sexta-feira, 4 de junho de 2010

A equivocada política desenvolvimentista brasileira

Historicamente, o Brasil tem feito escolhas erradas que nos conduziram, nesses quinhentos anos, à situação de dependência econômica e cultural do mundo desenvolvido. Prova disso é o crescimento fantástico dos países asiáticos do pós-guerra, criando potências emergentes como o Japão, a Coréia, a China e a Índia. Enquanto isso, o Brasil, com um território privilegiado e rico, cresce a passos lentos, mantendo desequilíbrios sociais inaceitáveis e concentrando a riqueza nas mãos de poucos.

Desde os primórdios da colonização, Portugal decidiu que nossa vocação como sistema produtivo seria a lavoura e a pecuária, assim como a mineração. Ou seja, setores primários, de baixo valor agregado, e que determinaram nossa condição de país subdesenvolvido por mais de quatro séculos. Em todo esse período histórico, a exploração de mão-de-obra escrava e semi-escrava permitiu que uma minoria se enriquecesse em detrimento do resto da população, cada vez mais numerosa. Hoje somos quase 200 milhões de habitantes, dos quais 50% vivem em condições precárias ou miseráveis.

O processo econômico se deu em ciclos mais ou menos longos, cujos resultados finais sempre foram nefastos. O primeiro ciclo, extrativista, de exploração do pau brasil, quase acabou com a vegetação costeira do país, a Mata Atlântica, cujos remanescentes hoje representam cerca de 7% da floresta encontrada pelos portugueses. O ciclo extrativista nunca cessou; do pau brasil passou para o ouro, o diamante, a borracha, o petróleo e todo tipo de minérios, e a madeira, que até hoje causa o desmatamento da Amazônia em escala gigantesca e irreversível.

A exploração e exportação de produtos primários foi e continua sendo a grande responsável pela miséria, pelos desequilíbrios sociais, pelos genocídios perpetrados pelos brasileiros a seus povos originários e escravos africanos, e pela nossa constante dependência tecnológica com relação aos países desenvolvidos. Exportamos minérios, madeira, soja, carne bovina, álcool, açúcar, petróleo e importamos produtos eletrônicos, de alta tecnologia. Isso sem falar nos fármacos roubados de nossas florestas, que retornam ao Brasil como produtos químicos e farmacêuticos, de altíssimo valor agregado, patenteados com nossas ervas pelos grandes laboratórios multinacionais.

A cana de açúcar gerou fortunas aos senhores de engenho e miséria e desolação às populações indígenas e escravos africanos. Nossa população de indígenas foi quase totalmente dizimada pela violência dos colonizadores e pelas doenças transmitidas pelos brancos em seus primeiros contatos com esses povos nativos. Dos estimados três milhões de indígenas originais, pertencentes a centenas de etnias, restam hoje menos de 700 mil, grande parte desses já descaracterizados de suas culturas, línguas e tradições.

O cultivo do café aliou-se à cana de açúcar nesse processo de ruptura sócio-cultural, explorando índios e escravos em nome de uma minoria de barões que se enriqueceram às suas custas. O café substituiu a Mata Atlântica na região sudeste, e promoveu a construção das estradas de ferro, cujo traçado obedecia aos interesses desses fazendeiros e não a um planejamento estratégico nacional. A conseqüência disso foi que, com o tempo, essas ferrovias foram substituídas por rodovias e, sucateadas, hoje estão quase extintas .

Ao contrário do que dizem os latifundiários da bancada ruralista, o brasileiro não come soja, não bebe álcool e mal come carne. A maior parte da produção agrícola brasileira, dos grandes empresários do setor, é destinada à exportação. Quem abastece a mesa dos brasileiros é o pequeno produtor, o produtor artesanal, as lavouras familiares, o pescador artesanal; e esses representam 90% dos produtores agrícolas.

Esse modelo exportador torna o país altamente suscetível às crises internacionais por não ter um mercado consumidor interno desenvolvido para assegurar a produção agrícola e industrial, como ocorre com a China. Graças a isso, enquanto crescemos a taxas médias de 3 a 5% ao ano, a China cresceu nas últimas décadas a taxas superiores a 15% ao ano, devendo se tornar a maior potência mundial em muito poucos anos, superando o Japão e os Estados Unidos. Enquanto isso, continuamos sendo o país do futuro!

Se o agronegócio fosse tão bom, com tamanho incentivo fiscal e monetário concedido pelo governo, já seríamos a maior potência mundial. Nossas fronteiras agrícolas quase que duplicaram em duas décadas; o crédito bancário oferece dinheiro a juros inferiores a 12% ao ano para esses latifundiários, enquanto a quase totalidade dos brasileiros paga 6% ao mês para conseguir parcos recursos para sua sobrevivência. Não bastasse essa desigualdade de tratamentos, muitas vezes o governo "perdoa" as dívidas fiscais desses poderosos, enquanto pune rigorosamente o cidadão comum que não consegue pagar seus impostos.

Os usineiros de açúcar e do álcool já tiveram suas dívidas parceladas, sem juros, por décadas, e muitas vezes, mesmo assim, não as pagam, esperando por uma "anistia fiscal" que sempre chega. Com isso, nosso potencial empreendedor fica nas mãos dos poderosos, enquanto os pequenos continuam atrelados a empregos mal remunerados, pouco estimulantes, com baixa exigência de novos conhecimentos e instáveis.

Esse é o retrato de nosso país depois de quatro mandatos (16 anos) de políticas "sociais" do PSDB e do PT. Fernando Henrique disse, ao assumir o poder, que esquecêssemos tudo o que ele disse enquanto intelectual e acadêmico. E assim, penalizou mais uma vez a classe trabalhadora em favor do empresariado. Lula se esqueceu, sem admitir, seus compromissos com os movimentos sociais, e fez acordos espúrios com o agronegócio, privilegiando os latifundiários em detrimento dos trabalhadores rurais, com ou sem terras.

A perspectiva agora é Dilma Roussef, defensora ardorosa e mentora intelectual das políticas do governo Lula; ou José Serra, defensor do empresariado e porta-voz do neo-liberalismo globalizante de FHC; ou então Marina Silva, ambientalista, com uma proposta renovadora de um desenvolvimento sustentável (por mais que eu rejeite essa expressão falaciosa). Cabe aos brasileiros escolher o seu futuro.

Mas não é somente a escolha do mandatário máximo do país que determina esse futuro. Cada parlamentar, em todas as esferas do poder, tem partidcipação ativa nesse processo, e o partido majoritário do Brasil continua sendo o PMDB, um partido sem ideologia, que navega conforme as águas, permanecendo sempre no poder. Existem ainda as forças reacionárias representadas pelos evangélicos e pelos ruralistas latifundiários, que sempre conseguem eleger um número expressivo de parlamentares e dominar as principais comissões da Câmara e do Senado, inviabilizando qualquer mudança progressista e popular.

Infelizmente, nossas políticas desenvolvimentistas, sejam quais forem as forças vencedoras dessas eleições, continuarão equivocadas e na contra-mão da história e do cenário mundial, onde seguiremos desempenhando nosso papel de coadjuvantes, enquanto a China e a Índia assumem a liderança e se tornam os protagonistas dessa comédia humana.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Protocolo do São Francisco

A batalha pela preservação do Meio Ambiente é responsabilidade de todos.

Diante das freqüentes ameaças da bancada ruralista, agora com a descarada intenção de acabar com nossa legislação ambiental e aniquilar o Código Florestal brasileiro com apoio do PT, do PCdoB de Aldo Rebelo e do governo LULA, precisamos estar ainda mais alertas, pois o objetivo deles é destruir todos os espaços naturais preservados, substituindo-os por pastagens, lavouras de soja e de cana de açúcar. A noção da beleza, para eles, é um imenso canavial ou uma enorme pastagem de gado nelore!

Nós, ambientalistas, fotógrafos da Natureza, praticantes de atividades extremas em áreas remotas, amantes e defensores incondicionais do meio ambiente, doamos nossas vidas para a salvação de nosso Planeta, mas nada podemos fazer se as pessoas do mundo não quiserem dar sua contribuição...

 
Colaborem, ao menos, assinando as petições em defesa da Terra... Minha petição, que eu denominei "Protocolo do São Francisco", é pelo rio, pelo povo que vive dele, pela cultura dessa gente, que também é nossa, pelas águas que preservam nossas existências! Às margens do São Francisco e de seus afluentes vivem mais de 15 milhões de pessoas: comunidades indígenas e quilombolas, pequenas vilas e periferias das grandes cidades compõem esse universo de culturas tradicionais.

 
Por isso, peço-lhes que leiam e assinem a petição: http://www.ipetitions.com/petition/velhochico/

Conheçam, também, o meu blog: Meu Velho Chico (http://meuvelhochico.blogspot.com/). Nele descrevo minha expedição pelos 2.700 km de extensão do rio São Francisco, que percorri em canoa canadense, durante 100 dias, remando sozinho, visitando e convivendo com esses povos esquecidos dos homens.

Ajudem a salvar o nosso Velho Chico!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dois pesos, duas medidas!

Israel atacou uma pequena frota de navios pacifistas em águas internacionais, matando nove pessoas. Eles levavam ajuda humanitária para os palestinos na Faixa de Gaza. A truculencia das forças israelenses contra pessoas inocentes e desarmadas lembra a violência e as atrocidades nazistas na Segunda Guerra Mundial! E agora? Será que o Conselho de Segurança da ONU reagirá contra Israel como o fez tantas vezes contra os países árabes? Será que os Estados Unidos da América do Norte reagirão contra Israel como têm feito contra o Irã? O que seria pior: ter uma arma nuclear para se defender de Israel, ou agir impunemente contra povos palestinos, que nem mesmo possuem um território reconhecido pelas Nações Unidas?

De onde vem tamanho poder dos israelenses? Talvez do dinheiro que eles mantêm em ações dos maiores bancos internacionais... Como um pequeno país incrustado no território árabe consegue impor sua vontade ao mundo, que se ajoelha a seus pés? Racistas, os judeus dominam as ações do Conselho de Segurança da ONU... quando esse órgão da ONU emitiu alguma sanção econômica ou militar contra Israel? Nunca!

Está na hora do mundo tirar sua máscara e reconhecer os verdadeiros inimigos da paz mundial: os EUA! Sim, pois o Conselho de Segurança da ONU é apenas um marionete nas mãos dos norte-americanos. Por isso, os países emergentes ainda não conseguiram fazer parte desse Conselho. É insustentável a afirmação de que os inimigos do mundo, as "forças do mal" são os países árabes, o islamismo e o Corão! A cada dia, uma ação extrema é tomada pelo ocidente, demonstrando seu desprezo pelos povos do Oriente Médio.

Para o governo Bush o "Eixo do Mal" era composto pelo Afeganistão, pela Al Qaeda e pelo Iraque. Dizia o então presidente que Sadam Hussein possuía enorme estoque de armas químicas para usar contra o Ocidente. Invadiram o Iraque, mataram Sadam Hussein, e não encontraram as armas químicas porque elas não existiam. Prometeram acabar com a guerra em poucos meses e derrubaram o Talibã do poder no Afeganistão, prometendo capturar Osama Bin Laden. Fizeram centenas de milhares de vítimas. Não acabaram com a guerra mas destruíram dois países e não encontraram o terrorista. Os EUA podem tudo!

Sob o manto protetor dos EUA e a omissão da ONU, Israel também pode tudo! O país que foi vítima de Adolf Hitler e condenou a construção do Muro de Berlim construiu seu próprio Muro de Israel, privando o povo palestino de viver em liberdade. Agora, atacaram navios pacifistas sob a alegação de que esses barcos estavam "quebrando o bloqueio" aos palestinos! As Nações Unidas aprovaram esse bloqueio? O Conselho de Segurança da ONU aprovau alguma sanção contra esse povo que vive há décadas sob o jugo de Israel?

Está na hora de caírem as máscaras da hipocrisia no mundo ocidental. Chega de mentiras! Todas as guerras contemporâneas têm demonstrado duas poderosas motivações: a primeira é óbvia e destina-se a manter o poder militar americano e de seus aliados sobre o resto do mundo. A segunda, mais disfarçada, é assegurar o consumo e a renovação do material bélico produzido e garantir a evolução tecnológica dos armamentos militares americanos e de seus aliados, certamente a mais poderosa indústria do mundo contemporâneo!

Os EUA consomem imensos recursos em armamentos, que seriam suficientes para acabar com a fome no mundo e erradicar a miséria na África e em todos os outros continentes! O orçamento militar dos Estados Unidos corresponde a R$ 858 bilhões!  O Departamento de Assuntos Relacionados a Veteranos de Guerra leva mais R$ 60,32 bilhões, mais do que o que gastamos com educação e saúde somados. Além disso, as grandes potências ocidentais insistem em preservar enorme estoque de ogivas nucleares, prontas para varrer a humanidade da face da Terra, enquanto implicam com o Irã por querer produzir sua própria bomba atômica!

Estima-se que o arsenal americano e russo alcance hoje mais de 2 mil e 2,5 mil ogivas nucleares estratégicas, respectivamente. Há uma proposta para reduzir esse número para 1.500 ogivas nucleares, o que ainda seria suficiente para acabar com toda a humanidade. Ressalte-se que quando eles destróem armamentos, são aqueles mais obsoletos, sucateados e de maior custo de manutenção que desaparecem,  ou seja, é de grande interesse fazê-lo, sem prejudicar seu poderio bélico! Durante o período da Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a ter mais de 15 mil ogivas nucleares estratégicas, e a Rússia, mais de 10 mil.

Até quando a imprensa mundial vai nos manter reféns da mentira e esconder a verdadeira face dos poderosos no mundo atual? Até quando fingiremos acreditar nos "contos de fada" e nos patéticos heróis do cinema americano que tentam demonstrar que esse povo cruel e belicista só quer garantir a "PAZ" mundial?

Povos do mundo, acordem desse torpor de mentiras!
O "Eixo do Mal" tem suas sedes em Washington e TelAviv, sob o apoio envergonhado da União Européia!

O fim do Código Florestal?

Fonte: Pesquisadores do LAPLA - Laboratório de Planejamento Ambiental - UNICAMP

   Caros amigos,  As nossas florestas estão em perigo! Deputados ruralistas querem destruir o Código Florestal Brasileiro, liberando o desmatamento de áreas protegidas por lei, especialmente na Amazônia. Assine a petição para salvar o Código Florestal:

   Próxima terça-feira dia 1 de junho nossas florestas irão sofrer um ataque perigoso – deputados da “bancada ruralista” estão tentando destruir o nosso Código Florestal, buscando reduzir dramaticamente as áreas protegidas, incentivando o desmatamento e crimes ambientais.

   O que é mais revoltante, é que os responsáveis por revisar essa importante lei são justamente os ruralistas representantes do grande agronegócio. É como deixar a raposa cuidando do galinheiro!

   Há um verdadeiro risco da Câmara aprovar a proposta ruralista – mas existem também alguns deputados que defendem o Código e outros estão indecisos. Nos próximos dias, uma mobilização massiva contra tentativas de alterar o Código, pode ganhar o apoio dos indecisos. Vamos mostrar que nós brasileiros estamos comprometidos com a proteção ambiental – clique abaixo para assinar a petição em defesa do Código Florestal:

   http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal/?vl

   Enquanto o mundo todo defende a proteção do meio ambiente, um grupo de deputados está fazendo exatamente o contrário: entregando de mão beijada as nossas florestas para os maiores responsáveis pelo desmatamento do Cerrado e da Amazônia. Eles querem simplesmente garantir a expansão dos latifúndios, quando na verdade uma revisão do Código deveria fortalecer as proteções ao meio ambiente e apoiar pequenos produtores.

   As propostas absurdas incluem:

     a.. Reduzir a Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50%
     b.. Reduzir as Áreas de Preservação Permanente como margens de rios e lagoas, encostas e topos de morro:
     c.. Anistia aos crimes ambientais, sem exigir o reflorestamento da área
     d.. Transferir a legislação ambiental para o nível estatal, removendo o controle federal

   Essa não é uma escolha entre ambientalismo e desenvolvimento econômico, um estudo recente mostra que o Brasil ainda tem 100 milhões de hectares de terra disponíveis para a agricultura, sem ter que desmatar um único hectare da Amazônia.

   A proteção das florestas e comunidades rurais dependem do Código Florestal, assim como a prevenção das mudanças climáticas e a luta contra a desigualdade do campo.

Assine a petição para salvar o Código Florestal e depois divulgue!


   http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal/?vl

   Juntos nós aprovamos a Ficha Limpa na Câmara e no Senado. Se agirmos juntos novamente pelas nossas florestas nós podemos fazer do Brasil um modelo internacional de desenvolvimento aliado à preservação.

   Com esperança,

   Graziela, Alice, Paul, Luis, Ricken, Pascal, Iain and the entire Avaaz team

   Saiba mais:

   País tem 100 mi de hectares sem proteção - "O Estado de São Paulo":
   http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100505/not_imp547054,0.php

   Estudos ressaltam importância ambiental do Código Florestal - WWF:
   http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?24940/Estudos-ressaltam-importancia-ambiental-do-Codigo-Florestal

   Para ambientalistas, relatório de Rebelo é genérico e equivocado:
   http://www.portaldomeioambiente.org.br/legislacao-a-direito/codigo-florestal-brasileiro/4110-para-ambientalistas-relatorio-de-rebelo-e-generico-e-equivocado.html

Ruralistas dominaram a comissão de revisão do Código Florestal Brasileiro com apoio do PT:
http://www.pecuaria.com.br/info.php?ver=6970

Para ambientalistas, relatório de Rebelo é genérico e equivocado

Genérico e equivocado. Assim representantes ambientalistas do país qualificaram o relatório final de reforma do Código Florestal, que deverá ser apresentado oficialmente em junho e cujos principais pontos foram antecipados pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB), em entrevista ao Valor.
Duramente criticado, como uma organização "com um histórico muito pouco recomendável", o Greenpeace afirmou que o documento fará o país "retroagir para antes de 1934", data da elaboração do Código Florestal brasileiro. "Fiquei chocado com a entrevista", disse Sérgio Leitão, diretor da ONG. "Ele [Rebelo] não entende nada do assunto".
Segundo o ambientalista, há incoerências entre o discurso do deputado e o relatório, agora, defendido por ele. A principal delas refere-se à possibilidade de os Estados legislarem em questões ambientais, uma permissão jurídica que poderia colocar em perigo o já frágil equilíbrio dos biomas brasileiros. Incoerência porque, de acordo com Leitão, Rebelo teria dito textualmente ser contra a medida durante reuniões com o Greenpeace, em audiências públicas e em seminário do PcdoB. "É uma questão muito simples: bioma respeita limite geográfico? Começo a achar que ele está de má-fé nesse debate. Acho que abandonou o passado de luta e passou pra motoserra".
O grande temor dos ambientalistas é que a falta de uma unidade nacional acabe replicando a decisão de Santa Catarina no resto do país. Recentemente, o Estado mudou sua legislação ambiental e reduziu a área de mata ciliar de 30 metros, como prega o Código federal, para cinco. Ana Cristina Barros, representante no Brasil da The Nature Conservancy (TNC), acredita que a descentralização seria positiva apenas se houver um parâmetro federal. "Um "baseline" que não tire o poder da União", diz ela, tal como ocorre com a Saúde e Educação.
Topos de morros e várzeas são áreas de proteção permanente (APPs). Por funções ecológicas, como evitar o assoreamento dos rios, devem permanecer intactas. Mas as mudanças no Código consideram certas culturas como consolidadas nessas regiões. Caso do arroz, que, de acordo com Rebelo, tem 75% de sua produção em várzeas, e da banana do Vale do Ribeira, também na ilegalidade. Para os ruralistas, entraves como esse ameaçam a agricultura. Para Leitão, culturas em APPs representam 1% da produção.
"Para saber o que são áreas consolidadas é preciso fazer o georreferenciamento [o mapeamento por satélite das propriedades rurais]", diz o deputado José Sarney Filho, da Frente Parlamentar Ambientalista. "Não gosto de frases genéricas. Não dá para saber o que Rebelo está pensando".
"O momento é inoportuno para discutir reforma no Código porque estamos às vésperas de uma eleição que envolve interesses. Não há a isenção", diz Sarney Filho. Para ele, tampouco é possível dizer o que os candidatos à Presidência, Dilma Roussef e José Serra, são favoráveis a ela, apesar do apoio afirmado do Rebelo. "Até agora eles não se expressaram, só a Marina [Silva]".

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ficha Limpa: solução ou cortina de fumaça?

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Depois do brilhante discurso de Pedro Simon em defesa da proposta conhecida como "Campanha Ficha Limpa", e da sua aprovação, por unanimidade, no Senado, cabe-nos questionar a efetividade dessa nova lei, que deveria excluir dos processos eleitorais os candidatos já condenados em segunda instância por crimes de corrupção ou outros crimes correlatos. A campanha contou com mais de quatro milhões de assinaturas de todo o país, o que demonstra a enorme insatisfação popular com a histórica impunidade dos políticos corruptos brasileiros.

Se a lei fosse, de fato, eficaz, senadores como Paulo Maluf, Renan Calheiros, José Sarney, Fernando Collor e tantos outros deveriam se tornar inelegíveis para sempre. Isso não acontecerá. Sabemos que os poderosos políticos brasileiros nunca foram condenados, o que também evidencia a fragilidade de nossas instituições jurídicas.

Essa nova lei poderá até não ser efetiva para as próximas eleições, pois depende ainda de uma decisão do Superior Tribunal Eleitoral. A postura de nossos magistrados tem sido excessivamente conservadora, o que acaba por favorecer os políticos desonestos, protegidos pelo cargo eletivo.

Na verdade, nossas mazelas políticas não estão na legislação ou no processo eleitoral, mas na ignorância de nosso povo, despreparado politicamente para diferenciar os bons dos maus políticos. A escolha de um bom candidato pressupõe consciência política, que não se adquire sem informação e maturidade. Um processo que admite o voto de analfabetos funcionais ou absolutos, não pode gerar bons políticos.

De fato, essa nova lei irá servir apenas para obscurecer ainda mais o processo eleitoral, credenciando os maus políticos com uma imunidade que conquistaram na própria justiça, e frustrando, mais uma vez, as expectativas da Nação. Prova disso é a mudança de última hora feita pelo Senado, de forma sibilina, alterando o tempo verbal de uma expressão ("tenham sido" -> "forem") que livra os políticos atuais de qualquer risco de impugnação. Quem acredita que alguém será punido?
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Brasil, o Irã e a Questão Nuclear

O presidente Lula deu sua mais arriscada cartada política internacional ao obter o apoio do Irã a um acordo político relativo ao enriquecimento do urânio, em níveis críticos para a possibilidade de desenvolvimento de um programa nuclear para fins militares por aquele país. As conseqüências para o Brasil ainda são imcertas; caso a Agência Internacional de Energia Nuclear aceite o acordo, será um desastre para o presidente Obama e uma vitória para o presidente Lula. Mesmo assim, a situação de Lula se complicará nas relações com a ONU e os países desenvolvidos, que não aceitarão de bom grado essa derrota política. Caso o acordo seja rejeitado pela Agência, abre-se a possibilidade de aprovação de sanções econômicas rigorosas, o conflito se agravará e Lula será ridicularizado publicamente por sua ingenuidade política.

No entanto, o que não se questiona é a desigualdade dessas decisões da ONU; quando o Paquistão e a Índia tiveram acesso aos armamentos nucleares, e depois a Coréia do Norte se impôs com seu programa nuclear, as reações mundiais não foram tão enérgicas como ocorre agora com o Irã. O mesmo aconteceu quando Israel desenvolveu sua própria bomba atômica e entrou para o seleto clube de países detentores da tecnologia de produção de ogivas nucleares sob o discreto apoio norte-americano. O Brasil, signatário do acordo de não-proliferação de armas nucleares nunca questionou a honestidade de propósitos da ONU, favorecendo uns e deixando a maior parte da humanidade à mercê das políticas desses países armados.

Se houvesse intenção efetiva de um desarmamento internacional, Estados Unidos e Rússia já teriam chegado a um acordo de destruição de seus próprios e gigantescos arsenais nucleares. No entanto, a Guerra Fria terminou há décadas e muito pouco se fez nesse sentido, pois não há um interesse real em buscar a paz e o entendimento entre as nações. Os poderosos continuam com sua indisfarçável intenção de subjugar o resto do mundo a seus interesses econômicos e políticos de dominação e exploração dos países pobres.

É pouco provável que Lula consiga sua tão almejada cadeira no Conselho de Segurança da ONU depois dessa atrevida iniciativa diplomática no Oriente Médio; mas o Brasil conquistou, de fato, o respeito dos países árabes à sua causa e poderá, a médio prazo, obter vantagens comerciais dessa decisão. Infelizmente, o mundo é movido pelos interesses comerciais, e o Brasil não é exceção. Enquanto as questões fundamentais da eliminação da pobreza e da fome no mundo são deixadas de lado, esses aspectos periféricos permanecem prevalecendo na diplomacia internacional, como cortina de fumaça a ocultar os verdadeiros propósitos dos países mais poderosos de nosso planeta.

Permaneceremos, assim, convivendo com a triste realidade de que, a cada dia, 30.000 crianças morrem de fome e miséria nos países mais pobres, enquanto os líderem mundiais debatem o uso de armamentos nucleares...

Eleições e Preservação Ambiental

Como um intransigente defensor do Meio Ambiente, não posso me omitir neste importantíssimo momento da vida política nacional. Minhas idéias políticas são bem conhecidas de todos. Mas creio ser importante avaliar o momento atual sob o enfoque ambiental, principalmente quando políticos se manifestam de forma tão anacrônica e irresponsável, como o fez Aldo Rebelo, defendendo a revisão do código florestal, com o propósito de facilitar a transformação das poucas florestas ainda existentes em pastos, canaviais e plantações de soja. Esse político apóia Dilma Roussef, que já cometeu seus equívocos ao conseguir a revogação do único decreto que protegia nossas cavernas, propondo sua substituição por uma lei que permitiria a destruição da maior parte de nossas cavidades naturais, sob a justificativa política da "relevância" das grutas, ou seja, para que preservar duas grutas, se elas possuem os mesmos tipos de espeleotemas? Mais vale destruir uma para exploração de cancário...

Pois é, diante de tais barbaridades, vale lembrar que o governo LULA deu seu apoio incondicional aos integrantes da Bancada Ruralista no Congresso Nacional, privilegiando o desenvolvimento do Agro-Negócio em detrimento da agricultura familiar. Enqunato aquela favorece apenas 5% dos produtores rurais, a agricultura familiar dá emprego para 95% dos pequenos agricultores do país! O que vale mais: a vida humana ou a produção agrícola? Vale ressaltar que a maior parcela dessa produção em massa dos latifúndios nacionais é exportada, favorecendo a riqueza indivdual em detrimento da riqueza social, da distribuição de renda e da redução da pobreza, esse ranço imperial que ainda mantém na miséria milhões de brasileiros.

Foi também o governo LULA que acelerou a construção das grandes hidrelétricas do Amazonas, causando enorme e irreversível impacto ambiental, a despeito das manifestações contrárias dos maiores especialistas nacionais em hidrologia. LULA também decidiu, em oposição a esses pesquisadores e ofendendo frontalmente as populações tradicionais ribeirinhas, a construção dos canais da Transposição do Rio São Francisco, levando bilhões de litros de suas águas para outras terras do nordeste, e deixando à mingua a população que durante séculos viveu da lavoura e da pesca. Usou, inclusive, tropas do Exército para impor sua vontade.

Centenas de pequenas centrais hidrelétricas estão em construção pelo país, grande parte delas sem estudo adequado de impactos ambientais, e expulsando milhares de pequenos agricultores de suas terras em troca de falsas promessas de fartura e riqueza. Todos sabemos que isso não corresponde à verdade.

LULA não cumpriu suas promessas de regularização fundiária e o INCRA continuou sua "reforma agrária" a passos de tartaruga, deixando imensas populações à mercê da miséria e do subemprego nas favelas das metrópoles brasleiras. Assentamento rural é um tabu para esse governo, que regulariza as terras griladas pelos milionários fazendeiros, favorecidos pelo crédito fácil e pelo perdão de suas dívidas passadas, sob o manto da impunidade e sob o pretexto do crescimento econômico a qualquer preço. Quanto valem essas "políticas agrárias" que favorecem os latifúndios?

Por outro lado, Serra nunca demonstrou talento pela preservação ambiental. Suas obras são de concreto: estradas, escolas, edificações, crédito agrícola aos grandes fazendeiros do estado de São Paulo, principalmente em favor das "plantations" de cana de açúcar e soja, verdadeiras "panacéias" no imaginário de nossos políticos e empresários. Se sua obra foi correta sob o ponto de vista econômico-financeiro, já suas conseqüências não podem ser tão bem avaliadas. São Paulo é, sem dúvida, um estado privilegiado, que sobreviveu às ambições políticas de Ademar de Barros, Paulo Maluf e outros políticos de idoneidade (no mínimo) duvidosa. Mas as áreas verdes desse pequeno grande território já não podem dizer o mesmo, uma vez que a Mata Atlântica se encontra cada vez mais ameaçada e restrita a poucas manchas nas proximidades litorâneas e em algumas encostas da Mantiqueira.

Resta-nos Marina Silva, a candidata do Partido Verde. Marina possui uma biografia impecável e edificante. Nascida seringueira, lutou contra as possibilidades estatísticas e venceu, tornando-se conhecida mundialmente por sua luta em defesa do meio ambiente, e sendo considerada uma das poucas celebridades mundiais que poderiam fazer a diferença na luta pela sobrevivência dos principais ecossistemas de nosso planeta. Marina Silva é uma personalidade cativante pela sua lucidez e brilhantismo em defesa de suas idéias. Mas, infelizmente, a mídia nacional a ignora. A razão é óbvia, pois os grandes veículos da imprensa brasileira sobrevivem graças ao poder econômico dos grandes grupos nacionais, que veiculam suas propagandas na mídia impressa e televisiva, para os quais não seria conveniente uma ativista ambiental no poder.

Esse mesmo raciocínio tem feito fracassar todas as iniciativas de luta contra o aquecimento global e a destruição sistemática do meio ambiente. Por enquanto, ficou apenas o discurso fácil dos políticos, sem resultados concretos. A maior evidência desse fracasso preservacionista é o uso abusivo da expressão "SUSTENTABILIDADE". Políticas sustentáveis, programas econômicos sustentáveis, obras de engenharia sustentáveis, edifícios inteligentes... o modismo desses termos esconde a verdadeira intenção de dispersar a opinião pública da terrível devastação de nosso planeta! A cada dia, milhares de espécies animais e vegetais desaparecem definitivamente da Natureza; a Floresta Amazônica segue sendo destruída sob o falso pretexto da "redução" do desmatamento; os desastres ecológicos mostram-se cada vez mais agressivos à Natureza, assim como os fenômenos "naturais".

Pois este é o momento de decisão em que podemos defender nossas idéias e intenções. O voto é um instrumento poderoso, que poderia reverter esse quadro desolador, caso houvesse consciência ecológica em nossa Nação. Mas não existe; o voto é obrigatório, inclui os analfabetos absolutos e funcionais, não se observam campanhas conscientizadoras por parte dos partidos políticos, que repetem as mesmas fórmulas imorais de prometer o que não podem cumprir. E os políticos que se apresentam ao voto popular são os mesmos: mesmas caras, mesmas idéias, mesmos interesses pessoais, mesmas intenções de enriquecimento ilícito!

Aos poucos que ainda perseveram na luta pela decência, pela moralidade ideológica, pela defesa de princípios éticos, resta o consolo de manifestar suas posições políticas e incitar o povo a votar CONSCIENTEMENTE. Eu aqui o faço, convidando-os a avaliar as intenções ocultas nas palavras fáceis dos políticos: escolham bem os seus políticos, pois serão os nossos filhos os herdeiros dessa Terra.

domingo, 2 de maio de 2010

Marina Silva: um ser iluminado

Já esperávamos ansiosos, há quase duas horas, nos corredores e nas rodas de discussão, quando Marina Silva se desvencilhou dos repórteres e dos membros da executiva do partido e seguiu para o Salão Nobre da Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto. Aquela delicada criatura quase desaparecia na multidão, rodeada de políticos, jornalistas, fotógrafos, admiradores e insistentes pedidos de autógrafos.

Formada a mesa, seguiram-se os discursos de Fábio Feldmann e Ricardo Young, respectivamente candidatos ao Governo e Senador da República por São Paulo. Finalmente, aquela que todos esperávamos: Marina Silva! No começo, as citações de praxe, mencionando as presenças de políticos... e então, eis que ela aparece em toda a sua aura de sabedoria, delicadeza, generosidade, elegância, humildade e inteligência! Marina encantou a todos discursando durante quase uma hora, falando de improviso, sem consultar uma anotação sequer!

Suas palavras foram entremeadas de aplausos, não aqueles ensaiados pela claque política, mas aplausos verdadeiros, entusiásticos, emocionados, encantados com a sua coerência e fluidez. Não falou apenas da preservação ambiental, mas discorreu sobre as possibilidades de um novo governo que se oferece como alternativa ao plebiscito que PT e PSDB tentam impor ao eleitorado. Havia em suas palavras uma certeza de que a disputa apenas começara, que os números ainda não conseguem traduzir em estatísticas confiáveis.

Por detrás de seus 12% do eleitorado existe uma imensa possibilidade de mudança de opiniões! Afinal, poucos a conhecem, e talvez esses números apenas indiquem o percentual dos brasileiros que estão efetivamente comprometidos em reverter o quadro de devastação ambiental deixado pelos antecessores: políticos, industriais, comerciantes, agricultores e pecuaristas que praticaram a política da terra arrasada, acreditando que os recursos naturais são ilimitados e renováveis, mesmo diante de tamanha destruição.

Com o acirramento das campanhas, com os debates públicos ao vivo, com a presença marcante dessa mulher fantástica, esses números certamente crescerão, assim como aconteceu com Lula depois de tantas derrotas eleitorais. Um povo que elegeu um sociólogo e um operário poderá, certamente, quebrar outro paradigma e eleger uma mulher tipicamente brasileira, misto de negra, indígena e branca, nascida e criada na pobreza e nos confins da maior floresta do mundo, educada na luta contra o preconceito racial e social, e admirada mundialmente como uma das mais importantes personalidades que poderão influenciar favoravelmente nosso planeta na luta pela preservação do meio ambiente e por um desenvolvimento sustentável. Se o mundo aos poucos desperta para a gravidade da situação, o Brasil também haverá de fazê-lo, sob pena de perder, uma vez mais, as oportunidades que se lhe oferecem de liderança global.

Disse Marina, com propriedade e justiça, que as conquistas de seus antecessores credenciam-na a partir para uma nova etapa no processo evolutivo de nosso povo: conduzir nosso país na liderança das ações solidárias, com responsabilidade social e compromisso ambiental, assegurando às futuras gerações as mesmas possibilidades que hoje temos de acesso aos recursos naturais renováveis. Ainda é possível reverter as terríveis ações que devastaram nossos ecossistemas: Cerrado, Matas Tropicais, Florestas Equatoriais, Recursos Hídricos de superfície e do subsolo, Plataforma Marítima, Cavernas, Montanhas, Caatinga... os mais ricos e diversificados ambientes naturais do mundo!

Com todo respeito à história de seus adversários políticos, Marina Silva se mostra como a personalidade mais preparada para conduzir esse novo processo, dando ênfase às prioridades sociais e às conquistas já consolidadas, mas com uma nova visão dos compromissos de nossa Nação com o futuro de sua gente. Se foram importantes e vitais o controle da economia e a distribuição, ainda que modesta, da renda, agora é o momento do gigantesco salto qualitativo do domínio dos espaços naturais preservados, sem perda da capacidade produtiva, apoiados no desenvolvimento tecnológico e na redução dos desperdícios.

Mesmo falando para uma platéia de correligionários políticos, Marina Silva manteve a sua elegância e serenidade, evitando qualquer crítica aos erros de seus antecessores. Sabemos que foram muitos esses erros, assim como muitos também foram os seus acertos; porém, um dos grandes méritos da democracia é a alternância ideológica no poder. Se os intelectuais tiveram seus oito anos no poder com Fernando Henrique, e a classe trabalhadora teve também seus oito anos no poder com Luiz Inácio, agora é a vez dos ambientalistas, daqueles que defendem um desenvolvimento sustentável na boa acepção dessa expressão, tão desgastada pela mídia e pelos interesses dos grandes produtores agro-industriais.

Saímos da palestra com a certeza de que Marina Silva não é apenas admirada internacionalmente pela sua lucidez e inteligência, mas também é a melhor candidata à Presidência do Brasil nas próximas eleições! Não fossem o poder da máquina estatal em favor dos candidatos concorrentes, as alianças políticas oportunistas dos partidos nanicos e os interesses econômicos que tendem a favorecer aqueles que já estão no poder, e Marina Silva não teria concorrentes capazes de alcançá-la na corrida presidencial. Ainda assim, ao revés de todas as expectativas, a dimensão ética, intelectual e cívica de Marina Silva é tamanha que nos dá a certeza de que essa disputa está muito longe de ser definida, e dependerá apenas da convicção daqueles que a conhecem e admiram!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Marina Silva em Ribeirão Preto!

Neste sábado, dia 1º de maio, dia do Trabalhador, às 10:00 horas da manhã, nossa candidata à Presidência da República estará em nossa cidade, na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto! Vamos prestigiá-la e mostrar a força dos Ambientalistas nas próximas eleições de 2.010!
Enquanto ações políticas eleitoreiras destróem nosso meio ambiente nos extertores do governo Lula, com obras faraônicas (Transposição do rio São Francisco: 6,6 bilhões de reais; Hidrelétrica de Belo Monte: 29 bilhões de reais!) que, certamente, comprometerão o orçamento do próximo governante, tanto o PT quanto o PSDB já se consideram vitoriosos nas próximas eleições.

Não podemos nos omitir! Precisamos mostrar que existe uma terceira via, mais inteligente, mais humana, mais justa e solidária, que não favoreça as motosserras da raivosa bancada ruralista, mas dê dignidade ao pequeno trabalhador rural, à agricultura familiar, às plantações orgânicas, ao tradicional plantio dos vazanteiros, às culturas de nossos povos tradicionais, caboclos, indígenas e quilombolas, que representam 90% de toda a população rural brasileira.

O grande agricultor, o grande pecuarista, esses não conhecem a realidade dos campos, exceto para impor sua força e prepotência aos pequenos lavradores. Governam seus latifúndios de longe, de seus apartamentos luxuosos, de suas mansões, das capitais dos estados. Presenciei a violência e a truculência desses senhores que se consideram os donos do Brasil, soltando seu gado sobre as pequenas plantações de comunidades quilombolas no oeste bahiano. É cruel e desumano!

Companheiros ambientalistas: vamos apoiar nossa candidata Marina Silva e mostrar a força de um pequeno partido repleto de grandes idéias inovadoras! Esse é o momento da virada, o ponto de inflexão da curva na preferência dos eleitores, enquanto os marketeiros ainda não colocaram seus clientes nos cartazes, nem nas telinhas da TV. Cada membro do Partido Verde pode trazer muitos eleitores e convencê-los de que os grandes partidos já demonstraram a que vieram. Chega de escândalos financeiros, chega de propinas e de mensalões! Agora é a nossa vez!

Sábado, dia 1º de maio, dia do Trabalhador, às 10:00 horas da manhã, nossa candidata à Presidência da República, MARINA SILVA, estará em nossa cidade, na Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto! COMPAREÇA E MOSTRE SUA CONVICÇÃO POLÍTICA E IDEOLÓGICA!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Aldo Rebelo, o novo integrante da Bancada Ruralista

 Aldo Rebelo - quem diria? - aderiu ao discurso do Agronegócio e da raivosa bancada ruralista! Pois é... quem assistiu ao programa do PCdoB ouviu, com todas as palavras, esse antigo membro do Partidão entregar o ouro e a dignidade em defesa daqueles que desmatam e destróem nossa Natureza!

Até mesmo o discurso de Blairo Maggi, ex-governador de Mato Grosso e maior plantador de soja de nosso país, Aldo Rebelo agora reverencia. Ele não sabe a diferença entre áreas de florestas, onde a lei é clara e exige que 80% das terras sejam preservadas, e áreas já ocupadas, que a legislação tolerante admite que 80% seja devastada, sem mesmo um estudo de impacto ambiental. Agora, como relator, quer mudar o código florestal brasileiro e acabar com o que resta de nossas florestas.

Chama o Greenpeace de ONG holandesa, em completa ignorância de que essa organização é internacional, não tem uma pátria, e luta ardorosamente, até sob o risco de vida de seus ativistas, para defender o que restou de vida em nosso combalido planeta! Diz o parlamentar que sua comissão "ouviu" mais de 300 pessoas para propor a transformação do código florestal em mais um aliado da motosserra. O que são 300 pessoas em um universo de 200 milhões? Quantas dessas pessoas ouvidas têm a competência e a dignidade de falar pelos ambientalistas?

Diz ele que ouviu a Embrapa, empresa brasileira que se dedica, com competência, ao desenvolvimento de tecnologias agropecuárias, mas que não tem nenhum compromisso com a preservação do meio ambiente. Se Luiz Inácio e Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, nada fizeram de concreto para salvar nossos ecossistemas, o que esperar de um deputado que mal conhece o Brasil Silvestre?

Senhor Aldo Rebelo, alguma vez o senhor se embrenhou na mata, conviveu nas comunidades indígenas e quilombolas, dormiu nas barracas de lona preta dos sem-terra? Alguma vez o senhor percorreu os rios, as matas, as montanhas de nosso país para poder falar em nome dos nossos irmãos empobrecidos e explorados pelo agro-negócio? Por acaso o senhor conhece os impactos sócio-ambientais da Transposição ou da Hidrelétrica de Belo Monte? Certamente, não!

Não fale, portanto, senhor Aldo Rebelo, em nome do que não conhece! O senhor sabe dos crimes ambientais praticados pelas nossas grandes indústrias mineradoras, como a White Martins e a Votorantim? Sabe que, em fevereiro de 2004, em Três Marias, a fábrica de Manganês da Votorantim derramou toneladas de dejetos e produtos químicos usados na extração desse metal dentro do rio São Francisco, deixando os pescadores sem seu sustento durante meses com a mortandade de milhões de peixes? Sabe que até hoje, seis anos depois, o rio não se recuperou dessa matança e a lagoa de dejetos continua lá, à beira da BR 040, esperando uma nova enchente para ser derramada de novo na calha do rio? Pois, é, senhor deputado, estude mais e ouça os que sabem antes de tentar mexer na legislação ambiental.

O senhor sabe qual o potencial energético necessário para acionar os tanques eletrolíticos das indústrias de extração de alumínio do senhor Antônio Ermírio de Moraes? Sabe das centenas de pequenas centrais hidrelétricas que estão sendo construídas sem licitação pelo Brasil afora, destruindo o pouco que resta de nossas matas ciliares? Apenas na região de Cocos, no oeste Bahiano, entre os rios Corrente e Carinhanha, são 49 (pasmem! quarenta e nove!) PCH's que irão destruir quatro afluentes do São Francisco, além de desalojar centenas de famílias de seus lares tradicionais!

O senhor deputado sabe que, para a construção do imenso Lago de Sobradinho, em plena ditadura militar, 72.000 famílias foram desalojadas, perderam sua história e suas tradições e foram despachadas como gado para diversos outros lugares para viver miseravelmente?

Deputado Aldo Rebelo, antes de legislar, aprenda alguma coisa sobre o meio ambiente para não cometer a estupidez de falar em nome de quem não conhece. Milhares de indígenas, nossos povos tradicionais, estão sendo alijados de seus locais de origem, que ocuparam por centenas de anos, para dar passagem às águas da Transposição, que não abastecerão suas casas, suas propriedades, mas sim os rios e reservatórios de outras bacias hidrográficas do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte.

Enquanto isso, os indígenas e os pequenos agricultores passam fome a menos de três quilômetros do rio São Francisco; enquanto isso, muitos bairros de Cabrobó, de Orocó, de Santa Maria da Boa Vista e de Petrolina depndem da famosa "indústria da seca", sendo abastecidos de água pelos carros-pipa, controlados por políticos regionais!

O Nordeste tem armazenadas mais de 50 bilhões de metros cúbicos de água em seus reservatórios, açudes, cacimbas... enquanto isso, mais de 7 bilhões de reais serão gastos em uma obra que não abastecerá um único rincão do sertão nordestino pela Transposição. Toda essa água será destinada aos grandes centros urbanos e aos grandes empreendimentos do agro-negócio, cada vez mais próspero no meio da miséria nordestina!

Por isso, senhor deputado Aldo Rebelo, não seja hipócrita! Deixe nossa legislação ambiental em paz, e que os verdadeiros especialistas façam sua atualização, sem prejudicar ainda mais a Natureza. Nós, os ambientalistas, agradeceremos sua omissão e ausência!

sábado, 17 de abril de 2010

As obras faraônicas do governo LULA

Depois de sete anos fazendo aquilo que se espera de um estadista, LULA, em seus últimos momentos de Glória, decidiu, como um verdadeiro IMPERADOR, assumir a paternidade de obras que, pelo seu caráter polêmico e pelo gigantismo dos investimentos, não deveriam ser iniciadas ao final de um período governamental. Afinal, depois de iniciadas, o ônus da interrupção cairá sobre o próximo governante.

A primeira dessas obras faraônicas foi a Transposição das águas do rio São Francisco. Apesar de todas opiniões de especialistas não recomendando o início das obras, apesar de toda oposição dos movimentos sociais denunciando os impactos dessas obras sobre as comunidades tradicionais de indígenas e quilombolas, LULA "contratou" os serviços do Exército Brasileiro, desviando-o de suas atribuições constitucionais, para conseguir, pela força, o que não conseguiu pela fraca argumentação de seus defensores.

Agora LULA ataca novamente, desta vez na destruição da Amazônia, e justamente no estado campeão de desmatamento, o Pará, e em um dos rios mais preservados da região, o Xingu, em cujas margens habitam centenas de comunidades indígenas, para a construção de uma das maiores hidrelétricas do mundo, a Usina de Belo Monte.

As características dessa obra gigantesca, que custará mais de 30 bilhões de reais aos cofres públicos, são semelhantes àquelas encontradas na construção da hidrelétrica de Sobradinho, no São Francisco, nos tristes anos da Ditadura Militar onde, provavelmente, LULA encontra os modelos de autoritarismo que vêm justificar sua loucura empreendedora.

Sobradinho é o segundo maior lago artificial do mundo, responsável por um volume de 34 bilhões de metros cúbicos de água armazenada. Essa represa foi a responsável por desalojar 72 mil famílias de sua terra natal, levados à força para outras regiões; também causou um dos maiores desastres ecológicos em rios brasileiros, eliminando todas as espécies migratórias a sua jusante, impossibilitados de desovar nos movimentos de piracema interrompidos pela gigantesca barragem de concreto.

Belo Monte fará pior: invadirá regiões intocadas da floresta, bloqueará a migração de peixes, reduzirá drasticamente a mecânica natural do rio, de enchentes e vazantes, que abastecem suas margens dos nutrientes necessários à preservação das matas ciliares, e desalojará as populações indígenas de seus territórios, a despeito dos protestos.

Assim como no projeto de Transposição do Rio São Francisco, as populações afetadas não foram ouvidas, e o processo de tramitação das licenças ambientais foi atropelado sob a justificativa eleitoreira dos pretensos benefícios sociais desses projetos.

Mesmo com a argumentação dos maiores especialistas em hidrologia e dos ambientalistas, o governo LULA mostrou-se insensível aos apelos e impôs seu caráter autoritário, tripudiando da sociedade brasileira.

Agora, só nos resta esperar que o povo brasileiro saiba escolher seus governantes e que o presidente eleito interrompa essas obras, mesmo com os inevitáveis prejuízos dessas ações irresponsáveis do governo petista.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Os sinais da tragédia

Nos últimos tempos diversos acontecimentos nos sinalizam que alguma coisa mudou drasticamente em nosso planeta; primeiro foi o tsunami que dizimou 250 mil pessoas nas Filipinas; depois a sucessão de vulcões, tornados, furacões, terremotos e enchentes.

Alguns poderiam afirmar que foram apenas lamentáveis coincidências, mas as evidências do agravamento dos sintomas de uma tragédia de enormes proporções nos alertam de que não se trata do acaso, mas das conseqüências das atitudes irresponsáveis do homem com relação à Natureza.

A cada dia constatamos que as autoridades se esquecem dos alertas de cientistas de que existe, de fato, uma situação de agravamento dos efeitos danosos sobre o meio ambiente. As fotografias de satélites mostram o avanço das queimadas sobre a Amazônia em toda a extensão das estradas que margeiam a floresta, principalmente no estado do Pará.

Nas regiões polares e nos glaciares imensos blocos de gelo se desprendem e flutuam pelos oceanos, ameaçando alterar a temperatura das águas e comprometer a vida marinha, nossa última fronteira alimentar. As áreas de desertificação avançam em diversos pontos do globo terrestre.

O que estamos esperando? Que esses sintomas se transformem em fatos irreversíveis? Não é apenas o cinema que nos remete às conseqüências do desastre que está por vir; é a razão, o bom-senso, a obviedade dos fatos, ocupando cada vez mais os espaços dos noticiários. Nos últimos 12 meses mais de 200 mil pessoas morreram em decorrência desses desastres "naturais"! Seria coincidência?

É evidente que a população humana também atingiu seus limites de sobrevivência, e isso se soma às demais causas da tragédia que está por vir. E o que fazem nossos governantes? Discutem as crises econômicas, os tratados de redução das ogivas nucleares, o terrorismo internacional?

Precisamos observar mais atentamente todos esses problemas em seu conjunto, em suas interações de causa e efeito, e não isoladamente; eles são a verdadeira ameaça à sobrevivência da raça humana. Ainda que milhões sobrevivam à tragédia, os males causados ao planeta serão terríveis e atrasarão em centenas de anos nosso processo evolutivo.

Não reconhecer esses sinais como evidências da tragédia que está por vir é fechar os olhos à responsabilidade de cada um, como vetores do projeto humano sobre a Terra. Somos nós os responsáveis; cada um de nós!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

As tragédias das enchentes e as políticas públicas

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Vemos as tragédias dos desabamentos de morros no Rio de Janeiro e Niterói e nos emocionamos com as mortes, os desabrigados, as famílias desfeitas. Toda a vida ao seu redor parece ter se tornado um caos, e as imagens da desgraça nos agridem, como se tivéssemos culpa pelo ocorrido.

Pois temos, de fato! Deixamos de nos manifestar ao vermos a iminência das catástrofes nas ocupações irregulares das encostas, das vertentes dos morros, populações inteiras à espera das tragédias. É evidente, nas favelas penduradas pelos morros, a probabilidade dos desabamentos.

No entanto, nada fazemos; nem nós, nem as autoridades, que fazem vista grossa à aventura irresponsável de viver à beira da desgraça. E quando acontece, todos choram suas lágrimas de crocodilo, lamentando que seu deus os abandonou, e os que nada tinham, perderam seus parentes, seus pais, seus filhos, amigos, conhecidos, vizinhos...

Não devemos lamentar a tragédia, mas sim a inércia, a omissão, a falta absoluta de compromisso com a vida. Enquanto a TV mostra e explora a imagem de sofrimento e tristeza estampada nos rostos dos sobreviventes, milhares, talvez milhões de outras pessoas aguardam sua vez à beira da desgraça. Enquanto isso, os políticos se manifestam, enaltecendo as qualidades de seus líderes, aproveitando a oportunidade para falar de suas ações futuras para prevenir novas desgraças que, inevitavelmente, ocorrerão.

E a vida continua, pois a sociedade precisa seguir produzindo inutilidades supérfluas que alimentarão o sonho de consumo das minorias privilegiadas. E o lixo continuará entupindo as galerias, preparando o cenário da próxima tragédia. Algumas emissoras até já possuem um acervo de imagens chocantes para ilustrar as reportagens da catástrofe que ainda não aconteceu, mas que está na pauta de todo repórter.

É assim a nossa sociedade. Precisamos dessas tragédias para justificar nossa própria existência. Senão, como comparar a mesmice de nossa própria vida com o terror dos acontecimentos do porvir que, certamente, não nos atingirão? Somos expectadores privilegiados das tragédias alheias. Podemos brincar em nossa "fazendinha" de mentira, servir nosso cafezinho virtual para nossos amigos, divulgar cenas hilárias gravadas em nossa webcam de gatinhos fazendo palhaçadas, enquanto bilhões de pessoas passam fome, morrem de sede, são assassinadas por nossa omissão.

E as políticas públicas? "Ora essa, isso não é problema meu!"
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Uma proposta de desenvolvimento sustentável

Ao contrário do que se pensa e se fala, até com grande animosidade e – por que não? – ódio, a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico não estão, necessariamente, em lados opostos da arena política. Mas é preciso compreender com clareza e sem paixão que, até hoje, o enriquecimento das empresas e dos empresários não trouxe melhoria da qualidade de vida e dignidade humana à população.

É bom lembrar que os que se enriqueceram não são, via de regra, daquela região, não tendo, portanto, compromisso com a terra, seja quanto à sua memória histórica, seja quanto a relações sociais. A população nativa continua pobre e recebendo as migalhas caídas das mesas desses mega-empresários do agronegócio. Basta olhar as estatísticas do IBGE...

Aos mais velhos, como eu, vale recordar “os bons tempos do milagre brasileiro”, década de 70, e seu “maestro”, Delfin Neto, esse mesmo economista que ainda está ativo na política. Naquela época os militares no poder falavam em primeiro “fazer crescer o bolo” para depois reparti-lo com o povo. O “bolo” foi, de fato, repartido entre aqueles que se apoderaram do país e de seus asseclas... o povo, mais uma vez, foi esquecido na miséria, na ignorância e à margem do caminho. Agora o governo distribui suas esmolas a milhões de brasileiros que continuam na miséria mas, graças ao “bolsa família”, ajudam o “outro Brasil” a crescer na onda do consumismo!

Então, qual seria esse “novo modelo de desenvolvimento”? Qual é o milagre?

Não há milagre. Para acabar com a miséria só há um caminho: estabelecer limites para a riqueza pessoal, taxando fortemente a renda acima de patamares éticos, e investir intensivamente na cultura, na educação e no saneamento básico. Acabar com os focos de pobreza extrema significa nada menos que distribuir a riqueza extrema.

Isso basta? Claro que não! Mas é o mais difícil, pois mexer com o dinheiro dos ricos é tarefa para um estadista ficar na História como um grande reformador!

E quando falamos de investir na educação e saneamento básico não nos referimos aos estados ricos do sul e do sudeste, que esses tem condições de fazê-lo sem o paternalismo da União. Queremos nos referir aos verdadeiramente pobres irmãos do nordeste, do norte e do centro-oeste, aqueles brasileiros esquecidos de todos, que vivem à mingua, cercados de riquezas naturais e em processo de destruição.

A educação pública tem melhorado muito nos últimos anos, mas nesses lugares remotos o desnível cultural não tem precedentes! É escandaloso, indecente, imoral!

A outra parte do “milagre” é construir uma Sociedade Solidária, e isto vai muito além da vontade política. O primeiro passo é enxugar o Estado. De novo? Não, porque nunca foi feito. Isso passa por punir rigorosamente a corrupção, o desvio de verbas, o abuso do poder, eliminar a gigantesca rede de favorecimentos de um governo paralelo!

Fácil falar, difícil realizar...

É verdade, mas um novo país não se constrói sem dor. Os partidos políticos são a fonte de corrupção mais evidente, pois quando um está no poder forma-se um núcleo de partidos adesistas, só interessados nas nomeações para cargos de segundo e terceiro escalão, enquanto que outro grupo se organiza na oposição, cujo único propósito é impedir a governabilidade. Ou seja, na realidade, são apenas dois “partidos” políticos: o da situação e o da oposição. O resto é figuração.

O que os políticos chamam de “jogo democrático” tem tudo a ver com jogo, mas nada com a Democracia! Enquanto um bando se digladia na arena política, no seu mais sórdido significado, uma população inteira é massacrada pelo poder econômico!
Acabar com partidos políticos, criar conselhos comunitários não remunerados com os mais sábios, mais idosos e mais idealistas, lideranças naturais que cada comunidade sabe quem são e o que fazem.
Esses, por sua vez, elegeriam seus representantes regionais, que também escolheriam líderes que os representassem, até chegar ao nível nacional. Essa pirâmide de poder seria mais estável e de confiança de seus liderados e ninguém teria assegurado seu poder, exceto por essa relação delegada que, a qualquer instante poderia ser revogada. O “Politburo” dos estados socialistas é concebido e funciona desta maneira.

Então, por que não deu certo?

Porque a corrupção é o Vampiro de todas as sociedades e sangra até matar! Por isso, o inimigo mortal do povo é a corrupção, esse fantasma que ronda todas as sociedades e esfacela suas estruturas mais sólidas, porque age às escondidas, insinua-se como a prostituta, corrói como o ácido, vicia como a heroína, sangra como o vampiro e se fortalece com a omissão dos fracos e com o medo dos covardes...

Em todos os níveis as decisões seriam tomadas em colegiado e, dependendo da gravidade e impacto social, não havendo unanimidade nem consenso, referendadas nos níveis políticos imediatamente inferiores. Isso garantiria a existência de um Estado Democrático de pleno direito e representatividade, embora sem partidos políticos e sem órgãos consumidores de recursos e incompetentes como as Assembléias, Câmaras e Senado, bem como seus respectivos anexos, assessorias e correlatos.

Só nessas instituições, quantos milhares de empregos seriam eliminados? Empregos desnecessários, diga-se de passagem. Basta, para convencer, analisar a produção de um único mandato de senador, deputado ou vereador, em qualquer instância!

Ao invés de ministérios e secretarias, grupos de projetos contratados para gerenciar o planejamento e a execução de obras e entregar o produto resultante a uma empresa responsável por sua operacionalização. Isso ocorreria em todas as instâncias do país. Empresas de planejamento urbano seriam criadas para desenvolver propostas de projetos para cada município, apenas se solicitados pelos conselhos comunitários.

Utopia? Sim, é verdade, uma grande Utopia! Mas o Estado, tal como existe hoje em qualquer lugar do mundo, funciona mal e custa caro; as discussões políticas são intermináveis porque realizadas sob o emblema dos partidos políticos, em uma arena onde apenas um lado pode sair vitorioso e o outro ficará aguardando uma oportunidade de revanche, não importa se os interesses da Nação sejam preteridos ou não.

Conselhos de sábios poderiam ser formados para fundamentar as decisões políticas, enriquecendo os resultados com seu saber, maturidade e conhecimento. As decisões seriam rápidas e efetivas, e como não haveria oposição sistemática, mas consenso, os resultados seriam os melhores concebidos pelos conselhos comunitários.

E a questão original, ambientalistas versus desenvolvimentistas, perderia o sentido pois ambos estariam do mesmo lado, lutando pelos mesmos interesses e ideais, e cada obra, cada ação seria analisada à exaustão antes de se decidir por qualquer dano ou agressão ao meio ambiente; e as ações mitigadoras já estariam tomadas a priori.

Novamente, uma grande utopia e, o melhor: factível! Como migrar desse mundo de agressão para este “Admirável Mundo Novo”?

Desfazendo cada estrutura desse Estado paternalista, criando os conselhos comunitários em seus níveis mais elementares e dando-lhes autoridade de veto às ações políticas em sua esfera de ação, criando um novo estilo de tomada de decisões, estimulando o desenvolvimento de consciência coletiva, remodelando métodos de ensino para que as desigualdades regionais sejam eliminadas no longo prazo...

Uma gigantesca revolução cultural, sem a violência chinesa, mas consensualizada em todas as áreas do conhecimento humano e entre todas as camadas sociais.

A gradativa eliminação das indústrias do mal seria imprescindível, e realizado através da taxação crescente de impostos sobre o consumo de bebidas, cigarros e quaisquer produtos supérfluos. Para isso a indústria deveria ter incentivos para a produção de bens de consumo essenciais, de forma a suprir as necessidades de todos os brasileiros. O desperdício e o consumismo são os pilares do modo de produção capitalista e por isso devem ser extirpados como um câncer da sociedade.

A erradicação das drogas através de ações combinadas entre todas as polícias e as Forças Armadas, assim como a punição exemplar de todos os traficantes e grandes consumidores, banindo-os do convívio social são medidas essenciais e urgentes.

Chame-se a isso Comunismo, Socialismo, Comunitarismo ou Anarquismo... não importa, pois o objetivo maior, quase messiânico, seria a salvação do planeta e, conseqüentemente, da humanidade e de toda vida natural existente na Terra.

Rirão os céticos e os detentores do poder e da riqueza. Mas sorrirão felizes os miseráveis, inebriados pela possibilidade de sua redenção e pelo advento da justiça!

É inadmissível uma sociedade conviver com a luxúria e a pobreza sem fazer nada! Apenas com a eliminação do desperdício já seria possível resgatar bilhões de pessoas da miséria absoluta e lhes assegurar vida decente e honesta...

O outro caminho

Vamos aceitar o mundo como ele é: cruel, imperfeito, injusto, desonesto e consumista. Vamos prosseguir nessa disputa predatória e fratricida entre o bem e o mal, cada qual convicto de estar do lado certo. Vamos deixar que os recursos naturais sejam exauridos da face da Terra, acreditando que nosso tempo aqui se acabará primeiro, mesmo que nada reste de vida para nossos filhos e netos. Vamos eleger outros milagres: a descoberta de outro planeta, intacto, com as mesmas características de nossa Terra, para que a parcela rica e privilegiada da sociedade migre para lá, deixando-nos o mundo devastado; vamos acreditar em um deus que por sua suprema vontade restaure, em um piscar de olhos, tudo o que a humanidade destruiu...

Utopia é fugir da realidade; é a crença de que para todo mal existe um remédio e nada é ou será irreversível, não importa quanto tenhamos feito para destruir...

Desenvolvimento Sustentável – paradoxo possível?


O debate entre “desenvolvimentistas” e “ambientalistas” evidencia as enormes contradições dessas palavras. Existe o “Desenvolvimento Sustentável” ou seria apenas uma quimera, um jogo de marketing que oculta intenções não manifestadas de desviar a atenção dos incautos sobre a devastação incontrolada de nossos recursos naturais?
 
A primeira contradição a ser resolvida é: “os ambientalistas são contrários ao desenvolvimento social, econômico, científico e tecnológico da humanidade?” Certamente que não! No entanto, a evolução não pode se dar mediante a destruição do meio ambiente! Aliás, isso não é necessário. As áreas ditas “produtivas” hoje existentes são grandes o bastante para abastecer toda população do mundo, inclusive em crescimento moderado por muitos anos. Além disso, a evolução tecnológica e o aumento da produtividade assegurariam o ajuste das áreas produtivas ao aumento do consumo, desde que este se dê em níveis toleráveis.

Esta é a segunda questão. O consumismo da sociedade contemporânea não tem precedentes na História! Nunca se consumiu tanto! Nunca se produziu tanto lixo! Hoje é comum, em uma sociedade “desenvolvida”, uma família ter um veículo, um celular e um computador para cada pessoa, dois ou mais televisores e uma imensa lata de lixo! Uma residência de classe média nessas sociedades costuma ter dois ou mais banheiros, com chuveiros de alta potência de consumo de energia. Cada habitante dos grandes centros urbanos produz mais lixo do que consegue consumir de alimentos! Cada veículo transporta apenas um passageiro (o motorista), em percursos de 20 a 50 km por dia, consumindo energia renovável ou não!

A humanidade continua crescendo a taxas superiores a 2,5% ao ano, sendo que esses indicadores são maiores para as sociedades mais pobres e carentes. Ou seja, o mundo não conseguirá vencer a batalha da pobreza, mantidos esses níveis de crescimento. Pior do que isso: a produção não será suficiente, os empregos não serão suficientes, a água potável se tornará escassa até mesmo nos grandes centros desenvolvidos do mundo contemporâneo, daqui a poucos, muito poucos anos! A população do mundo precisa parar de crescer! Diante desse quadro, o que seria “Desenvolvimento Sustentável”?

Em primeiro lugar, nenhuma ação será suficientemente eficaz sem distribuição das riquezas e eliminação dos bolsões de pobreza. A miséria é a célula cancerosa que se espalhará por todo organismo social, matando-o. É imprescindível eliminar a pobreza! O problema é: qual o ser humano RICO que estaria disposto a abrir mão de parte de sua riqueza para mitigar a fome de seu semelhante em troca de nada, simplesmente por compaixão e caridade? Nenhum, certamente!

E se for para salvar sua própria vida?

Sim, salvar a vida, pois a miséria se espalhará pelo mundo na medida em que os espaços cultiváveis forem ocupados, deixando atrás de si terras devastadas. Hoje, o mundo se caracteriza pelo retorno das “plantations”, as enormes áreas de monocultura de soja, de cana de açúcar, de trigo, de eucalipto, de pinus... as imensas pastagens... e as áreas de cerrado se queimando, para se transformar em novas “plantations”, as florestas sendo queimadas, para se transformar em pastagens... um dia todas desaparecerão!

Mas a humanidade continuará a crescer, a consumir desesperada-mente, e a produzir lixo, muito lixo! E as fontes de energia não renováveis se extinguirão; e as novas fontes de energias renováveis consumirão terras que produziam alimentos; e as fontes de água potável se tornarão insuficientes para matar a sede de prováveis 10 bilhões de habitantes; e um exército de sedentos e famintos percorrerá a Terra em busca de saciar suas necessidades, matando e roubando, se for preciso, transformando nosso planeta em um local desprezível, pior até do que as mais trágicas ficções do cinema que costumamos assistir entusiasticamente, até com certo "prazer" mórbido, como se não nos dissesse respeito...

E não mais existirão “ambientalistas”, que desaparecerão junto com a Natureza, consumidos pela ambição desmesurada dos seres humanos, que conquistaram o poder e determinaram a prevalência de seus “valores desenvolvimentistas” e imediatistas, em detrimento da preservação da própria espécie! Mas então não há saída? Claro que existe! E ela é óbvia, como todas as grandes verdades!

O primeiro passo é ter consciência dessas possibilidades catastróficas e não compactuar com elas. É apoiar causas ambientalistas, sem paixão, mas com responsabilidade! Hoje, a maioria das pessoas acredita que "o ambientalista é uma espécie de herói, a quem é dado o poder de salvar a humanidade, sem que cada um precise fazer a sua parte!" Isso é impossível, estúpido, injusto e irracional! Para que haja uma saída são necessários os esforços e o comprometimento dos políticos, dos empresários, dos educadores e do povo!

O que deve ser preservado? Essa é a primeira grande questão! As reservas ecológicas existentes, supondo que sejam preservadas, seriam suficientes para assegurar a preservação das espécies e garantir o futuro da Humanidade? Olhando para a Amazônia, foco de todas as ações atuais, o que ainda pode ser salvo? O Pará está condenado pelas madeireiras, mineradoras, pecuaristas e agro-indústrias, assim como grande parte do Mato Grosso e Rondônia. O Amazonas ainda pode ser salvo, assim como Roraima, Acre e outros estados. Mas é preciso um estudo detalhado daquele ecossistema para entender o que não pode ser destruído sob pena de causar um efeito de sucessivas degradações até a extinção do meio ambiente.

A Natureza é um organismo extremamente frágil e sensível; às vezes, basta eliminar uma fonte de água para acabar com todo ecossistema; veja, por exemplo, o Cerrado. Sua rica e exótica vegetação depende das águas subterrâneas que, por sua vez, dependem do tipo de solo e dos canais nele esculpidos para se locomoverem. Basta cortar um desses caminhos, e o que vem depois será devastado! Portanto, os sistemas hídricos da Terra precisam ser profundamente estudados, compreendidos e considerados nos planos de ocupação humana.

Curiosa é a ação governamental na bacia do São Francisco! Sabendo do estado lastimável em que se encontra o rio devido às intervenções humanas, principalmente na região das nascentes, resolve investir 6,6 bilhões para tirar mais água e distribuir para outras bacias do Nordeste! Não satisfeito, e em resposta às pressões ambientalistas, cria um plano "emergencial" de "revitalização", cujos primeiros investimentos foram para saneamento de esgotos nas localidades da Bahia, próximas às obras de transposição!

Oras, se não se cuidar do rio onde ele é gerado, de que adianta cuidar dos esgotos? As cabeceiras dos rios estão sendo destruídas pelas águas das chuvas devido à queda dos barrancos, uma vez que as matas ciliares foram arrancadas pelos agricultores! É lá que precisa haver investimento! É a terra arrancada dos barrancos e arrastada pela correnteza que causa o assoreamento! É o alargamento do rio que aumenta a evaporação e reduz o volume de águas do rio! É a morte das matas que causa o desaparecimento das espécies da rica fauna da região!

Não é meu propósito escrever um tratado sobre o assunto, mas alertar para o momento crucial que estamos vivendo: nunca a sociedade teve tamanho poder destrutivo, e nunca a população chegou aos níveis críticos em que se encontra. Nunca as fontes de água doce foram tão ameaçadas, seja pelo degelo dos glaciares, seja pela contaminação dos aqüíferos e das águas de superfície, seja pelo uso dessas águas para consumo industrial, seja pelo consumo doméstico sem nenhum controle, seja pelo uso indiscriminado de agrotóxicos pela lavoura!

Enfim, existe o chamado “Desenvolvimento Sustentável”? Ele é possível? Sim e não; depende do que pretendemos significar com essa expressão. Se nosso propósito é apenas de marketing, para vender “créditos de carbono”, o desenvolvimento sustentável é uma grande mentira que nos conduzirá mais rapidamente para o fim! No entanto, se houver sinceridade de propósitos, se houver determinação da comunidade internacional até para impor aos governos dos países uma atitude responsável perante os tesouros da Natureza e de sua preservação, então será possível alcançarmos juntos o desenvolvimento sustentável, desde que associado a uma política socializante e humanitária!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Cosmogonia Yanomami

É preciso compreender a visão Yanomami de seu próprio Universo e de como os "homens brancos" entraram em seu mundo e destruíram seus valores! Só assim poderemos julgar nossas próprias ações...

Leiam: Cosmogonia Yanomami
(um depoimento contundente de Davi Kopenawa Yanomami)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Vamos falar de Meio Ambiente?

Difícil restringir nosso debate às questões puramente ambientais. Mas vamos tentar... quem se habilita?
No Brasil, quando falamos em meio ambiente todos se lembram da Amazônia! Não é para menos... é a maior floresta tropical do planeta! E está sendo destruída sob os olhos do Governo Federal, do Ministro do Meio Ambiente, das Forças Armadas... sim, é uma questão de Segurança Nacional, como diziam os ditadores de plantão nos idos de 64...

Mas nos esquecemos do Cerrado, fonte de geração de água para todos os ecossistemas do Brasil, e que está em fase terminal de degradação, desde que o Governo Federal definiu essa área como prioritária para os projetos de monocultura do Agronegócio... milhões de hectares sendo destruídos, transformados em pomar de mamão e outras frutas tropicais...

A Caatinga, coitadinha, prima pobre de nossas florestas, é tida como lixo, escória das matas planetárias, embora suas espécies vegetais e sua fauna sejam as mais adaptadas para as condições adversas que enfrentam. É conveniente, pois apenas com irrigação essas imensas áreas se tornam férteis e altamente produtivas!

A nossa Mata Atlântica ficou de escanteio... deixada para trás nas prioridades dos projetos do PAC... afinal, está cada vez menor, mais confinada entre as enormes plantações de banana do Vale do Ribeira e o mar... as encostas dos morros parecem um caleidoscópio de manchas de lavouras implantadas pela derrubada da mata, enquanto pequenas centrais hidrelétricas aguardam a vez de serem construídas, com aval do IBAMA, para atender às demandas das imensas indústrias de mineração!

As matas de Araucária estão praticamente extintas... aliás, as listas de espécies em extinção desapareceram do noticiário mundial... por que será? Teríamos atingido níveis tão alarmantes que já não vale a pena lutar por elas? Falava-se do mico leão dourado, da ararinha azul, das baleias e tubarões, dos botos cor-de-rosa, do peixe-boi... tantas espécies...

Pois é assim que tratamos de nossos elementos primais! Com o desprezo de quem tem alternativas mais interessantes para substituí-los! Será a cana de açúcar? a soja? as pastagens de gado Nelore? No futuro, nem zoológicos terão a lembrança de nossos belíssimos ecossistemas... eles terão se transformado em pastos e imensas plantações! Que beleza!

Senhores candidatos a todos os milhares de cargos eletivos desse país: o que vossas excelências têm a dizer a esse respeito?

"... Nosso céu tem mais estrelas, nossos campos tem mais flores, nossos bosques tem mais vida, nossas vidas mais amores ..."?

Política Ambiental e Eleições

Estamos às vésperas das eleições majoritárias no Brasil e alguns candidatos já se movimentam no tabuleiro de xadrez das campanhas, manifestando suas posições ideológicas e seus compromissos preliminares com os diferentes segmentos sociais que se beneficiarão dos acordos que agora serão alinhavados. Infelizmente, os interesses de grupos poderosos sempre prevalecem sobre os interesses da Nação. Por isso, as propostas dos candidatos deveriam ser um fator importante de decisão para o eleitor consciente.

Na verdade, não é assim que funciona o jogo eleitoral e as disputas pelo poder. Quem determinará os caminhos a serem percorridos pelo nosso país a partir de 2011 serão os poderosos conglomerados econômicos, sejam eles do Agronegócio, sejam das Indústrias de Base e até mesmo de setores da sociedade que souberam articular sua ação para poder influenciar nesse jogo nada democrático pelo Poder.

Nós, ambientalistas, temos o "nosso partido Verde", que deveria cuidar do futuro da Humanidade, não como uma disputa pelo poder, mas como luta pela sobrevivência, uma vez que os efeitos das agressões ao meio ambiente se fazem notar em todo o globo terrestre, pelas conseqüências do "efeito estufa" e pela degradação de nossos ecossistemas e santuários ecológicos, cada vez menores, ilhas de refúgio da vida selvagem de nosso planeta.

O que eu defendo são princípios, e não sei qual candidato terá a coragem e a ousadia de assumi-los, diante das pressões econômicas da Bancada Ruralista, retrógrada, arrogante e belicista. Prova disso é a própria impresa, que se diz livre, mas elege Blairo Maggi, governador de Mato Grosso e magnata da Soja, personalidade emérita desse país! Como assim? Mato Grasso, nos últimos anos, foi campeã de desmatamento e destruição da Amazônia, dos Cerrados e das áreas preservadas das comunidades indígenas!

Pensem, meus caros leitores! Pensem que por trás da mídia grandes interesses se escondem! Como é possível uma imprensa livre que depende da publicidade dos poderosos para sobreviver? Qual princípio ético sobrevive à dependência econômica?

Não existe isso! Nenhum candidato passsará po essa prova de conceitos Éticos, Políticos, Sociais e Ideológicos... a Ideologia morreu com o Comunismo Soviético! A Ética morreu com o PT do Mensalão! O Socialismo morreu com o engajamento das religiões nos interesses econômicos (vejam a Igreja Universal e a propria Igreja Católica!), a Política morreu com Collor, Maluf, Renan, Sarney e LULA!!!!!

Não vamos nos iludir! Lula foi o maior presidente de nossa Nação, inquestionavelmente, mas pagou um preço insustentável por isso: vendeu sua alma ao Agronegócio! Tentou, junto com seu partido, se perpetuar no poder! Subiu em sua cabeça a ambição e a glória, exatamente as forças que corrompem e matam os Estadistas... Seria Dilma a sucessora ideal de Lula? Certamente, não! E José Serra, ex-militante político, ex-presidente da UNE, ex-... apenas ex!

Não há Comunismo, Capitalismo ou Imperialismo que resista!
Minha campanha é pelo NÃO VOTE CONSCIENTEMENTE! Proteste, como fizemos em 1974! É preciso e urgente que as estruturas de poder sejam aniquiladas em nosso país! Vote nulo! Viaje! Diga NÃO a essa pouca-vergonha do Congresso Nacional! NÃO!!! CHEGA!!! BASTA!!!

domingo, 3 de janeiro de 2010

A Propaganda Eleitoral no Brasil

Ano eleitoral e a propaganda já corre solta há meses! Dilma, Marina e José se encontraram em Kopenhagen diante de um público de elite, preocupado com propostas ambientais e não com nossa política doméstica; principalmente quando os interlocutores (Roussef e Serra) nada entendiam de ambientalismo!

Mas o problema, para nós brasileiros, é ver desfilarem, descaradamente na TV, as caras daqueles políticos que gostaríamos de ver banidos para sempre do cenário nacional: Collor, Sarney, Renan & Cia... as propostas são sempre as mesmas; os discursos parecem zombar de nossa estupidez, esses mesmos sujeitos apregoando a moralidade pública, como se não fizessem parte da máfia que conduz os debates mais torpes no Congresso Nacional!

Quem imagina que "agora será diferente" é, de fato, merecedor desses discursos demagógicos e desprovidos de conteúdo! Nenhum candidato se prepara, intelectualmente, para assumir um cargo público, seja legislativo ou executivo. Chegam e se aboletam nos seus assentos, aproximando-se das inúmeras comissões que passam os dias, monótonos e enfadados, discutindo cargos, favores, verbas e... propinas!

Os anos passam e tudo continua igual! Por que?

Já abordei esse assunto antes, mas creio ser necessário repeti-lo à exaustão, até que outras vozes de formadores de opinião se unam a nós e nos ajudem a "retomar a Bastilha"! Sim, porque somente uma rebelião ideológica poderá desmontar esse poder corrupto, viciado e caquético de Brasília!

O tema é "Sistemas de Governo"! Junto a ele, a educação política de um povo... e também o fim do voto obrigatório, a exigência de nível intelectual condizente com a responsabilidade administrativa... e ainda a seleção prévia de candidatos baseada em competências, como o fazem as empresas privadas e até mesmo as públicas em seus concursos... e por que não os prefeitos, vereadores, deputados, governadores, senadores e o presidente da república? Sim, a responsabilidade desses cargos é maior que a dos funcionários das empresas!

E também atestados de idoneidade moral... e uma legislação punitiva rigorosa e eficaz, que não permita que um corrupto volte ao poder... NUNCA MAIS! Pois os atletas que usam drogas não são banidos do esporte? E os criminosos recorrentes não deveriam ser banidos do convívio social? Assim deve ser!

Em quem cada um de nós irá votar? Talvez não tenha a menor importância, nesse atual sistema de governo onde a maioria do povo é analfabeta, plena ou funcional, onde o peso de um intelectual nas eleições é igual ao peso de um alienado qualquer que nem sabe as atribuições desses políticos que ajudou a eleger!

Certamente me chamarão de elitista, e eu sou, de fato! Não fosse assim, e poderíamos admitir que qualquer funcionário de qualquer empresa poderia exercer qualquer cargo, o que não é verdadeiro; assim como não podemos exercer as profissões regulamentadas sem adquirirmos o direito de fazê-lo através do estudo e da conquista de um diploma! Deveria haver uma Escola Superior de Política, que habilitasse profissionais a exercerem seus mandatos com, no mínimo, competência! A Ética seria disciplina obrigatória!

Quais são, hoje, os argumentos mais usados para convencimento da opção de voto? Ser da mesma igreja é um bom motivo, principalmente se for um evangélico pentecostal! Torcer para o mesmo time, prometer casas e empregos para todos, jurar fidelidade a princípios morais, mesmo tendo a maior ficha corrida na polícia, assegurar água em todo o sertão do semi-árido nordestino, oferecer empregos públicos (veladamente)...

E os programas partidários, alguém conhece? Nem mesmo aqueles que se filiaram a partidos políticos sabem o contrato que assinaram em branco! É bom lembrar o programa do PDS, partido que sucedeu à ARENA durante a ditadura militar: nem mesmo o PMDB, que era a oposição possível naquela época, o saco de gatos que acomodava todas as tendências políticas (UÉ, não é o mesmo de agora?), nem mesmo ele tinha um programa social tão avançado, tão nacionalista, tão nazista como o do PDS!

Então, o que nos resta fazer nas eleições? Votar consciente, diriam todos os puristas da Democracia, mesmo sabendo que existem várias "democracias" no Capitalismo: aquela dos ungidos do poder, aquelas dos ricos que não querem o poder, mas apenas usufruir dele, a democracia dos intelectuais, que nunca saiu do papel, e a democracia dos pobres, a do "vinde a nós o vosso reino"... (o reino fica com os poderosos, é claro!)
Mas então, só nos resta protestar e anular nossos votos, não é mesmo? Sim, desde que protestar signifique nunca se calar, nunca se omitir, manifestar-se sempre e não ter receio de se comprometer com suas próprias idéias, sua própria ideologia!

Afinal, de que adianta pensar, se não colocamos em prática nossas convicções?