quinta-feira, 21 de junho de 2012

Áreas inteiras de Mata Atlântica são liberadas para desmatamento em MG

Nos últimos dois anos, região desmatou cerca de 3 mil hectares de mata. Apenas 7% da área nativa desse bioma ainda sobrevive à ação do homem.

Carvoaria clandestina na região do Vale do Jequitinhonha: produção destinada às grandes mineradoras
Na mata fechada é possível encontrar clareiras e fornos de carvão ainda acesos. No norte de Minas Gerais, o chamado Triângulo do Desmatamento é considerado pela ONG SOS Mata Atlântica como a região que mais destruiu esse tipo de bioma no país.
O triângulo é formado pelos municípios de Jequitinhonha, Ponto dos Volantes e Águas Vermelhas. Nos últimos dois anos, a região desmatou cerca de 3 mil hectares de Mata Atlântica.
Na entrada do município a placa indica que Águas Vermelhas respeita o meio ambiente, mas o município foi responsável por quase 20% de todo o desmatamento em Minas Gerais entre 2010 e 2011.
A ONG usou imagens de satélite e fez sobrevoos. Márcia Hirota é diretora da SOS Mata Atlântica. As imagens servem de documento no relatório preparado pela fundação.
Parte de uma área no município de Águas Vermelhas, no norte de Minas Gerais, que há menos de um ano era ocupada por mata nativa já tem o plantio de eucalipto.
A lei 11.428, de 2006, deixa expresso que o corte de vegetação primária no Bioma Mata Atlântica só pode ser autorizado em caráter excepcional para obras de utilidade pública, pesquisa científica e práticas preservacionistas. No caso de matas em outros estágios de regeneração, caberá ao órgão estadual competente conceder a licença ambiental.
Não é difícil encontrar tratores derrubando e arrumando toras recém-cortadas. Trabalhadores de uma carvoaria que colocavam toras nos fornos confirmaram que retiraram a madeira de uma área de mata nativa. No local fica a fazenda Paty, que pertence ao fazendeiro Paulo Daniel Antunes Sposito, conhecido como Seu Dadá, que mora em Vitória da Conquista, na Bahia.
O fazendeiro Paulo Daniel Antunes Sposito não quis dar entrevista, mas por meio de nota informou que a propriedade foi o primeiro imóvel da região a conseguir autorização para a supressão da cobertura vegetal nativa com destoca para a produção de carvão vegetal nativo e o cultivo de eucalipto. Ele enviou ainda cópia dos documentos emitidos pela Secretária de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais. Um dos documentos, que vence em janeiro de 2014, permite a supressão de 50 hectares de mata nativa e outro para 90 hectares, que vence em agosto deste ano.
Em Minas Gerais, muitos fazendeiros têm licença para o desmate. Desde 2011, é a Supram, Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o órgão que concede as licenças no estado. O escritório regional do Alto Jequitinhonha, responsável pela atuação na região, fica em Diamantina, distante quase 500 quilômetros de Águas Vermelhas. Segundo a superintendente Eliana Piedade Machado, as autorizações são aprovadas por uma comissão formada por vários órgãos ambientais. De 2008 para cá, foram conseguidas 180 licenças de desmate na região, num total de 18 mil hectares.
“É uma região que tem um desenvolvimento socioeconômico muito precário. A gente tem que pensar também na realização de atividades econômicas. Por muitos anos, a economia local se baseou na cadeia produtiva do carvão. Hoje, a gente tem a citricultura chegando fortemente na região. É uma atividade econômica. A região precisa também se desenvolver. O grande desafio é conciliar esse desenvolvimento com a preservação ambiental”, justifica Eliana.
As autorizações concedidas no município de Águas Vermelhas se basearam na avaliação que as áreas são de Mata Atlântica Secundária, em estágio inicial de regeneração. Por isso, é exploração que pode ser permitida. Para caracterizar o estado de uma vegetação são analisados fatores como o porte das árvores, a densidade das matas e a existência de espécies vegetais protegidas por lei.

FONTE: G1 NATUREZA
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Nossas considerações

O Vale do Jequitinhonha é uma das regiões mais pobres de Minas Gerais. No entanto, essa situação de penúria e abandono não justifica a destruição do meio ambiente, principalmente de um bioma tão degradado como a Mata Atlântica, do qual só restam cerca de 7% de sua floresta original. É evidente que a perda dos recursos naturais apenas irá agravar ainda mais essa situação de pobreza e falta de oportunidades no futuro! Afinal, os recursos naturais são a fonte de todas as ações humanas, e a garantia de sua sobrevivência.

Esse comportamento, seja do fazendeiro que promove a destruição, seja das grandes mineradoras, usuárias do carvão ilegal, seja da Secretaria do Meio Ambiente que justifica e "legaliza" a extração da madeira, apenas evidencia a falência das políticas públicas brasileiras no que tange à proteção de nossos biomas, e demonstra a hipocrisia do Governo Federal, nas manifestações da presidente Dilma Rousseff e de sua Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que tentam "vender" a imagem de que o Brasil seria um "exemplo de políticas sustentáveis"! Só se essa "sustentabilidade" se referir ao enriquecimento ilícito dos latifundiários e das grandes mineradoras de nosso triste país...

Fatos como este demonstram que apenas por termos leis efetivas de proteção do Meio Ambiente não asseguramos a preservação de nossos recursos naturais. Pelo Código Florestal em vigor desde 15 de setembro de 1.965 a ocupação e destruição de áreas de preservação ambiental se constitui em crime passível de multas e de prisão dos responsáveis; no entanto, 47 anos depois, o que vemos é um bando de latifundiários dominar o Congresso Nacional (que deveria representar a população brasileira, e não uma minoria de bandidos) e impor sua vontade à revelia da Sociedade; o que constatamos é a devastação de extensas áreas do Cerrado, reduzindo-o à metade de sua extensão; o que vemos é a ocupação ilegal de matas de galerias, comprometendo a existência dos rios brasileiros; o que vemos é o uso indiscriminado de agrotóxicos, contaminando nossos aquíferos e comprometendo a existência das futuras gerações de brasileiros!

Minas Gerais não é exceção: é REGRA! Regra de corrupção, de safadezas, de domínio do poder econômico de forma desonesta e desleal! Regra de insanidade dos governantes e juristas, que sequer conseguem fazer cumprir as leis! Neste país de "Cachoeiras" (não as verdadeiras, mas de bicheiros criminosos e contraventores), a voz do povo não é a voz da democracia, que não existe; é a voz dos oprimidos e submetidos a todo tipo de desrespeito e submissão aos interesses mesquinhos e suspeitos das classes abastadas, que exibem suas fortunas, surrupiadas nas catacumbas do poder, sob os olhares indiferentes do Poder Judiciário, que apenas faz "cumprir a lei", ou seja, o rito processual escrito pelos poderosos e que só a eles favorece.

Agora, no apagar das luzes da Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável, até o Secretário Geral da ONU se submete aos interesses dos poderosos, afirmando que "houve um grande progresso nas negociações e o documento produzido será de relevante importância para a preservação de nosso mundo futuro"... MENTIRA! Esse documento não serve sequer para limpar a sujeira produzida por esse bando de hipócritas que se perfilou diante do público para dizer asneiras, palavras vazias de conteúdo, sem qualquer comprometimento com os objetivos fundamentais desse gigantesco, inútil e dispendioso encontro! Se foi para dizer tão pouco, então para que vieram?
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