sábado, 28 de junho de 2014

Brasil x Chile

Neymar e Júlio César (foto de arquivo)
Jamais pensei em escrever uma crônica sobre futebol. Será que Nélson Rodrigues também pensava assim? Certamente, não... ele era um torcedor fanático pelo futebol e por seu time do coração: o Fluminense.

Jogo: Brasil vs Chile!


Duas grandes equipes, dois países essenciais na América Latina! Um embate entre dois gigantes! Assisti, emocionado, a essa disputa! 

Para mim, era difícil escolher entre as duas equipes, ainda que meu sentimento nacionalista falasse mais alto... duas grandes Nações defendendo suas posições no futebol mundial. Um dilema político difícil: é claro que o governo petista de Dilma só tem a ganhar com os bons resultados no futebol de nosso país! Haja vista o ano de 1970, em plena ditadura militar, quando a comemoração pela conquista do tricampeonato mundial foi explorada pelos generais de plantão como uma realização do governo militar! E nossos "heróis" foram recebidos com honra em todas as grandes cidades, como se tivéssemos vencido uma guerra! De fato, o futebol é uma guerra... Desfilaram em carros abertos, a taça na mão, qual um troféu militar...

Agora, #DILMA tenta capitalizar essa Copa do Mundo, sob orientação de seu "coach", Luís Inácio #LULA da Silva, para vencer as eleições! É um dilema complicado, pois, no fundo, somos todos brasileiros a despeito da estupidez que é a existência de fronteiras nesse mundo dos homens! Sim, as fronteiras geram as guerras e matam milhões de seres humanos, que, muitas vezes, sequer sabem por que e para quem estão lutando e morrendo...


Pois então, passei o jogo inteiro nesse dilema entre o Bem e o Mal, entre a política e o maldito "sentimento patriótico" que aprendemos com nossos pais e com as escolas que frequentamos... mera percepção espacial... é quase uma religião, com seus dogmas, seus santos, seus padroeiros, suas crenças e sua fé! Enquanto a "pátria" é uma entidade militar, a Nação é um sentimento transfronteiras, que identifica um povo, sua territorialidade, seus valores éticos e culturais, seu sentimento de identidade étnica e fraternidade espontânea... bem diferente...

Por fim, o Brasil venceu nos "pênaltis", e dois heróis foram sacramentados: Neymar e Júlio César, que tornaram possível a continuação desse jogo entre Nações, uma espécie de "WAR" contemporâneo... quem nunca jogou "WAR"? Nações se confrontando num tabuleiro mundial, tentando conquistar uns aos outros, sem nenhum propósito senão o de "derrotar o inimigo"!


Assim, o Brasil conseguiu postergar por mais uns quinze dias a sentença de morte da "Democracia Petista", que, em 3 de outubro irá reconduzir DILMA para o Palácio do Planalto! Palácio? Sim, esse é outro resquício do Brasil Colonial, caracterizado por apenas dois "Imperadores": Dom Pedro I e II... curta história... pois temos um "palácio" incrustado no coração do Brasil, no bioma mais devastado do país, o Cerrado, riquíssimo em espécies e em recursos hídricos, vitais para nossa sobrevivência... mas a quem importa?

Ficam um pouco distantes, em minha memória, as tragédias em que esses dois países foram protagonistas e vítimas, durante os negros anos das ditaduras latino-americanas das décadas de 1960 a 1990. Comandados pelos generais, Emílio Garrastazu Médici e Augusto Pinochet, Brasil e Chile foram cruelmente devastados, intelectual e materialmente, por esses cruéis militares e aqueles que os precederam e sucederam nos "terríveis e negros anos de chumbo"!

As questões essenciais de qualquer democracia ficam postergadas para dar lugar a um "Coliseu" tupiniquim, onde os "Césares" fingem comandar nossa Nação... enquanto isso, indígenas, quilombolas e pequenos agricultores esperam que o poder público lhes dê atenção e evitem o assassinato de suas lideranças, que nunca aparecem nas grandes mídias do poder central...

Pois que celebremos, então, nossa vitória no jogo de hoje... "Brasil!"
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