domingo, 14 de setembro de 2014

A Palestina para os Palestinos

É difícil afirmar que algum povo tenha razão quando ambos os lados das disputas foram vítimas da História, cada um com seus dramas seculares, sofrendo perseguições e fugindo de seus perseguidores. O povo judeu se dispersou da Palestina entre os anos 586 a.C., quando foi expulso por Nabucodonosor II, imperador da Babilônia, e o ano 70 d.C. quando Jerusalém foi destruída pelos romanos. Por outro lado, o povo palestino se dispersou de sua terra quando foi expulso pelos judeus que, provenientes da Europa, se reinstalaram no território palestino. Justo seria afirmar que todos os povos do mundo têm direito a viver em paz e ter seu próprio território, que lhes assegure a sobrevivência e a preservação de sua cultura, suas tradições, sua língua, suas crenças, sem serem ameaçados.
As razões contemporâneas de tais conflitos, ou seja, aquelas que não se enquadram em seu passado histórico da formação desses povos, se inicia na década de 1920, quando judeus europeus passaram a ser perseguidos pela intransigência da população soviética que, ao conquistarem sua liberdade pela revolução de 1917, viam os judeus como invasores de sua terra, diante da situação de penúria da Rússia deixada pelos czares.
Os judeus, mais uma vez expulsos de suas casas, começaram a pensar em ter um território só seu, a criaram um movimento nacionalista denominado "Sionismo". A partir de então, em meio a uma Europa em recuperação pela devastação causada pela 1ª Guerra Mundial começaram a migrar de volta à sua "Terra Prometida". Esse interstício dos conflitos mundiais acirrou o antissemitismo na Europa, e particularmente na Alemanha, aumentando o afluxo de judeus para a Palestina, onde chegaram às centenas de milhares.
Lá chegando, esses judeus europeus, depois de séculos de isolamento de sua terra originária, perderam a convivência pacífica que caracterizava a relação entre judeus, cristão e muçulmanos, e os conflitos começaram. A Liga das Nações, recém-criada, designou territórios separados para judeus e palestinos, tentando eliminar os conflitos que, no entanto se acirraram, desta vez pelo radicalismo sionista, que expulsou centenas de milhares de palestinos de suas terras. A violência se instalou, definitivamente, na região.

A Liga das Nações determinou, então, que otomanos, franceses e ingleses assumissem o controle militar da região, separando judeus, palestinos e árabes em territórios distintos. Os conflitos não terminaram, e, gradualmente, os estados independentes da Síria, do Líbano, da Jordânia e do Iraque se estabeleceram, isolando Israel dos palestinos. Diante do fracasso da missão da Liga das Nações e do esfacelamento do estado Otomano na 2ª Guerra Mundial, franceses deixaram a região, seguidos dos ingleses, que devolveram o território à organização mundial. O Egito, que ocupou a Península do Sinai, permaneceu.
Em 1948, a recém-criada Organização das Nações Unidas, que substituiu a Liga das Nações, determinou a criação do Estado de Israel, sem, contudo, reconhecer a existência do Estado Palestino. Isso aconteceu devido ao enorme poder dos judeus sobre a Economia norte-americana, dominando grandes organizações empresariais e bancárias, e detendo o poder de conduzir a política externa dos Estados Unidos em todo o mundo árabe judaico.
Mal se instalaram em seu novo território, a guerra entre árabes e judeus se instalou definitivamente. Praticamente todos os estados árabes se uniram contra Israel que, no entanto, conseguiu não apenas manter seus territórios, como também anexar Jerusalém, isolando os palestinos em dois territórios distintos: a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, além de expulsar centenas de milhares de palestinos das terras que agora constituíam o Estado de Israel. A paz entre judeus e palestinos havia sido quebrada, definitivamente.

Entre 1949 e 1966, uma paz mal resolvida se manteve na região; porém, a insatisfação dos palestinos aumentava, sentindo-se exilados em sua própria terra. Em 1967, os estados árabes se rebelaram contra Israel, declarando guerra e atacando os judeus. Porém, a superioridade das forças de Israel era absoluta, e eles logo invadiram as Colinas de Golam, a Jordânia e a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e toda a Península do Sinai.
Nos anos que se seguiram, Israel conseguiu estabelecer um acordo com a Jordânia e com o Egito, países em que alçaram ao poder governos simpáticos aos israelenses. Israel devolveu a esses países os territórios ocupados durante a “Guerra dos Seis Dias”, exceto Jerusalém, que passou a ser parte do território de Israel. A Cisjordânia voltou a ser administrada pela Jordânia, e a Faixa de Gaza foi isolada pelo assentamento de colonos e pela construção de muros em torno dos territórios ocupados pelos palestinos.
O conflito árabe-israelense não é religioso, embora as dissidências e as guerras entre esses povos acabaram por segregar os territórios também por motivos religiosos. No Líbano, os cristãos vivem em conflito com os muçulmanos; no Irã, curdos e xiitas vivem em permanente conflito, ainda que ambos sejam muçulmanos. No Afeganistão e no Paquistão há conflitos entre grupos fundamentalistas e muçulmanos menos radicais. Mas as dissidências fundamentalistas são mais relacionadas a questões de luta pelo poder.

Com o exílio involuntário dos palestinos, surgiu a Organização pela Libertação da Palestina, liderada por Yasser Arafat, e seu braço militar, a Al Fatah. Com as tentativas de acordo entre judeus e a OLP, um grupo dissidente surgiu, denominado Hammas. Os conflitos entre cristãos e muçulmanos, no Líbano, deram origem ao Resbollah. Israel tem, dentro de suas estruturas políticas, radicais sionistas, que não toleram a criação de um Estado Palestino, e grupos liberais, que criticam a política bélica sionista de instalação de colônias na Cisjordânia e em torno da Faixa de Gaza. Porém, prevalece a facção militarista do falecido general Ben Gurion, contra a facção pacifista da também falecida Golda Meir  e de Shimon Perez que, juntamente a Yasser Arafat, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1994. Yasser Arafat morreu em circunstâncias misteriosas em 2004, sem ver realizado o seu projeto de criação do Estado Palestino e do estabelecimento da paz com os judeus.
Sem dúvida, a Palestina é para os Palestinos! A grande decepção mundial com relação à violência e às atrocidades de Israel contra um povo que vive confinado em um território de 360 km², é uma vergonha para os Estados Unidos e para a ONU, que se mostram subservientes a Israel e sua política radical. Hoje, é incompreensível que uma organização, com 193 países-membros, se coloque de joelhos diante de uma nação de 22 mil km²!
Não foram os palestinos que criaram as condições para que este conflito perdurasse por quase 100 anos, mas sim a própria Organização das Nações Unidas e sua antecessora, a Liga das Nações. Foi a omissão, dos norte-americanos e de todos os povos livres do mundo, que permitiu que tantas barbaridades ocorressem contra os palestinos, sem que mesmo uma moção de censura fosse declarada pela ONU. Foi a covardia dos líderes mundiais, inclusive dos árabes, que assegurou esse poder descomunal a Israel.

Se existe o terror árabe e palestino é porque nenhuma atitude digna foi tomada por todas as nações livres do mundo! Nos recentes acontecimentos, o que vimos foi a atrocidade da ação desproporcional de Israel contra os palestinos da Faixa de Gaza, causando a morte de quase dois mil civis, entre eles idosos, mulheres e crianças, pela simples exploração de um episódio mal explicado, de sequestro seguido de morte, de apenas TRÊS israelenses!
É também culpa da própria população judaica, seja em Israel, seja no mundo todo, que, com sua omissão e aquiescência, permite que o governo israelense continue a assassinar inocentes, a construir um “muro da vergonha” similar ao da Alemanha, isolando um povo que vive na miséria, diante dos olhos vedados de toda a Humanidade!
Infelizmente, depois de um milhão de anos do surgimento do Homo Sapiens, e de quase dez mil anos de civilização, a humanidade ainda persiste na guerra, no ódio entre os povos, no preconceito racial, no primitivismo da violência sem limites e sem dignidade. Quando será que o ser humano perceberá que as fronteiras só servem para dividir, para separar, para segregar, para incitar a avareza e a ambição, e não para delimitar as áreas com as mesmas características étnicas e culturais de povos que poderiam ser amigos?
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