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quarta-feira, 20 de junho de 2012

O futuro que queremos e a fantasia de Dilma

Na abertura da Rio+20, discurso de Dilma mostra divórcio com a realidade


Fonte: GREENPEACE BRASIL
Presidente Dilma Rousseff discursa na abertura da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável. (©Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)
O discurso que a presidente Dilma Rousseff fez hoje na Rio+20 reflete uma visão divorciada da realidade. Enquanto ela falava sobre “coragem”, “ambição”, “responsabilidade” e “urgência”, o documento aprovado ontem pelos mais de 190 países representados na conferência está vazio de metas, compromissos e ações.

Ela encerrou seu discurso dizendo que “as futuras gerações aguardam nossas decisões”. Após esta conferência, elas terão provavelmente de esperar ainda mais. Esse processo foi criado para uma nova negociação começar em 2015 – e o planeta, que já vive consequências das mudanças climáticas, ameaça à biodiversidade e sob desigualdade crescente entre os povos, não pode esperar mais.

Ela celebrou a redução do desmatamento que a lei brasileira permite, esquecendo que o novo Código Florestal – aprovado em sua administração - promove anistia a criminosos ambientais e a destruição de nossas florestas. Ela exaltou a matriz energética limpa do Brasil, enquanto o Plano Decenal de Energia direciona investimentos do setor para o pré-sal, carvão, nuclear e megahidrelétricas na Amazônia – a despeito do enorme potencial de vento e Sol disponível no país.
O divórcio entre a visão de Dilma e o que aconteceu na conferência se refletiu inclusive na fala do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Ele abriu seu discurso reconhecendo que os esforcos dos países não responderam aos principais desafios da Rio+20.

Quando aquela que deveria indicar a direção para o futuro que queremos admite, em sua fala, que considera como grande vitória da Rio+20 não retroceder as decisões tomadas 20 anos atrás, ela está olhando para o passado, e não para o futuro. Como disse Ban Ki-Moon, estamos correndo contra o tempo.

A dois dias do fim da conferência, não é hora de discursos vazios. Se ela deseja tornar seu discurso verdadeiro, é hora de agir com responsabilidade, urgência, coragem e ambição.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

SUSTENTABILIDADE: uma palavra ambígua e desgastada!

Dilma Rousseff abre Rio+20 pedindo compromisso pela sustentabilidade

A presidente Dilma Rousseff abriu oficialmente a Rio+20 nesta quarta-feira, 13, pedindo o compromisso de todos os países na busca pelo desenvolvimento sustentável. Dilma pressionou as nações desenvolvidas, que apesar da crise, não atingiram suas metas de sustentabilidade.

“Não consideramos que o respeito ao meio ambiente só se dá em fase de expansão do ciclo econômico. Pelo contrário, um posicionamento pró-crescimento, de preservar e conservar é intrínseco à concepção de desenvolvimento, sobretudo diante das crises”, afirmou.

Fonte: ESTADÃO

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A palavra "Sustentabilidade" tem sido utilizada à exaustão, tanto pelos ambientalistas como pelos desenvolvimentistas, como a presidente do Brasil. Tanto pode se referir ao Meio Ambiente como às empresas; aos esforços pela redução das emissões de CO², como para afirmar interesses menores de mineradoras, madeireiras, pecuaristas, empreiteiras e banqueiros... por isso, "pedir compromisso com a 'sustentabilidade' é cair na mediocridade e disfarçar interesses suspeitos. Principalmente quando as intenções do governo não são claras no que se refere às políticas públicas de uso de recursos energéticos, manutenção das unidades de conservação, reservas legais e áreas de preservação permanente. Um discurso ambíguo como esse não é digno de um estadista na abertura de uma Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável.
Apresentam-se publicidades de empresas que se dizem 'sustentáveis', ou seja, que garantem seus lucros e os dividendos de seus acionistas! Isso é 'sustentável'? Sim, pois ser 'sustentável' é assegurar sua sobrevivência! Assim surgiu a expressão "Desenvolvimento Sustentável", concebendo o mundo em bases que deveriam assegurar a preservação dos recursos naturais nos níveis atuais, uma vez que já ultrapassamos os limites de tolerância da Natureza com a degradação ambiental... mas não parece que seja esse o discurso de nossa "presidenta"! Ela afirma, e sua ministra do Meio Ambiente reafirma que os ambientalistas são radicais e irresponsáveis, e que deveremos pensar no futuro de nosso povo antes de criticar as obras faraônicas de construção de hidrelétricas na Amazônia!
É supérfluo repetir que o modelo de desenvolvimento preconizado pela "presidenta" e sua claque não é compatível com a ideia original do "desenvolvimento sustentável"! É evidente que os impactos ambientais de uma hidrelétrica não se limitam ao canteiro de obras e seu entorno: em função das obras, milhares de trabalhadores se deslocam para novos endereços; em seu encalço chegam as vilas e cidades, as estradas principais e vicinais, expandindo os limites da hidrelétrica. A concentração de homens traz as mulheres e a prostituição, as drogas e as bebidas, os crimes e a desorganização social, contaminando populações tradicionais, indígenas, que têm na floresta seu habitat, suas tradições e seu modo de vida e de produção. Não venham, portanto, os arautos do desenvolvimentismo, afirmar que obras gigantescas como Santo Antônio, Jirau, Belo Monte, se exaurem em si mesmas, sem impactos dramáticos para as populações e para o Meio Ambiente.
A Rio + 20 durará cerca de duas a três semanas, diluindo-se seus membros de volta às suas origens. No entanto, ficaremos aqui, à mercê dos ruralistas, desenvolvimentistas, madeireiras, mineradoras, à espera da calmaria e da desarticulação dos movimentos populares, sociais, ambientalistas, para dar seu bote final no "Código Florestal", que se tornará, como disse Marina Silva, o "Código Agrário" ou, no meu linguajar mais direto, o "Código Ruralista", em vez do "Código da Biodiversidade", como proferiu nosso mestre Aziz Ab´Saber com sua sabedoria incomparável. Quem nos socorrerá depois disso? Certamente, o mundo pouco se importará com nossos destinos... não fosse assim, e teríamos Barack Obama entre os participantes mais ativos desse Congresso mundial...

João Carlos Figueiredo