sábado, 14 de janeiro de 2017

O Ciclo dos Anos e a Realidade


Quem nunca pensou que a mudança de calendário é mera convenção e conveniência, seja para dar sentido à vida, seja para estimular o consumismo, seja para eleger um representante de alguma religião como Salvador da Humanidade? Assim, pelo calendário cristão, estamos no ano de 2017; pelo judaico, no ano de 5.778; pelo calendário islâmico, estamos no ano de 1395...

O fato é que o Universo teria, de acordo com as estimativas mais recentes, 14 bilhões de anos! Assim, o ano novo atual seria da ordem de 14.123.456.789! Belo número, não é mesmo? Precisaríamos de uma calculadora para fazer as contas de quanto tempo se passou desde que uma tremenda explosão teria dado origem ao Universo! Mas... e antes da explosão? O que existia?

Mas outro fato invalida essa referência primária, pois não sabemos quando o Sistema Solar se formou... seria há 4.000.000.000 de anos solares terrestres? 
Qualquer que seja o marco inicial dos anos que adotássemos para representar quantas vezes a Terra girou em torno do Sol, isso nada significaria diante da imensidão do tempo que nos trouxe, de modo efêmero, a viver por aqui...

Os ciclos terrestres são quase infinitos para nossa percepção mortal e nossa pequenez diante da relevância que representamos nesse contexto universal. Assim também são nossas pequenas crenças, crendices estúpidas ao supormos que nossa insignificante mente seja capaz de conceber a existência de um deus que nos transformou em humanos a partir de uma herança genética simiesca!

No entanto, esses pensamentos irrelevantes nos confortam diante da probabilidade de que nossa presença humana no infinito seja sequer percebida por algum suposto Ser Superior, Onipresente e Eterno. Na verdade, somos NADA, partícula inexpressiva, fugaz, irrelevante no contexto global da Vida...

Diante do exposto, evidentemente, tanto faz o que venhamos a sentir, ou pensar, escrever, realizar, produzir, legar para nossos descendentes... tudo será apenas um irrelevante grão de areia no deserto do Saara, uma minúscula e imperceptível gota de água nos oceanos terrestres, uma desprezível partícula de poeira na imensidão da atmosfera que nos fixa à superfície da Terra...

Os ciclos dos anos servem apenas para marcar nossa individual presença na vida, ciclos de chuva e estiagem, de plantações e colheitas, de nascimentos e mortes, de despertares e adormeceres, de crescimento e envelhecimento... nada é permanente nesse universo, e dele nada levaremos, sequer lembranças! 

A Realidade também não existe, pois cada indivíduo percebe o mundo conforme sua pequena bagagem de conhecimentos, igualmente fugazes e efêmeros, que se mostrarão equivocados para as gerações que nos sucederão nesse caminhar infinito e sem rumo. Portanto, a Vida é, tão somente, uma ilusão do existir!...
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