sexta-feira, 30 de agosto de 2013

PUNIÇÃO À SÍRIA PELO USO DE ARMAS QUÍMICAS

Vítimas de ataques com armas químicas na Síria
Diante do suposto massacre de quase 1.500 pessoas, inclusive mulheres e crianças, pelo uso de armas químicas (provavelmente o gás Sarin) nas regiões de conflito dominadas pelos rebeldes na Síria, os Estados Unidos defendem um bombardeio "cirúrgico" às forças governamentais de Bashar Al Assad, como represália. É inquestionável a crueldade desse fato, caso seja comprovado, assim como o uso do "agente laranja", fartamente utilizado pelos mesmos norte-americanos contra as populações vietcongues, durante a Guerra do Vietnam (ver minha postagem neste blog: Guerra do Vietnã: Armas Químicas e Biológicas).

Os atuais "Defensores da Democracia" já cometeram os piores e mais hediondos crimes contra a Humanidade, desde o final da 2ª Guerra Mundial, sem que as Nações Unidas se manifestassem, ao menos com uma "inocente" Moção de Censura! Todas as ditaduras militares da América Latina, no período de 1960 a 1990, tiveram as mãos sujas do "Tio SAM" por trás dos golpes, geralmente através de ações da CIA, a agência de "inteligência" daquele país, ou de "consultores" e adidos militares nas embaixadas.

Por mais que as evidências sinalizem que o massacre tenha acontecido, que de fato tenham sido usadas armas químicas, e que o presidente da Síria seja o mandante do ataque, a Comunidade Internacional deverá exigir uma comprovação oficial e tecnicamente documentada, para se evitar um novo "equívoco", como o que ocorreu na Guerra do Iraque. Na época, George Bush declarou, oficialmente, que Saddam Hussein armazenava armas químicas em seu território, e as teria utilizado contra as populações minoritárias dos Curdos, além de ameaçar os seus vizinhos, para justificar sua participação militar.

O Iraque foi vítima de uma das mais cruentas guerras, com a presença norte-americana. Saddam Hussein foi preso e executado, mas nenhum depósito de armas químicas foi encontrado. Nos quartéis americanos do Iraque foram perpetradas as piores atrocidades contra prisioneiros de guerra (assim como vem acontecendo na prisão de Guantánamo, em Cuba, há mais de 50 anos), mas nenhum país do mundo se manifestou contra a tortura! Acima dos "propósitos altruístas" havia o interesse pelo petróleo iraquiano...

Como parte desse mesmo e lamentável episódio da História recente, o Afeganistão foi também vítima da truculência das forças norte-americanas, em busca de Osama Bin Laden, um terrorista "criado" pelos Estados Unidos em busca de seus interesses comerciais. A Al Qaeda surgiu depois que os americanos deixaram de apoiar Bin Laden, e ele se voltou para a "Guerra Santa" dos fanáticos muçulmanos. Anos depois, houve o terrível atentado às Torres Gêmeas de New York, utilizado por Bush para radicalizar a ação bélica norte-americana. Contra um grupo de fanáticos se justificou uma guerra que durou dez anos!


Reunião do Conselho de Segurança da ONU
Anos mais tarde, já sob a presidência de Barack Obama, Bin Laden foi assassinado em território do Paquistão, sem a autorização daquele país, caracterizando uma invasão militar dos Estados Unidos, mais uma vez sem nenhuma reação mundial de protesto, seja da ONU, seja dos países europeus, ou dos países alinhados com a Rússia e a China. Mais uma vez, interesses comerciais falaram mais alto.

Sabe-se que as Guerras do Oriente Médio só aconteceram por causa dos poços de petróleo, e os maiores interessados sempre foram os Estados Unidos. A participação européia nos conflitos foi pequena, e apenas para justificar a partilha dos "saques" ao petróleo mundial. Isso evidencia que as guerras contemporâneas não se diferenciam substancialmente, em seus propósitos, de todas as guerras em que a humanidade esteve envolvida ao longo de sua história: o objetivo foi sempre o de saquear os derrotados, ainda que sob o peso moral de milhares de vítimas inocentes!

Mas voltemos ao uso das armas químicas pela Síria... permanecem as dúvidas: as mortes de fato aconteceram? Sua causa foi realmente devida a gases químicos letais? Se comprovado, quem atirou contra a população de rebeldes: o Hezbollah, as forças de Assad ou os próprios rebeldes, pretendendo reverter a dramática situação em que se encontram, perdendo cada vez mais territórios?


Ataque de aviões americanos com armas químicas no Vietnam
Enquanto essas dúvidas não forem solucionadas, como justificar um ataque, ainda que "cirúrgico", contra as forças leais ao presidente Bashar Al Assad? Afinal, ainda que sejamos contrários a seus métodos cruéis e totalitários, tudo indica que ele tem o apoio da maioria da população. Além disso, as forças rebeldes não são homogêneas e não parecem defender uma "democracia" nos moldes do Ocidente. O que nos faria crer que, caso vencessem a guerra civil, implantariam um regime menos brutal e mais liberal para seus cidadãos? E, sendo muçulmanos, poderemos julgar seus valores à luz de nossas próprias crenças e convicções? Na ausência de um consenso, como justificar uma intervenção em um país independente? Aliás, em todas as intervenções militares havidas ao longo de nossa história, nenhuma se mostrou justa e teve como resultado a criação de nações democráticas e politicamente estáveis.

De qualquer modo, os Estados Unidos não possuem autoridade moral para cometer mais esse crime contra uma nação do Oriente Médio, principalmente porque seus interesses na região não conferem a eles a isenção necessária para justificá-la. Pesam, na consciência dos norte-americanos, milhares de crimes de toda espécie: ambientais, políticos, morais, étnicos e, principalmente, militares. Seu poder bélico constrange o mundo "civilizado" pela força e brutalidade, e não pelos argumentos humanitários que alegam possuir...
Postar um comentário

BPMN