quinta-feira, 12 de agosto de 2010

As virtudes e os pecados

Muito temos falado a respeito de transformações sociais necessárias ao desenvolvimento sustentável. No entanto, antes de reformar o Estado é necessário reformar o Ser Humano. Dizemos isso porque as virtudes e os pecados da sociedade refletem o estágio evolutivo da raça humana sobre a Terra e apenas uma nova forma de encarar a vida permitiria melhorias expressivas e duradouras na qualidade de vida.

Vamos falar de virtudes e pecados. Criticamos nossos políticos porque são desonestos, corruptos, dissimulados, incompetentes e enriquecem graças a práticas ilícitas no exercício dos seus mandatos. São raríssimas as exceções e mais raros ainda os exemplos de virtude em políticos, e a razão evidente dos desvios de comportamento ético é a falsa noção que se tem, em cargos públicos, que o dinheiro que se movimenta nos órgãos governamentais não tem dono. Por isso, usufruir dos "benefícios" do poder não se caracterizaria em crime de lesa-pátria.

O mesmo se dá em nosso comportamento público e privado. Em nossa vida pessoal cuidamos de nossa casa, preservamos nossos espaços, educamos nossos filhos conforme nossa capacidade e nossos princípios. No entanto, é comum vermos pessoas "civilizadas" atirando lixo pela janela de seus carros, xingando outras pessoas por erros no volante de seus veículos, cometendo infrações grosseiras no trânsito sempre que a punição parece impossível. Não nos damos conta de que o mundo é a nossa casa!

Por isso, de nada adiantam as leis coibirem os desvios de conduta se sempre haverá meios de descumpri-las. Nosso país tem leis razoáveis, o que evidencia que, mesmo com políticos incompetentes, o debate ideológico aperfeiçoa as ideias e as torna melhores. O problema está no tremendo aparato policial e de fiscalização permanente necessário para garantir seu cumprimento. O custo social desse poder coercitivo é enorme e ineficaz, pois são os pontos de corrupção mais evidentes nas estruturas sociais. Além dos próprios políticos, a polícia e os fiscais, em todos os seus níveis, são os piores agentes de corrupção desse país.

As religiões sempre foram consideradas os baluartes da moral e da decência. No entanto, os casos de pedofilia no clero da igreja evidenciam essa falsa moral que se alimenta da crendice e ingenuidade da população mais pobre e menos informada. Algumas seitas, como as grandes igrejas evangélicas, são focos de corrupção ainda maiores. Muitos "bispos" se enriquecem através do engodo, traindo a confiança de quem já está desesperado pelas agruras da vida. Não são poucas as famílias que doam boa parte de sua renda para essas igrejas em troca de promessas vãs.

A educação pública é um descalabro e não cumpre o papel que deveria ser seu de formar as novas gerações e prepará-las para serem cidadãos melhores do que temos sido. Não apenas os professores são despreparados, como os métodos de ensino não funcionam, pois os livros ensinam uma realidade que não está visível e nem acessível às classes sociais menos favorecidas. A escola vende sonhos, assim como as novelas de televisão.

Por tudo isso e muito mais, de pouco adiantam as eleições e a alternância de poder, pois o que se alterna são as pessoas e não as ideologias. Nossos caminhos estão equivocados! Se não criarmos uma nova consciência nas gerações futuras, nenhum governo será eficiente e nada mudará nesse país. Se não pararmos esse processo consumista, as reservas naturais se esgotarão e o futuro da humanidade será desastroso e irreversível.

Portanto, falar das virtudes e pecados do ser humano é falar das virtudes e pecados da sociedade humana em sua totalidade. E os caminhos para a eliminação dos pecados não estão escritos nos livros sagrados, mas na consciência do ser humano.
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