sábado, 12 de junho de 2010

Comentários sobre a Transposição do rio São Francisco

As notícias reproduzidas nos dois posts abaixo referem-se à gigantesca obra que desviará parte das águas do rio São Francisco para abastecer outras bacias hidrográficas do nordeste, e que custará mais de sete bilhões de reais aos cofres públicos. Essa obra faraônica foi contestada por grandes nomes da hidrologia nacional devido a seus custos financeiros e sociais, uma vez que favorecerá o desenvolvimento de outros grandes projetos da agro-indústria, e não ao povo nordestino, que depende de carros-pipa para sua sobrevivência.

Até mesmo a população das cidades que foram beneficiadas pelas obras, com a criação de milhares de empregos temporários, temia as conseqüências do seu término, quando boa parte desses trabalhadores, vindos de outros municípios, ficariam sem emprego, agravando ainda mais a precária situação de penúria dessas localidades.

Em quase todos os locais por onde passarão os canais da transposição o povo sofre os problemas da seca, às vezes a poucos quilômetros de distância do rio São Francisco. No entanto, esses canais não serão utilizados para mitigar a sede da população, que verá a água passar sem poder dela conseguir sua redenção. Mesmo nos maiores municípios, como Cabrobó, em Pernambuco, que fica às margens do rio, parte da população urbana depende de carros-pipa para se abastecer de água.

Esse paradoxo de ver a água passar sem poder fazer uso dela revolta a população que há séculos sofre os efeitos das prolongadas estiagens que matam seus rebanhos, destroem suas plantações, e até mesmo seus filhos sucumbem à miséria, à fome e à sede que se prolonga por muitos meses.

Não obstante isso, muitos políticos locais aderiram ao projeto do governo federal para obter os favorecimentos imediatos em detrimento de soluções definitivas e solidárias, que foram preteridas, mesmo sob o protesto de organizações não-governamentais e dos movimentos sociais.

Agora constatamos o início dos problemas, com a provável demissão de boa parcela desses trabalhadores, que se juntarão ao enorme contingente de desempregados, de sem-terras, de sub-empregados e semi-escravos que subsistem naquela região, agravando os problemas sociais e fundiários, crônicos de imensa parcela do semi-árido nordestino.
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