quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

LIBERDADE DE IMPRENSA

Com o julgamento do caso Eloá Pimentel e Lindemberg Alves, a discussão acerca dos limites da liberdade de imprensa e a responsabilidade social decorrente das consequências da divulgação exaustiva de detalhes sórdidos de fatos policialescos volta a ser debatida. Afinal, terá a imprensa alterado o resultado das negociações para libertação da refém, contribuindo para causar-lhe a morte? Até onde vai o direito de liberdade de imprensa? 

Quem assiste aos noticiários dos canais de assinantes da TV brasileira percebe o exagero de repórteres em busca de seus espaços na mídia, comprometendo, muitas vezes, a veracidade das notícias veiculadas, sem que editores tenham tempo de evitar seus efeitos. No caso em questão, o criminoso foi exposto exaustivamente à mídia, e a sua defesa alega que esse foi um dos motivos de sua decisão de matar a refém, sua ex-namorada.

Verdade ou não, importa avaliar se esse exagero em noticiar crimes e situações mórbidas contribui para que a sociedade seja melhor ou pior, uma vez que informações relevantes e fatos edificantes não alcançam o mesmo espaço nos veículos de comunicação social. Esse fenômeno não é novo e apenas coloca em evidência a face obscura do ser humano, que se compraz com a tortura, a violência, o crime, os desvios de comportamento, mais do que com as ações nobres e edificantes.

Até onde deverá ir a liberdade de imprensa? Em quanto essa "imprensa marrom" que existe em todos os meios de comunicação contribui para a perversidade do homem, ressaltando o crime ao invés de valorizar o Bem, o Justo, o Belo, o Culto?... Até mesmo os canais de TV voltados para dignificar a Natureza, como o National Geographics destaca o TABU,  o PRISON BREAK, as DROGAS, os SEGUNDOS FATAIS e outros aspectos obscuros do comportamento humano.

Sim, porque o que "dá IBOPE" são os crimes e a maldade humana, e o fator de retro-alimentação da imprensa não pode ser desprezado e negligenciado. Em nome da "liberdade de imprensa" e em defesa dos direitos das emissoras de assegurarem seus lucros irresponsáveis, a TV e a mídia impressa cada vez mais buscam as "catacumbas da mente" e se esquecem que o bom gosto e a cultura precisam ser estimulados permanentemente. Esse é o papel educativo dos meios de comunicação. A Cultura não faz parte do instinto humano, mas a violência sim! É por isso que vivemos hoje o pior momento de nossa evolução intelectual.

No momento em que houve a ruptura dialética entre duas correntes filosóficas, entre o Capitalismo e o Socialismo, perdeu-se o principal fator de motivação do desenvolvimento ideológico da humanidade; e isso pode ser evidenciado pelo vazio que tomou conta dos espaços culturais, dos veículos de discussão filosófica e da própria formação cultural da juventude, hoje contaminada pela "cultura brega" e pela vulgaridade intelectual.

Perdeu-se a capacidade de análise factual, e os meios de comunicação têm toda culpa nesse processo, assim incluídas as redes sociais, que banalizam os fatos e tornam dispensáveis as investigações profundas das causas e consequências das realidades do mundo contemporâneo. Importa muito menos analisar e compreender os fatos do que divulgá-los à exaustão, ocupando durante horas, dias e até meses os espaços da mídia, até que a própria notícia se esvaia e "canse" a audiência, ou novo fato tome conta do noticiário.

A maior evidência desse "prazer mórbido" são os desastres humanos, naturais como um Tsunami, ou induzidos, como um atentado terrorista às Torres Gêmeas. Se a solidariedade com as vítimas existe, ela é pouco relevante diante da satisfação dos desejos humanos pelos detalhes das tragédias, sua "natureza plástica e estética" ao ver desabarem as estruturas, os edifícios, os seres humanos se debatendo desesperadamente em busca da salvação que não é possível... quanto prazer nos causa cada cena dessa natureza?

Até onde seria tolerável a Liberdade de Imprensa? Quais seriam seus limites? Qual a responsabilidade social dos meios de comunicação e seus impactos no desenvolvimento cultural de nossa Nação?
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