segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Novamente as eleições: uma crítica à entrevista publicada




Embora eu mesmo tenha publicado essa entrevista abaixo, tenho muitos questionamentos a respeito de nosso modelo político e eleitoral. Sem querer ser demasiadamente elitista, mas já o sendo, creio que para cada cargo eletivo deveriam haver alguns requisitos que assegurassem a eliminação dos parvos, dos estúpidos, dos safados e dos idiotas, como muitos que já se elegeram, até mesmo como forma cretina de protesto de pseudo-intelectuais diante do descrédito nacional pelos políticos corruptos que aqui se divertem com o dinheiro público e com ofensas à nossa inteligência e à nossa consciência.
Entendo a importância dos movimentos sociais no processo de conscientização política de nossa sociedade, e sei que hoje uma parcela expressiva dos cidadãos é capaz de defender conscientemente seus direitos e se manifestar, justamente graças a esses movimentos que perpassam todas as camadas da população brasileira. No entanto, percebo também que, quando se convertem em eleitores, essas mesmas pessoas e também aquelas de outras camadas sociais e intelectuais, se esquecem dos valores maiores de nossa sociedade, e votam por interesses próprios, mesquinhos e medíocres, por questões religiosas, por vantagens pessoais, por grandes interesses econômicos, em troca de favores e de empregos, enfim, vendem sua consciência por um mísero voto.Não posso afirmar que essa prática caracterize a maioria dos eleitores, mas, pela mediocridade das câmaras de vereadores, das assembleias legislativas estaduais, da câmara e do senado federal, e dos próprios cargos executivos de prefeitos, governadores e presidente, parece que, de fato, o brasileiro não sabe votar, ou não se importa com o destino de seu próprio país. Já se passaram mais de vinte anos do fim da ditadura e do restabelecimento da democracia e, no entanto, um tempo maior do que o de uma geração não se mostrou suficiente para que uma nova sucessão de eleitores pudesse trazer a esperança de novos paradigmas políticos à nossa sofrida população.
Venho, insistentemente, defendendo o voto nulo como protesto para manifestar nosso desprezo aos políticos que por aí estão e que jamais poderão se modificar e prestar um bom serviço à Nação Brasileira. Percebo, constrangido, que pessoas das mais diversas camadas sociais e intelectuais, ignorantes do que tenha sido o trágico período da ditadura militar, estejam pregando a volta das fardas ao Palácio do Planalto. Isso é um sintoma grave e preocupante, pois evidencia a completa ignorância e alienação dos brasileiros com relação à sua História recente, às origens da corrupção e da desonestidade desses políticos que aí estão. Sim, pois muitos generais se enriqueceram com o poder!

De fato, foi também o longo período de exceção, ameaças e barbáries que impediu uma nova geração de lideranças ideológicas de surgir para compor os quadros da política brasileira. As velhas raposas como Ulysses Guimarães, Magalhães Pinto, Tancredo Neves, Carvalho Pinto, Olavo Setúbal, Jânio Quadros, Paulo Maluf, José Sarney, Carlos Lacerda, Leonel Brizola, Antônio Carlos Magalhães, entre tantos outros, em sua maioria, já desapareceram ou estão a caminho do ostracismo no cenário político. O que veio em seu lugar não foi o suficiente para compor uma nova estrutura para os partidos políticos.
Não bastasse o estrago causado pelos governos militares, dissolvendo o Congresso, cassando direitos políticos, torturando líderes estudantis, intelectuais e políticos, extraditando grandes inteligências de nosso próprio país, os generais de então ainda criaram um arremedo de partidos políticos sem identidade própria, sem programa de governo, sem ética e sem decência, que proliferaram, se multiplicaram e hoje compõem os mensalões, os anões do senado, os corruptos que alimentam as CPI´s inúteis, porque todos estão comprometidos com interesses menores e com as falcatruas que grassam em quase todas as instituições e órgãos públicos.

Embora, sob o aspecto tecnológico e de segurança e controle, as eleições estejam em plena evolução e aprimoramento, não temos nomes para conduzir a Nação em todos os seus níveis e extratos administrativos. Basta ver as pequenas cidades, onde os interesses menores prevalecem sobre os temas de relevância para a população. Pior ainda, no entanto, é constatar, em nossa maior cidade, justamente aquela considerada a mais politizada, aquela de maior riqueza cultural, o embate entre um candidato evangélico, liderando as pesquisas eleitorais, Celso Russomano, e dois nomes intelectualmente consagrados (embora questionáveis), Fernando Haddad, sociólogo, e José Serra, economista, a ver apenas a "poeira da estrada"... sinal dos tempos!
Portanto, aprimorar o sistema eleitoral é importante; mas investir em políticos decentes e honestos, competentes e líderes, é essencial e urgente! Se a lei da ficha limpa está em vigor, e o STF caminha para condenar políticos, banqueiros e publicitários do mensalão, ainda não é possível enxergar no horizonte próximo, uma nova geração de políticos dos quais possamos nos orgulhar e em quem possamos votar com a consciência tranquila.
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