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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Seca no semiárido deve se agravar nos próximos anos


Pesquisadores alertam para necessidade de executar ações urgentes de adaptação e mitigação aos impactos das mudanças climáticas previstos na região (foto: Fred Jordão/Acervo ASACom)
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – Os problemas de seca prolongada registrados atualmente no semiárido brasileiro devem se agravar ainda mais nos próximos anos por causa das mudanças climáticas globais. Por isso, é preciso executar ações urgentes de adaptação e mitigação desses impactos e repensar os tipos de atividades econômicas que podem ser desenvolvidas na região.
A avaliação foi feita por pesquisadores que participaram das discussões sobre desenvolvimento regional e desastres naturais realizadas no dia 10 de setembro durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima).
Organizado pela FAPESP e promovido em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), o evento ocorre até a próxima sexta-feira (13/09), no Espaço Apas, em São Paulo.
De acordo com dados do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), só nos últimos dois anos foram registrados 1.466 alertas de municípios no semiárido que entraram em estado de emergência ou de calamidade pública em razão de seca e estiagem – os desastres naturais mais recorrentes no Brasil, segundo o órgão.
O Primeiro Relatório de Avaliação Nacional do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) – cujo sumário executivo foi divulgado no dia de abertura da Conclima – estima que esses eventos extremos aumentem principalmente nos biomas Amazônia, Cerrado e Caatinga e que as mudanças devem se acentuar a partir da metade e até o fim do século 21. Dessa forma, o semiárido sofrerá ainda mais no futuro com o problema da escassez de água que enfrenta hoje, alertaram os pesquisadores.
“Se hoje já vemos que a situação é grave, os modelos de cenários futuros das mudanças climáticas no Brasil indicam que o problema será ainda pior. Por isso, todas as ações de adaptação e mitigação pensadas para ser desenvolvidas ao longo dos próximos anos, na verdade, têm de ser realizadas agora”, disse Marcos Airton de Sousa Freitas, especialista em recursos hídricos e técnico da Agência Nacional de Águas (ANA).
Segundo o pesquisador, o semiárido – que abrange Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí e o norte de Minas Gerais – vive hoje o segundo ano do período de seca, iniciado em 2011, que pode se prolongar por um tempo indefinido.
Um estudo realizado pelo órgão, com base em dados de vazão de bacias hidrológicas da região, apontou que a duração média dos períodos de seca no semiárido é de 4,5 anos. Estados como o Ceará, no entanto, já enfrentaram secas com duração de quase nove anos, seguidos por longos períodos nos quais choveu abaixo da média estimada.
De acordo com Freitas, a capacidade média dos principais reservatórios da região – com volume acima de 10 milhões de metros cúbicos de água e capacidade de abastecer os principais municípios por até três anos – está atualmente na faixa de 40%. E a tendência até o fim deste ano é de esvaziarem cada vez mais.
“Caso não haja um aporte considerável de água nesses grandes reservatórios em 2013, poderemos ter uma transição do problema de seca que se observa hoje no semiárido, mais rural, para uma seca ‘urbana’ – que atingiria a população de cidades abastecidas por meio de adutoras desses sistemas de reservatórios”, alertou Freitas.
Ações de adaptação
Uma das ações de adaptação que começou a ser implementada no semiárido nos últimos anos e que, de acordo com os pesquisadores, contribuiu para diminuir sensivelmente a vulnerabilidade do acesso à água, principalmente da população rural difusa, foi o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC).
Lançado em 2003 pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) – rede formada por mais de mil organizações não governamentais (ONGs) que atuam na gestão e no desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida –, o programa visa implementar um sistema nas comunidades rurais da região por meio do qual a água das chuvas é capturada por calhas, instaladas nos telhados das casas, e armazenada em cisternas cobertas e semienterradas. As cisternas são construídas com placas de cimento pré-moldadas, feitas pela própria comunidade, e têm capacidade de armazenar até 16 mil litros de água.
O programa tem contribuído para o aproveitamento da água da chuva em locais onde chove até 600 milímetros por ano – comparável ao volume das chuvas na Europa – que evaporam e são perdidos rapidamente sem um mecanismo que os represe, avaliaram os pesquisadores.
“Mesmo com a seca extrema na região nos últimos dois anos, observamos que a água para o consumo da população rural difusa tem sido garantida pelo programa, que já implantou cerca de 500 mil cisternas e é uma ação política de adaptação a eventos climáticos extremos. Com programas sociais, como o Bolsa Família, o programa Um Milhão de Cisternas tem contribuído para atenuar os impactos negativos causados pelas secas prolongadas na região”, afirmou Saulo Rodrigues Filho, professor da Universidade de Brasília (UnB).
Como a água tende a ser um recurso natural cada vez mais raro no semiárido nos próximos anos, Rodrigues defendeu a necessidade de repensar os tipos de atividades econômicas mais indicadas para a região.
“Talvez a agricultura não seja a atividade mais sustentável para o semiárido e há evidências de que é preciso diversificar as atividades produtivas na região, não dependendo apenas da agricultura familiar, que já enfrenta problemas de perda de mão de obra, uma vez que o aumento dos níveis de educação leva os jovens da região a se deslocar do campo para a cidade”, disse Rodrigues.
“Por meio de políticas de geração de energia mais sustentáveis, como a solar e a eólica, e de fomento a atividades como o artesanato e o turismo, é possível contribuir para aumentar a resiliência dessas populações a secas e estiagens agudas”, afirmou.
Outras medidas necessárias, apontada por Freitas, são de realocação de água entre os setores econômicos que utilizam o recurso e seleção de culturas agrícolas mais resistentes à escassez de água enfrentada na região.
“Há culturas no semiárido, como capim para alimentação de gado, que dependem de irrigação por aspersão. Não faz sentido ter esse tipo de cultura que demanda muito água em uma região que sofrerá muito os impactos das mudanças climáticas”, afirmou Freitas.
Transposição do Rio São Francisco
O pesquisador também defendeu que o projeto de transposição do Rio São Francisco tornou-se muito mais necessário agora – tendo em vista que a escassez de água deverá ser um problema cada vez maior no semiárido nas próximas décadas – e é fundamental para complementar as ações desenvolvidas na região para atenuar o risco de desabastecimento de água.
Alvo de críticas e previsto para ser concluído em 2015, o projeto prevê que as águas do Rio São Francisco cheguem às bacias do Rio Jaguaribe, que abastece o Ceará, e do Rio Piranhas-Açu, que abastece o Rio Grande do Norte e a Paraíba.
De acordo com um estudo realizado pela ANA, com financiamento do Banco Mundial e participação de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará, entre outras instituições, a disponibilidade hídrica dessas duas bacias deve diminuir sensivelmente nos próximos anos, contribuindo para agravar ainda mais a deficiência hídrica do semiárido.
“A transposição do Rio Francisco tornou-se muito mais necessária e deveria ser acelerada porque contribuiria para minimizar o problema do déficit de água no semiárido agora, que deve piorar com a previsão de diminuição da disponibilidade hídrica nas bacias do Rio Jaguaribe e do Rio Piranhas-Açu”, disse Freitas à Agência FAPESP.
O Primeiro Relatório de Avaliação Nacional do PBMC, no entanto, indica que a vazão do Rio São Francisco deve diminuir em até 30% até o fim do século, o que colocaria o projeto de transposição sob ameaça.
Freitas, contudo, ponderou que 70% do volume de água do Rio São Francisco vem de bacias da região Sudeste, para as quais os modelos climáticos preveem aumento da vazão nas próximas décadas. Além disso, de acordo com ele, o volume total previsto para ser transposto para as bacias do Rio Jaguaribe e do Rio Piranhas-Açu corresponde a apenas 2% da vazão média da bacia do Rio São Francisco.
“É uma situação completamente diferente do caso do Sistema Cantareira, por exemplo, no qual praticamente 90% da água dos rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari são transpostas para abastecer a região metropolitana de São Paulo”, comparou.
“Pode-se argumentar sobre a questão de custos da transposição do Rio São Francisco. Mas, em termos de necessidade de uso da água, o projeto reforçará a operação dos sistemas de reservatórios existentes no semiárido”, afirmou.
De acordo com o pesquisador, a água é distribuída de forma desigual no território brasileiro. Enquanto 48% do total do volume de chuvas que cai na Amazônia é escoado pela Bacia Amazônica, segundo Freitas, no semiárido apenas em média 7% do volume de água precipitada na região durante três a quatro meses chegam às bacias do Rio Jaguaribe e do Rio Piranhas-Açu. Além disso, grande parte desse volume de água é perdido pela evaporação. “Por isso, temos necessidade de armazenar essa água restante para os meses nos quais não haverá disponibilidade”, explicou.
As apresentações feitas pelos pesquisadores na conferência, que termina no dia 13, estarão disponíveis em: www.fapesp.br/conclima 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

AM: maior da história, enchente já atinge 77,3 mil famílias


Em Manaus, mais de 5 mil famílias foram atingidas pela cheia do rio Negro
Foto: Defesa Civil/Divulgação


ARNOLDO SANTOS
Direto de Manaus
O nível da água do rio Negro atingiu, na manhã desta quarta-feira, a cota de 29,78 m (relativos ao nível do mar). É a maior marca registrada na história do Estado, superando em 1 cm a de 2009. O dado foi anunciado pelo serviço de hidrologia do Porto de Manaus, órgão responsável pela medição da cota do rio Negro, que banha a capital do Estado.
Pelos dados da prefeitura de Manaus, a cidade tem hoje 5.803 famílias atingidas pela enchente. São moradores de áreas próximas dos igarapés que cortam a cidade e que tiveram suas casas invadidas pela água. A estimativa da Secretaria de Assistência Social da prefeitura é que este número seja bem maior. É que o levantamento e cadastro das famílias atingidas ainda não foi concluído, faltando pelo menos dois bairros a serem percorridos pelos servidores municipais.
Para minimizar os impactos da cheia, a prefeitura lançou o SOS Enchente, que reúne sete secretarias em ações específicas. Na Saúde, a população está recebendo orientação e kits com medicação e hipoclorito de sódio para cuidados contra doenças ligadas à água. Na limpeza pública, cerca de 300 garis estão realizando mutirões de retirada do lixo dos igarapés que estão cheios e invadindo as casas. Nos últimos oito dias, já foram retiradas mais de 200 t de lixo desses locais. A Defesa Civil municipal está construindo pontes de madeira nas ruas onde a água já invadiu. Desde o mês de março, já foram construídos pouco mais de 3,8 mil metros de passarelas de madeira. Para completar o atendimento à população prejudicada, a prefeitura começou a distribuir um benefício de R$ 600 para as famílias cadastradas e comprovadamente prejudicadas pela cheia. O dinheiro é da própria prefeitura, mas o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, anunciou a liberação de R$ 10 milhões para Manaus. Porém, a estimativa de gastos com a enchente feita pela Defesa Civil municipal é de pelo menos R$ 13 milhões.
Enchente já afeta 77,3 mil famílias no Estado
Dos 62 municípios do Amazonas, 52 já tiveram decretada situação de emergência pelas suas respectivas prefeituras. Pelos dados da Defesa Civil estadual, 77.348 famílias foram afetadas de alguma forma pela subida do nível da água dos rios. Os dois municípios mais atingidas são Careiro da Várzea e Anamã, que estão com quase 100% dos seus territórios alagados. Fora o impacto na população, o prejuízo na produção agrícola deve superar os R$ 11 milhões segundo cálculos da Secretaria de Produção Rural.
Entre as principais ações de ajuda à população atingida, estão a distribuição de cestas básicas, kits de higiene, medicamentos, filtros biológicos, hipoclorito de sódio e a concessão de uma ajuda em dinheiro no valor de R$ 400, que podem ser resgatados por meio do cartão Amazonas Solidário. As prefeituras estão recebendo verba do governo federal. Ao todo foi destinado aos municípios amazonenses um aporte de R$ 10,5 milhões.
Em Manaus, o governo do Estado também está realizando ações contra os prejuízos da enchente. A Operação Enchente 2012 está realizando a limpeza dos igarapés, construção de passarelas de madeira nas ruas alagadas e a distribuição de madeira para que os moradores reforcem as casas invadidas pela água e até construam assoalhos extras, acima do nível da água, o que se chama na região de "maromba".
Nas ruas do centro de Manaus que foram invadidas pela água do rio Negro, entrando por dentro da rede águas pluviais, a defesa civil instalou bombas hidráulicas e jogou cal para a diminuição do mal cheiro e pra prevenção de doenças causadas pela água poluída represada.
A coordenação geral da Defesa Civil do Estado confirmou que a situação de dois municípios está sendo analisada para possível decreto de estado de calamidade pública.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tragédias "Naturais"

A História da Humanidade é marcada por eventos trágicos provocados pelos fenômenos naturais, tais como erupção de vulcões, terremotos, furacões, maremotos, inundações causadas por tempestades. Nos últimos milênios, desde que nos esquecemos do último período glacial, esses fenômenos arrefeceram, perderam força e intensidade, causando cada vez menores estragos e mortes, graças ao esfriamento gradual da Terra e do maior preparo das civilizações para lidar com esse tipo de fenômeno: construções mais sólidas, barragens, previsões de tempo mais confiáveis, sistemas de atendimento de urgência mais eficazes.

No entanto, nas últimas décadas esses fenômenos voltaram a ter intensidades extremas, causando morte e destruição; exemplo disso são a inundação do rio Yang Tsé (1931 - 1.000.000 mortos), o Ciclone de Bhola (1970 - 300.000 mortos), o Terremoto da China (1976 - 255.000 mortos), o Ciclone de Bangladesh (1991 - 138.000 mortos), o Tsunami da Indonésia (2004 - 250.000 mortos), o Sismo do Paquistão (2005 - 86.000 mortos), o Ciclone de Mianmar (2008 - 100.000 mortos), o Sismo do Haiti (2010 - 200.000 mortos). São números assustadores, mas dispersos em todo o planeta e em quase um século de história. Pouco representam, percentualmente, em relação à população da Terra.

Em nosso país, as tragédias se manifestam de forma mais branda, com menos mortes, embora todo desastre que envolva vítimas fatais nos assuste e cause pânico e desolação. É evidente que lamentamos profundamente esses acontecimentos! No entanto, dada sua dispersão no tempo e no espaço, não podemos associar a eles nenhuma causa excepcional provocada pela ação humana sobre o planeta. Esse é meu pior argumento, pois defendo há anos a causa ambientalista e o combate ao desmatamento e à destruição de nossas riquezas naturais. Não mudei de opinião; apenas acredito que são situações diferentes.

Sim, pois os deslizamentos de encostas de morros são, muitas vezes, ampliados e estimulados pela ocupação desordenada do solo nas grandes metrópoles; outras vezes, a fatalidade das tragédias é a consequência dessa mesma ocupação predatória, mas a causa do fenômeno nada tem a ver com a presença humana. Foi o que ocorreu agora, na região serrana do Rio de Janeiro; os especialistas afirmam que esses deslizamentos ocorrem porque a serra é instável e o volume de águas elevado, provocando os deslizamentos.

No entanto, ainda que os homens não sejam os responsáveis diretos pelos deslizamentos, são sim os responsáveis pelas mortes, pois essas encostas não deveriam ser habitadas. A omissão das autoridades, permitindo essas ocupações, e a insistência dos homens em morar em áreas de risco, ora por conveniência, ora por ignorância, ora por falta absoluta de alternativas oferecidas pelo poder público, essas são as verdadeiras causas das tragédias.

Então, quando ocorrem, surgem os messiânicos arautos do Evangelho, dizendo: "Deus quis assim!", ou então, para aqueles que se salvaram: "Deus não quis que ele morresse...", mesmo diante da perda de famílias inteiras, dilaceradas pelas mortes trágicas e desnecessárias. O fato é que, se Deus existe, ele nada teve a ver com a vida ou a morte dessas pessoas. Algumas, acidentalmente, estavam ausentes no momento da tragédia; outras, ao contrário, se deslocaram, casualmente, para a zona de impacto e pereceram em local inusitado.

Assim é a vida, repleta de acasos que nos remetem às crendices, afastando-nos da racionalidade que esses fenômenos exigem, não apenas para compreendê-los, mas também, e principalmente porque precisamos aperfeiçoar nossos métodos de prevenção, evitando situações de todo previsíveis, reduzindo o caos e o custo elevadíssimo da perda de vidas e dos esforços para a recuperação das áreas atingidas por esses fenômenos naturais.

Se a solidariedade se manifesta nessas situações, também a safadeza se mostra implacável, evidenciando a torpeza do ser humano, que rouba doações, que desvia verbas, que se aproveita da desordem para levar vantagem, essa marca indelével de nossa sociedade atual. Sim, porque hoje prevalecem os interesses pessoais, exacerbados pela competição sem limites que o homem colocou a si mesmo, não reconhecendo valores que, no passado, serviam de balizas para o comportamento coletivo. Hoje, isso pouco importa...

Como lidar com o imponderável? Como preparar essa população para sobreviver ao caos que se mostra iminente? Aqui resgato meus próprios valores e reafirmo minhas convicções ambientalistas, meus propósitos "evangelizadores" de que o Bem só sobrepujará o Mal se nós mudarmos nosso comportamento diante de nossa habitação coletiva: a Terra! O ódio e a discórdia existem como sempre existiram e continuarão a existir, a despeito de nossas convicções, pois está no coração dos homens. Mas podemos planejar um mundo melhor, onde os espertos não sejam premiados, onde a igualdade seja a lei maior e não permita privilégios enquanto houver fome e miséria. Ninguém pode ser rico se a pobreza ceifa vidas!

Somos mesquinhos e vivemos para nossa pequena comunidade familiar. Os amigos, quando existem, duram o tempo de nossa prosperidade. Basta empobrecer ou passar por dificuldades e eles desaparecem, assim como surgiram. Portanto, não podemos confiar na boa-fé da humanidade, ou acreditar que um ser superior venha resgatar os seres humanos de sua provável extinção. Somos nós, apenas nós, os responsáveis pela sobrevivência humana. Se acreditamos que o homem é a espécie animal mais bem sucedida na Terra, precisamos rever nossos conceitos, pois essa mesma competência da espécie humana a levará à extinção, não pela ocorrência de tragédias "naturais", mas pelo esgotamento dos recursos desse planeta, incapaz de sustentar por muitos anos o crescimento incontrolado da sua população.

Precisamos refletir sobre essas questões, pois os afortunados pouco se importam se a vida na Terra desaparecerá. Eles pensam com outra lógica: a de que "será bom enquanto durar"! E nós, seres éticos e justos, seremos banidos primeiro, junto com os miseráveis, quase-escravos dessa civilização tecnológica, que não reconhece fronteiras nem belezas a se preservar. Seremos extintos para que eles possam sobreviver; pois antes que o mundo se acabe, uma grande tragédia, nada natural, se abaterá sobre a humanidade, restaurando o "equilíbrio" populacional e o controle sobre os recursos naturais, para que essa minoria dominadora possa sobreviver e usufruir daquilo que eles próprios nos subtraíram...