Para: Marcio Augusto Freitas de Meira
MD Presidente da FUNAI - Fundação Nacional do Índio
Assunto: Minha exoneração
Senhor Presidente,
Quando fui convidado a assumir a Coordenação Regional do Rio Negro sabíamos das dificuldades que iríamos enfrentar, depois de anos de má administração e de péssimo desempenho. Mesmo assim, aceitei o desafio, certo de poder contar com seu apoio e de toda Diretoria. Desde então já se passaram quatro meses, e poucas respostas tivemos às nossas reivindicações. Mesmo assim, com o apoio de alguns dos novos servidores, conseguimos superar muitas dificuldades e apresentar planos para a reestruturação da FUNAI em São Gabriel da Cachoeira e nas nove CTL´s hoje desativadas.
Porém, agora percebo a inutilidade de nossos esforços, uma vez que não interessa ao Movimento Indígena ter um trabalho sério, honesto e digno, pois isso vai de encontro aos interesses particulares dos diretores da FOIRN, acostumados com as benesses da parceria com o poder econômico desta instituição, e beneficiados pelo constante pagamento de diárias em eventos sem nenhum resultado concreto.
Como já lhe disse anteriormente, estou acostumado a apresentar resultados sem favoritismos, já que trabalhei durante 35 anos para a iniciativa privada, onde essas práticas abomináveis costumam ser punidas com a demissão sumária de gerentes. Tive uma carreira da qual me orgulho, pela sucessão de excelentes resultados que gerei nas grandes organizações para as quais trabalhei. E não quero macular meu nome.
Sendo assim, e diante das evidências de que nada se muda na Fundação Nacional do Índio, decidi por minha exclusiva vontade solicitar a exoneração dos cargos de Substituto do Coordenador Regional, de Chefe de Divisão e de Ordenador de Despesas, retornando ao cargo para o qual fui conduzido em concurso público: Agente em Indigenismo.
Considerando-se que, depois dessa decisão, pouco haverá que eu possa contribuir para a instituição, em São Gabriel da Cachoeira, e diante das frequentes ameaças a que venho sendo submetido, sem reclamar a ninguém, tendo assumido por minha própria vontade os riscos a que estava exposto, solicito também minha remoção para a Sede em Brasília, onde poderei contribuir nas áreas de Informática, de Etnodesenvolvimento ou de Geoprocessamento, com as quais tenho grande familiaridade e competência.
Justifica-se, também, esta solicitação pelo fato de que minha família (esposa, filha e neto) residirem em Brasília, local onde minha esposa é servidora pública, vinculada ao Governo do Distrito Federal, na área de Saúde Pública. Dessa forma, permanecerei como servidor público em São Gabriel da Cachoeira até que esta situação seja definitivamente resolvida.
Peço-lhe que seja designado imediatamente um substituto para os cargos que eu ocupava, pois não tenho nenhum interesse em continuar com essas obrigações.
Sendo esta a declaração de minha vontade, e sendo este um pedido em caráter irrevogável, agradeço sua atenção e providências, reiterando meus mais elevados protestos de estima e consideração.
Atenciosamente,
João Carlos Figueiredo
ex-Coordenador Regional do Rio Negro, AM
Portaria FUNAI Nº 204/PRES, de 07/02/2011
No dia 1º de janeiro Dilma defendeu o uso de energias renováveis. Menos de um mês depois apóia publicamente a inauguração de uma usina movida a carvão. Afinal, qual é a posição da presidente?
Usina Presidente Médici, em Candiota, RS. Greenpeace / Lunaé Parracho
A política energética brasileira, uma das meninas dos olhos da presidente Dilma Roussef, deu, menos de um mês depois de ela prometer no discurso de posse o incentivo a investimentos em usinas à base de biomassa, eólica e solar, mais um passo para trás. O Brasil, oficialmente, coloca hoje mais uma termoelétrica movida à combustível fóssil em funcionamento em Candiota, Rio Grande do Sul. Trata-se da usina Presidente Médici, ou Candiota III como prefere, por óbvias razões, o atual governo. A usina, parte de um complexo de seis térmicas semelhantes, funciona a carvão, considerado uma das fontes mais poluentes de energia.
Candiota III é o terceiro tropeço do recém-empossado governo na área de energia em menos de um mês de vida. O primeiro foi o anúncio de um plano para construir 11 megahidrelétricas na Amazônia. O segundo, mais recente, a brutal forçada de barra para que o Ibama desse algum tipo, aliás qualquer tipo, de selo de aprovação à construção da usina de Belo Monte. E agora, Candiota III. Juntando os fatos, pode-se muito bem supor que o discurso de Dilma na sua posse, com declarações fortes em favor das energias renováveis, foi apenas papo. “Candiota III é um monumento à geração energética do passado”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Energias Renováveis do Greenpeace.
Movida a carvão – o menos nobre e mais poluente dos combustíveis fósseis – Candiota III promete gerar 350 MW de energia deixando um rastro de emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa que ameaçam a saúde humana e a estabilidade do clima do planeta. A usina deve garantir uma energia firme de 315 MW e a produção de 2,76 milhões de MWh por ano. Considerando a emissão média de 1 tonelada de CO2 por MWh típica de térmicas a carvão, obtém-se o espantoso montante de 2,76 milhões de toneladas de CO2 emitidos por ano. Na prática, toda essa numerália significa que uma única usina – responsável por pouco mais de 0,5% da energia gerada atualmente no Brasil - contribuirá com o aumento de 10% das emissões atuais do setor elétrico.
Área do Rio Xingu, no Pará, que será alagada pela construção da usina de Belo Monte. ©Greenpeace/Marizilda Cruppe