terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A solidão do poder

por João Carlos Figueiredo, terça, 8 de fevereiro de 2011 às 00:59

Não importa o regime político ou o modelo de governo: as decisões dos governantes são sempre solitárias e unilaterais. Já vivi tempo suficiente para não acreditar na democracia. Quando era um estudante secundarista e, depois, como estudante universitário, lutava por direitos que não eram meus: justiça, igualdade, liberdade eram palavras de ordem que comandavam as massas... ah... sim, as massas!

Massas, proletariado, classes menos favorecidas... os termos mudaram, mas a realidade não foi informada dessas transformações! Poder não se delega: se toma! E, dentro dessa constatação, cedemos às evidências: Democracia é Utopia, assim como socialismo e outras doutrinas de compartilhamento do poder.

Fui membro do DCE da USP (Diretório Central dos Estudantes - Universidade de Sâo Paulo). Em nossas assembléias compareciam cerca de 100 a duzentos estudantes, em um universo de 20.000 alunos dos diversos cursos e carreiras. Nós nunca representamos os estudantes: fomos sim os manipuladores de uma corrente de pensamento que visava um mundo perfeito, onde não houvessem discriminações e onde todos tivessem voz.

Porém, o povo não quer ter voz! A maioria absoluta da população sonha com os caudilhos, com os líderes que transformam suas expectativas em bandeiras em busca de soluções... muito poucos são os que aspiram atingir o poder, pois é muito mais fácil apoiar aqueles que doam suas vidas em defesa desses ideais!

Durante muito tempo acrreditei que o povo queria tomar o poder, mas a história contesta essa afirmação. A maioria quer ser conduzida! Alguém precisa transformar a inércia e a preguiça intelectual do povo em aspirações políticas, em projetos de governo, em defesas intransigentes de liberdades de expressão, de justiça social...

Quem se expõe à defesa desses ideais? Uma insignificante minoria!

Pois é assim que o mundo percorre sua trajetória histórica e preserva valores que não são de muitos, mas apenas de uma minoria intelectual que prefere entregar suas vidas em defesa de causas insustentáveis! O poder pode corromper; o poder pode inebriar uma "elite" que habita os congressos, as assembléias, os palanques em forma de "democracia"; mas quem toma as rédeas e o timão são uns poucos abnegados, que mal sabem por que fazem isso!

Sou um desses tolos e crédulos! Acredito que vale a pena lutar pelos direitos sociais, mesmo que, no fim das contas, eu acabe sendo mais uma vítima de minhas próprias ideologias... e assim, sigo caminhando, sem rumo definido, baseando-me apenas pelas manifestações de minha intuição e pela ideologia, da qual jamais abdiquei...
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