quinta-feira, 5 de julho de 2012

Tortura, Operação Condor e Comissão da Verdade

10 mil vítimas da Operação Condor foram identificadas na Argentina, diz juiz

O juiz federal da Argentina, Daniel Rafecas, afirmou que já foram identificadas dez mil vítimas da ditadura militar no país, durante a Operação Condor, na década de 60. Ele afirmou que essas vítimas foram identificadas com a abertura de mil processos contra pessoas que atuaram durante a operação. Respondem a processos chefes dos centros clandestinos de detenção e chefe das forças armadas, por exemplo. Até agora 250 já foram condenados por crimes graves. Os números são provisórios porque esse processo está em desenvolvimento, disse.
A declaração foi dada durante o seminário internacional Operação Condor, promovido pela Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça, ligada à Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
A Operação Condor, criada em 1960, foi uma aliança político-militar, entre os regimes ditatoriais de cinco países da América do Sul: Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. O objetivo era coordenar a repressão aos opositores dessas ditaduras e eliminar líderes de esquerda que militavam nos cinco países.
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Vladimir Herzog, assassinado nas dependências do DOI-CODI: isso pode ser atribuído a um suicídio??? Tente se matar assim, de joelhos!
No Brasil, a Comissão da Verdade "pisa em ovos", com medo dos militares, mesmo depois que a presidente Dilma prestou seu depoimento, publicamente, em entrevista amplamente divulgada pela imprensa. Por que temos medo dos militares? Por que ainda é tabu falar que houve violência, tortura e assassinatos cometidos pelos órgãos de repressão política no Brasil? Alguém ainda duvida - ou ousa questionar - que tenha havido tortura e assassinatos, sumários e sem julgamento, perpetrados pelos militares durante a ditadura? Afinal, vivemos, de fato, em uma democracia, ou apenas fingimos que esse regime corrupto é o que o povo brasileiro quer, e que consta, declarado, em sua Carta Magna, a Constituição Federal?
Escultura em memória de Cabo Firmino
Quem viveu os tempos da ditadura militar sabe quanto terror sofremos sob o mando dos generais de plantão no Palácio do Planalto... durante os piores anos de terror e violência, as pessoas "desapareciam" em seus ambientes de trabalho, nas escolas, nas ruas, nos teatros, nas suas próprias casas, raptadas diante de todos por militares, disfarçados ou não. A "maioria silenciosa" se calava, enquanto um pequeno grupo enfrentava a ditadura e denunciava o terror, pondo em risco a sua própria vida, mesmo aterrorizados diante das possibilidades de tortura ou de represálias contra seus familiares.
Hoje é diferente? Nem tanto! Mesmo diante da ditadura dos ruralistas, a sociedade se cala e consente que esse pequeno grupo de privilegiados se aproprie das riquezas de nosso país, sem pronunciar uma só palavra de protesto ou de reprovação. Nossas leis seguem mudando de acordo com o interesse das classes dominantes, sem que se esboce qualquer reação! A pantomima federal demonstra seu desprezo pelas leis e pela população, certos de sua impunidade! Nem mesmo diante da plateia mundial da Rio + 20 os políticos se sentiram constrangidos em evidenciar o desprezo oficial pelo Meio Ambiente e pelos nossos recursos naturais!
Os crimes cometidos pela ditadura militar sequer foram expostos ao público. Quantos morreram? Quantos foram mutilados? Quantos perderam seus filhos? Quem sofreu as torturas se cala, envergonhado de ter sido submetido a situações tão humilhantes e indignas! Por que, ou de quem temos medo? Dos militares? Mas eles não mudaram? Não são, agora, democratas? Certamente, não! Hoje, ao vir para meu trabalho, ouvia na rádio Nacional de Brasilia relato de um jornalista que foi agredido por militares simplesmente porque cumpria sua missão de informar. Curiosamente, depois de cinco anos, os militares foram todos absolvidos, mesmo com as provas cabais de fotos evidenciando o crime e a violência contra a imprensa! Agora, ele ganhou uma ação contra as Forças Armadas, devendo ser indenizado em R$60 mil, por danos materiais e morais. Em outro caso, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização por danos morais à família do jornalista de Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto em julho de 1971 na sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), na época comandado por Ustra. Mas essas ações não compensam os crimes cometidos! 
Isso não é TORTURA???
É nesse "Estado de Direito" que vivemos! É nesse país, acuado pelo medo de resgatar a própria História, que compartilhamos nossos dias com o crime e a violência sem controle. Se os bandidos comuns - aqueles que assaltam, agridem e matam - em sua maioria continuam na impunidade, até se compreende, pela incompetência dos órgãos de repressão ao crime individual ou organizado. Mas os crimes "de colarinho branco" e o abuso de poder por parte de autoridades militares, cuja única missão é Defender a Pátria, isso é inconcebível, inaceitável, imperdoável! Até quando seremos apáticos e covardes? Até quando conviveremos com os bandidos desse país, sem esboçar a mínima reação de repulsa e sem demonstrar o menor sentimento de revolta?
Se essa "Comissão da Verdade" não tiver a determinação e a coragem de desvendar todos os crimes cometidos durante a ditadura militar, é melhor que seja extinta. Para produzir mais um documento amorfo e sem valor, não precisamos deles! Valem mais os depoimentos espontâneos, como de Dilma Rousseff, ou os livros publicados pelas verdadeiras comissões da verdade, como "Tortura Nunca Mais!". A tortura é o crime mais hediondo e covarde que os homens são capazes de cometer, semelhantes em tudo ao estupro! Alias, muitas vezes, a tortura cometida durante a ditadura era acompanhada de estupros praticados em massa. Será que nunca mais teremos tortura neste país?
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