Escombros na Síria - anos de guerra civil desconstruindo uma Nação |
Tais religiões permaneceram praticamente imutáveis, em seus dogmas, até os dias atuais, migrando para o resto do mundo ao longo dos séculos até chegar a seus três bilhões de fiéis, metade dos quais professam a fé cristã, nela incluídos o catolicismo, o espiritismo, o protestantismo e sua variante de evangélicos. Hinduísmo e Budismo somam outros três bilhões de seguidores, enquanto cerca de um bilhão de pessoas se declaram ateus ou agnósticos. Cerca de quinhentos milhões se dispersam nas demais religiões, incluindo o judaísmo.
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Davi e Golias |
Uma população de cerca de duzentos e setenta milhões de seres humanos não sabem o que é viver em paz, ainda que relativa. Metade dessa população pertence ao Irã e à Turquia (cerca de 140 milhões de habitantes).
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Países do Oriente Médio
O que terá havido de tão grave nessa região para que as guerras nunca tivessem cessado ao longo de sua existência? Quais os fatores que conduziram esses povos a uma hostilidade sem precedentes, chegando a ameaçar a paz mundial, embora essa "PAZ" não seja assim tão tranquila?Considerando-se apenas o período de 1900 aos dias atuais, foram nada menos do que 23 guerras declaradas entre países daquela região, além de dezenas de conflitos, rebeliões, massacres, revoltas e golpes de estado.
Certamente, o Oriente Médio é uma das regiões mais conturbadas do mundo. Curiosamente, é também o berço da civilização ocidental, terra dos Persas, Sumérios, Acádios, Babilônios e Assírios; em um segundo período, foi a terra dos Fenícios, Macedônios, Turcos, Otomanos e Egípcios; no ano 30 a.C. o Egito sucumbiu ao Império Romano, encerrando o longo período de reinado dos Faraós. O Oriente Médio nunca mais recuperou seu brilho e poder. Permaneceu, porém, o culto às tradições, e o temor a Deus, que manteve essa região aprisionada aos dogmas religiosos que os ataram ao passado. O povo judaico foi expulso do Oriente Médio no primeiro século da era cristã, em um movimento conhecido como Diáspora ("dispersão").
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Muro da Vergonha Israelense |
O Estado de Israel somente ressurgiu em 1948, quando a ONU reconheceu sua existência e determinou que suas fronteiras fossem demarcadas na região em que hoje se encontra, um pequeno território espremido entre o Mediterrâneo e os Estados da Líbia, Síria, Jordânia e o Egito. Certamente, a imposição de um território cercado de seus piores inimigos foi o marco que determinou a expansão do Islamismo, a reconstrução dos Estados Árabes, a coalizão desses estados em oposição a Israel e, finalmente, o ressurgimento dos Palestinos, reivindicando também o direito a seu território e da cidade de Jerusalém, justamente nos domínios de Israel.
Desde então, esses estados coexistem em função da guerra, e suas populações, principalmente de Israel, do Irã e do Iraque, não souberam mais o que é a Paz. Esses conflitos acontecem em uma região rica em petróleo, onde qualquer instabilidade política afeta o mundo ocidental. As Guerras do Golfo nada mais foram do que uma luta pela hegemonia e pelo domínio da produção petrolífera que abastece os Estados Unidos e a Europa.
Lá se confundem as tradições religiosas com a riqueza trazida pelo petróleo. Lá os Estados Unidos investiram numa guerra que pretendia assegurar que o fornecimento de petróleo não fosse interrompido; isso seria uma catástrofe que paralisaria a sociedade norte-americana, tornando esse país extremamente vulnerável às demais potências mundiais, Rússia e China.
Mas havia outro interesse para os norte-americanos: utilizar seu imenso arsenal bélico, construído para aplicar em outro conflito: a Guerra do Vietnam. Esses armamentos estavam se tornando obsoletos, e a indústria bélica sob o risco da falência, caso novos conflitos não fossem alimentados, de forma a exigir a produção de uma nova geração de armas marítimas, aéreas e terrestres.
E os Estados Unidos se jogaram "de corpo e alma" na Guerra do Golfo (entre Irã, Iraque e Kwait), vendendo ao mundo a imagem da redenção, pois os iraquianos ameaçavam incendiar todos os poços de petróleo do Kwait, o que de fato fizeram. Com isso, empresas foram contratadas para apagar os incêndios e "salvar" os poços de petróleo. E os EUA acabaram com seu estoque obsoleto de armamentos, reativando a sua feliz e próspera indústria bélica e ambicionando o domínio dos poços de petróleo.
Alguns anos depois, mais exatamente em 2001, um atentado às Torres Gêmeas e ao Pentágono, assumido pela organização Al Qaeda, de Osama Bin Laden, foi o estopim de nova Guerra, desta vez com o objetivo de capturar o terrorista, mas que, por trás dessa justificativa, pretendia executar um plano maior, de assassinar Saddam Houssein, o "Diabo" travestido em presidente do Iraque, a quem os norte-americanos acusavam de ter um arsenal de armas químicas (nunca encontradas), que seriam utilizadas pela Al Qaeda para perpetrar novos ataques terroristas em todo o mundo. Uma guerra de perseguição foi executada, varrendo do mapa o Iraque, tal como existia antes, e "executando" Saddam Houssein, em uma invasão do Paquistão. Em outra frente da mesma guerra, o Afeganistão foi varrido pelo exército norte-americano, tirando do poder o Taliban substituindo-o por governantes "da confiança" dos norte-americanos. Tanto o Iraque quanto o Afeganistão jamais se recuperaram dessa intromissão político-militar norte-americana.
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Poderio Militar de Israel (o Golias) |
Essas escaramuças, com poderio de uma "Força Estelar" digna do seriado "Star Wars", desestabilizou definitivamente os países da região, afetando, inclusive, outros países africanos, como o Egito e a Líbia, onde seus presidentes foram destituídos, em um processo que chegou a ser chamado pela mídia, de forma imprópria e precipitada, de "primavera árabe". Muhamar Kaddafi, da Líbia, foi morto pelos rebeldes, financiados e apoiados pelos Estados Unidos e pela OTAN, que enviou seus caças para bombardear Trípoli.
Não pretendo ser exaustivo nessa brevíssima retrospectiva histórica, mas apenas ilustrar minhas conclusões a respeito dos conflitos atuais. A Síria vive uma guerra civil que teve início em 2011 e já causou quase duzentos mil mortos. Toda guerra civil evidencia o esfacelamento das estruturas sociais e políticas de uma nação. Mas demonstra outra face do problema: o exército toma partido, considerando inimiga da nação parte da população, que apenas demonstra sua insatisfação com os donos de um poder totalitário. Ter um exército implica neste risco.
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Palestinos fugindo do terror da guerra |
Voltando à questão palestina, Israel pratica hoje a mesma política que foi utilizada pelos Aliados em Berlim, após a derrota de Hitler, erguendo um muro para separar o lado dos "aliados" daquele ocupado pela União Soviética. Hoje, Israel bombardeia áreas da Faixa de Gaza, ocupadas pela população civil, assassinando pessoas comuns para enfraquecer o que consideram seus inimigos, agindo contra a vontade de parcela expressiva de seu próprio povo, que já está cansado da guerra e quer apenas viver em paz.
O que faz Israel ser tão seguro de seu poder? Seu exército e seus armamentos? Seu treinamento exemplar para a guerra? Sim, isso também. Mas existe outra razão, talvez mais forte, e que paralisa os Estados Unidos diante do Conselho de Segurança da ONU: existem milhares de judeus nos Estados Unidos, muitos deles em posições estratégicas, inclusive como acionistas e diretores das maiores empresas do país.
O que faz Israel ser tão seguro de seu poder? Seu exército e seus armamentos? Seu treinamento exemplar para a guerra? Sim, isso também. Mas existe outra razão, talvez mais forte, e que paralisa os Estados Unidos diante do Conselho de Segurança da ONU: existem milhares de judeus nos Estados Unidos, muitos deles em posições estratégicas, inclusive como acionistas e diretores das maiores empresas do país.
Por essa razão, a ONU não consegue aprovar nenhuma decisão que desagrade esses interesses subalternos e não manifestados. Mas seria esta a única razão? Certamente, não. Também do lado árabe existem radicais armados de seu livro sagrado, o Alcorão, pregando a extinção do Estado de Israel. É claro que esses poderosos, que manipulam os cordões da política internacional, nunca estiveram num "front" de batalha, nem viram suas famílias serem destroçadas pelas bombas lançadas sobre suas casas! E os obscuros corredores por onde caminham esses políticos não levam a um acordo de paz.
Nesse mundo desconhecido pelos deuses de seus povos não existe a boa vontade, nem a compaixão, sentimentos humanos demais para pessoas tão cruéis, mas que levariam ao entendimento, ao perdão, à harmonia e à paz. Nenhum povo deveria ser educado para ter ódio de seus semelhantes. No entanto, nessa terra de sofrimentos, somente o que as crianças aprendem é manejar um fuzil, atirar uma bomba, odiar o "inimigo" que eles sequer conhecem, e rezar para que seu "deus" reserve para eles um espaço no "paraíso" com mil "virgens" para saciar seus desejos...
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