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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Os sinais da tragédia

Nos últimos tempos diversos acontecimentos nos sinalizam que alguma coisa mudou drasticamente em nosso planeta; primeiro foi o tsunami que dizimou 250 mil pessoas nas Filipinas; depois a sucessão de vulcões, tornados, furacões, terremotos e enchentes.

Alguns poderiam afirmar que foram apenas lamentáveis coincidências, mas as evidências do agravamento dos sintomas de uma tragédia de enormes proporções nos alertam de que não se trata do acaso, mas das conseqüências das atitudes irresponsáveis do homem com relação à Natureza.

A cada dia constatamos que as autoridades se esquecem dos alertas de cientistas de que existe, de fato, uma situação de agravamento dos efeitos danosos sobre o meio ambiente. As fotografias de satélites mostram o avanço das queimadas sobre a Amazônia em toda a extensão das estradas que margeiam a floresta, principalmente no estado do Pará.

Nas regiões polares e nos glaciares imensos blocos de gelo se desprendem e flutuam pelos oceanos, ameaçando alterar a temperatura das águas e comprometer a vida marinha, nossa última fronteira alimentar. As áreas de desertificação avançam em diversos pontos do globo terrestre.

O que estamos esperando? Que esses sintomas se transformem em fatos irreversíveis? Não é apenas o cinema que nos remete às conseqüências do desastre que está por vir; é a razão, o bom-senso, a obviedade dos fatos, ocupando cada vez mais os espaços dos noticiários. Nos últimos 12 meses mais de 200 mil pessoas morreram em decorrência desses desastres "naturais"! Seria coincidência?

É evidente que a população humana também atingiu seus limites de sobrevivência, e isso se soma às demais causas da tragédia que está por vir. E o que fazem nossos governantes? Discutem as crises econômicas, os tratados de redução das ogivas nucleares, o terrorismo internacional?

Precisamos observar mais atentamente todos esses problemas em seu conjunto, em suas interações de causa e efeito, e não isoladamente; eles são a verdadeira ameaça à sobrevivência da raça humana. Ainda que milhões sobrevivam à tragédia, os males causados ao planeta serão terríveis e atrasarão em centenas de anos nosso processo evolutivo.

Não reconhecer esses sinais como evidências da tragédia que está por vir é fechar os olhos à responsabilidade de cada um, como vetores do projeto humano sobre a Terra. Somos nós os responsáveis; cada um de nós!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

As tragédias das enchentes e as políticas públicas

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Vemos as tragédias dos desabamentos de morros no Rio de Janeiro e Niterói e nos emocionamos com as mortes, os desabrigados, as famílias desfeitas. Toda a vida ao seu redor parece ter se tornado um caos, e as imagens da desgraça nos agridem, como se tivéssemos culpa pelo ocorrido.

Pois temos, de fato! Deixamos de nos manifestar ao vermos a iminência das catástrofes nas ocupações irregulares das encostas, das vertentes dos morros, populações inteiras à espera das tragédias. É evidente, nas favelas penduradas pelos morros, a probabilidade dos desabamentos.

No entanto, nada fazemos; nem nós, nem as autoridades, que fazem vista grossa à aventura irresponsável de viver à beira da desgraça. E quando acontece, todos choram suas lágrimas de crocodilo, lamentando que seu deus os abandonou, e os que nada tinham, perderam seus parentes, seus pais, seus filhos, amigos, conhecidos, vizinhos...

Não devemos lamentar a tragédia, mas sim a inércia, a omissão, a falta absoluta de compromisso com a vida. Enquanto a TV mostra e explora a imagem de sofrimento e tristeza estampada nos rostos dos sobreviventes, milhares, talvez milhões de outras pessoas aguardam sua vez à beira da desgraça. Enquanto isso, os políticos se manifestam, enaltecendo as qualidades de seus líderes, aproveitando a oportunidade para falar de suas ações futuras para prevenir novas desgraças que, inevitavelmente, ocorrerão.

E a vida continua, pois a sociedade precisa seguir produzindo inutilidades supérfluas que alimentarão o sonho de consumo das minorias privilegiadas. E o lixo continuará entupindo as galerias, preparando o cenário da próxima tragédia. Algumas emissoras até já possuem um acervo de imagens chocantes para ilustrar as reportagens da catástrofe que ainda não aconteceu, mas que está na pauta de todo repórter.

É assim a nossa sociedade. Precisamos dessas tragédias para justificar nossa própria existência. Senão, como comparar a mesmice de nossa própria vida com o terror dos acontecimentos do porvir que, certamente, não nos atingirão? Somos expectadores privilegiados das tragédias alheias. Podemos brincar em nossa "fazendinha" de mentira, servir nosso cafezinho virtual para nossos amigos, divulgar cenas hilárias gravadas em nossa webcam de gatinhos fazendo palhaçadas, enquanto bilhões de pessoas passam fome, morrem de sede, são assassinadas por nossa omissão.

E as políticas públicas? "Ora essa, isso não é problema meu!"
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