sexta-feira, 27 de julho de 2012

Encontro de Culturas gera renda na Chapada dos Veadeiros



Só no ano passado cerca de 900 pessoas trabalharam direta ou indiretamente no evento

Fomentar a geração de trabalho e renda para os povos tradicionais que habitam o nordeste de Goiás é um objetivo do 12º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, que acontece até o domingo, 29, na Vila de São Jorge, em Alto Paraíso (GO).

“Respeitamos e aproveitamos os saberes desses povos. Um exemplo disso é o uso de técnicas de bioconstrução em palha e adobe para a confecção de espaços que usamos. E também a replicação de tecnologias sociais construtivas utilizadas pelos indígenas e quilombolas”, diz o coordenador do encontro, Juliano Basso.

Foi por causa da participação no encontro que o grupo que apresenta a Caçada da Rainha, de Colinas do Sul (GO), começou a crescer. Quem relembra é o organizador da tradição, José Nilo Almeida Passos, o Zé Nilo, de 56 anos. “Devemos muito ao Encontro de Culturas Tradicionais. A nossa tradição tinha um valor que a gente mesmo não conhecia. Percebemos que mesmo sendo tudo tão simples, as pessoas valorizavam muito”, conta.

Com a projeção trazida pelo Encontro de Culturas, o grupo passou a receber convites para apresentações em outras cidades do Estado e do Distrito Federal. Por outro lado, Colinas do Sul, costuma ver o tamanho da sua população, de 4 mil habitantes, duplicado no mês de julho, quando a Caçada da Rainha é realizada na cidade.

“Todo mundo sabe participar da festa. A praça fica lotada. Está no sangue como o carnaval no Rio de Janeiro ou Pernambuco”, compara. Como secretário de Cultura do município, José Nilo sabe que a festa é imprescindível para o crescimento de Colinas do Sul, que tem no turismo uma das principais fontes de renda.

A Caçada da Rainha é realizada em Goiás desde 1896 e em Colinas do Sul desde 1953. É uma tradição que recria a passagem histórica segundo a qual a Princesa Izabel assinou a Lei Áurea, durante viagem do pai, D. Pedro II e, temendo represálias dele, escondeu-se no mato ao saber do seu regresso próximo. O Rei, no entanto, teria louvado a atitude da princesa e colocado os escravos para procurá-la. Felizes, os negros a receberam com festa e o conhecido “Batuque da Rainha”, tocado na festa da Caçada.

Geração de renda
Os grupos de cultura popular que se apresentam no encontro recebem cachês para participar. Só no ano passado foram 400 integrantes de vários estados do Brasil e do exterior. A população em geral tem a oportunidade de atuar na produção do evento e ganhar um dinheiro extra. Em 2011, cerca de 900 pessoas trabalharam direta ou indiretamente no encontro.

Moradores da vila costumam também alugar suas casas aos turistas, abrindo mais uma frente nas possibilidades de hospedagem na região. Outros adaptam seus quintais fazendo deles áreas de camping, durante o evento. “São Jorge só fica cheia assim durante o encontro. É quando eu abro o camping e dá para ganhar um dinheiro, pagar a água, a luz”, diz a aposentada Aparecida Farias.

Participando do evento pela quarta vez, a artesão Leisa Oliveira não abre mão de estar em São Jorge nessa época do ano. “As expectativas de venda são sempre boas”, comenta. Ela também gosta do movimento da vida e diz que poder conversar com as pessoas nas ruas e reencontrar amigos que fez em outras edições também são vantagens que o encontro proporciona.

O Encontro
O 12º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros começou no dia 20, realizado pela Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge e patrocinado pela Petrobras e Eletrobras Eletronorte, além de outros parceiros. Só no primeiro final de semana, seis mil pessoas participaram da programação, sendo que a estimativa dos organizadores é de que trinta mil visitantes passem pelo local até o seu encerramento.

O evento busca ampliar o conceito de cultura, mostrando ser possível, por meio dela, que povos tradicionais tenham uma opção a mais de geração de trabalho e renda.

A valorização do patrimônio imaterial da região, a criação de políticas públicas que resguardem as manifestações artísticas locais, políticas públicas para a área de patrimônio imaterial, identidade, sustentabilidade e economia criativa são também abordados.

A programação é composta pelo Encontro das Lideranças Quilombolas de Goiás, Diálogo Intercultural da Água, Aldeia Multiétnica, espetáculos, vivências, rodas de prosa e de capoeira, mostras de filmes, oficinas e feira de produtos do Cerrado, que acontecem simultaneamente, movimentando o povoado.

Saiba mais
Confira a programação completa acessando o link: 

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