quarta-feira, 13 de junho de 2012

SUSTENTABILIDADE: uma palavra ambígua e desgastada!

Dilma Rousseff abre Rio+20 pedindo compromisso pela sustentabilidade

A presidente Dilma Rousseff abriu oficialmente a Rio+20 nesta quarta-feira, 13, pedindo o compromisso de todos os países na busca pelo desenvolvimento sustentável. Dilma pressionou as nações desenvolvidas, que apesar da crise, não atingiram suas metas de sustentabilidade.

“Não consideramos que o respeito ao meio ambiente só se dá em fase de expansão do ciclo econômico. Pelo contrário, um posicionamento pró-crescimento, de preservar e conservar é intrínseco à concepção de desenvolvimento, sobretudo diante das crises”, afirmou.

Fonte: ESTADÃO

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A palavra "Sustentabilidade" tem sido utilizada à exaustão, tanto pelos ambientalistas como pelos desenvolvimentistas, como a presidente do Brasil. Tanto pode se referir ao Meio Ambiente como às empresas; aos esforços pela redução das emissões de CO², como para afirmar interesses menores de mineradoras, madeireiras, pecuaristas, empreiteiras e banqueiros... por isso, "pedir compromisso com a 'sustentabilidade' é cair na mediocridade e disfarçar interesses suspeitos. Principalmente quando as intenções do governo não são claras no que se refere às políticas públicas de uso de recursos energéticos, manutenção das unidades de conservação, reservas legais e áreas de preservação permanente. Um discurso ambíguo como esse não é digno de um estadista na abertura de uma Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável.
Apresentam-se publicidades de empresas que se dizem 'sustentáveis', ou seja, que garantem seus lucros e os dividendos de seus acionistas! Isso é 'sustentável'? Sim, pois ser 'sustentável' é assegurar sua sobrevivência! Assim surgiu a expressão "Desenvolvimento Sustentável", concebendo o mundo em bases que deveriam assegurar a preservação dos recursos naturais nos níveis atuais, uma vez que já ultrapassamos os limites de tolerância da Natureza com a degradação ambiental... mas não parece que seja esse o discurso de nossa "presidenta"! Ela afirma, e sua ministra do Meio Ambiente reafirma que os ambientalistas são radicais e irresponsáveis, e que deveremos pensar no futuro de nosso povo antes de criticar as obras faraônicas de construção de hidrelétricas na Amazônia!
É supérfluo repetir que o modelo de desenvolvimento preconizado pela "presidenta" e sua claque não é compatível com a ideia original do "desenvolvimento sustentável"! É evidente que os impactos ambientais de uma hidrelétrica não se limitam ao canteiro de obras e seu entorno: em função das obras, milhares de trabalhadores se deslocam para novos endereços; em seu encalço chegam as vilas e cidades, as estradas principais e vicinais, expandindo os limites da hidrelétrica. A concentração de homens traz as mulheres e a prostituição, as drogas e as bebidas, os crimes e a desorganização social, contaminando populações tradicionais, indígenas, que têm na floresta seu habitat, suas tradições e seu modo de vida e de produção. Não venham, portanto, os arautos do desenvolvimentismo, afirmar que obras gigantescas como Santo Antônio, Jirau, Belo Monte, se exaurem em si mesmas, sem impactos dramáticos para as populações e para o Meio Ambiente.
A Rio + 20 durará cerca de duas a três semanas, diluindo-se seus membros de volta às suas origens. No entanto, ficaremos aqui, à mercê dos ruralistas, desenvolvimentistas, madeireiras, mineradoras, à espera da calmaria e da desarticulação dos movimentos populares, sociais, ambientalistas, para dar seu bote final no "Código Florestal", que se tornará, como disse Marina Silva, o "Código Agrário" ou, no meu linguajar mais direto, o "Código Ruralista", em vez do "Código da Biodiversidade", como proferiu nosso mestre Aziz Ab´Saber com sua sabedoria incomparável. Quem nos socorrerá depois disso? Certamente, o mundo pouco se importará com nossos destinos... não fosse assim, e teríamos Barack Obama entre os participantes mais ativos desse Congresso mundial...

João Carlos Figueiredo
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