quinta-feira, 22 de julho de 2010

Safári de Caça a Onças no Pantanal Matogrossense

Representantes da Polícia Federal e do IBAMA, durante a coletiva sobre a Operação Jaguar. Foto: Deurico/Capital News
21/07/2010 - 12:41 - Bando matava onças em safáris no Pantanal, com ajuda de "mateiros" que auxiliaram Ibama ( Por Jefferson Gonçalves - Capital News)

A quadrilha que realizava safáris na região do Pantanal, presa durante a Operação Jaguar, tinha como guias, pessoas especializadas em caça de onças. Segundo a Polícia Federal, os “mateiros” Marcos Antônio Moraes de Melo e o seu pai, identificado como A. T. M. N., eram contratados para auxiliar os caçadores a encontrar as onças. A dupla, que possui uma vasta experiência de campo na caça dos felinos, utilizava cães farejadores para encontrar as onças.

O fato mais curioso é que um dos “mateiros”, um caçador profissional de onças que se dizia “regenerado”, chegou a auxiliar também o IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais) na procura de onças para que a instituição pudesse registrá-las para monitoramento. Paralelo à ajuda ao IBAMA, ele também ajudava os caçadores que chegavam na região. “Esses mateiros chegaram a ajudar uma Organização Não Governamenal (ONG) do IBAMA para encontrar onças para que fossem cadastradas no sistema. Mas eles também ajudavam os caçadores a chegar até o animal, que era abatido cruelmente” disse o Superintendente do IBAMA, Davi Lourenço.


De acordo com a Polícia Federal, o responsável pela coordenação da caça nas regiões, seria Elizeu Augusto Sicoli, morador em Cascavel no Paraná. Elizeu seria a pessoa que fornecia as armas e também preparava a caçada, tanto para brasileiros e estrangeiros. Ele também organizava “excursões” no exterior para caçadas. Elizeu chegava a ganhar U$ 1,5 mil por pessoa para caças no território brasileiro e U$ 3,5 mil nas do exterior. “Vamos investigar se há a participação de fazendeiros, já que as caçadas eram feitas em propriedades particulares” disse o superintendente da Polícia Federal, José Luiz Lara.
."Fazendeiros serão investigados, já que as caçadas eram feitas em áreas privadas do Pantanal" disse o superintendente da PF, José Luiz Lara. Foto: Deurico/Capital news
As investigações foram iniciadas com o suporte do Instituto Brasileiro de Maio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) no ano passado, após a descoberta de carcaças de onças em algumas fazendas do Pantanal e também com o desaparecimento de onças monitoradas pelo IBAMA em regiões próximas ao município de Corumbá.

Ao todo foram cumpridos sete mandados de prisão temporária, sendo dois em Miranda e Rondonópolis (MT) e três no Paraná. Também estão sendo cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. Três pessoas ainda estão foragidas. A quadrilha também contava com a ajuda de um taxidermista profissional que confeccionava os “troféus” dos caçadores. Durante a operação, os policiais apreenderam várias armas de alto calibre, equipamentos de taxidermia e peles de animais, entre elas o couro de uma onça preta, animal considerado raro no Pantanal.

Na tarde de ontem (20), mais oito pessoas foram detidas em flagrante durante uma ação da Polícia Federal em conjunto com o IBAMA em fazendas da região de Sinop em Mato Grosso. Entre os detidos estão quatro argentinos, um paraguaio e três brasileiros, sendo um deles policial militar. Segundo a PF, todos estavam portando armas de diversos calibres.

Os suspeitos serão indiciados nos crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais (lei 9605/98) – Perseguir, caçar ou matar animais da fauna silvestre sem permissão – Pena de seis meses a um ano e ainda por porte ilegal de arma de fogo, cuja pena prevista é de até 4 anos de reclusão e mais o artigo 288 do Código Penal (Formação de Quadrilha ou Bando – Pena de 1 a 3 anos de reclusão.
Os policiais encontraram várias peles de onças, animais empalhados, armamentos e até marfins (ao fundo) Foto: Divulgação/PF 
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