quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Resposta a Arnaldo Jabor


A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE (ARNALDO JABOR)
Quando José Serra era líder estudantil, nas décadas de 60 e 70, suas ações, assim como as de Fernando Henrique Cardoso, eram voltadas para a restauração das liberdades democráticas e a implantação de um Estado de Direito baseado na Justiça Social e na distribuição equitativa de rendas. Isso foi há mais de 40 anos! Eles se esqueceram de seus compromissos...

Quando FHC assumiu o poder, disse: “Esqueçam-se de tudo o que eu disse e escrevi até hoje!”, pois iria entregar o Brasil a multinacionais.

Quando o PSDB foi criado, pretendia se opor a tudo o que era sujo e ilícito neste país: falcatruas, alianças espúrias, favoritismos políticos... mas o tempo passa e as pessoas se esquecem de seus ideais. Hoje, assim como o PT, o PSDB se aliou a tudo o que é mais podre neste país: a escória!

José Sarney, Ronaldo Caiado, Renan Calheiros, Joaquim Roriz, Fernando Collor de Mello, José Roberto Arruda, Kátia Abreu, Aldo Rebelo, Antônio Carlos Magalhães Neto, Índio da Costa, Michel Temer, Heráclito Fortes, Abelardo Lupion, Jorginho Maluly, Bispo Gê Tenuta... quem é pior???

Pois Arnaldo Jabor tem a estúpida capacidade de chamar os Sem-Terras de bandidos! E os ruralistas não são bandidos? Sua ação corporativa representa a arrogância sem limites dos poderosos contra a maioria esmagadora da população de um país rico e de trabalhadores pobres.

É muito fácil falar asneiras sentado placidamente em um apartamento de luxo, cercado das mordomias globais, e em defesa de cartéis capitalistas! Quero ver esse mesmo Arnaldo Jabor passar fome em uma aldeia indígena ou quilombola, cercado de “coronéis do sertão” que impedem seu acesso às vias de transporte e às fontes de água, como ocorre em todo o sertão baiano, onde a população, milhões de famílias, lutam pela subsistência, humilhados a aceitar um pouco de água distribuída por carros-pipa de empresas controladas por políticos corruptos de Brasília!

Não, Arnaldo Jabor e nenhum dos magnatas desse país não aceitam a vitória quase certa de Dilma Rousseff para a Presidência da República, mesmo que ela seja tão ruim quanto José Serra, pois Lula, apesar de muitos erros, conseguiu diminuir a miséria e a fome neste país como nenhum outro presidente antes havia tentado. Pode-se criticar o paternalismo estatal que levou a essa melhoria de qualidade de vida; pode-se criticar sua opção pelo desenvolvimentismo, ao invés de trabalhar por uma sociedade menos consumista e com menos desperdício.

Mas o partido de Serra e de FHC é o maior defensor do Capitalismo Globalizado, do Neo-Liberalismo! Serra e seus aliados nunca, jamais, em tempo algum se preocuparam com a opção pelos pobres! Sim, os Sem-Terras cometem crimes, assim como os Ruralistas. Mas o alcance desses crimes não chega aos pés das perversidades dos conflitos fundiários do sertão nordestino; não podem se comparar aos crimes contra a Natureza, dos Ruralistas: milhões de hectares queimados, bilhões de árvores derrubadas em áreas de proteção permanente, para serem ocupadas com a criação de gado e as plantações de soja!

Brasileiro come soja? Sim, mas a maior parte da soja produzida no Brasil, assim como a cana-de-açúcar, o carvão vegetal, o gado são para exportação e enriquecimento de uma população insignificante de menos de 2% (dois por cento!) dos habitantes desse país! Mais de 50% da população brasileira é pobre e mais de 10% deles está na miséria, passa fome, se alimenta mal e tem seu destino determinado pela pobreza absoluta, carente dos nutrientes necessários para concorrer com os filhotes de magnatas que representam menos de 1% dessa imensa população, ferquentam escolas no exterior e vão todos os anos à Disneylândia! Por que esses privilegiados são diferentes?

Porque nossa opção pela riqueza de poucos é herança do Império, do Colonialismo, das Sesmarias, da Idade Média, da Nobreza corrupta. FHC se via como o Déspota Esclarecido; mas ele teve acesso ao conhecimento graças a sua origem aristocrática. Os Sem-Terras, os “bandidos” do Jabor, vivem na miséria, passam anos acampados em barracas de lona, sem conforto, sem água encanada, sem esgotos, sem escolas, sem luz elétrica, humilhados e rechaçados pelos fazendeiros... o que esperar dessa população de marginalizados?

Marginais são os ricos que não têm consciência social, pouco se importam com a miséria e nunca passaram por dificuldades financeiras!

Nossas elites intelectuais se esqueceram dos pobres e se aliaram aos poderosos, em benefício de si próprios, em detrimento da população abandonada das pequenas cidades, dos povoados, da aldeias e do sertão.

É fácil fazer uma obra faraônica e deixar seu nome na História! Difícil é ouvir o povo, escutar suas demandas e necessidades essenciais, fazer obras que minimizem seu sofrimento e sua dor! Para isso, Jabor, Serra e FHC não têm estômago, porque olhar a pobreza e ter compaixão dela é para poucos, para os eleitos, para os verdadeiramente BONS e HONESTOS!
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