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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Após Rio +20, fazendeiros ameaçam Xavante

Fonte: GREENPEACE - Postado por Bernardo Camara

 
Há 20 anos esperando que invasores sejam retirados de seu território, os índios Xavante foram à Rio +20 para cobrar a promessa feita pelo governo. Durante a conferência, 12 guerreiros da Terra Indígena Marãiwatsédé, do Mato Grosso, fizeram um ato a bordo do navio do Greenpeace, participaram da Marcha dos Povos e conseguiram entregar sua reivindicação nas mãos do governo. O ministro Gilberto Carvalho, braço-direito de Dilma Rousseff, e a presidente da Funai, Marta Azevedo, receberam a carta-denúncia e prometeram agir.

Quem agiu primeiro, porém, foram os fazendeiros que, há anos, ocupam a Marãiwatsédé. Ao retornar para suas terras, os Xavante se depararam com uma série manifestações e ameaças pelo caminho. Segundo matéria do Repórter Brasil, desde o último sábado, a terra indígena “está ocupada por manifestantes que bloquearam o acesso à cidade de São Félix do Araguaia. Eles cavaram uma trincheira na estrada e queimaram pontes em outras vias de acesso à região em ato desesperado diante da sua iminente desintrusão”.

De acordo com fontes locais, não há efetivo suficiente do governo federal para garantir a segurança dos cerca de 900 Xavante de Marãiwatsédé que se protegem em sua aldeia. As manifestações se desencadearam com o retorno dos indígenas da Rio +20. Mas também na esteira da sentença que saiu em 18 de maio deste ano, quando o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou a retirada imediata dos invasores de Marãiwatsédé.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Bispo que defendeu índios e posseiros e confrontou ditadura comemora 60 anos de ordenação

Para boa parte dos padres católicos, a data da ordenação sacerdotal é mais importante que a do nascimento. Na Ordem Claretiana, congregação religiosa fundada no século 19, o valor simbólico dessa data é ainda maior. Por isso vale a pena registrar aqui os 60 anos da ordenação do missionário catalão Pedro Casaldáliga, comemorados hoje, 31 de maio.
Nomeado bispo em 1971 e enviado para o interior do Brasil, para a Prelazia de São Félix, no Mato Grosso, ele assumiu a defesa dos índios que estavam sendo expulsos de suas terras por grandes projetos agropecuários financiados pelo governo, por meio da antiga Sudam. Uma carta aberta que ele lançou em 1971, denunciando os os problemas enfrentados pelos trabalhadores rurais, é considerada uma espécie de precursora das denúncias do trabalho escravo que acabaram resultando na PEC aprovada dias atrás pelo Congresso. Defensor da Teologia da Libertação, ajudou a criar o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Comissão Pastoral da Terra (CPT).
 Suas causas eram extraordinariamente difíceis naqueles anos. Passou a ser encarado pelos militares como inimigo nacional e mais de uma vez esteve prestes a ser expulso do País. Enfrentava resistências até mesmo entre colegas mais conservadores, como o leitor poderá ver no material registrado no acervo histórico do jornal, recentemente colocado na Internet.
Ele só não foi expulso porque o papa Paulo VI deixou claro que não aceitaria a expulsão de um príncipe da Igreja. Mesmo assim continuou sofrendo ameaças e viu um de seus principais assessores ser assassinado a tiros. Tornou-se aos poucos um dos símbolos da resistência ao arbítrio e da defesa dos mais fracos.
Aposentou-se em 2005, com 77 anos. Mas continuou vivendo em São Félix. Pobremente, como assinalou o escritor Frei Betto, em artigo daquele época, no qual o chamou de santo e herói.