TV mostra e explora a imagem de sofrimento e tristeza estampada nos rostos dos sobreviventes, milhares, talvez milhões de outras pessoas aguardam sua vez à beira da desgraça. Enquanto isso, os políticos se manifestam, enaltecendo as qualidades de seus líderes, aproveitando a oportunidade para falar de suas ações futuras para prevenir novas desgraças que, inevitavelmente, ocorrerão.

E a vida continua, pois a sociedade precisa seguir produzindo inutilidades supérfluas que alimentarão o sonho de consumo das minorias privilegiadas. E o lixo continuará entupindo as galerias, preparando o cenário da próxima tragédia. Algumas emissoras até já possuem um acervo de imagens chocantes para ilustrar as reportagens da catástrofe que ainda não aconteceu, mas que está na pauta de todo repórter.

É assim a nossa sociedade. Precisamos dessas tragédias para justificar nossa própria existência. Senão, como comparar a mesmice de nossa própria vida com o terror dos acontecimentos do porvir que, certamente, não nos atingirão? Somos expectadores privilegiados das tragédias alheias. Podemos brincar em nossa "fazendinha" de mentira, servir nosso cafezinho virtual para nossos amigos, divulgar cenas hilárias gravadas em nossa webcam de gatinhos fazendo palhaçadas, enquanto bilhões de pessoas passam fome, morrem de sede, são assassinadas por nossa omissão.

E as políticas públicas? "Ora essa, isso não é problema meu!"
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