quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O OCASO DE UMA ESTRELA






O "DIA D" está chegando, e muitas questões a respeito dos programas partidários (eles existem?) não foram respondidas, deixando atônitos aqueles eleitores que não se sentem confortáveis com qualquer alternativa de candidatos posta à nossa disposição. Esta é a antiga e surrada classificação de ideologias de "direita" e "esquerda": "Os termos "esquerda" e "direita" apareceram durante a Revolução Francesa de 1789, e o Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei, à direita do presidente, e simpatizantes da revolução, à sua esquerda." (Wikipedia)

Somente quase dois séculos depois, durante a guerra fria, que "direita" passou a simbolizar os políticos conservadores, reacionários e aristocráticos, e "esquerda" os comunistas, marxistas, socialistas, revolucionários. Mas isso não é mais verdade, e os partidos se mesclaram em "ofertas" ideológicas dignas de enrubescer qualquer filósofo marxista! A dicotomia não mais existe.

Hoje, a questão é mais complexa ("Diga-me com quem anda e lhe direi quem você é")! Olhando o amplo e heterogêneo espectro político que define as ideologias do PT e PSDB, sobra um conglomerado disparatado e amorfo, pronto para aprovar qualquer proposta encaminhada ao Congresso. Apenas para citar o PT, como exemplo mais grave, que, em 2010, compôs uma "base aliada" de 22 partidos políticos: PT, PMDB, PC do B, PRB, PSB, PR, PTB, PV, PDT, PP, PDB, PT do B, PRTB, PRP, PMN, PHS, PTN, PSC, PTC, PSD, PSDC e PSL. Como imaginar que grupos tão heterogêneos podem caminhar juntos sem ferir os princípios partidários de cada legenda? O resto dos 30 partidos, na ocasião, se aliou ao PSDB para formar a "oposição", murcha, incompetente e insípida, que deixou o PT de Dilma fazer o que queria durante quatro anos! Como contestar agora?

Afora a campanha raivosa de ambos os candidatos, e a histeria dos petistas aloprados que pululam nas ruas, com suas buzinas e apitos, perturbando nossa paz, pouco restará dessa eleição que possa lembrar, de longe, os princípios democráticos sobre os quais se fundamenta a Nação Brasileira. Promessas inexequíveis, mentiras, calúnias, ofensas pessoais, uso de dinheiro público nas campanhas e fora delas, falsidade ideológica, ocultação de informações que demonstram realidades diferentes entre a visão dos candidatos e seus partidos, e os fatos vergonhosos de um governo corrupto, colocados debaixo do tapete, até que o resultados das urnas confirmem o vencedor, pois tudo isso não importa ao eleitor.

A manipulação de números, muitas vezes falsos e sempre descontextualizados, é grosseira e afronta nossa inteligência. Porém, a massa ignara, tornada vassala do PT, não perceberá que, mais uma vez, foi ludibriada e iludida com falsas promessas impossíveis de se realizar. Cabe a nós, conscientes dessa realidade perversa, lamentar que somente dentro de quatro ou cinco anos teremos uma nova oportunidade de mudar esse nosso país. Certamente, sem o apoio das ruas. Parece que a Nação brasileira não percebe que não tem como reparar os danos dessa campanha podre, fedorenta, medíocre, levando um dos dois piores candidatos a tomar posse no Palácio do Planalto, trocando ou não o inquilino da Alvorada. Serão 1490 dias (ou 1625, se as regras eleitorais mudarem) de angústias e remorsos pela escolha malfeita. Minha única opção, infelizmente, foi a grande vítima dos "processos de desconstrução" promovidos no 1º turno.

Como evoluirão os acontecimentos nesse futuro próximo?

Se não houver a troca da guarda, o que teremos é mais um governo frouxo, permeado de escândalos financeiros, engordando os bolsos dos financiadores de campanha através de obras superfaturadas, mal administradas e inacabadas, a a "evolução" de um modelo político clientelista e medonho, fazendo estremecer as memórias dos poucos políticos que prestaram neste país, a despeito de suas ideologias. Certamente, teremos novos capítulos do drama latinoamericano: "O Bolivariansmo como instrumento de desconstrução das elites"!

Se esses oportunistas forem, finalmente, retirados de circulação (pelo menos nos corredores do Planalto), haverá um esforço tênue de saneamento das finanças públicas, uma frágil tentativa de recuperação dos valores morais da sociedade, mas poucas ideias criativas, uma vez que os financiadores de campanha foram os mesmos para ambas as candidaturas. Talvez a inflação volte ao controle, talvez a estrutura petista nos ministérios e empresas estatais seja parcialmente desmontada, talvez a reeleição para os cargos do executivo seja banida, retomando o período quinquenal de mandatos eletivos, reunificando as eleições em todos os níveis.

Mas, de sólido, de concreto, pouco se fará, pois as ideias novas se esgotaram com o desaparecimento dos políticos que sobreviveram à ditadura, mas pereceram nas praias da corrupção que tomou conta das instituições públicas. Pode ser que o financiamento de campanhas seja regulamentado para onerar os bolsos dos contribuintes, mas os bolsos que se encherão com as propinas serão os mesmos de agora, visto que, de profundo, de revolucionário, nada acontecerá. Maquiadas as regras da política, corruptos e corruptores voltarão a circular livremente pelos corredores do pode central; empreiteiras continuarão a transferir dinheiro para as contas de políticos nos paraísos fiscais; a Natureza, os Indígenas e os Quilombolas continuarão a ser tratados como escória humana, em favor das mega-construções, dos assentamentos na Amazônia e da mineração, que terá, finalmente, seu "marco regulatório" confirmado no Congresso Ruralista, e os ministros dos tribunais superiores continuarão a disfarçar, em sua linguagem medieval de palavras arcaicas e de conteúdo indecifrável, os favorecimentos das causas ganhas (ou perdidas?) aos salafrários sustentados pelo poder central.

Enfim, tivemos a oportunidade de ouro, com Marina Silva, e a desperdiçamos, assim como o povo Norte-Americano desprezou a escolha de AL Gore em favor de George Bush! Tenho pena daqueles que pensam ser heróis, mas não passam de cordeirinhos estúpidos, assentindo com a cabeça a ordem de seu chefe travestido de sapo barbudo, de voz grossa e rouca, de frases mal construídas, permeando as fronteiras do grotesco, do hilário e do folclórico! Que sejam felizes com suas escolhas; nos encontraremos no futuro...
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