segunda-feira, 14 de junho de 2010

Os EUA, a Inglaterra e o pavor do Terror

Nunca antes, em uma Copa do Mundo de Futebol, viu-se tamanho aparato militar para proteger jogadores e torcedores de dois países: EUA e Inglaterra. Foi uma verdadeira operação de guerra, com várias inspeções no campo e nas arquibancadas, nos arredores e em toda a cidade que hospedou as duas seleções do mundo. E tudo sob a supervisão dos órgãos de contra-espionagem desses países! Isso contrastava e violentava o clima de paz, de harmonia e de simpatia que irradiava dos anfitriões africanos desde a abertura e em todos os jogos já realizados.

Por que esse pavor? Porque esses dois países são os campeões da violência nas arenas reais do mundo; os EUA comandando as ações de guerra e a Inglaterra, de joelhos, prestando vassalagem a seus ídolos internacionais. Quem não conhece a História poderia se espantar com essas palavras, mas basta um pequeno "tour" pela história recente para compreender essa triste realidade, partindo de um país que se auto-intitula o "campeão e defensor da democracia" e, em nome dela, tem perpetrado os mais cruéis crimes da História contemporânea.

Tudo começou ao término da 2º Guerra Mundial, quando o planeta foi dividido entre países Capitalistas e Comunistas. Embora a União Soviética tenha feito sua Revolução Comunista em outubro de 1917, EUA e URSS foram "aliados" durante a Guerra, tendo em vista o inimigo comum. Bastou acabar a guerra e a farsa também se esgotou.

Com a morte de Stalin e a ascensão de seu sucessor Nikita Krushev, foi declarada oficialmente a "Guerra Fria" entre URSS e EUA. O mundo passou a ser disputado entre as duas facções em conflitos sangrentos, como a Guerra do Vietnam, que se extendeu pela Coréia, pelo Cambodja e pelo Laos, causando centenas de milhares de mortos e destruindo quase completamente esses países e suas culturas. A presença dos militares norte-americanos nessa região por mais de 10 anos provocou a degeneração dos costumes, a proliferação das drogas e da prostituição, e o assassinato cruel e desumano de parte expressiva da população inocente e civil. Até bombas químicas e de "napalm" (plástico que, ao explodir, se incendiava e aderia aos corpos dos soldados, em morte lenta e cruel) os EUA usaram contra a população, indiscriminadamente, matando velhos, crianças e mulheres, e dizimando enormes extensões de florestas nativas com desfolhantes químicos de alto poder destrutivo.

Sabe-se que os EUA testaram exaustivamente seus armamentos mais modernos, como os caças Phanton, tanques de guerra e armas de toda espécie, permitindo-lhes assumir a vanguarda mundial na produção, proliferação e consumo de armamentos de alto poder de destruição. No entanto, finda essa guerra nos anos 70, os EUA tinham um expressivo contingente de soldados mutilados, viciados em cocaína e outras drogas, e desempregados. O que fazer com eles e com o enorme estoque de armamentos desenvolvidos e produzidos durante a guerra?

Nas décadas de1960 e 1970 os EUA se defrontaram com uma nova ameaça: diante do fracasso das políticas do "New Deal", as promessas de igualdade e justiça social do Comunismo conquistaram os intelectuais e estudantes de todo o mundo. Em 1967 e 1968 aconteceram manifestações estudantis na França e em toda a Europa, apoiadas por nomes ilustres como Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Ferdinad Sausure, e o Quartier Latin (quarteirão latino), famosa área central de Paris, foi ocupado por manifestantes exigindo mudanças estruturais na educação, na política, na filosofia e nas relações sociais, com mais liberdade.

Essas manifestações, aliadas a protestos estudantis dentro dos EUA contra sua participação na guerra do Vietnam, e à anterior e comovente experiência de Fidel Castro e Ernesto "Che" Guevara, reconquistando Cuba de seu ditador Fulgêncio Batista, inspiraram e motivaram rebeliões em muitos países sub-desenvolvidos, chamados de "terceiro mundo" pelas aristocracias da época. Essas rebeliões tornavam-se cada vez mais fortes, abalando as estruturas sociais, políticas e militares desses países, e ameaçando a hegemonia norte-americana no Ocidente.

Diante dessas ameaças, os EUA se envolveram diretamente em todos os golpes militares dos anos 60 e 70, instaurando ditaduras violentas em todo o continente sul-americano, inclusive no Brasil. Em todos eles a CIA (Central Intelligence Agency) teve papel preponderante e determinante na queda das democracias. Algumas dessas ditaduras se iniciaram com o assassinato de presidentes, como ocorreu com Salvador Allende, no Chile, em 1973 e a tomada do poder por um dos maiores facínoras sanguinários contemporâneos, o General Augusto Pinochet.

Uma nova política, muito diferente dos ideais democratas, foi implantada, à força, no mundo, substituindo governos legitimamente eleitos por títeres do regime imperialista norte-americano. Só restou Cuba, sustentada pela União Soviética, devido ao cerco político internacional que perdura até hoje, e apesar de sanções econômicas drásticas que minaram sua sociedade até a exaustão. Hoje, Cuba não consegue superar sua fragilidade econômica, e os países "democratas" não têm coragem suficiente para romper esse bloqueio. Mesmo o governo Lula, que se diz amigo pessoal de Castro, não cancelou as sanções econômicas e compactuou com os EUA nessa barbárie que macula nossas relações internacionais.

Ao final da década de 1980, os EUA detinham o poder na maior parte do mundo: venceram a "Guerra Fria", chegaram à Lua, derrubaram governos, e possuíam cerca de 25.000 ogivas nucleares apontadas para Moscou. Em 1988 o regime soviético se esfacelou e, com ele, a União Soviética, fragmentada em mais de uma dezena de países, sob a batuta de Mikhail Gorbachev. As ogivas nucleares soviéticas se espalharam entre esses países, ameaçando a paz mundial. O Muro de Berlim despencou, as Alemanhas foram reunificadas, e a Rússia que sobrou não tinha um décimo do poder da antiga União Soviética.

Com tamanho poder militar em suas mãos, os EUA se defrontaram com outro grave problema interno: a antes florescente indústria de armamentos estava em processo de falência, pois não havia novos conflitos que consumissem esse material bélico, e o enorme contingente de soldados não tinha o que fazer nos quartéis norte-americanos. Então, por que não criar um novo conflito? A pressão interna era enorme.

O primeiro alvo foram as guerras internas do continente europeu e, em particular, da Macedônia, Bósnia, Eslovênia, Croácia e Sérvia, pertencentes à antiga Iugoslávia. Milhares de pessoas, principalmente civis, foram vítimas dos tanques que rolaram sobre eles em confronto fratricida em Kosovo, sob os olhares passivos da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e da comunidade do Pacto de Varsóvia, esfacelada pela "dèbacle" socialista. Gastou-se muito armamento por lá...

O segundo alvo foi o Iraque. Havia escassez de petróleo no mundo ocidental, causada pelas restrições de produção da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo), e os preços subiam de hora em hora, assustadoramente. Estávamos nos anos 1970, e a economia mundial entrava em uma grave crise, desta vez provocada pela falta de guerras! Era preciso, era imperativo, que uma nova guerra fosse provocada.

A primeira Guerra do Iraque permitiu que os EUA desovassem grande parte de seus estoques de armamentos obsoletos e a indústria de material bélico norte-americano e dos demais países desenvolvidos se salvou. A crise do petróleo foi contida e os preços internacionais baixaram. A segunda Guerra do Iraque e a guerra contra os Talibãs do Afeganistão, provocadas pelo ataque às torres gêmeas de New York (setembro, 2001) completaram esse trabalho de reposição de armamentos, de recuperação das indústrias de material bélico e da regularização do fluxo de petróleo.

Todas essas ações norte-americanas causaram o repúdio dos meios intelectuais e, com as guerras do Iraque, também a repulsa dos países árabes, humilhados diante de seu inimigo visceral, Israel, que tinha o privilégio de contar com apoio incondicional dos EUA. A razão desse apoio era evidente: em primeiro lugar, representava o antagonismo ao poder dos muçulmanos; em segundo lugar porque os EUA precisavam conter o fortalecimento dos países produtores de petróleo do Oriente Médio; e, em terceiro lugar porque era estrategicamente interessante para os EUA ter um forte aliado implantado nos quintais de seus inimigos árabes.

Daí, para surgirem as novas fórmulas do terror foi um passo: em toda História da Humanidade, mesmo durante o obscurantismo da Idade Média, o alvo das guerras sempre foram os soldados e seus comandantes. Agora, em nosso admirável mundo novo, o alvo mais fácil se tornou o povo, as pessoas comuns, indefesas diante de uma violência sem autor.

Pura covardia, diriam todos. Sim, covardia em sua manifestação extrema! E a causa primária dessa covardia foi o surgimento de um poder único, insuperável e sem limites de um só país em todo mundo: os Estados Unidos! Eles podiam fazer guerras, matar inocentes, prender e torturar seus inimigos, mesmo sem comprovação de culpa, como aconteceu em Cuba, nas prisões de Guantánamo, no Vietnam, no Iraque e nas prisões e calabouços dos países latino-americanos sufocados por ditaduras militares sustentadas pelos EUA durante mais de duas décadas.

E a Inglaterra? Além de sua subserviência incondicional aos EUA, esse país também tem sua história de exploração e violência contra os povos. Que o digam Mahatma Ghandi e a Índia, destruídos por uma guerra sibilina, do ópio, que fez com que toda uma população fosse contida pelo vício, apenas para que suas riquezas sustentassem a Coroa Britânica e seu povo aristocrata e de um poder imperial anacrônico.

Mas a Inglaterra também nos fez de idiotas depois da Segunda Guerra Mundial; credores de imensa dívida contraída pelo fornecimento de material bélico e matérias-primas, o Brasil recebeu, em pagamento, quinquilharias, perfumarias, lixo industrial da Grã-Bretanha imperial.

E as colônias inglesas ao redor do mundo, de onde retiraram, por séculos, tesouros incalculáveis, obras de arte, minérios, pedras preciosas? E a farsa do combate à escravidão no Brasil: por que não interessava à Inglaterra que explorássemos escravos africanos? Não foi por pena, com certeza! Com a exploração de escravos, a Inglaterra não tinha mercado para seus produtos, concorrentes de nossas "plantations" de cana de açúcar. Daí seu interesse em acabar com a escravidão e fomentar uma crise de produção de açúcar e nas lavouras de café no Brasil.

E nossa independência de Portugal? Quem pagou a conta para a Inglaterra foi o Brasil, por um acordo entre nossa antiga matriz e a Inglaterra, credora dos portugueses por ter ajudado Dom João VI e a Famíla Imperial a fugir de Napoleão e se instalar no Brasil. E o regime de Apartheid na África do Sul, colonizada por ingleses e franceses, fazendo dos negros africanos, em sua própria nação, o que foi feito aqui com nossos indígenas e com os negros trazidos da África?

Se hoje Inglaterra e Estados Unidos têm pavor do Terror internacional, a culpa é exclusivamente deles, que criaram e alimentaram seus próprios inimigos! Com certeza, nos jogos do Brasil contra países não alinhados (submissos) aos EUA e Inglaterra, não haverá tamanho  aparato militar para proteger nossos jogadores e nossa torcida, pois somos amantes da paz e amados por todos os povos do "terceiro mundo"!
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