quinta-feira, 11 de julho de 2013

Por que Dilma deve renunciar

11 de junho de 2013: hoje, Dia Nacional de Luta, muitas bandeiras se erguerão nas ruas, sem comando e lideranças declaradas, evidenciando a presença de diversas correntes de opinião pública, mescladas com os oportunismos de praxe, que têm caracterizado os movimentos de rua. Infelizmente, estamos sem lideranças carismáticas e esclarecidas, o que possibilita intervenções de toda sorte, com pouca representatividade e resultados pífios. Esta movimentação foi convocada pelas principais centrais sindicais do Brasil (CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, UGT e Conlutas, além do Movimento dos Sem-Terra), mostrando a infiltração dessas centrais no movimento espontâneo que caracterizou as ações de rua. Essas centrais sindicais acertaram, ontem, em palanque unificado na Avenida Paulista, que a presidente Dilma Rousseff deveria ser poupada de "críticas ácidas". Este é mais um equívoco dos movimentos sindicais, que não sabem diferenciar posições classistas de vínculos comprometedores com partidos políticos. Infelizmente, o sindicalismo brasileiro é atrelado ao PT e tenta esvaziar o movimento popular.

No entanto, uma tendência se evidencia e deve ser levada a sério: Dilma não pode continuar no poder, seja renunciando agora, seja admitindo que não se candidatará em 2014, seja pela imposição da vontade popular e por ação de Impeachment no Congresso Nacional. Ela demonstrou que não tem gabarito para liderar as forças políticas nacionais nem para conduzir o Brasil ao futuro sempre prometido e jamais alcançado.

Para demonstrar esse fato, citaremos alguns eventos que ocorreram desde sua indicação para concorrer à presidência, até o momento atual de conflagrações e revoltas. Vale lembrar que sua atuação política foi destacada por Lula pelo fato de "ter um perfil de gerente do PAC", nos momentos finais do seu governo, e em plena eclosão da crise econômica mundial, quando o PT evidenciava a exaustão de suas teses.


1. O caso do PAC: o "Programa de Aceleração do Crescimento" foi uma tentativa de Lula, por sugestão de Dilma e de outros "estrategistas" do PT, para reverter a situação de estagnação econômica de seu governo diante da crise da Economia mundial. O Brasil até que se saía razoavelmente bem, impulsionado por medidas de estímulo baseadas em duas ações: desoneração fiscal da indústria automotiva e redução das taxas de juros pelos bancos estatais (Caixa Econômica e Banco do Brasil), principalmente para empréstimos consignados. No entanto, o crescimento pífio da Indústria nacional exigia ações mais severas, e daí surgiu o PAC, um amontoado de "projetos" mal elaborados e requentados de governos anteriores. Ao final do governo Lula, apenas um pequeno percentual de execuções financeiras tinha acontecido, e a maioria das obras se arrastava nas burocracias estatais. Dilma se elegeu presidente já com a nova versão (o "PAC2") do "Programa" em andamento. No entanto, nem o PAC, nem o PAC2 tiveram resultados efetivos, ficando apenas como discursos eleitoreiros populistas, sem capacidade de alavancar a Economia.


2. Relações com Servidores Federais: em meados de 2012 Dilma enfrentou sua primeira greve de proporções nacionais, cuja pauta de reivindicações versava sobre planos de carreira, equiparação de salários e recuperação de perdas inflacionárias dos servidores públicos federais. Ao invés de negociar, Dilma optou pela estratégia de postergar a decisão, humilhando os servidores em uma espera que os conduziria para um fracasso retumbante: às vésperas de se esgotarem os prazos de aprovação do Orçamento Federal, Dilma nomeou subalternos para a negociação e, finalmente, mostrou sua prepotência e arrogância, fazendo um "ultimatum" aos servidores para retornarem ao trabalho e aceitarem três reajustes de 5% ao ano, sem nenhum reajuste para 2012; caso contrário, ficariam sem aumento salarial por quatro anos! Foi uma vitória de Pirro, que sepultou o diálogo e mostrou a verdadeira face da "presidenta", autoritária e arrogante, que demonstrou suas "qualidades de Estadista", impondo sua vontade contra quinhentos mil trabalhadores.


3. O Código Florestal: já se passavam muitos anos de tentativas de desvirtuamento da legislação que deveria proteger o Meio Ambiente e assegurar a preservação de florestas, rios e biomas nacionais, os maiores e mais diversificados do mundo, de um valor não apenas ecológico, mas econômico e social. Aproximava-se a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida também como Rio+20, quando o "projeto" dos ruralistas foi levado à votação pelo deputado Aldo Rebelo do PCdoB, relator do projeto e traidor do povo. O "novo código dos ruralistas" foi aprovado! Diante de uma plateia mundial, Dilma perdeu a oportunidade de vetar integralmente o projeto, beneficiando criminosos ambientais, que durante décadas conduziram a Amazônia e o Cerrado ao caminho da extinção. Setenta milhões de hectares de florestas já foram devastados e transformados em pasto e plantação de soja para exportação e alimentação do gado, somente na Amazônia! Diante do mundo civilizado o Brasil deu as costas para a Natureza e seus recursos essenciais e "perdoou os crimes ambientais" de uns poucos latifundiários que invadiram a Amazônia desde a época da Ditadura Militar. Foi o golpe de misericórdia a uma Política Ambiental que, se não cumpria suas finalidades, ao menos mantinha esses fazendeiros na permanente condição de criminosos. Um grande movimento popular, que se tornou conhecido pelo slogan "VETA DILMA", foi negligenciado pelo Planalto e se tornou o estopim das manifestações de rua de 2013. O povo brasileiro já estava cansado de presenciar a corrupção, os desmandos e a impunidade de políticos, empreiteiras, madeireiras e latifundiários oportunistas.


4. Relações com o Congresso: mesmo com o descrédito cada vez maior dos políticos, envolvidos em escândalos de corrupção e nepotismo, Dilma permaneceu em seu "castelo" presidencial e em sua postura imperial, negando-se a estabelecer relações normais com os deputados e senadores. A consequência natural foi o distanciamento político e a fragilização de sua imensa "base de apoio", conseguida às custas de infindáveis concessões de cargos e ministérios a partidos que nada tinham a ver com as promessas de campanha e aos estatutos e à luta do PT em defesa da Ética, da Decência e da Justiça. Essas palavras já haviam sido esquecidas quando o PT tomou o poder e se chafurdou na lama do Mensalão, mas agora, com Dilma, assumia feições totalitárias. Derrotas sucessivas no Congresso, mesmo depois da entrega dos cargos e ministérios, evidenciavam o fracasso de seu projeto de se manter no cargo por mais quatro anos, depois de findo seu mandato. Dilma, porém, com sua postura "soberba", desprezou o Congresso Nacional.


5. Política Econômica: o PT herdou a política austera (até certo ponto) do PSDB, mantendo no cargo de presidente do Banco Central uma figura notória dos tucanos, Henrique Meirelles. Também teve no Ministro Palocci uma sólida coluna de sustentação da Lei da Responsabilidade Fiscal. Envolvido nos escândalos palacianos, Palocci foi o primeiro a cair, deixando seu cargo para Guido Mantega, adepto de "flexibilizações" na Política Monetária, que tinha a simpatia de Lula e, posteriormente, de Dilma, dado que suas ações facilitavam o discurso populista, mesmo que comprometendo as metas de inflação e de superavit fiscal. Com o agravamento da crise econômica mundial e a "contaminação" da economia brasileira, Dilma, já eleita e empossada, optou por substituir Henrique Meirelles, na presidência do Banco Central, por Alexandre Tombini, mais suscetível aos "arroubos de generosidade" de Mantega e Dilma. O resultado foi um desempenho medíocre de 1% de crescimento em 2012, uma inflação próxima ao limite superior das metas estabelecidas, cujo centro era de 4,5% ao ano, mas chegava a 5,84% no final de 2012, subindo em janeiro para os 6,7% atuais. O superavit primário se mantinha por artifícios e "alquimias" contábeis do Ministro da Fazenda, Guido Mantega. A Petrobrás é outra vítima dessa política "kamikaze", sacrificando seu patrimônio e seus importantes investimentos no pré-sal para "garantir o equilíbrio inflacionário"!

Muitos outros argumentos poderiam ser citados, tal como a desvirtuação da Política Indigenista, outro "inimigo" da Bancada Ruralista, e que teve como alvo a FUNAI, Fundação Nacional do Índio, detentora da prerrogativa constitucional da demarcação de terras indígenas, e a própria população indígena brasileira, vítima frequente de violências e assassinatos de suas lideranças. Por ordem da Presidência, tendo como porta-voz a Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e com apoio de ruralistas notórios, como Blairo Maggi, Kátia Abreu e Ronaldo Caiado, todos curiosamente alinhados na oposição ao Planalto! Mas considero suficientes esses argumentos apresentados para fundamentar a tese da renúncia de Dilma Rousseff.

POR QUE DILMA DEVE RENUNCIAR?
Chegando às vésperas das eleições de 2014, com um lançamento estrategicamente prematuro da candidatura de Dilma à reeleição por Lula, a situação do país beira ao caos social e político, com novas greves e manifestações de rua nas principais cidades; o recuo também estratégico das redes de televisão, que deixaram de se opor ao movimento popular e transferiram sua antipatia à "presidenta", evidencia essa reversão de expectativas eleitorais. As últimas pesquisas de opinião mostram a queda acentuada da popularidade de Dilma e o crescimento da candidatura de Marina Silva, sua principal opositora em 2014. O candidato tucano e Eduardo Campos não mostram vitalidade suficiente para se contrapor à popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva, certamente o candidato alternativo do PT para substituir sua "criação".

A pergunta que se manifesta é: terá Lula condições de se eleger nas próximas eleições, diante das inúmeras denúncias de seu envolvimento nos escândalos do Mensalão e do repentino enriquecimento de seu filho, Fábio Luís "Lula" da Silva, o Lulinha? Cabe a Marina Silva e aos eleitores brasileiros demonstrar que Lula não é invencível. Mas caberá mais ainda, aos brasileiros, optar por um novo modelo de governo, um novo grupo e uma nova geração de políticos para mostrar que o Brasil pode, sim, se desenvolver, sem destruir seus recursos naturais, sem fazer concessões políticas imorais e sem abrir mão de seus princípios éticos! A "classe política" que se adapte às demandas e imposição das urnas!


Dilma deve renunciar para poupar o povo brasileiro das consequências de uma luta pela decência que apenas começou, e de se poupar da vergonha de ser expulsa do Planalto por um povo que acreditou nas suas promessas eleitoreiras e confiou na "estratégia" de Lula e do PT de conduzir uma personagem desconhecida dos políticos, que se mostrou catastrófica para o partido, mas muito pior para o Brasil, que se viu diante de uma "ditadura" disfarçada, não do PT, mas dos evangélicos e dos ruralistas. Os primeiros, lamentavelmente, estão se tornando maioria nesse país tão pobre de cultura e de inteligência; porém os segundos, os latifundiários, nunca serão maioria, pois representam apenas seus interesses mesquinhos e sua ganância insaciável pelo dinheiro e pelos privilégios de ser "amantes e aliados" dos políticos corruptos que dominam o país.

Dilma deve renunciar porque a política minúscula do PT e a "república" do PT se exauriram em sua mediocridade e arrogância, acreditando que "sua" verdade seria a Verdade dos Brasileiros! Não é e nunca será, pois ainda que a Verdade demore a ser descoberta em um país de analfabetos, uma minoria consciente, responsável, verdadeiramente revolucionária haverá de se impor aos maus e assegurar a continuidade da existência de nossa Nação e de nossa Cultura. O que se precisa é romper com esse Círculo Vicioso do Poder sem Ideologia, e implantar um Círculo Virtuoso da Cultura, do Saber, da Justiça e da Honestidade, que só pode florescer através das bandeiras da Educação e do respeito à Nação!
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