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quinta-feira, 14 de junho de 2012

JBS descumpre acordo socioambiental e perde clientes


Em relatório, ONG Greenpeace acusa a JBS comprar animais criados em áreas desmatadas no Brasil

Relatório do Greenpeace acusa o JBS, maior produtor mundial de carne, de descumprir compromissos socioambientais firmados em 2009, que poderá acarretar no cancelamento ou não renovação de contratos por parte de empresas europeias.
Contatado pela Reuters, o JBS informou que o Greenpeace não enviou o relatório para o grupo, mas quando tiver o levantamento em mãos "ele será devidamente analisado e os pontos de divergência serão tecnicamente esclarecidos a todos".
Segundo o Greenpeace, o JBS vem desrespeitando cláusulas do documento firmado no qual se comprometia a não comprar mais animais criados em áreas desmatadas no Brasil. E aponta ainda outras possíveis irregularidades como compra de animais de terras indígenas e de áreas sob embargo.
Embora os executivos do JBS ainda não tenham recebido oficialmente o documento, a assessoria da companhia informou que teve conhecimento sobre o relatório. E afirma que em "análise prévia, foram constatadas uma série inconsistências nos dados apresentados pelo Greenpeace".
O coordenador da campanha Amazônia, André Muggiati, disse que o Greenpeace teve várias reuniões com o frigorífico para discutir o assunto. "Estamos conversando com o JBS desde que o compromisso foi firmado. Tivemos muitas reuniões e o JBS falha em apresentar uma auditoria consistente... foram sucessivas falhas", disse.
O relatório da organização não-governamental (ONG) indica que pelo menos seis companhias europeias consumidoras de derivados processados de carne bovina e de couro poderiam cancelar ou deixar de renovar contratos com o JBS.
Muggiati disse que o levantamento do Greenpeace concentrou-se em Mato Grosso, estado com o maior rebanho no país e onde a ONG teve mais acesso a informações.
Contudo, ele declinou em dar mais detalhes sobre a fonte desses dados; destacou apenas que em outubro passado o Greenpeace já havia divulgado relatório semelhante. Na ocasião, segundo Muggiati, parte dos dados veio de relatório do Ministério Público Federal.
Questionado sobre a menção apenas ao JBS, Muggiati afirmou que outros dois grandes frigoríficos que também atuam no estado não apresentaram irregularidades e conseguiram comprovar que compram animais de áreas que respeitam as regras socioambientais.
Ele citou o Marfrig com três unidades de abate no estado e o Minerva, que embora conte com uma unidade em Tocantins compra animais de Mato Grosso. Já parte das 16 unidades do JBS no estado estaria em situação irregular.
Fonte: VEJA - ABRIL

Governo cúmplice no desmatamento

Empresas cortam vínculo com JBS

06/06/2012 - Fonte: Instituto Carbono Brasil

Relatório do Greenpeace mostra como o maior frigorífico do mundo é incapaz de provar que seu produto é livre de desmatamento

Curral do frigorífico JBS em Vilhena, Rondônia (Fabiano Accorsi)
Três anos depois de assinar um compromisso público prometendo tirar novos desmatamentos da Amazônia de sua cadeia de produção, a maior empresa de carne do mundo, a brasileira JBS, não dá provas de cumprir com sua palavra. Da mesma forma, também não garante que seus fornecedores na região não usam trabalho escravo e não invadiram Terras Indígenas e unidades de conservação.

Grandes clientes da JBS na Europa, como Clarks, Ikea, Princess, Sainsbury’s, Asda, Adidas, Tesco e a gigante de alimentos Sligro Food Group, já informaram à empresa que cancelaram ou não vão mais renovar seus contratos. As empresas afirmam que são contra o desmatamento da Amazônia e que só querem fazer parte de uma cadeia da qual tenham certeza que está livre da destruição da floresta.

As multinacionais alegam que só voltarão a negociar com a JBS depois que ela honrar o compromisso de forma transparente e passível de ser monitorada. “Estamos aguardando as novas diretrizes da JBS para atingir a meta do desmatamento zero. Até que isso aconteça, nós suspendemos a negociação de novos contratos”, afirmou a Princess em nota.

Além de ser a maior empresa de carnes do mundo, a JBS é o maior frigorífico em operação na região da Amazônia Legal, com 30 unidades de abate. Mesmo assim, suas operações continuam às escuras. A ausência de transparência da JBS fica clara em um relatório divulgado hoje pelo Greenpeace, fruto do acompanhamento do trabalho da empresa por 18 meses.

O relatório “JBS – Reprovada: Como a maior empresa de carnes do planeta continua massacrando a Amazônia” mostra como fazendas irregulares na Amazônia fornecem seu gado aos matadouros da JBS, que, por sua vez, vende a carne do abate a empresas de processamento. Dessa forma, produtos derivados de carne de procedência duvidosa chegam às prateleiras dos supermercados em todo o mundo.

Governo cúmplice no desmatamento
Enquanto o setor empresarial adequa suas práticas para não associar suas marcas ao desmatamento da Amazônia, o governo brasileiro, ao contrário, financia ações que retiram a proteção das florestas.

Por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o governo brasileiro ainda investiu na JBS e ajudou a torná-la a maior fornecedora de carne e couro no mundo. Depois de uma injeção de R$ 3,24 bilhões em junho do ano passado, o BNDES agora controla 31,4% da empresa, investimento que torna o governo brasileiro sócio da JBS no desmatamento.

“Além de permitir o massacre do Código Florestal, o governo é ele próprio sócio do desmatamento e de violações de direitos humanos na Amazônia”, disse Muggiati. “Quando o retrocesso é fruto do descaso de quem deveria zelar pela lei, só resta à sociedade civil assumir o papel de proteger o meio ambiente, com iniciativas como o Desmatamento Zero.”

Em março, o Greenpeace e outras organizações lançaram uma campanha por um projeto de lei de iniciativa popular, nos moldes do Ficha Limpa, para zerar o desmatamento no Brasil. Com 1,4 milhão de assinaturas, será possível encaminhar ao Congresso Nacional a proposta do Desmatamento Zero. A campanha já soma mais de 310 mil assinaturas. Para participar,clique aqui.