domingo, 18 de julho de 2010

Os vícios da política brasileira

Por que existem tantos políticos corruptos e despreparados nas principais casas legislativas brasileiras? Por que os processos mais polêmicos no Congresso Nacional nada têm a ver com a criação ou revisão de leis? Por que as assembléias, câmaras legislativas e o senado federal têm tantos assessores e resultados tão medíocres? Por que o Brasil possui tantas leis e tão pouca capacidade produtiva? Essas questões nos afligem a cada mandato legislativo.


O fato é que a incompetência não está apenas nas atividades públicas, mas também nas empresas privadas e em nossas próprias vidas pessoais, e a principal causa é a falta de preparação intelectual. Somos um país onde os indicadores da educação fundamental e do ensino médio são extremamente baixos, se comparados com os países mais desenvolvidos.


Nosso meio político, desde suas origens no período colonial, foi constituído de pessoas pouco  comprometidas com os interesses comunitários. Grande parcela dos políticos brasileiros representam interesses específicos de segmentos minoritários da sociedade brasileira, como evangélicos, industriais, ruralistas, sindicalistas e outras entidades classistas. Diriam alguns: "mas sindicalistas representam a maioria dos trabalhadores". Sim, deveriam representar. No entanto, os próprios sindicatos foram ocupados pela pior escória dos trabalhadores.


Por lamentável tradição, quem procura fazer carreira em sindicatos não são trabalhadores competentes, mas aqueles que buscam estabilidade em seus empregos sem precisar trabalhar, sem demonstrar eficiência em suas atividades originais, pois a lei os protege.


Da mesma forma, as religiões evangélicas conquistaram enorme poder econômico explorando a crendice e ignorância dos pobres e, com isso, se lançaram às carreiras políticas com o intuito de assegurar maior poder representativo nas assembléias e câmaras nacionais.


Se olharmos a formação política do Congresso Nacional constataremos que a maioria absoluta de nossos representantes mal sabe se comunicar e nada conhece do processo legislativo. As sessões dessas casas legislativas se prolongam durante horas em discursos inócuos e sem conteúdo, prestando homenagens a políticos mortos, personagens da história e outras inutilidades que nada contribuem para a solução dos graves problemas sociais.


As pessoas que buscam a carreira política geralmente são filhos de outros políticos ou estão vinculadas a esses interesses minoritários, pouco tendo a ver com os movimentos sociais e as maiores demandas das comunidades populares, geralmente esquecidas nas periferias dos grandes centros urbanos ou nas pequenas cidades do sertão e do agreste nordestino.


Entidades bem intencionadas alardeiam "vote conscientemente!", como se afirmar isso garantisse maior qualidade do voto à população. Nosso povo é semi-analfabeto e por isso não sabe votar. Não existe qualidade no voto dos brasileiros! Assim, mesmo substituindo todos os políticos corruptos do Congresso Nacional não teríamos uma representação melhor.


Ao invés de fazer esses apelos dramáticos, deveríamos procurar melhorar a qualidade do ensino em todos os níveis e aumentar as exigências intelectuais para esses representantes do povo brasileiro. Hoje, quem determina quais serão os candidatos às eleições são os partidos políticos, outra fonte de corrupção e incompetência. Não existe um sistema representativo que selecione proporcionalmente os políticos por região, camada social, ideologia, ou qualquer outro critério relevante. Trata-se de um círculo vicioso que nos mantém na mediocridade.


Hoje, para se eleger um deputado federal, dependendo do Estado, pode custar uma pequena fortuna, mas o sistema é tão falho que mesmo com pouquíssimos votos um candidato pode se eleger, puxado pelos votos totais da legenda partidária à qual está vinculado. Já houve eleição em que um deputado se elegeu com pouco mais de 300 votos (puxado por Enéas!).


Estamos às vésperas de uma nova eleição majoritária, quando serão substituídos todos os governadores, deputados estaduais e senadores, o presidente da república e 2/3 dos senadores da república. No entanto, nada de novo nos leva a crer que haverá mudanças expressivas no modo de se fazer política nesse país. Tudo ficará na mesma e não devemos alimentar esperanças de que o futuro será promissor, a não ser pelas qualidades e recursos naturais de nossa terra. E mesmo isso está em processo de destruição graças a políticas mal elaboradas e que interessam apenas a minorias inexpressivas de nossa sociedade.
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