quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Equilíbrio instável - Tendências para o segundo turno

Para quem observa atentamente os gráficos de evolução das intenções de voto, o que se pode constatar, de imediato, é a relativa estabilidade de Dilma Rousseff que, desde junho oscila entre 38% e 36%, exceto no momento de ingresso de MARINA SILVA na disputa direta. Aécio Neves foi quem mais sofreu com o impacto da nova concorrente, chegando a cair oito pontos percentuais nas duas primeiras pesquisas do mês de setembro, e retornando agora ao seu patamar original, próximo dos 20% das intenções de voto.

O que isso poderia significar? Que cada candidato tem seu próprio patamar de estabilidade: Dilma, em 37%, Aécio em 19% e Marina em 31% (embora, em seu caso, a série histórica seja menor). No meu entendimento, não adianta fazer simulações de segundo turno no momento atual, pela simples razão de que as regras da disputa serão diferentes, deixando as duas competidoras em igualdade de condições, e eliminando o absurdo desequilíbrio de tempos de exposição à mídia existente agora.

Com o mesmo tempo de exposição nos horários eleitorais obrigatórios, e os debates diretos na televisão, além da concentração das disputas apenas para os cargos executivos, ou seja, para presidente da república e para governadores, o eleitorado terá uma nova realidade, bastante diferente da atual, em que Dilma é privilegiada pelo seu cargo e pelo poder da máquina estatal, além de ter dez vezes mais tempo de TV nos horários políticos obrigatórios. Eliminando-se estes privilégios, a força de argumentação de MARINA SILVA e a fragilidade dos discursos de sua opositora trarão novos eleitores indecisos para desequilibrar o jogo político em favor da candidata do PSB, MARINA SILVA.

E ainda existem cerca de 15% de eleitores sem opinião própria, ou seja, que votariam em branco, anulariam seu voto ou nem mesmo sabem o que fazer diante das urnas. Admitindo-se que a média histórica de brancos e nulos gira em torno de 10%, podemos estimar que 5% dos eleitores decidirão, na última hora, em quem votar. Certamente, esses votos tenderão a ser conquistados pelo candidato que estiver em melhor posição nas últimas pesquisas, reforçando a diferença que o separa de seu concorrente. Essa é a tendência.

Outro dado importante a se observar é a natural transferência de votos entre Aécio Neves e Marina Silva na última simulação de segundo turno: ambos colocam Dilma com um percentual de 43% ou 44%, enquanto Aécio cresce quatro pontos percentuais e se aproxima de Marina Silva. Esse dado curioso é fundamental para se analisar a real tendência do eleitorado em não transferir votos para Dilma, não importa qual seja seu oponente no segundo turno! Observem que na disputa direta, Dilma sobe 4 pontos percentuais do primeiro para o segundo turno, enquanto MARINA SILVA sobe TREZE pontos percentuais!

O que hoje parece igual, indiferenciado pelos eleitores, como é o caso da manipulação de palavras e a desonestidade dos marqueteiros palacianos, se tornará mais claro e compreensível para os eleitores, a partir do segundo turno. Exemplo disso é a imbecilidade de acreditar que 70% dos eleitores querem mudanças na política e, no entanto, muitos deles votarão em Dilma, que significa, justamente, a permanência, a imutabilidade da situação atual.

Esse jogo de palavras será desmascarado por MARINA SILVA quando ela tiver igualdade de condições com sua oponente, que é adestrada pelos seus marqueteiros, produzindo tamanhas asneiras que só mesmo um idiota não seria capaz de perceber, como é o caso de afirmar que a autonomia do Banco Central retiraria o poder da presidência de administrar a Economia, os gastos públicos e o desemprego! Não faz o menor sentido! O Banco Central independente não pode reduzir gastos públicos, assim como não tem competência para reduzir ou aumentar o desemprego! São as políticas públicas, manifestadas pelas estratégias governamentais, que determinam o endividamento interno e externo, os investimentos e o controle de gastos públicos! Cabe ao Banco Central o controle da inflação através de suas políticas monetárias.

Se o governo petista nos levou de volta à inflação elevada e à estagnação da Economia, foi porque não controlou seus gastos, fez enormes investimentos em obras de discutível importância e questionável eficiência, chegando mesmo a triplicar os custos realizados, em função dos orçamentos originais, como é o caso da inacabada obra da Transposição do Rio São Francisco. Esta obra foi orçada em 3,4 bilhões de reais, um valor extremamente elevado. No entanto, o cronograma das obras foi revisto dezenas de vezes (e não cumprido), e o custo da obra, hoje, já ultrapassa os NOVE bilhões de reais, sem prazo para acabar!

Portanto, as mentiras da campanha do PT serão insustentáveis no segundo turno, possibilitando a MARINA SILVA saltar da situação atual de empate técnico para uma vitória expressiva, até porque os tucanos, derrotados, não terão como apoiar Dilma Rousseff e serão compelidos a dar seu voto a MARINA SILVA, até mesmo por coerência ideológica. Talvez nem seja preciso enfatizar o comprometimento do PT nos incontáveis escândalos financeiros da Petrobrás, já exaustivamente devassados pelos jornais e revistas, assim como desnecessário se faz trazer de volta a culpa de Dilma e de Lula nesses escândalos e no Mensalão, uma vez que todos estamos plenamente conscientes de que o PT ROUBA MAS FAZ, assim como Paulo Maluf!
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