domingo, 16 de março de 2014

POLÍTICA COMO ARENA DE DISPUTAS IDEOLÓGICAS

O povo, sem cultura, é como o gado, que precisa do boiadeiro para conduzi-lo.
Ano de eleições. Muitos já chegam à disputa com a mente decidida, com candidato escolhido, com um partido político que mais parece uma religião, tantos são os "dogmas" a que precisam se submeter. Esses não têm escolha, e apenas referendam a votação de eleições passadas, sem refletir se o que foi feito correspondeu às suas expectativas e cumpriu as promessas de campanha e está em conformidade com o ideário do partido político ao qual se filiaram. Como nas religiões, sua opinião não tem valor, pois são induzidos a escolher os candidatos que lhes foram impostos, acatando as decisões previamente tomadas, sem discussão. Outros nem candidatos têm, e esperam alguma sugestão de amigos, ou pedidos de candidatos em troca de um "agrado" qualquer. Alguns não têm sequer noção da importância do voto...

Em nosso país, as eleições se tornaram referendo e não escolha. Duas facções se formaram, com o entulho ideológico do passado, imersos nas mesmas acusações e promessas, sem criatividade, sem idealismo, sem vontade de transformar o nosso pequeno universo em um lugar melhor para se viver. Até mesmo os slogans das empresas de marketing político não se renovam, e o cenário apresentado nos horários eleitorais é sempre o mesmo, reproduzindo frases já ditas à exaustão nos últimos trinta anos de vida "democrática". Seria essa a República de Platão ou a Democracia de Atenas?

Apesar dos vários candidatos, as discussões são estéreis e infundadas. Prevalece a mentira, a hipocrisia, a falsidade... curioso é que mesmo os partidos de esquerda, que deveriam aceitar o debate, pois a "Dialética" faz parte do ideário comunista e de seu Método de Reflexão, se recusam a provocar as discussões de temas "sensíveis". Ninguém quer se expor demais para não "perder a carona"! A causa disso tudo é que os partidos se misturaram, perderam a identidade! Restou apenas uma paisagem enevoada na qual não se distingue as nuances e as ideologias ali representadas.

Neste momento crítico de nossa vida política, como cidadãos, deveríamos estar discutindo programas de partidos, plataformas eleitorais, propostas setoriais, debates sobre temas que nos dizem respeito. No entanto, discute-se migalhas de pensamentos. É mais importante falar das tolices ditas no STF do que debater a crise de nossa política interna e a situação internacional. Nunca houve tanto assunto a ser discutido, e apenas o que veremos são caras de idiotas prometendo fazer isso ou aquilo, as mesmas coisas que já disseram anos a fio... tipo assim: "A Educação é a prioridade de nosso governo!"ou "Venha para o nosso Partidoe participe dos debates sobre a emancipação da Mulher Brasileira!"

Como esperar que algo mude nesse país, se as pessoas são as mesmas, as regras são as mesmas, os partidos são os mesmos e os métodos de aliciamento, infelizmente, também são os mesmos? "Nada de novo no front"! Com essa declaração os repórteres começavam o dia na Segunda Guerra Mundial, quando meses se passavam sem novidades, a não ser a tragédia das milhões de mortes que se acumulavam na consciência humana... pois diremos o mesmo: "Nada de novo na política brasileira"! Porque os atores repetem a mesma peça teatral, cansada e desinteressante, dos candidatos se alternando na tela da TV, pronunciando promessas ou acusações desprovidas de sentido, apenando para a emoção ou incitando ao ódio, ou ainda fazendo denúncias, com ou sem fundamento, mas que nada têm a ver com o processo de seleção em que ele é o candidato e o eleitor é a banca examinadora! Poucos percebem isso!

E assim, com votos de cabresto, votos de analfabetos (integrais ou funcionais), votos de "amizade" ou votos de submissão messiânica a um partido político, cem milhões de brasileiros despreparados escolherão o mandatário supremo da Nação, além de senadores e deputados, representantes "legítimos" de nossa vontade política. Com um processo dessa natureza, como esperar que, nos próximos quatro anos, alguma coisa irá mudar nesse país? Então surgem as temerosas "fórmulas mágicas": -militares no poder! -constituinte já! -voto distrital misto! -financiamento público de campanha! -fim das reeleições! -parlamentarismo! -fim das alianças políticas! -fim do voto eletrônico!

Cada um traz seus palpites, irresponsáveis e infelizes, acreditando que o problema do Brasil é de cunho institucional. Não é. Se um povo é politicamente preparado, qualquer sistema de governo funciona razoavelmente. Não é o nosso caso, com certeza! Outros ainda trazem aqueles "bordões" já rustidos e desqualificados: "o que falta ao brasileiro é Educação, é Saúde, é Transporte, é Cultura, é blábláblá..." Sim, é tudo isso, mas não é nada disso, pois o que significa ter cada uma dessas áreas priorizadas, se carecemos de Honestidade, de Ética, de Solidariedade, de Respeito?

Precisamos de um povo que compreenda o sentido de NAÇÃO BRASILEIRA! Que saiba respeitar os valores éticos da sociedade, mas que também saiba o valor de sua Terra, ou melhor, que compreenda o conceito mais complexo de TERRITORIALIDADE! Que tenha o entendimento de que o espaço físico de um povo não pertence a ninguém. Que os recursos naturais da Humanidade são finitos e que cada um de nós é responsável por preservá-los para as próximas gerações. Que ser Cidadão é muito mais do que obedecer às leis e às regras sociais, mas é, sobretudo, respeitar o OUTRO, ser justo, condescendente, solidário, generoso, humilde, honesto, altruísta, idealista... sim, porque só um povo que tem respeito pelo outro é capaz de construir uma Nação. Pátria é um conceito simplório...

Finalmente, mas não menos importante, é compreender que FAZER POLÍTICA é atuar numa arena onde as idéias podem ser discutidas sem ofensas e sem mágoas, que cada um tem o direito de pensar diferente, desde que seus proósitos atendam àqueles valores mencionados, que fazer política é dialogar mais do que discutir, buscar o consenso mais do que vencer por maioria, comprender o outro lado mais do que impor sua vontade. A arena política pode chegar a "ferver" de emoção e "fervilhar"de idéias contraditórias ou complementares. O que não pode acontecer é a imposição de uma vontade sobre as demais pelo poder político, econômico, religioso ou social. Não é nada fácil...
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