quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Expedição de canoagem pelo rio São Francisco

Meu Velho Chico - um rio pede ajuda

Já se passaram mais de 12 anos desde que cheguei ao término dessa epopeia chamada Rio São Francisco. Foram meses de preparação, com treinamento físico, leitura de dezenas de livros sobre esse colosso de nossa hidrografia, escolha de uma canoa que me servisse durante todo o trajeto, contato com pessoas que percorreram o rio antes de mim, identificação de locais relevantes para ancorar minha canoa e conhecer a população que habita esse rio lendário, planejamento de cada detalhe para não depender de ninguém fora do universo desse rio gigante, escolha do período ideal para navegar sem maiores riscos além do que já representa essa expedição insólita... é claro que em uma viagem dessa dimensão, muita coisa poderia acontecer fora do planejamento, mas tudo isso foi fundamental para o sucesso desse projeto.

Não vou repetir aqui, nessa retomada do tema, aquilo que meu livro já relatou, com detalhes suficientes, pois foi escrito durante o grande percurso de 99 dias (dentro do rio) e 12 meses, durante os quais tudo aconteceu. Meu propósito é recordar a expedição de minha vida, reavaliar os impactos dessa epopeia que mudou a minha vida definitivamente. E foram muitas as transformações que aconteceram para mim, em mim, nas pessoas que me apoiaram e acompanharam a longa jornada. Ao sair, pela última vez, das águas do Velho Chico, aquela pessoa que nelas entrou não existia mais...tornei-me um mito de mim mesmo, apenas para mim. Reafirmei meu caráter, revisei meus valores, reescalonei minhas prioridades, redefini meu destino, reconfigurei meus projetos de vida e minha personalidade, acrescentando, em meu espírito, o próprio espírito do Velho Chico, que já não era apenas uma personagem mitológica repleta de lendas e mitos, mas uma entidade maior, mais real, mais concreta e habitava o meu interior.

Para aqueles que não têm interesse em ler essa epopeia, deixo este LINK (podem clicar nele) aqui (https://goo.gl/photos/fQW6ELEeJDNqFW9V6)  e no título dessa publicação, para que vislumbrem essa aventura por algumas fotografias (cerca de 150), escolhidas entre as mais de 4.000 fotos tiradas de dentro do barco, nas margens do rio, nas cidades próximas a ele, nas comunidades quilombolas e nas aldeias de indígenas e ribeirinhos que lá estavam desde os tempos imemoriais da vida nesse continente.

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