domingo, 3 de janeiro de 2010

A Propaganda Eleitoral no Brasil

Ano eleitoral e a propaganda já corre solta há meses! Dilma, Marina e José se encontraram em Kopenhagen diante de um público de elite, preocupado com propostas ambientais e não com nossa política doméstica; principalmente quando os interlocutores (Roussef e Serra) nada entendiam de ambientalismo!

Mas o problema, para nós brasileiros, é ver desfilarem, descaradamente na TV, as caras daqueles políticos que gostaríamos de ver banidos para sempre do cenário nacional: Collor, Sarney, Renan & Cia... as propostas são sempre as mesmas; os discursos parecem zombar de nossa estupidez, esses mesmos sujeitos apregoando a moralidade pública, como se não fizessem parte da máfia que conduz os debates mais torpes no Congresso Nacional!

Quem imagina que "agora será diferente" é, de fato, merecedor desses discursos demagógicos e desprovidos de conteúdo! Nenhum candidato se prepara, intelectualmente, para assumir um cargo público, seja legislativo ou executivo. Chegam e se aboletam nos seus assentos, aproximando-se das inúmeras comissões que passam os dias, monótonos e enfadados, discutindo cargos, favores, verbas e... propinas!

Os anos passam e tudo continua igual! Por que?

Já abordei esse assunto antes, mas creio ser necessário repeti-lo à exaustão, até que outras vozes de formadores de opinião se unam a nós e nos ajudem a "retomar a Bastilha"! Sim, porque somente uma rebelião ideológica poderá desmontar esse poder corrupto, viciado e caquético de Brasília!

O tema é "Sistemas de Governo"! Junto a ele, a educação política de um povo... e também o fim do voto obrigatório, a exigência de nível intelectual condizente com a responsabilidade administrativa... e ainda a seleção prévia de candidatos baseada em competências, como o fazem as empresas privadas e até mesmo as públicas em seus concursos... e por que não os prefeitos, vereadores, deputados, governadores, senadores e o presidente da república? Sim, a responsabilidade desses cargos é maior que a dos funcionários das empresas!

E também atestados de idoneidade moral... e uma legislação punitiva rigorosa e eficaz, que não permita que um corrupto volte ao poder... NUNCA MAIS! Pois os atletas que usam drogas não são banidos do esporte? E os criminosos recorrentes não deveriam ser banidos do convívio social? Assim deve ser!

Em quem cada um de nós irá votar? Talvez não tenha a menor importância, nesse atual sistema de governo onde a maioria do povo é analfabeta, plena ou funcional, onde o peso de um intelectual nas eleições é igual ao peso de um alienado qualquer que nem sabe as atribuições desses políticos que ajudou a eleger!

Certamente me chamarão de elitista, e eu sou, de fato! Não fosse assim, e poderíamos admitir que qualquer funcionário de qualquer empresa poderia exercer qualquer cargo, o que não é verdadeiro; assim como não podemos exercer as profissões regulamentadas sem adquirirmos o direito de fazê-lo através do estudo e da conquista de um diploma! Deveria haver uma Escola Superior de Política, que habilitasse profissionais a exercerem seus mandatos com, no mínimo, competência! A Ética seria disciplina obrigatória!

Quais são, hoje, os argumentos mais usados para convencimento da opção de voto? Ser da mesma igreja é um bom motivo, principalmente se for um evangélico pentecostal! Torcer para o mesmo time, prometer casas e empregos para todos, jurar fidelidade a princípios morais, mesmo tendo a maior ficha corrida na polícia, assegurar água em todo o sertão do semi-árido nordestino, oferecer empregos públicos (veladamente)...

E os programas partidários, alguém conhece? Nem mesmo aqueles que se filiaram a partidos políticos sabem o contrato que assinaram em branco! É bom lembrar o programa do PDS, partido que sucedeu à ARENA durante a ditadura militar: nem mesmo o PMDB, que era a oposição possível naquela época, o saco de gatos que acomodava todas as tendências políticas (UÉ, não é o mesmo de agora?), nem mesmo ele tinha um programa social tão avançado, tão nacionalista, tão nazista como o do PDS!

Então, o que nos resta fazer nas eleições? Votar consciente, diriam todos os puristas da Democracia, mesmo sabendo que existem várias "democracias" no Capitalismo: aquela dos ungidos do poder, aquelas dos ricos que não querem o poder, mas apenas usufruir dele, a democracia dos intelectuais, que nunca saiu do papel, e a democracia dos pobres, a do "vinde a nós o vosso reino"... (o reino fica com os poderosos, é claro!)
Mas então, só nos resta protestar e anular nossos votos, não é mesmo? Sim, desde que protestar signifique nunca se calar, nunca se omitir, manifestar-se sempre e não ter receio de se comprometer com suas próprias idéias, sua própria ideologia!

Afinal, de que adianta pensar, se não colocamos em prática nossas convicções?
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