segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Eleições do Mensalão

Ao contrário do que afirmavam analistas políticos, o julgamento do assim chamado "Escândalo do Mensalão" não representou problema para o Partido dos Trabalhadores, que teve seu espaço político aumentado, e não favoreceu o PSDB, que não ampliou seu eleitorado em função do julgamento dos antigos líderes do PT, notadamente Dirceu e Genoíno. A maior evidência disso foi a passagem para o segundo turno de Haddad, político desconhecido em São Paulo, e que iniciou a campanha com cerca de 3% de intenções de voto e chegou ao segundo turno com seu desafeto Serra, cujas margens de rejeição demonstraram ser muito maiores do que as do PT.

Agora, às vésperas do segundo turno, Haddad mantém expressiva vantagem de 16 pontos percentuais sobre seu oponente. Essa situação evidencia o poder de influência do ex-presidente Lula que, contra todas as expectativas, ofereceu o nome de Haddad para enfrentar o PSDB de Serra, o PRB de Russomano e o PMDB de Chalitta, que iniciaram a campanha com grande vantagem sobre o PT. Russomano, até às vésperas do 1º turno era apontado como provável oponente de Serra no 2º turno. Essas mudanças de preferências eleitorais têm duas explicações: a primeira demonstra a fragilidade desse processo de análise e interpretação das intenções de voto do eleitorado, e descredenciam as metodologias estatísticas de previsão de resultados; a segunda explicação está mais ligada ao desinteresse e despreparo do eleitorado com relação à escolha de seus governantes.


O que deveria ser fator de manipulação política do eleitorado, mostrou-se uma arma apontada para todo o sistema político brasileiro, uma vez que já não se distinguem bons e maus partidos políticos, todos envolvidos nas mesmas práticas oportunistas, manifestadas pelas barganhas de cargos e vantagens em troca de apoio em todos os níveis do poder legislativo e executivo. O PT, que era considerado um partido ÉTICO, perdeu sua aura de honestidade ao envolver-se no maior escândalo da História da República e ao recusar-se à autocrítica esperada pelos brasileiros. Ocorre que, na fila de espera das pautas do Supremo Tribunal Federal estão o PSDB, com o "Mensalão Mineiro", e o DEM com o "Mensalão de Brasília".

Durante todos os anos de espera pelo julgamento do STF todos apontavam para mais uma "PIZZA" a ser servida pelo STF, isentando de culpa os medalhões do PT. Porém, graças à decisiva e inteligente estratégia do relator Joaquim Barbosa, os réus foram sendo condenados, um a um, nos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, crimes financeiros, etc. E agora, exatamente neste momento, o STF julga o último crime, de formação de quadrilhas, justo no momento em que alguns ministros do STF tiram suas máscaras e passam a inocentar todos os acusados. Lewandowski, Tófoli, Rosa Weber e Carmen Lúcia exibem sua verdadeira face aos brasileiros!
Seja como for, essa reviravolta final nos resultados do julgamento terá efeito muito mais devastador para o PT do que a esperada condenação dos réus. Sentindo-se traídos pelos seus magistrados, provavelmente os eleitores de São Paulo se rebelarão contra a pantomima agora evidenciada, e tenderão a mudar seus votos, revertendo as expectativas das pesquisas de última hora. Se isso será suficiente para assegurar a vitória do PSDB ainda não se pode afirmar; mas certamente será a comprovação de que nosso modelo de "democracia" está falido, fracassado e comprometido com as piores práticas!


Não são apenas dois poderes que se ofereceram para encenar essa farsa, mas os três poderes! E isso não é surpreendente, uma vez que quase todos os ministros do STF foram nomeados pelo ex-presidente Lula e agora por Dilma Rousseff, que ainda tem uma carta nas mangas, que poderá ser utilizada caso alguma coisa ainda "saia do controle": será a posse do novo ministro Teori Zavascki antes da deliberação final de desempate e da atribuição das penas aos réus condenados. Ou seja, ninguém irá para a cadeia ou, se for, será beneficiado, como réu primário, a penas alternativas; na pior das hipóteses, uma condenação branda e uma reclusão doméstica!

Ficará apenas a imagem de um guerreiro que não se deixou abater, e desmascarou aqueles que tentavam manter a imagem de homens probos e dignos enquanto, em seus votos, demonstravam a traição à Nação e ao povo brasileiro. Joaquim Barbosa merece nossa admiração e respeito, tanto pela sua postura ética e firme, como pelos esforços em se manter ativo, mesmo diante de seu estado de saúde precário, expressando, horas a fio, seu trabalho magnífico de ordenar as denúncias e apresentar suas sentenças!

As "Eleições do Mensalão" poderiam ter se tornado um marco a estabelecer um recomeço de nossa Democracia e o reencontro com o Estado de Direito, sepultando definitivamente a mentira e resgatando a honra a que se referia Ruy Barbosa em sua frase mais emblemática:


"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."
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